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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

ATÉ QUE PONTO ME EXPONHO NA INTERNET

Por Juliana Zacharias


"A ideia é que a pessoa só se exponha na medida em que suporte as consequências dessa exposição"


Até bem pouco tempo as fronteiras entre o que era público ou privado estavam claramente estabelecidas, até mesmo por barreiras físicas: os muros de nossas casas. 

Cada pessoa sabia quais eram as regras, os riscos, as expectativas, bem como os comportamentos esperados na esfera pública e cada um sabia que, dentro das paredes da sua casa, do seu quarto, esses padrões podiam ser mudados. Obviamente, sempre existiram aqueles que não obedeceram a esses padrões, mas, nesses casos, era evidente a rebeldia ou a excentricidade envolvida nessa atitude. Por exemplo, quando um filho estava na rua, sua mãe sabia exatamente com o que deveria se preocupar: onde ele estaria, com quem, a que horas voltaria. Quando esse filho voltava para a casa, a sensação de tranquilidade e segurança eram imediatas: “agora sei com quem ele está e onde”.

Com o surgimento da internet e sua imensa popularização, essas fronteiras foram e estão sendo questionadas, reposicionadas ou até mesmo derrubadas! Hoje em dia, essa mesma mãe pode ver seu filho dentro das paredes de seu quarto, supostamente em segurança e sob sua supervisão, mas ele está navegando e, se está navegando, está em um espaço PÚBLICO.

Boa parte dos pedidos de orientações que recebemos (contendo temas ligados ao uso da internet) em algum sentido se relaciona com os problemas gerados por essa confusão entre o público e o privado inaugurada recentemente: mães pedem orientação para seus filhos, pessoas com problemas de exposição nas redes sociais, casais confusos quanto aos limites da chamada traição virtual, entre outros.

Claro que cada tema tem sua especificidade e cada caso em particular, também. Entretanto, se entendermos a internet (redes sociais, youtube, sites, twitter, etc.) como um espaço público, como se estivéssemos na rua, numa reunião ou numa festa, essa visão nos ajudará a estabelecer nossos próprios limites bem como as regras a serem seguidas nas nossas relações (com nossos filhos, cônjuges ou conosco mesmos).

Desse modo, ainda que resolvêssemos transgredir esses limites, não seria por confusão, mas por “rebeldia”. A ideia é que a pessoa só se exponha na medida em que suporte as consequências dessa exposição.

Pensar assim pode parecer angustiante e trabalhoso, uma vez que já estamos acostumados a nos sentir “soltos” e “livres” na condição online. Entretanto, a liberdade na net não deve ser a liberdade do “posso tudo”, mas precisa ser entendida exatamente da mesma forma que a liberdade experimentada na vida em geral: aquela que é vivida com responsabilidade, respeito e democracia.

Por falar em democracia, não podia deixar de lembrar, depois do ano de 2011, um aspecto incrível permitido pela mesma quebra de barreiras entre o público e o privado: a possibilidade de democratização de países “fechados”. A chamada Primavera Árabe foi desencadeada nas redes sociais exatamente por serem elas espaços públicos instalados dentro de nossas casas. Nenhum de nós precisou sair de nossas casas e ir fisicamente a nenhum outro país para trocar experiências, possibilidades, ideais de liberdade e de uma vida diferente. Não é à toa que todos os regimes não democráticos lutam pelo controle da internet!

A internet é uma ferramenta muito poderosa! Então, faço minhas as palavras famosas do filme O Homem Aranha I (Dir: Sam Raimi, EUA-2002) : “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”. Vamos usar a WEB com responsabilidade e tirar dela todas as maravilhas que pode nos proporcionar.



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

POR QUE AS REDES SOCIAIS ATRAEM TANTO?

