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segunda-feira, 15 de junho de 2015

QUAIS AS MAIORES NECESSIDADES HUMANAS?

Os seres humanos têm diversas necessidades primárias. Algumas dessas necessidades humanas foram listadas pelo psicológo Abraham Maslow. Segundo ele, o homem é motivado por suas necessidades, sejam elas emocionais ou fisiológicas.

Podemos dizer que algumas prioridades listadas entre as necessidades humanas são: a fome, o desejo sexual e as necessidades do corpo, como a evacuação. Também existem as necessidades de realização pessoal.

O psicológo Abraham Maslow criou uma pirâmide hierárquica das necessidades humanas, são elas: necessidade de segurança, necessidade social, necessidade de status, necessidade de auto-realização e necessidades fisiológicas, que se encontram na base da pirâmide.

As necessidades fisiológicas são aquelas relacionadas ao organismo, como alimentação, sono, abrigo, água, excreção, libido, entre outras. Essas são as principais necessidades do homem.

Depois de suprir todos os desejos fisiológicos, o ser humano começa a buscar suas necessidades de segurança, representadas por estabilidade, proteção contra a violência, proteção para saúde e recursos financeiros.

Em seguida, temos as necessidades sociais, como amizades, intimidade sexual, socialização e aceitação. Depois, vêm as necessidades de status e estima, entre elas a autoconfiança, o reconhecimento, a conquista e o respeito.

Por fim, temos as necessidades de autorrealização, que estão no topo da pirâmide hierárquica, e contam com moralidade, criatividade, espontaneidade, autodesenvolvimento e prestígio.

Como podemos notar, o homem está sempre em busca da realização de suas necessidades.Sempre que conquistamos a realização de um desejo, logo colocamos outro no lugar. Assim, o ser humano vive uma constante necessidade de realização pessoal.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

ABANDONO E INFÂNCIA SEM A MÃE


abandonoEntrevista cedida pela psicóloga Marisa de Abreu sobre  Reencontro de mães e filhos – Revista Minha Novela Ed Abril

  

Como o pai deve lidar quando a mãe abandona o filho

Deve-se sempre contar a verdade à criança. Quando a criança é muito pequena ela vai ouvir as palavras mas não vai entender muito bem o sentido delas, mas é importante que a verdade seja sempre dita. Com o tempo ela vai absorvendo o sentido destas palavras e vai entendendo o que de fato ocorreu. O importante é que o pai não coloque grande carga emocional ao contar, que isso seja uma informação e não um desabafo do pai, esta criança não é seu terapeuta e não deve criar mais dor do que deveria. Quando o pai espera “o momento certo” para contar que a mãe está viva mas não está presente este momento pode ser tarde demais e criar mais traumas na criança do que se soubesse desde o inicio.
Na verdade a criança pode lidar muito bem com o fato de não ter sido criada pela mãe. A dor virá com o tempo quando ela perceber que a maioria das crianças são criadas pelas suas mães mas a dela não está presente. Este é o momento para o pai colocar de forma tranquila o que ocorreu, se a mãe precisou se ausentar por motivos de força maior, se ela não tinha condições psicológicas de criar uma criança, etc.

Mentiras atrapalham o crescimento pessoal

Alguns acreditam que uma mentira pode proteger a criança da dor do abandono. Creio que seja mais fácil pensar que sua mãe não está presente devido a falecimento, por exemplo,  do que ter de lidar com o abandono. Mas se esta não for a verdade haverá sempre o risco dela se decepcionar muito mais do que se soubesse desde o inicio.
Acredito que as pessoas precisam lidar cada um com sua verdade, por mais dolorida que seja. Sabendo lidar com suas dores, trabalhando a superação as pessoas saem mais fortes do que se forem preservadas por seus pais protetores.

A família pode ajudar a criança na situação de abandono

A família ajuda muito mais do que imagina apenas estando presente. Só isto já demonstra que ela é amada por muitas outras pessoas, ajuda-a a entender que a mãe fez uma escolha, que mesmo que pareça errada foi o que ela teve condições de fazer na época.   A família ajuda a criança a entender que ela não foi responsável pelo fato da mãe ter ido embora, ajuda a demonstrar que ela é muito querida por um numero muito grande de pessoas.
Não devemos exigir das pessoas mais do que elas tem para dar, se esta mãe não tinha amor suficiente para abrir mão de outras opções e ficar com o filho não devemos exigir um amor que não existe.

Como pode ser feita a reaproximação entre mãe e filho

A melhor forma é que exista um “filtro”, alguém que possa intermediar este encontro e o torne mais fácil. Alguém que faça a introdução desta mãe conversando antes com a criança, explicando que ela estará presente, talvez para sempre ou talvez por um período de forma a perceber se este momento é desejado por esta criança. Caso ela não deseje ou não esteja preparada o encontro não deve ocorrer.

É possível que a crinça rejeite essa mãe

É possível que esta criança não sinta qualquer sintonia com esta mulher que a gerou mas não foi sua mãe no melhor sentido da palavra. Caso isto ocorra esta mãe sempre tem o direito de insistir, tentar de outras formas, mas caso a criança não queira só resta a mãe aceitar o fato – assim como só restou a criança aceitar o fato de viver sem ela até aquele momento.
A mãe tem o direito de tentar. Ela faz parte da história da criança mesmo que de uma parte triste da história. Acredito que cada um deve lidar com sua realidade, pode ser que o reencontro não seja uma explosão de felicidade, mas ainda assim será uma oportunidade de crescimento e aprendizagem para todos.
Mas sempre resta a possibilidade de ser muito positivo, sempre é possível que esta criança fique muito feliz em finalmente ter contato com sua mãe e que esta mãe consiga dar o amor que esta criança merece.

Sempre haverá marcas

Não há como pagar a história, o fato da separação não será apagado, mas sempre é possível que a criança lide com este fato de forma mais leve do que imaginamos e não guarde rancores ou traumas pela separação. A felicidade em finalmente ter contato com sua mãe pode superar  a dor da separação. As marcas não serão apagadas mas é possível que sejam amenizadas com o amor que a mãe possa oferecer mesmo que tardiamente.

Ajuda de um psicólogo sempre será bem vinda

Um profissional, o psicólogo,  pode ajudar em qualquer uma destas etapas:
- Contar para criança que a mãe está de volta
- Marcar o encontro
- Estar presente no encontro
- Acompanhar a criação de um relacionamento saudável entre eles.


Fonte: MarisaPsicologa

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

DISCRIMINAÇÃO AUMENTA EM QUATRO VEZES CHANCE DE DEPRESSÃO

A discriminação tem consequências físicas e psíquicas muito mais duradouras para suas vítimas do que constrangimentos pontuais. Um estudo realizado com estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mostrou que aqueles que sofreram discriminação possuem 4,4 vezes mais chance de apresentar sofrimentos psíquicos como ansiedade, depressão ou dificuldade de concentração para atividades cotidianas.
No estudo realizado pela estudante de odontologia e bolsista do Pibic (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) Maria Vitória Cordeiro de Souza, 1.023 dos 19.963 estudantes matriculados na UFSC responderam a um questionário que perguntava tanto sobre experiência de discriminação quanto transtorno psíquico.
Thinkstock Photos
Entre os que relataram ter sofrido algum evento discriminatório, a prevalência de sofrimento psíquico atingiu cerca de 50%
“Se fala da discriminação no Brasil como particularmente velada ou ocultada, mas não foi isso o que apareceu no estudo. A discriminação ocorre de um modo explícito. Todas as questões que a gente abordou não eram sutis, elas não geravam dúvidas. Este conceito que temos de uma nação tolerante me parece mais uma fábula”, disse professor de Saúde Pública da universidade e coordenador das pesquisa João Luiz Dornelles Bastos.

