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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O QUE É A PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA?

Há aproximadamente quatro décadas surgiu a Psicologia Evolutiva, uma outra perspetiva de
compreender o ser humano.
 
Esta perspetiva, propõe que as características psicológicas, tais como a memória a perceção, a linguagem, a inteligência, são simplesmente adaptações. Desta forma é possível compreender a mente humana, à luz da evolução humana. A mente humana é assim resultado da seleção natural e seleção sexual.
 
Segundo a Psicologia Evolutiva, a psicologia pode ser melhor compreendida à luz da evolução, aplicável a qualquer organismo com sistema nervoso. Nesta perspetiva existem mecanismos psicologicamente evoluídos, tal como a visão, o controle motor, a audição, etc. universais numa mesma espécie.
 
A psicologia tem as suas raízes na Psicologia Cognitiva e na Biologia evolutiva. Porém tem ainda influencias da ecologia comportamental, da inteligência artificial, da genética, da etologia, da antropologia, da arqueologia, da biologia e zoologia.
 
Este termo, surgiu provavelmente em 1973 por Ghiselin num artigo para a Science. Contudo foi popularizado por Jarome Barkow, Leda Cosmides e John Tooby com o seu livro “ The Adapted Mind: Evolutionary Psychology and The Generation of Culture”.
 
A Psicologia Evolutiva tem sido aplicada a vários campos de conhecimentos, tais como a economia, o direito, a psiquiatria, a política, a literatura e o Sexo.
 
Segundo esta perspetiva, fora as diferenças genéticas, todos nascemos iguais e com iguais potencialidades. Vamos especificando e desenvolvendo as nossas competências e capacidades como forma de nos adaptarmos ao meio.
 
Na Psicologia Evolutiva, o primeiro ser da nossa espécie, teria as mesmas potencialidades que nós. Isto é, os homens pré-históricos, teriam as mesmas potencialidades que o “homem atual”, porém o meio não necessitava que as desenvolvesse e por esse motivo nunca as desenvolveu. À semelhança das “crianças selvagens”, estas são crianças que por algum motivo, cresceram entre animais, sem contato com as pessoas e a civilização. Estas crianças não desenvolvem a linguagem, a inteligência, o pensamento e o comportamento em todo o seu potencial.
 
Assim sendo, segundo esta perspetiva, muitas das patologias e doenças mentais de origem psicológica, podem resultar de uma adaptação. Uma pessoa que cresce num ambiente “perigoso” e “instável” é bom que esteja continuamente preparado para tudo, porque o perigo pode surgir a qualquer altura e de qualquer lado, assim sendo vai criar um estado de alerta eminente, a chamada ansiedade. Assim sendo muitas outras patologias ou sintomas podemos observa-las nesta perspetivas, conseguindo “reconstruir” o meio em que se desenvolveram.
 
Contudo segundo esta perspetiva e visto que somos o que somos devido às necessidades e exigências do meio, surge inevitavelmente uma questão: Estaremos nós no expoente máximo do desenvolvimento do cérebro, ou é possível desenvolvermo-nos mais?
 
Possivelmente se o meio for mais exigente, proporcionará indivíduos mais e melhor adaptados. Então qual é o limite do desenvolvimento?
 
Pessoalmente não tenho conhecimento para responder a esta pergunta, podemos porém olharmos para trás na história. Os homens pré-históricos, não tinham linguagem, possuíam pouca tecnológica, possuíam pouco conhecimento e possivelmente era impossível para eles imaginarem a civilização como hoje a conhecemos. Não poderia estar o mesmo a acontecer connosco? Não seremos nós “humanidade atual” apenas um passo de uma longa caminhada?
 
E você, acredita que estamos no nosso limite de desenvolvimento?
 
 
Fonte: PsicologiaFree

sábado, 11 de fevereiro de 2012

SOU FODA


Muitos homens costumam perceber, erroneamente, interesse afetivo por parte de mulheres até quando este interesse nem existe. Imagine uma situação “típica”: uma mulher que está em um bar procurando o garçom no meio da  multidão da, sem querer, “aquela” olhada no “bonitão” que acabou de chegar, achando que encontrou o garçom… pronto. O camarada já pensa: “sou foda!”

Vários estudos demonstram que homens possuem esta tendência de perceber maior interesse sexual por parte das mulheres do que elas realmente têm por eles. Um estudo publicado recentemente na revista Psychological Science replicou esta tendência e foi um pouco mais além: pessoas como o nosso amigo “foda” dos Avassaladores na imagem  acima podem ter sido favorecidos evolutivamente, mas mulheres também podem possuir um viés cognitivo na percepção de interesse sexual, porém no sentido oposto.

A equipe liderada pelo veterano da psicologia evolucionista, David Buss, delineou um estudo onde foi avaliado se havia um viés de percepção em mulheres e se haviam diferenças individuais neste viés, tanto em homens quanto em mulheres. Em cada sessão do estudo, 5 homens e 5 mulheres, todos heterossexuais, encontravam-se em um laboratório com várias salas, onde conversavam durante 3 minutos em duplas de um homem e uma mulher, cada casal em uma cabine. Ao final dos 3 minutos, um dos participantes saia da sala e entrava em outra, encontrando outro participante do sexo oposto, e assim sucessivamente. Eles tinham que julgar uns aos outros, logo após a interação, em diversas dimensões de atratividade.

O estudo encontrou evidências de que, no concernente à diferenças individuais, homens mais interessados em relações de curto prazo e que se consideravam mais atraentes apresentavam um viés mais acentuado. Um dos dados mais curiosos é que os homens que as mulheres consideraram mais atraentes no estudo apresentaram um menor viés, ou seja, percebiam menos interesse sexual. No nosso passado evolutivo, homens menos atraentes que erroneamente identificaram interesse sexual em mulheres teriam mais chances de se reproduzir com elas do que homens menos atraentes e que não possuíssem tal viés, pois se sentiriam mais confiantes e se engajariam em mais tentativas de interação sexual.

As mulheres no estudo, por outro lado, apresentaram uma tendência de perceber menos interesse sexual. Os autores argumentam que este viés poderia estar relacionado à vantagens adaptativas como maiores chances de se esquivar do interesse sexual indesejado. Os dados do estudo indicam, portanto, que as mulheres também apresentam um viés, mas no sentido oposto, e que existem diferenças individuais influentes na maneira como este viés influência o comportamento. Mais estudos são necessários para entender se tais vieses também existem em indivíduos com outras orientações sexuais que não a heterossexual.

A percepção errônea de interesse sexual possui implicações sociais consideráveis, pois este viés pode trazer consequências negativas para muitas pessoas (e.g. assédio sexual em ambientes de trabalho).   Os dados desta linha de pesquisa indicam que uma comunicação menos ambígua poderia evitar algumas situações constrangedoras. Portanto, fica aqui o alerta para “os fodas”: aquela mulher maravilhosa, naquele barzinho, provavelmente não estava de olho em você!


REFERÊNCIAS

Perilloux, C., Easton, J., & Buss, D. (2012). The Misperception of Sexual Interest. Psychological Science DOI: 10.1177/0956797611424162

Fonte: SocialMente