Por Katty Zúñiga


 "... o ser humano tem uma necessidade de estar junto com o outro, de se relacionar e interatuar constantemente. Pois é a partir do outro que o ser humano vai se construindo: somos gregários por natureza. E a internet - particularmente as redes sociais - vem facilitando imensamente a realização desse desejo"



 Há anos, quando criei minha primeira conta de e-mail, ligava meu computador e me emocionava ao ouvir o som de “chegou mensagem para você”.
Era um singelo aviso de que alguém tinha me mandado um e-mail. Depois, vieram os barulhinhos do ICQ e do MSN, que também causavam a mesma sensação. Surgiram então as redes sociais e suas comunidades, até chegarmos finalmente no Facebook, que, apesar de não ser o mais recente, é a “bola da vez” no que diz respeito à interação pela internet.

À medida que o tempo foi passando, o ciberespaço tem oferecido maneiras cada vez mais ricas e sofisticadas de nos sentirmos de alguma forma, conectados com pessoas de diferentes partes do mundo, como se estivessem ao nosso lado. E os internautas gostam muito dessa facilidade.

Nos dias 6 e 7 de outubro/11, durante o evento “Psicologia Online São Paulo 2011 - Discutindo as Dimensões do Atendimento Psicológico à Distância” (no CRP-SP), um dos palestrantes mencionou dados interessantes divulgados pelo Instituto de Pesquisa comScore, referência mundial em métricas de internet. 

Segundo esse instituto, de março de 2010 a março de 2011, o tempo gasto por americanos na internet como um todo caiu 9%. Em contrapartida, no mesmo período o tempo gasto no Facebook aumentou 69%.

De fato, toda vez que entro no Facebook percebo que muita gente já passou por lá desde meu último login. Essas pessoas postaram uma série de comentários, notícias, críticas, pensamentos, fotos de seus familiares, comentários sobre a balada da noite anterior ou até mesmo o que estavam fazendo naquele momento, por mais sem importância que fosse. É como se existisse uma necessidade urgente de saber do outro e de se mostrar para o outro em meio a esse mar de informações, onde tudo pode ser expresso, onde tudo pode acontecer.

Eu me pergunto: será que as pessoas estão ficando alienadas ou estão sendo “sugadas” por esse mundo tão sedutor que está à nossa frente, o tempo todo nos convidando para experimentar seus “suculentos aperitivos”? O que torna tudo isso mais interessante é que são os nossos amigos, as pessoas que apreciamos, ou amigos do passado que não víamos há anos, que nos apresentam aquilo que queremos ver ou saber. De alguma forma, existem ali interesses comuns por determinados assuntos, além de coisas das quais gostamos.

Como o Facebook parece acertar tão bem meus gostos? 

Chego a perguntar: o que há de tão especial nesse espaço virtual no qual mergulhamos aparentemente sem nenhum receio, e do qual, cada vez mais, fazemos parte? 

Será que, de alguma maneira, as pessoas estão sendo moldadas, controladas pela internet, pelo Facebook sem se darem conta? 

Para onde estamos caminhando com tudo isto?

Lembro-me do filme *Wall-E e dos passageiros da nave Axion, todos bem acomodados, sendo servidos por robôs sem fazer esforço algum. Por conta de toda essa mordomia, as pessoas foram se tornando completamente sedentárias e obesas. Até seus corpos se atrofiaram e nem andar podiam mais: moviam-se sentados em cadeiras flutuantes. Além disso, tudo o que tinham a fazer, ou como deveriam se comportar, era informado por meio de mensagens publicitárias, seguidas por todos sem nenhum questionamento.

Saindo da ficção, o ativista americano Eli Pariser nos apresenta ideias interessantes sobre esse fenômeno em sua teoria chamada “bolha de filtro“. Esse autor procura demonstrar que as pessoas tendem a se acostumar e a aceitar coisas que lhes são oferecidas por desconhecer as alternativas. Dessa forma, se reforçariam conceitos já existentes em cada pessoa, mesmo quando eles não sejam os melhores. Assim, diante da ausência de alternativas que questionem esses modelos, o resultado seria um grupo de pessoas embrutecidas e limitadas. Exatamente o que se via na nave Axion.

Pariser propõe, portanto, que os responsáveis pelos sites da Internet não usem a bolha de filtro, para que as pessoas não se tornem alienadas. 