Entre os que relataram ter sofrido algum evento discriminatório, a prevalência de sofrimento psíquico atingiu cerca de 50%. O estudo da UFSC não limitou a discriminação a uma situação específica. O questionário apontava 18 motivos para ter sido discriminado e também deixava espaço para que o respondente escrevesse o motivo. Entre os alunos que responderam o questionário, a maioria era branca.

“O diferencial desta pesquisa é que ela é mais abrangente. A pessoa não sofre discriminação um dia porque é negra, outro porque é pobre e no outro porque é mulher. Essas coisas acontecem simultaneamente”, explica Bastos.

Entre os principais motivos de discriminação apontados pelos estudantes da universidade estavam roupa, posição social, local de moradia, cor e raça, idade e comportamentos específicos. Os resultados da pesquisa foram apresentados no Congresso Mundial de Epidemiologia, no Alasca (EUA).


Racismo 
A discriminação é apontada como um fator de risco para doenças, especialmente as mentais. Estudos mostram que há também agravos em hipertensão, colesterol. “O que vemos é que a discriminação é um determinante na saúde das pessoas. É um causal”, diz Bastos.

No caso da discriminação racial, o que se percebe é que ela concentra uma pressão muito grande e em todos os momentos da vida do indivíduo. O psicanalista Marco Antônio Chagas Guimarães, que não participou do estudo da UFSC, destaca que o racismo promove um acúmulo de pressão que não pode ser escoado como ocorre com a população branca. “Esses eventos são diários e 24 horas por dia, seja quando entra no elevador, na escola, no ónibus”, disse.

Guimarães afirma que o atendimento de pacientes negros tem mostrado que as repercussões psíquicas de racismo são humilhação, baixa estima, timidez excessiva, irritabilidade, ansiedade intensa, estados fóbicos, hipertensão, depressão, obesidade, agressividade, uso de álcool ou outras drogas.

Guimarães afirma que episódios como o ocorrido com o goleiro Aranha, do Santos, que denunciou para o juiz da partida torcedores do Grêmio que o chamavam de macaco, são de extrema importância para o combate ao racismo. “É claro que tem uma raiva, mas ele soube utilizar esta raiva de uma maneira madura. Outra coisa é que ele teve voz. Quantas crianças sofrem racismo desde sempre e não conseguem ter voz para se defender disto”, afirma


Racismo institucionalizado no sistema de saúde

De fato, o racismo faz mal a saúde. Seja por conta das consequências físicas e emocionais ou por conta do racismo perpetrados nos usuários do sistema de saúde. “O racismo é estruturante das relações sociais brasileiras e isto aparece nos atendimentos de saúde e de qualquer instituição”, explica.

Bastos destaca três estudos importantes realizados nos últimos 15 anos no País que comprovam que pacientes negros tendem a sofrer discriminação no próprio posto de saúde.

O primeiro, realizado no Rio de Janeiro pela pesquisadora da Fiocruz Maria do Carmo Leal, em 2011, mostrou que gestantes negras recebiam 50% menos anestesia que gestantes brancas. Outra pesquisa, realizada em Pelotas (RS), mostrou que mulheres negras eram menos submetidas a exames de Papanicolau que brancas. “O exame é importante para a detecção de câncer do colo uterino e deve ser feito com frequência”, disse.

Um terceiro estudo, realizado em 2005 por Etenildo Dantas Cabral, da Universidade de Pernambuco (UFPE), com dentistas do Recife, concluiu que os profissionais tenderam a recomendar a extração dentária com maior frequência em pacientes negros.

O estudo consistia em mostrar para dentistas os dados de um paciente hipotético com muitas caries e perguntar se eles recomendavam a extração do dente ou o tratamento. Três meses depois, o mesmo caso era mostrado para os dentistas, mas a foto do paciente era alterada para a de um homem negro. O resultado mostrou que 9,4% dos dentistas preferiram extrair o dente do paciente negro. No entanto, nenhum dentista decidiu extrair o dente do branco.

“Não existe uma questão biológica para esta diferença. O que os estudos mostram é que ninguém quer ter contato com esta mulher negra, ou que a decisão de extrair ou tratar um dente tem relação com a cor do paciente”, diz Bastos.



Fonte: IG

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A AUTOESTIMA E A ERA DO SELFIE

As selfies já fazem parte do nosso dia a dia. Registrar a própria imagem em um bom  ângulo e postar na rede se tornou tão comum que poucos ainda não se renderam a essa forma de estar presente no seu círculo virtual.
Mas, o que chama a atenção é que de algum tempo para cá as selfies tem crescido excessivamente demonstrando uma fixação em sim mesmo. Uma pesquisa da Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva fez um levantamento com 2,7 mil cirurgiões americanos e concluiu que um em cada três profissionais pesquisados registrou “aumento nos pedidos de procedimentos porque os pacientes estão mais preocupados com os olhares nas redes sociais”.  (Para ler mais sobre a pesquisa: oglobo.globo.com/sociedade/saude/com-febre-dos-selfies-cresce-numero-de-cirurgias-plasticas-nos-eua-12725349#ixzz3C4DiLFl9)
Será que há algo por trás desse comportamento? O que estimula as pessoas a ficarem tão preocupadas com a própria imagem?
De alguma forma receber várias curtidas, chamar a atenção e ser admirado faz com que as pessoas busquem mais e mais por isso, parece haver um desejo pelo olhar constante do outro. E não é só em relação aos bonitos, há espaço para vários estilos: os charmosos, os criativos, os nerds, os cultos.. A questão não é o que, mas a necessidade em parecer alguma coisa, impressionar o outro, chamar a atenção, independente se é adequado ou não. As selfies dos velórios demonstram que mais importante do que estar no velório e mostrar para os outros que está.
Excesso de autoestima?
A autoestima é a confiança no próprio potencial, a certeza da capacidade de enfrentar os desafios da vida, a consciência do próprio valor e do direito ao sucesso e à felicidade. (CERQUEIRA, 2004).
Lendo essa definição de autoestima podemos fazer uma nova reflexão. Será que as pessoas que estão muito preocupadas com o olhar do outro confiam tanto no próprio potencial? Quando precisamos constantemente da afirmação e da “curtida” do outro para sentir alguma satisfação, algo está equivocado. Estamos olhando cada vez mais para fora, ao invés de olhar para dentro, e isso reforça o sentimento de insegurança em si mesmo.
Isso quer dizer que esse movimento exagerado ao invés de demonstrar que as pessoas estão seguras e felizes consigo mesmas mostram, na verdade, o contrário. Uma auto insatisfação constante e a necessidade de parecer, muito maior do que a necessidade de realmente ser.
O risco é alto quando colocamos todas as fichas na aceitação do outro. Pois as outras pessoas podem não se importar, não curtir, não responder, não gostar. Nessa hora surge o sentimento de rejeição e inadequação. Para responder a essa inadequação as pessoas buscam novas formas de aparecer e chamar ainda mais a atenção.
E o que fazer?
O caminho para construir a verdadeira autoestima é totalmente inverso. Conhecer a nós mesmos e nos aceitarmos nos fortalece como indivíduos. É preciso coragem para olhar para si mesmo, ver as forças e as fraquezas, e ser generosos com isso, reconhecendo que toda a humanidade tem suas vulnerabilidades.
Por trás da beleza, do dinheiro, do status, da intelectualidade, há uma parte frágil querendo se esconder, as pessoas precisam ter espaço para mostrar sua fragilidade humana. Essa era da perfeição só colabora para mais ansiedade e sentimento de inferioridade.
Só através do autoconhecimento podemos receber quem nós somos, e assim se formos curtidos ou não, seja na rede social ou na vida, podemos seguir leves, pois escolhemos mostrar aquilo que, primeiramente, faz sentido e é coerente para nós mesmos.