Mas os sites querem que as pessoas se sintam confortáveis, para que fiquem mais e mais tempo ali. “Como Narciso acha feio o que não é espelho”, os sites - principalmente as redes sociais - tendem a mostrar os conteúdos com os quais cada pessoa se identifique mais. Aparentemente está dando certo: exibindo o que cada um gosta, os internautas têm passado mais tempo nas redes sociais.

Mas por que as pessoas estão deixando que isso aconteça? Como dissemos no começo, o ser humano tem uma necessidade de estar junto com o outro, de se relacionar e interatuar constantemente. Pois é a partir do outro que o ser humano vai se construindo: somos gregários por natureza. E a internet - particularmente as redes sociais - vem facilitando imensamente a realização desse desejo.


INCONSCIENTE COLETIVO

Poderíamos até dizer que essa internet consensual seria uma materialização tecnológica do que Carl Gustav Jung chamou de “Inconsciente Coletivo”. Esta seria a instância mais profunda da nossa psique (mente), onde residem as imagens primordiais da humanidade, como a diferença entre o bem e o mal, a sombra e a luz, etc.

O Inconsciente Coletivo seria então aquela região da nossa psique onde sonhamos, somos heróis, sendo também o espaço psíquico que abriga as imagens arquetípicas comuns a todos os seres humanos. Contém, portanto, uma incrível riqueza psíquica. Porém, contém também o risco de nos deixarmos fisgar pelas armadilhas do prazer, justamente por nos identificarmos facilmente com tudo que ali encontramos. O uso abusivo desse recurso pode distorcer a nossa visão do mundo, pois esse mesmo mundo está longe de ser tão consensual conosco.

Por isso, não é de se estranhar que as pessoas usem as redes sociais de maneira crescente. Elas querem projetar no mundo real determinada imagem de si próprias, esperando receber em troca uma “confirmação” de que o mundo se parece com elas. O que obviamente não acontece: o mundo é o que é, e não vai se moldar aos nossos desejos, por mais que as redes sociais ajudem a criar essa ilusão.

Então, assim como acontece com a imersão no Inconsciente Coletivo, o uso de ferramentas como o Facebook deve ser criterioso e acompanhado de alternativas questionadoras que nos “salvem” desse êxtase de consenso. Assim, não há nenhum problema em se consumir o que o Facebook nos oferece, desde que não nos alimentemos apenas dele. Precisamos sempre conhecer as alternativas que a vida nos oferece, mesmo aquelas que não nos agradam. Afinal, a chave da nossa evolução está em manter um ponto de equilíbrio entre a idealização e a realidade; entre o nosso desejo e o que lhe é conflitante e diferente.

* Wall-E: filme de animação americano de 2008 produzido pela Pixar Animation Studios, dirigido por Andrew Stanton



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A DITADURA DA INTERFACE

COMO UMA INTERFACE PODE INFLUENCIAR TUA VIDA E TUAS RELAÇÕES
Por Marcio Berber Diz Amadeu


"Cada vez mais a Internet está se fechando em plataformas com interfaces específicas. E cada detalhe delas, por menor que seja, influencia a nossa comunicação e o modo de nos relacionarmos"



Há muito tempo fala-se sobre relações mediadas pelo computador. Relações que acontecem por meio dos nossos PCs, notebooks e até mesmo celulares.

Relações cujos contextos são nossos e-mails, nossas redes sociais, navegadores ou programa de mensagens instantâneas, etc. Aposto que apenas citando esses nomes, as imagens das telas, botões e mensagens de cada um deles surgem na sua memória.

Você já parou pra pensar em como todas essas relações passam pela interface do software que você usa? Por exemplo: seus e-mails são lidos e enviados do seu programa de e-mail preferido. Você conversa com seus amigos numa rede social específica, com funcionalidades específicas (chat, mensagens, perfis, etc). E o objetivo deste artigo é refletir um pouco sobre essas interfaces e como elas podem influenciar as nossas relações.

Segundo a Wikipédia, o conceito de Interface é amplo, pode se expressar pela presença de uma ou mais ferramentas para o uso e movimentação de qualquer sistema de informações. Em outras palavras, interface é o conjunto de comandos disponíveis e respostas (geralmente visuais) que o computador lhe dá ao realizar uma ação.