Fonte: A Caminho da Mudança - Blog de Psicologia

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

PSICOLOGIA POR TRÁS DOS QUARTOS MAIS BAGUNÇADOS

POR QUE AS PESSOAS MAIS CRIATIVAS SURGEM NA BAGUNÇA?



Durante toda nossa vida fomos ensinados a ser organizados. Organização sempre foi tratada como a chave para o sucesso.

Seja na escola, em casa ou na sua mochila de viagem, organização é algo que vive no nosso pé desde que nascemos. Em contrapartida, uma pessoa bagunceira sempre foi condenada e tratada como se fosse encaminhada para o fracasso. E de fato, não tem como refutar isso.

O que pode se extrair de bom de ser desorganizado? Bem, talvez mais do que você imagina. Estudos recentes, conduzidos pela Universidade de Minnesota em 2013, criaram outra postura no debate: os favoráveis à bagunça.

Sempre houve meio que uma lenda urbana de que as pessoas com mesas bagunçadas tem uma afinidade alta com o pensamento criativo. Francamente, eu pensava que pessoas bagunceiras TINHAM que ser criativas além do necessário. Tem que ser bem criativo pra sobreviver no meio de tanta bagunça.

Simulado da semana passada, pela metade, num canto da mesa. Uma folha de jornal perto dum molho de pimenta. Latinhas de coca-cola e cerveja organizadas em pirâmides, meio que uma obra de arte.

Sua mesa é uma bagunça, mas é SUA bagunça, logo, tá tudo sob controle. Quando você tem o hábito de falhar em colocar as coisas nos seus devidos lugares, você cria formas criativas de achar tudo, de fazer tudo funcionar, de encaixar tudo. E é gostoso, é confortável.

Pode parecer totalmente aleatório para as quem olha fora, mas uma pessoa bagunceira é extremamente metódica, respeitando a si mesmo.

A cientista psicológica Kathleen Vohs, da Universidade de Minnesota, a mulher que começou a desmistificar essa lenda urbana, não se limitava apenas à mesa de trabalho. Vohs era nitidamente uma pessoa bagunceira, em todos os aspectos da vida, mas era do tipo bagunceira criativa.

Usando um paradigma consistindo em uma sala bagunçada e uma organizadinha, e experiências, Vohs concluiu que a sala bagunçada provoca raciocínios criativos com uma frequência muito maior – e forneceu evidências científicas!

A próxima questão é: O que exatamente é “raciocínio criativo” e como sua zona no seu quarto vai te ajudar?

Raciocínio criativo é, na sua forma mais pura, pensar fora da caixa. Olhando por esse lado não é nada extraordinário considerar que quartos tendo coisas em lugares totalmente inusitados te induziria a ser mais criativo.

Quer dizer, se você prefere colocar suas roupas limpas no chão do quarto quando o armário tá logo ali, você certamente pensa fora dos padrões comuns de raciocínio. Esse mesmo conceito pode ser aplicado de forma mais abstrata.

Vamos usar essa frase do Einstein: “Se uma mesa bagunçada é sinal de uma mente desordenada, o que é, então, o sinal de uma mesa vazia?”

Sim, você imaginou certo. A mesa de Einstein parecia fruto da missão bem-sucedida de uma ex-namorada pronta pra estraçalhar a vida de um coitado, e é inegável que Einstein era uma pessoa extremamente criativa.

Einstein não está só nessa. Mark Twain também tem uma mesa bem bagunçada. Talvez mais bagunçada que a do Einstein. Mark Twain foi uma das mentes mais imaginativas da sua geração.

Não se interessa por essas mentes de geração anterior? OK, vou dar um exemplo mais moderno. Steve Jobs. Não foi sem razão que ele inventou iBooks, sua mesa era um desastre total. Não só sua mesa, mas seus livros e seu escritório todo. Provavelmente isso só acrescentou valor ao seu brilhantismo.

E aí, o que extrair disso tudo? Que você deve zonear sua mesa, seu quarto e esperar por uma fagulha de genialidade? Não exatamente. A relação entre bagunça e criatividade não é algo casual assim. Virar uma pessoa bagunceira não vai te fazer dormir e acordar mais criativo no dia seguinte.

Entretanto, ambas as caracterítsticas são correlacionadas. Se você é “bagunceiro por natureza”, achar um meio termo entre sua bagunça e a limpeza pode ser o mais eficaz. Mas tenha em mente que arrumar tudo pode diminuir seus esforços criativos.

Definitivamente a única forma de trabalhar a eficácia da sua criatividade bagunceira é dar a cara a tapa e experimentar coisas novas. Vá, faça chuva de papéis, recolha a roupa e jogue tudo encima da cama, dane-se! Vai que rola algo bom. :)


Obs: Se você tem um parceiro de quarto, fale pra ele não me mandar nenhum email destilando ódio se o quarto virar um zoológico enquanto você testa essas coisas. Eu não sou responsável pela bagunça dos meus leitores.


Fonte: AlexM

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A VISÃO SKINNERIANA DE SELF

As atribuições do comportamento a causas internas soam poéticas e românticas, convencem muito bem àqueles que se interessam por explicações rápidas e satisfazem a maioria das pessoas que precisam entender o “motivo” de agirem de determinadas formas em dadas situações. Entre essas causas internas poderíamos citar as gestaltens das abordagens existenciais-humanistas, o inconsciente, o id, o ego e o superego freudianos e também o self. 

Atribuir causas internas ao comportamento diminui a ansiedade das pessoas com relação a fenômenos que pareçam inexplicáveis ou que ainda não têm uma explicação plausível ou satisfatória a quem se comporta (Skinner, 1953). Na concepção skinneriana de self no livro Science and Human Behavior de 1953, tal “estrutura interna” teria a característica de causar comportamentos quando as variáveis das quais um comportamento é função não são conhecidas ou são ignoradas. 

Independente do que o self seja, para Skinner (1953; 1974), ele não parece ter a mesma natureza do organismo físico. Uma pessoa age no mundo e é dito que ela faz isso em função de seu eu interior, pois é ele que inicia e direciona um comportamento à obtenção de reforçamento. Muitas vezes, mais de um self é utilizado para explicar o porquê uma pessoa se comporta. O mesmo acontece com a personalidade. 

Se uma pessoa se comporta de forma dita chamativa ou parece estranha, o faz porque tem uma personalidade histriônica, como a cantora Lady Gaga e o cantor Marylin Manson. Caso possua um superego bem estabelecido, acarreta que a pessoa tem uma personalidade predominantemente neurótica, o que os psicanalistas esperam que a maioria das pessoas sejam. Por essas razões, Skinner (1953) aponta que, numa análise do comportamento, não seria necessário o conceito de self. Mas não dar uma explicação do que seria esse fenômeno do ponto de vista comportamental, deixaria a teoria em dívida com relação a outras teorias da Psicologia. 

Skinner, então, conceitua self como um “sistema de respostas funcionalmente unificado” (1953, p. 285). O autor dá uma explicação alternativa a esse conceito pautado nos preceitos de uma ciência natural e, então, infere que self estaria relacionado a modos de agir enquanto que personalidades estariam relacionadas a ocasiões. Em outras palavras, o self estaria associado aos comportamentos emitidos pelo indivíduo enquanto que sua personalidade seria determinada pela estimulação antecedente que faria a resposta a ser emitida. 

Dessa forma, “contingências diferentes criam pessoas diferentes na mesma pele” (Skinner, 1974, p. 185) e isso explicaria o porquê uma pessoa se comporta de uma determinada forma numa determinada comunidade verbal e de outra forma numa comunidade verbal distinta. Por exemplo, porque um indivíduo se comporta de uma forma quando está no contexto familiar e de outra forma quando inserida num contexto profissional.

Esse entendimento de self implicaria que procurar por consistências e integridades funcionais em aspectos da personalidade seria contraproducente. Além disso, implicaria que não precisamos atribuir diferentes eus a um organismo que se comporta se entendermos as contingências de reforçamento em que ele está inserido. Uma pessoa pode ter seu comportamento de ingerir bebidas alcoólicas reforçado num grupo de amigos, mas não numa reunião familiar em que os membros desse grupo sejam conservadores. Ao contrário, pode ter seu comportamento punido. E não é por isso que essa pessoa possui duas personalidades diferentes; tudo depende das audiências serem positivamente reforçadoras ou não (Skinner, 1957). O que entra em vigor nesse caso, mais uma vez, é a contingência de reforçamento, as variáveis das quais um comportamento é função (Skinner, 1953; 1974). 

As pessoas apresentam repertórios comportamentais diferentes em circunstâncias diferentes. Muitos desses repertórios são controlados por contingências sociais, sendo assim, as concepções skinnerianas (1953, 1974; 1990), contemplam que o self é construído socialmente. E, por ser construído na interação com o outro, o self poderia ser controlado verbalmente, como evidenciam as terapias comportamentais de terceira onda como a Terapia de Aceitação e Compromisso (Saban, 2011) e a Psicoterapia Analítica Funcional (Kohlenberg & Tsai, 2006). 

Muito do que sabemos de nós mesmos, muito do que sabemos do outro e das coisas que nos cercam, só sabemos porque a comunidade verbal em que estamos inseridos arranjou contingências para que soubéssemos nomear e descrever cada um desses fenômenos (Skinner, 1957; 1974; Catania, 1999; Hübner, Borloti, Almeida & Cruvinel, 2012). Só dizemos como nos sentimos, o que pensamos e o nome das coisas a nossa volta porque nossa comunidade verbal arranjou contingências e consequenciou nossas verbalizações de acordo com aquilo que seria produtivo para a sobrevivência da própria comunidade verbal (Skinner, 1957; Abreu & Hübner, 2012). 

“Sou do sexo masculino, tenho 39 anos, trabalho como engenheiro civil e me chamo João” é uma descrição de quem a pessoa é e do que ela faz. Tatear, nomear e descrever aspectos internos e externos que nos competem, expressar as relações funcionais de considerado homem, ter um nome, ter uma determinada idade e uma dada profissão são relações verbais ocasionadas e reforçadas por contingências sociais. 

Uma vez que o self é uma construção social e que o comportamento social depende de outros para ocorrer e ser consequenciado, poderíamos dizer que, por só sabermos descrever quem somos e como nos comportamos em função de uma comunidade verbal, há uma evidência de que o self pode ser, portanto, controlado verbalmente. E isso não nos dá necessidade de explicar determinados comportamentos dividindo-os em diversos selves e/ou personalidades. 

Tanto o comportamento verbal como o self, segundo os preceitos da teoria skinneriana, são classes de comportamentos que só existem em função de contingências socioculturais que entram em vigor na determinação do comportamento (Skinner, 1981). No momento em que Skinner (1953) aponta que o self seria a causa de comportamentos quando o indivíduo que se comporta não conhece as variáveis das quais seu comportamento é função, pode-se inferir que causas são atribuídas a uma estrutura interna quando o indivíduo não tem a capacidade de descrever as variáveis que estão controlando seu comportamento, corroborando, assim, o controle verbal exercido sobre o self. 

A personalidade também tem pontos em comum com o conceito de self por depender também, como todo e qualquer comportamento humano, dos três níveis de seleção do comportamento apontados por Skinner (1981). Desse modo, podemos citar a importância dos aspectos de personalidade herdados geneticamente, dos aspectos aprendidos durante a história individual e dos aspectos aprendidos em convivência social, com a comunidade verbal (Lundin, 1977; Banaco, Vermes, Zamignani, Martani & Kovac, 2012), que adentraria especificamente o self. A personalidade poderia, então, ser descrita e avaliada com base em padrões comportamentais regulares, sensíveis aos paradigmas de condicionamento respondente e operante, contemplados pelos fenômenos comportamentais de reforçamento, punição e extinção, sem esquecer jamais da singularidade do indivíduo, que é incontestável na visão da ciência (Skinner, 1959). 

A compreensão skinneriana de que o self é construído em função de contingências ontogenéticas e culturais nos permite entender que uma pessoa pode ser quem ela é, de acordo com as contingências de reforçamento em que ela está inserida e em função da comunidade verbal com quem convive. Entender quem somos, estar sensíveis às consequências de nossas ações e saber descrever como nos comportamos é atender à afirmação de Skinner de que “a aquisição mais nobre da qual o homem pode aspirar (...) é aceitar ele mesmo pelo que ele é” (1961, p. 17). 



Fonte: Comporte-se

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

INCONGRUÊNCIA É CARACTERÍSTICA DOS PESSIMISTAS

Por Antônio Carlos Amador



"Você determina sua vida ou é um simples fantoche operado pelos seus demônios internos?"


Quando verificamos nossos pensamentos, sentimentos e ações e encontramos alguma área que não esteja funcionando tão bem quanto as outras, é sinal que estamos em desequilíbrio, somos incongruentes.

Uma pessoa congruente vive em equilíbrio entre o pensar, o sentir e o agir. A congruência é uma característica básica das pessoas equilibradas: o corpo, a mente e o sistema de valores interagem. Na verdade, existe uma unidade entre o que pensamos, sentimos e fazemos.
Quando nos tornamos pessoas congruentes, praticamos aquilo que falamos. Rimos quando estamos alegres e felizes, abraçamos quando sentimos afeto, ficamos rubros quando estamos com raiva, pedimos um abraço quando estamos carentes. Mas também pensamos. Podemos pensar sobre as coisas da vida, o rumo que tomam e o contexto em que nos encontramos. Temos consciência do que sentimos e fazemos.

A incongruência é a característica dos pessimistas e derrotistas. Uma pessoa incongruente pode sentir amor e querer expressar tal afeição, mas ficará tensa e hesitante no momento de colocá-la em prática. Uma outra pessoa incongruente tem pensamentos idealistas e justos, mas depois fará de tudo para afastar sua filha do namorado pobre. Ou seja, tal ação está em desequilíbrio com o pensamento e o sentimento dessa pessoa.
"Personagens"

Um homem, com sentimentos desequilibrados e disfuncionais, citava estatísticas de saúde pública para consolar um amigo com câncer. Ele deixava que sua ação fosse totalmente governada pelo pensamento e se esquecia de levar em conta seus sentimentos e os do amigo.

Uma mulher, com pensamento disfuncional, apaixonou-se loucamente por um homem sedutor, que lhe prometeu mundos e fundos; mas acabou sendo maltratada e abandonada. Ela permitiu que seus sentimentos governassem suas ações, sem que seu pensamento funcionasse e avaliasse a situação.

Uma garota sentiu-se muito só numa festa e foi embora para casa, onde ficou pensando sobre o motivo de sentir-se só. Mas, ao invés de tomar uma atitude a esse respeito, ocupou-se em trabalhar na cozinha, lavando louças e panelas. Sua ação encontrava-se em desequilíbrio com seus pensamentos e sentimentos.