Mas como uma interface pode influenciar a sua vida e as suas relações? Para entender melhor, vejamos este exemplo: há algumas semanas atrás, um vídeo cruel de uma mulher agredindo um animal circulou por várias redes sociais. O vídeo causou comoção de muitas pessoas e reações de ódio e indignação. Compreensíveis, mas para este exemplo, precisamos deixar de lado o aspecto moral desse acontecimento.

Voltando ao vídeo, essa não é a primeira vez que um animal é agredido por um ser humano e gravado em vídeo. Mas a interface do Facebook permitiu que esse vídeo fosse distribuído, compartilhado e comentado indefinidamente. E o mais importante: isso ocorreu de maneira extremamente rápida!

O usuário médio recebia o vídeo por um amigo no seu mural. Antes mesmo de assistir já tinha uma opinião formada pelo que os seus amigos diziam a respeito e compartilhava (assistindo ou não) para se juntar à massa enfurecida. Tudo isso ocorrendo num espaço de minutos.

Todos sabem que publicar qualquer tipo de conteúdo no Facebook é extremamente fácil. A facilidade de uso é uma das qualidades mais buscadas na construção de uma interface. Ela permite que nós usemos o site ou programa sem precisar pensar, de maneira quase automática. Algumas empresas investem muito dinheiro em pesquisas apenas para tornar um site mais usável para você.

E voltando ao vídeo, a velocidade somada à facilidade de uso e a sensação de grupo gerada pelo Facebook foram os ingredientes principais para gerar esse “acontecimento”.

Veja, certamente há outros aspectos que influenciam em qualquer conteúdo viralizado, mas perceba como o Facebook construiu uma interface que facilita esse tipo de comportamento. Lá você está próximo de amigos, agindo em grupo e facilmente compartilha qualquer tipo de opinião. Opinião que muitas vezes já vem pronta na forma de um vídeo ou imagem. E isso não é mérito desse site, já que nos últimos anos diversas redes sociais tentaram seguir o mesmo caminho e apenas por pouco não estão no lugar dele.

O Facebook apenas teve a sorte de descobrir antes a fórmula para atrair mais e mais usuários. E pela sua audiência, sua interface dita as regras nos dias de hoje, mas poderia ser outro. De fato Facebook, Google e Apple são os maiores responsáveis pelas interfaces no nosso tempo.

A meu ver, o principal problema da supremacia de uma interface ou outra é a limitação que ela nos causa, uma vez que toda a comunicação que criamos ou recebemos passa pelos seus moldes e por fim nos aliena.

Cada vez mais a Internet está se fechando em plataformas com interfaces específicas. E cada detalhe delas, por menor que seja, influencia a nossa comunicação e o nosso modo de nos relacionarmos. Cada funcionalidade, cada interação, expressa não só a nossa comunicação, mas também a da própria interface. E se o que comunicamos e percebemos passa sempre por essa forma, nossa realidade vai ficando também cada vez mais restrita.

Amanhã, você estará falando com seus amigos por meio de uma dessas plataformas. Mandará mensagens e receberá respostas através dessa interface. Pense nisso. 


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

INTERNET NOS TORNOU "SERES DIGITAIS"


Por Juliana Zacharias


"Com relação à sexualidade mais diretamente, parece que a internet estimula a sensação de que existe um sexo fácil, que não dá trabalho, que não precisa ser conversado, que não vincula e, ao mesmo tempo, que completa... E a partir disso, qualquer relação sexual presencial pode ficar trabalhosa demais, cheia de defeitos e pouco interessante"


A internet entrou em nossa vida com tal força que muitas vezes nos perguntamos como conseguíamos realizar muitas tarefas antes do advento dessa incrível tecnologia. Como nos comunicávamos com nossos amigos? Como conseguíamos manter amizades distantes?

Como ficávamos sabendo das notícias? Como fazíamos compras e comparações de preços? Como fazíamos propaganda de nossos negócios? É como se nossa experiência tivesse se transformado de tal maneira que nosso “ser digital”, hoje, é parte integrante de nossa personalidade. Parece que, no futuro, os livros de Historia (digitais, com certeza) dividirão nossa época entre antes e depois da internet. 