Os graus de congruência e incongruência são aspectos importantes no plano psicológico de vida de cada pessoa. As pessoas saudáveis querem ser livres para escolher e determinar suas vidas, em vez de existir como simples fantoches operados por demônios internos, ou por estímulos externos. Elas lutam por algo mais do que adaptação - elas querem crescer e desenvolver seu potencial.



Fonte: UOL

quinta-feira, 31 de julho de 2014

PSICÓLOGA ACONSELHOU MINHA MULHER A PROCURAR OUTRO HOMEM!

O QUE EU FAÇO?
Por Sandra Vasques


Minha mulher sente pouco prazer e uma psicóloga disse para ela procurar outro homem. Isso tem cabimento?

"Se de fato ocorreu o que você relata, é sua esposa quem tem de saber se quer ou não ter um outro parceiro, independente da sugestão de qualquer pessoa, seja ela leiga ou um profissional"

Resposta: Sua esposa tomou uma boa decisão ao buscar o apoio psicológico ao perceber que tinha dificuldades para sentir prazer, pois um profissional da área realmente pode auxiliar homens e mulheres a viver com mais satisfação e saúde esse aspecto da vida que é a sexualidade.
Mas vamos às considerações que envolvem a sua questão, pois existe uma concepção errada entre as pessoas de que um psicólogo interfere sobre a vida de seus clientes determinando o que os mesmos devem fazer. Isso não deve ser feito e é passível de consequências legais junto ao Conselho que rege a profissão.

O psicólogo não escolhe pelo seu cliente quais as atitudes deve tomar. O profissional promove, dentre outras coisas, o autoconhecimento, leva o cliente a perceber seus comportamentos em determinadas circunstâncias, auxilia o reconhecimento dos sentimentos associados, o auxilia a perceber de maneira mais clara todo o contexto em que está vivendo. O psicólogo oferece condições para que as pessoas enfrentem conflitos e dores de origem psíquica.

Esse trabalho e apoio podem levar o cliente a fazer escolhas diferentes das que vinha fazendo até aquele momento. Então, o psicólogo não diz o que o cliente tem que fazer, é o mesmo quem tem que descobrir o que quer fazer, adotando atitudes e comportamentos mais saudáveis e de acordo com suas necessidades e possibilidades reais.

No Código de Ética Profissional do Psicólogo, no item “Das responsabilidades do Psicólogo” no Art. 2º, item b, está escrito: “Ao psicólogo é vedado: Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais.”

Você poderá ler o Código integralmente e ter mais informações a respeito no site www.pol.org.br, do Conselho Federal de Psicologia.

Finalizando, as pessoas que estão psicologicamente capazes de assumir a responsabilidade por seus atos podem fazer escolhas diferentes das sugeridas por qualquer outra, se isso não corresponde ao que ela deseja para ela. Assim, se de fato ocorreu o que você relata, é sua esposa quem tem de saber se quer o
u não ter um outro parceiro, independente da sugestão de qualquer pessoa, seja ela leiga ou um profissional. 


Fonte: UOL

terça-feira, 27 de maio de 2014

É POSSÍVEL CRIAR MEMÓRIAS DE ABUSO SEXUAL?

"Quando tinha 7 anos, Woody Allen me pegou pela mão e me levou a um pequeno espaço mal iluminado do segundo andar de nossa casa. Ele disse para que eu deitasse com a barriga para baixo e brincasse com um trem elétrico do meu irmão. Então ele me agrediu sexualmente", afirma Dylan Farrow, filha adotiva do diretor e da atriz Mia Farrow, em um texto publicado no início de fevereiro no site do jornal The New York Times. Foi uma das primeiras vezes em que Dylan, hoje aos 28 anos, falou publicamente sobre o episódio ocorrido em 1992. Na época, a acusação foi investigada pela polícia com a ajuda de especialistas do Hospital Yale-New Haven, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, que não comprovaram o abuso. No último dia 7, no mesmo jornal, Woody Allen negou o crime e acusou Mia de manipular as lembranças da filha.

Mais de duas décadas depois, o caso ainda divide a opinião pública. Seria possível que as memórias de Dylan fossem falsas? O tema é largamente discutido na psicologia jurídica. Desde os anos 1980, juristas e psicólogos perceberam que um dos recursos usados em litígios conjugais é a implantação de memórias falsas de abuso sexual nos filhos. No Brasil, estimativas de psicólogos ligados a varas de família indicam que até metade dessas acusações feitas durante divórcios conflituosos não são verdadeiras.

"Isso acontece quando um dos cônjuges tenta denegrir a imagem do outro. Trata-se do ataque mais perverso que pode ocorrer”, afirma o psicólogo Jorge Trindade, presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica. “Para quem acredita ter sofrido uma violência, verdadeira ou não, o impacto emocional é o mesmo: terrível."

MECÂNICA DA RECORDAÇÃO — Desde o início do século XX, estudos como o do psicólogo francês Alfred Binet, considerado pioneiro em testes de inteligência, indicam que a memória é formada por distorções. Nos últimos trinta anos, pesquisas comprovaram que grande parte das nossas lembranças é forjada. Recordações, reais e falsas, e esquecimentos são os elementos que, combinados, formam a memória. Esse é o funcionamento padrão das lembranças, em um cérebro normal. Ele faz de nossas recordações algo flexível e maleável para que o ser humano aprenda coisas novas, raciocine, tenha criatividade para enfrentar as situações do presente e inteligência para compreender o passado. Combinamos eventos, fatos, sons, imagens, nossos ou alheios, o que nos possibilita viver o dia a dia. É o que acontece quando preenchemos mentalmente uma frase com palavras que nosso interlocutor deixou de dizer. No futuro, provavelmente, a lembrança será da sentença inteira, uma falsa recordação que auxilia a conectar episódios vividos. Tempo e influências externas tingem a memória, tornando-as adequadas ao momento vivido. 

Menores de 6 anos são mais suscetíveis a criar falsas lembranças, porque, nessa idade, eles ainda não distinguem fantasia e realidade. Mentiras de abuso sexual normalmente são sugeridas por algum adulto que tenha proximidade afetiva e seja percebido como autoridade. Nesse papel entram pais, professores, amigos mais velhos, conselheiros tutelares ou profissionais de saúde. Na maioria das vezes a sugestão é intencional, mas também pode ser feita sem dolo. É o caso da formulação de questões que mais afirmam do que interrogam, e que têm influência na formação das reminiscências. "A forma como uma pergunta é feita vai influenciar a resposta e pode, inclusive, contaminar a memória", afirma a psicóloga Lilian Stein, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). "Com o tempo, nos lembramos, de fato, de coisas que não aconteceram."

COMO CONFIRMAR O ABUSO — Denúncias de violência sexual infantil são difíceis de comprovar. A maior parte dos casos acontece sem testemunhas, são cometidas por pessoas próximas à criança e não deixam marcas físicas — o relato da vítima é a única evidência. Como as lembranças são formadas por um sistema dinâmico e suscetível a mudanças, não existe um método confiável para averiguar sua veracidade. O instrumento recomendado são avaliações e entrevistas, feitas por psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras e promotores. Uma criança que é denunciada como vítima de violência sexual tem pelo menos sete encontros com esses profissionais, até chegar ao juiz.

"As perguntas são abertas, para a criança poder falar qualquer coisa ou mesmo não falar. Perguntas do tipo 'sim ou não' ou 'certo/errado' são a última opção", afirma Cátula Pelisoli, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Adolescência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "Alterações fisiológicas medidas em um detector de mentiras ou em um teste poligráfico não funcionariam nesse caso, porque a pessoa acredita na memória. Exames de neuroimagem também são descartados, pois o cérebro recria os mesmos padrões em casos verdadeiros e falsos."

Em alguns Estados americanos e em países como Dinamarca ou Finlândia, as entrevistas feitas em casos de suspeita de abuso são padronizadas. No Brasil, foi lançado em outubro de 2013 um instrumento que pode ajudar a distinguir memórias, resultado de pesquisas de doze juristas, psiquiatras e psicólogos do Rio Grande do Sul. O método, um questionário chamado Escala de Alienação Parental, busca identificar o processo de induzir uma criança ou adolescente a detestar o pai ou a mãe. "Esses instrumentos apresentam um grau interessante de confiabilidade, mas ainda precisam ser mais estudados em casos de abuso sexual", diz Cátula.

De acordo com um estudo feito pelo psicólogo Antonio Serafim, do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, os principais sinais de abuso são depressão, ansiedade e fobias. Meninas podem ter alterações no sono e na alimentação, além de apresentar erotização do comportamento, enquanto garotos mostram-se isolados, agressivos e com distúrbios de conduta. "Crianças com suspeita de abuso normalmente sinalizam dificuldade em lidar com as figuras abusadoras e demonstram insegurança", afirma Serafim.

Até Freud, o pai da psicanálise, confundiu-se acerca da memória de relatos de abuso sexual. No início de seus estudos, em 1890, ele formulou a hipótese de que suas pacientes histéricas teriam sido vítimas do crime. Essa ideia simplesmente desaparece em seus escritos após 1897, substituída pela fantasia incestuosa — em vez de sofrer abuso, as pacientes teriam apenas ilusões dessa violência. Pouco tempo depois, os pesquisadores perceberiam que não há meios de diferenciar, no cérebro, lembranças falsas das reais.

FALSAS REMINISCÊNCIAS EM ADULTOS - Embora crianças pequenas sejam mais suscetíveis à criação de memórias, o processo também acontece com adultos — e com alta frequência. Em 2005, um estudo da pesquisadora Lilian Stein descreveu a implantação de memórias em adultos. Sua equipe apresentou a cerca de 500 participantes uma lista de palavras que deveriam ser recordadas minutos depois. Em seguida, pediu para que os termos fossem marcados em folhas de papel. Nessa última etapa, os participantes selecionaram palavras que jamais apareceram nas primeiras listas, como aquelas semanticamente próximas ao assunto ou que resumiam o tema. Tratava-se de falsas memórias.

Momentos importantes da vida, como o nascimento de um filho ou a morte dos pais, podem ser invadidos por lembranças não verdadeiras tanto quando eventos banais. Em 1995, um das principais estudiosas do assunto no mundo, a psicóloga Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, verificou em um experimento que recordações emocionalmente fortes também podem ser implantadas. Para isso, ela recrutou 24 pessoas e, com a ajuda das famílias, apresentou a elas três eventos que teriam acontecido na infância. Dois deles eram reais, mas o terceiro, um episódio dramático em que a criança ficava perdida em um shopping, foi inventado pela pesquisadora. Após o relato, um quarto dos participantes afirmou lembrar-se do fato. "Na vida real, muitas pessoas são induzidas a lembrar-se de eventos múltiplos e impossíveis", afirma Elizabeth.

O QUE DIZ A NEUROCIÊNCIA — Nos estudos atuais de neurociência e neurobiologia, falsas lembranças são um tema central. Há décadas os pesquisadores perceberam que reminiscências estão distantes de ser como uma máquina fotográfica ou filmadora que registra os acontecimentos e os arquiva. "Memória não é uma gravação, mas sim a representação mental de um evento que ocorreu. E, como representação, não há diferença entre o que aconteceu e o que alguém acredita que aconteceu", afirma o neurocientista Martin Cammarota, pesquisador do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Como parte dessa representação psíquica, há dados objetivos que podem ser verificados — como em uma foto. Já informações sutis passam despercebidas pelos sentidos. Aí entram as falsas lembranças, para completar os "brancos" do cérebro. Esse é o processo de armazenamento de qualquer uma de nossas memórias, seja ao completar uma palavra que o interlocutor deixou de dizer em um diálogo que aconteceu há poucos segundos, seja para reconstruir um evento de anos atrás.


Os estados emocional e físico também são essenciais na formação de lembranças. Estar ansioso, triste, alegre ou apressado pode manipular mesmo dados objetivos. "Quando falamos de falsas memórias, parece que elas são feitas de propósito. Mas elas fazem parte processo de recordar. Ser incorreta não quer dizer que não seja verdadeira", afirma Cammarota.

Como um processo composto de vários elementos, as lembranças não existem isoladamente. Dados do passado se misturam no momento em que uma memória está sendo formada. Essas lembranças são aquelas que ajudam a compreender o presente e projetar o futuro. No hipocampo, área do cérebro responsável pela memória, as reminiscências são reconstruídas, editadas e renovadas. E, a cada vez que evocadas, elas se modificam — novos elementos são perdidos ou incorporados.

"Recordações dependem do que esperamos delas. Ao contrário de uma foto ou de um documento com começo e fim, trata-se de sistemas dinâmicos, com um conteúdo que se modifica ao longo do tempo", diz o neurocientista. "Memórias não são estáticas no tempo nem no cérebro." Assim, longe de parecer um computador repleto de arquivos que poderiam ser acessados e abertos a qualquer momento, a memória é mais semelhante a um baralho. Ao escolhermos um naipe, várias outras cartas saem ao mesmo tempo. Em diversos estudos detalhando imagens de observações por ressonância feitos nos últimos anos, cientistas perceberam que lembranças vívidas produzem ampla ativação no cérebro, envolvendo áreas sensoriais, emocionais e executivas.

Em um artigo publicado em 2013 na revista The New York Review of Books, o neurologista britânico Oliver Sacks, professor da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, elencou uma série de pesquisas que comprovam o quanto os seres humanos precisam desconfiar de suas memórias. Entre elas, as de violência sexual. "Não existe um modo pelo qual os acontecimentos do mundo possam ser transmitidos ou gravados diretamente em nossa mente; eles são experimentados e construídos de modo altamente subjetivo, que é diferente em cada indivíduo e reinterpretado ou revivido diferentemente a cada vez que são recordados", diz Sacks. "Com frequência nossa única verdade é a verdade narrativa, as histórias que contamos uns aos outros e a nós mesmos — histórias que reclassificamos e refinamos sem cessar."



Fonte: Veja

segunda-feira, 19 de maio de 2014

DIFICULDADE DE DIZER "SIM"

Rotina, uma palava odiada por muitos e idolatrada por outros que veem na rotina uma ideia de segurança, afinal, você sabe o que vai acontecer no seu dia, a que horas irá almoçar, acordar, com quem irá conversar na hora do almoço.

Em tese, quem adora a rotina são aquelas mesmas pessoas que não gostam de imprevistos e são controladoras, querem tudo do jeito delas.

A menor ideia de que algo inesperado possa acontecer é capaz de assustá-la, tirar seu sono. Um convite inesperado de almoço ou mesmo a pessoa conhecida que sente do seu lado do ônibus pode ser aterrorizador.

Sentem-se seguras em saber o que irá acontecer, embora na verdade nunca saibam.

Claro que estou generalizando, falando de um tipo específico de pessoas, pode não servir para você.

Mas geralmente quem pertence a este grupo vai sempre ao mesmo restaurante, frequenta os mesmos lugares, ouve as mesmas músicas, prefere se relacionar com as pessoas do seu seleto grupo.