Os ganhos que tivemos nesses últimos 15 anos em nossa comunicação e acessibilidade a informação são incalculáveis e, certamente, muito benéficos. 

Entretanto, como em todas as relações humanas, nossa relação com o computador também acarreta alguns problemas. 

Na clinica da PUC-SP, desde 2006, oferecemos um serviço de orientação para pessoas com dificuldades no uso do computador. Ainda que a proposta seja atender tanto pessoas com uso exagerado, como pessoas com tecnofobia, não atendemos nenhum usuário do serviço cuja queixa fosse medo das novas tecnologias. Entretanto, tivemos (e cada mês temos mais) muitos casos de pessoas mergulhadas nessa relação com o computador que, ou através da própria percepção ou por apelos de terceiros, nos procuram em busca de ajuda.

Jogos, salas de bate-papo, sites de notícias, redes sociais, pornografia são alguns exemplos das atividades mais envolvidas nessas queixas. Cada usuário do nosso serviço expõe um pouco de sua história e fala das características específicas do uso que faz. E cada um tem mesmo sua especificidade. Mas, o denominador comum desses casos, apesar de toda a tecnologia, é um antigo conhecido do ser humano: o desejo de ser “inteiro”.

O ser humano sempre teve alguma consciência de que lhe falta algo (ou muito). Somos seres que desejam, anseiam, têm vontades, exatamente porque não temos tudo. As ferramentas que criamos sempre tiveram a tarefa de aliviar essa sensação de falta: os carros nos fazem correr em velocidades impossíveis para nossas pernas, os aviões nos fazem voar, criamos as roupas para nos aquecer, geladeiras preservam nossos alimentos e assim por diante. 

Quando se trata dos computadores, apesar de também serem fruto de nosso desejo, as satisfações são diversas, e por isso, nos ligamos a essas máquinas pelas mais diferentes razões. Temos observado que, nos casos das orientações as insatisfações amorosas (conjugais) e sexuais aparecem como uma importante motivação das pessoas que ficam muito tempo online. Em alguns casos, o tempo despendido na net ajuda a evitar conflitos e coopera para certo amortecimento das questões mal resolvidas do casal. 

A atividade que a pessoa realiza na net pode até não ter relação direta com relacionamentos ou com sexo, como, por exemplo, os jogos ou sites de notícias. Com relação à sexualidade mais diretamente, parece que a internet estimula a sensação de que existe um sexo fácil, que não dá trabalho, que não precisa ser conversado, que não vincula e, ao mesmo tempo, que completa... E a partir disso, qualquer relação sexual presencial pode ficar trabalhosa demais, cheia de defeitos e pouco interessante. 

Para além das relações amorosas e sexuais, as dificuldades no ambiente de trabalho, a pressão para se estar sempre informado, a correria do dia a dia e a falta de tempo aparecem como outras motivações importantes para as pessoas passarem mais tempo conectadas. E, apesar da contradição (falta de tempo x perda de tempo online) muitos relatam que o relaxamento proporcionado pela virtualidade é muito sedutor, mesmo que depois falte ainda mais tempo para aquelas atividades que, mais racionalmente, são relatadas como importantes (como estudar, passar tempo com filhos, trabalhar melhor, etc.).

Como vemos, devido a toda amplitude de influências e mudanças que essa ferramenta nos proporcionou, os pontos de conflito também crescem e se multiplicam. O homem criou a ferramenta, ela nos transformou, mas só depois que as mudanças já aconteceram (ou pelo menos estão acontecendo), começamos a refletir sobre o que existe de bom e de ruim nessas transformações... 

Por isso, tanto do ponto de vista profissional ao atendermos alguém com dificuldades no uso do computador, como para cada um dos milhões de usuários dessas tecnologias, é fundamental buscar o sentido de cada experiência que temos ou procuramos na net. E, se percebermos que existem dificuldades, buscar ajuda para melhorar essa relação conflituosa, mas essencial para a nossa vida atual.