Possui dificuldade de lidar com o novo, com o inesperado, possui medo de não conseguir se adaptar e ser correspondido. Ao invés de enfrentar este medo, isola-se mesmo sem perceber. Cria muralhas, não se abre ao novo, prefere o aconchego do já conhecido.

Engana-se quem pensa que faço aqui uma crítica a este comportamento. Há quem tenha consciência do motivo da sua preferência e quer continuar assim, gosta e se sente bem. Na verdade, me direciono em especial às pessoas que são assim, prisioneiras da rotina, da mesmice mas querem ver uma luz no fim do túnel embora ainda não saibam como.

Existe um filme que ilustra perfeitamente este texto, chamado “Sim, Senhor”, com Jim Carrey no papel principal, interpretado o personagem Carl Allen.

O filme é muito bom no quesito transmitir uma mensagem. Se até aqui você se viu até neste texto, sorria e assista ao filme, tenho certeza que irá gostar.

Carl Allen é o típico amante da rotina, não aceita fazer coisas diferentes, curte ficar no “seu canto”, horário para dormir, acordar, não vai a shows de desconhecidos e tao pouco fala com estranhos. As coisas começam a mudar quando por motivos que não irei citar para não perder a graça (mas já aviso que não é nada mágico ou sobrenatural, ok vou contar ele foi em uma palestra de autoajuda onde o guru inspirava as pessoas a dizerem o SIM para tudo, mas faz de conta que não contei), ele passa a tentar dizer “Sim” para as situações, faz o teste e os resultados são incríveis.

Ele começa a perceber quantas portas o seu SIM começou a abrir, quanta coisa nova passou a acontecer. No filme ele exagera e diz “sim” a tudo e a todos. Bem, assista ao filme e irá me entender. O final é muito bom, bom também é ver as consequências dos “SIMs”.

Se a pessoa faz sempre as mesmas coisas a tendência é ter sempre os mesmos resultados. A partir do momento que ela quer uma vida diferente terá que viver com a premissa de fazer coisas diferentes, derrubar os muros que construiu para si mesmo, aprender a conviver com a insegurança, com a incerteza. E só a prática permite isso.

Assisti este filme em uma sexta feira a noite. No dia seguinte, tentei exercitar dizer o “sim” para situações que oportunamente eu diria não. Logo pela manhã fui para a academia, estava na esteira, ao mesmo tempo iria começar a aula de dança e o professor começou a andar pela academia chamando algum homem para dançar, uma das meninas estava sem parceiro e os musculosos com cara de bravo negavam o convite,  quando o professor chegou até mim e disse, vamos dançar e eu pensei “nãooooo” mas disse “simmmm”. Foi engraçado, alguns minutos depois estava dançando, muito mal é verdade, mas ali começava a me encantar por algo que nunca havia me chamado a atenção.

Ampliar seus horizontes é enxergar mais longe.

Por que comer sempre a mesma comida se posso aprender a apreciar diferentes culinárias, diferentes sabores. Ah… mas eu sei que eu ão vou gostar. Sabe como?

Lembro que eu sabia que não gostava de comida japonesa, mesmo sem nunca ter comido. Até que um dia eu disse sim. Experimentei, faz um ano. Se gostei? Acredito que uma vez por semana pelo menos em 2013 estive em um restaurante japonês. Ah, vale destacar que foi graças a minha linda namorada e incentivadora.

Falando na namorada, ela insistia em fazer um Cruzeiro. Mas eu pensava, um navio? Mar? Qual a graça? Não queria. O navio deve ficar balançando. (rsrsrs) Mas disse sim, fiz uma viagem incrível de 7 dias pela América do Sul em um Navio de 13 andares, 7 restaurantes, balada, cinema, teatro, além de passar por Punta del Este, Buenos Aires e Montevidéu. Caro? Não tanto quanto eu achava, na verdade foi mais barato que as viagens da CVC para o nordeste. Detalhe, com tudo incluso no navio. Mas qualquer dia conto essa história (foi uma experiência incrível, principalmente no aspecto cultural).

As vezes precisamos sim de um empurrão para começar a quebrar nossas certezas. Apreciar novos sabores. Ver novas cores, ouvir novos sons. A vida é tão rica. 

Para encerrar, ninguém precisa fazer como o Carl e dizer SIM para tudo ou depois de ler este texto sair por ai experimentando tudo o que tem direito.

Aproveite e diga sim para o que faz bem, para o que é saudável, para o que pode te transformar e transformar o mundo a sua volta para melhor.

A escolha é sua!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

É BOM SER SOZINHO

Por Lilian Graziano

 
 
"Somos sozinhos para o bem e para o mal. Para o bem, podemos ser hoje a mudança que queremos ver no mundo, começando por nossas reflexões e atitudes"

Antes que alguém diga que estou em algum tipo de crise depressiva, digo que não é o caso, e que não faço apologia à solidão.

Não quando a Psicologia Positiva, que é minha especialidade, já comprovou que uma boa rede de apoio social contribui para que alcancemos nossa felicidade. É que no fim somos todos sozinhos mesmo, e o outro, em nossa vida, só cumpre seu papel nesse lugar: de outro - diferente, com sua alteridade -, arrancando-nos de nosso egocentrismo.
 
É por que somos um "universo particular e infinito", parafraseando Marisa Monte, que o outro nos mobiliza. Seja despertando nosso altruísmo, o mais profundo sentimento de compaixão. Seja exercitando nosso poder de tolerância ou nossa capacidade de compreensão. Tudo para que nos lembremos de quem somos e de onde podemos chegar com nossas atitudes.

É no reconhecimento do outro que nos avaliamos, para melhor atuação numa próxima vez. Nossas relações também constroem de forma positiva nossa identidade - e nosso "eu social" também exerce influência no outro. Dessa interação construímos nosso lugar no mundo. E então retornamos ao importante papel das redes de apoio social (amizades, família, cônjuge) para nossa felicidade.

Até para mudar o mundo temos de lembrar que somos sempre sozinhos. Explico: da palavra à reflexão, e depois à ação, o caminho é sempre mais curto quando estamos sós. Basta querer, ter uma razão, ajustar a postura e FAZER - e vamos à ação, algo que pouco se tem visto na esfera da coletividade, mesmo com tantas manifestações sociais.
 
Não é preciso tomar parte de um movimento para começar a mudar o mundo - é possível pular a etapa dos discursos vazios ouvidos ultimamente por aí. Ainda que não se possa negar a importância do discurso em uma época em que nossa expressão era cerceada, proibida.

Mas isso não ocorre mais. Precisamos, e muito, de um fazer que mude tudo. Que não há mais ditadura declarada e oficial que nos impeça de dizer o que nos incomoda. Não há *DOI-Codi, nem tamanha repressão de 40 anos atrás. E isso também nos permite a AÇÃO.

Sim, somos sozinhos, para o bem e para o mal. Mas, para o bem, podemos ser hoje a mudança que queremos ver no mundo, começando por nossas reflexões e atitudes. Já dizia Ghandi que com palavras e ações - e sozinho, causando empatia em quem se comprometia com sua luta - ensinou (e ensina) nações e povos do mundo inteiro a transformar realidades.

A partir deste ponto, questiono: o que você está fazendo por si, por seu semelhante? O que está deixando de contribuição para a sociedade. O que fará, para vê-la mais justa e para tornar o mundo um lugar mais agradável?

Caso queira, compartilhe
aqui, que tem feito individualmente para tornar o mundo um lugar melhor.
 
 
 
 
Fonte: UOL 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

MEU NAMORADO PROPÔS UM RELACIONAMENTO ABERTO. O QUE EU FAÇO?

Por Anette Lewin
 
 
 
"Ele disse que gostaria de ter um relacionamento mais aberto, ele quer continuar comigo, pois sinto que ele me ama e sou a pessoa que elegeu para ficar com ele, mas também quer, antes de casar, ter a liberdade de poder viver outra experiência com outra pessoa sem se sentir culpado por isso"

"Para muitas pessoas o relacionamento não convencional pode ser interessante na teoria, mas na prática não funciona"
 
Resposta: A proposta de seu namorado é de um relacionamento não convencional, ou, como se diz por aí, de um relacionamento aberto.
Ele expõe para você de uma forma sincera o que sente e o que deseja. É claro que numa sociedade onde o convencional ainda impera e a monogamia serve de base para o romantismo e para os tabus que sustentam o consumo, isso pode parecer um tanto quanto estranho.

Mas como é você que está na dúvida sobre aceitar ou não a proposta que recebeu, o mais lógico seria avaliar a questão do seu ponto de vista. Sim, é você que deve refletir sobre sua possibilidade real de conviver com a ideia de que seu namorado possa vir a ter outra pessoa ao mesmo tempo que mantém um vinculo afetivo com você.
 
Existem casais que fazem esse tipo de acordo sim. De forma explicita ou não.
 

Tipos de relacão aberta
1º) Alguns combinam que podem ter outros relacionamentos, mas serão discretos e não falarão disso com o parceiro;
 
2º) Outros abrem o jogo e relatam seus outros relacionamentos para o parceiro oficial;

3º) Existem ainda aqueles que, de comum acordo, envolvem terceiras pessoas na relação afetiva e/ou sexual do casal.

Assim são alguns casamentos... A maioria dos relacionamentos porém, ainda é "convencional": o casal promete fidelidade perante a sociedade e perante o parceiro e... faz o que bem entende. Sem muita explicação ou discussão. E alguns casais mantêm realmente a fidelidade enquanto o casamento dura.
 

Como discutir a possibilidade de um relacionamento aberto

- Como você ainda não é casada, converse com seu namorado sobre a extensão da proposta dele: até quando ele quer conhecer outras pessoas?

- Como funcionaria a relação após o casamento?

- Você tambem pode conhecer outros homens?

Sim, é importante, no rascunho de uma relação não convencional, que se fale sobre possibilidades presentes e futuras. É claro que a vida é cheia de surpresas e seria impossível fazer um contrato de relacionamento que envolva todas as situações que possam acontecer. Mas, pelo menos as mais prováveis devem ser levantadas.

Depois disso, a bola está com você. Tente ser o mais sincera possivel com você mesma. Para muitas pessoas o relacionamento não convencional pode ser interessante na teoria, mas na prática não funciona. A capacidade de dividir afetos pode ser possivel para uns, de personalidade menos narcisista e de criação mais aberta, mas não para outros, mais carentes e de criação rígida e tradicional. Tente entender a qual desses grupos você pertence para tomar sua decisão de forma consciente e não se arrepender depois.


Fonte: Vya Estelar

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

INTERESSEIROS OU SELETIVOS?

Por Katree Zuanazzi
 
 
Vejo como as pessoas estão habituadas a denominar de maneira insultuosa os outros de interesseiros. Se uma pessoa tem um relacionamento amoroso com alguém que se destaque de alguma maneira, principalmente financeira, já é motivo de ser chamada de interesseira. Mas será que o é?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O adjetivo “interesseiro” tem como definição: pessoa que somente se relaciona com algum interesse pessoal, não considera as qualidades subjetivas de um pretendente apenas o benefício que terá ao se relacionar com ele, que só se entrega amorosamente se obtiver vantagens com isso e com pessoas notavelmente superiores a sí, e que em hipótese alguma fica com alguém sem obter ganhos.
 
Entretanto, nem todas as pessoas que elegem parceiros bem sucedidos são interesseiras, algumas são simplesmente seletivas. Pessoas de um bom nível (social, intelectual, financeiro, profissional ou outro) e por terem consciência disso jamais se submeteriam a um relacionamento com uma pessoa mediana. Interesseiro é quem se coloca em relacionamentos desiguais em que é discrepantemente inferior ao companheiro, enquanto o seletivo se relaciona apenas com pessoas num grau de evolução semelhante ao próprio. Eis a diferença.
 
Uma pessoa inteligente (que NÃO é sinônimo de ter uma formação superior, pois isto é muito acessível hoje em dia), que se destaca em algum ramo de atividade, batalha pelas coisas que acredita ou gosta, é conhecida e reconhecida por suas conquistas, alcançou sucesso em algum âmbito da vida, cuida da aparência física e da saúde, está sempre aprendendo novos ofícios, idiomas, conhecendo lugares, se lançando a novas possibilidades, enfim, sempre evoluindo, dificilmente se submeterá a um relacionamento com uma pessoa que aspira ao fracasso, a não ser que tenha sérios problemas de autoestima ou não tenha consciência de si. Sempre digo que as pessoas andam com quem elas se parecem, e a cada dia tenho mais convicção desta tese. Se alguém que julgamos invejável se relaciona com alguém de pouco mérito, é porque ela mesma se considera como tal.
 
Assisti na internet uma cena daquele programa Mulheres Ricas, que passou não sei quando e não sei em que emissora de televisão, no qual um dos presentes dizia “Quem gosta de velho é a Val (Marchiori)”, a zombando por ser casada com um homem mais velho, e esta respondia “Eu gosto de homem inteligente e bem sucedido”.  Foram demasiado congruentes as palavras que ela usou como resposta. Como que uma empresária bem sucedida vai se envolver amorosamente com um homem inferior a ela? Isto a rebaixaria. Não importa se a pessoa é mais velha ou mais nova, mais feia ou mais bonita, mais alta ou mais baixa, o importante é que esteja num mesmo patamar que o outro. Uma pessoa bem sucedida desce de nível ao se envolver com pessoas mal sucedidas (não me refiro apenas à posição socioeconômica, mas principalmente à intelectual). Agora, se ela fosse uma pessoa pobre de conquistas, ou desempregada, ou sem atividade alguma, que vivesse como sombra deste homem, o título de interesseira seria congruente.
 
Há pouco tempo conheci uma mulher, que na minha ótica aparentava ser uma pessoa instruída, bem sucedida e realmente era uma mulher muito bonita. Ela relatava com desanimo sobre o seu insucesso amoroso quanto mencionava seu relacionamento atual, com uma pessoa nitidamente inferior a ela, e de todos os outros relacionamentos passados que sempre tinham o mesmo perfil. O que mais me chamou atenção foi que enquanto justificava que merecia relacionamentos melhores por ser uma pessoa com várias qualidades a qual citou (as quais concordei com todas), fez uma referencia que me deixou intrigada: mencionou a amiga “interesseira, que nem era tão bonita” que sempre se dava bem, sempre ficava com “os melhores homens” e que estes faziam de tudo pra ficar com ela, expressando repudio por esta amiga, falando hostilmente sobre ela, usando adjetivos muito pesados. Fiquei em alerta, percebi o quanto ela queria esta no lugar desta amiga, quanto a invejava, e aquele frase Freudiana “quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo” fez sentido.
 
Pessoas com autoestima extremamente abalada só se permite eleger parceiros que ela julga como semelhante (sendo que inconscientemente se acha pouca coisa), e vai mantendo um círculo vicioso que destrói cada vez mais sua autoimagem, e por isso sente a necessidade de denegrir quem conquista coisas que ela mesma se julga incapaz de conseguir. Se existia um interesseiro na história de vida desta mulher eram os homens com os quais ela se relacionava, pois a amiga era apenas uma mulher seletiva.
 
 
Fonte: Temas de Psicologia