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quarta-feira, 10 de junho de 2015

MULHERES TÊM MAIS MEMÓRIAS DO QUE HOMENS

Um estudo realizado pelo setor de psicologia da Hamilton College demonstrou que as mulheres possuem melhor memória do que os homens. As mulheres conseguem se lembrar de fatos autobiográficos, com riqueza de detalhes e num tempo menor do que os homens levariam para resgatar esse tipo de memória.

De acordo com os pesquisadores, a memória privilegiada das mulheres é resultado do desenvolvimento da memória na infância. Segundo o estudo, a idade ideal para formar lembranças é o período entre os dois e os seis anos de idade. O fato de as meninas conversarem mais do que os meninos neste período faz com que elas consigam reter mais informações.

Outro ponto importante é que as meninas são mais dispostas a conversar sobre seus sentimentos, fato que as aproximam ainda mais da realidade no momento de descrever um evento.

O psicólogo Azriel Grysman, autor do estudo, concluiu que os meninos têm mais facilidade para ignorar sentimentos e, por isso, com o passar do tempo, eles desenvolvem conexões cerebrais mais simples, o que influencia na qualidade da memória.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O QUE ACIONA A CRIATIVIDADE?

Entender a criatividade tem sido uma meta de filósofos e cientistas de vários milênios.

Abordagens prevalescentes à criatividade individual e em grupo concentraram-se em fatores pessoais que contribuem para o comportamento criativo (por exemplo, personalidade, inteligência, motivação).

A literatura acadêmica atual defende os processos de se comportar criativamente e os de valorizar a criatividade, como sendo em grande parte independentes.

Um novo estudo não concorda com esta crença ao que pesquisadores usaram a identidade social e as teorias de autocategorização como base para um modelo de criatividade.

O novo modelo demonstra o papel que os grupos desempenham ao estimular e formar atos criativos. Além disso, o novo modelo sugere que os grupos sociais determinam a recepção de que novas (criativas) ideias são dadas.

Os investigadores acreditam que suas descobertas sugerem que um grupo social de um indivíduo desempenha um forte papel no processo criativo ao que o grupo não só incentiva a originalidade, mas também determina como um esforço criativo de um indivíduo será apreciado.

A pesquisa está publicado na revista Personality and Social Psychology Review.

Os resultados do estudo sugerem que a identidade social de uma pessoa é tanto o começo quanto o fim do processo criativo.

Ou seja, uma identidade social compartilhada (ou a falta dela) motiva os indivíduos a aumentarem determinados desafios criativos e fornece uma base para certas formas de criatividade serem reconhecidas (ou ignoradas).

Especialistas acreditam que os resultados do estudo irão proporcionar uma agenda de pesquisa de futura criatividade neste novo paradigma.



Texto de RICK NAUERT PHD, Editor Sênior de Notícias

Revisado por John M. Grohol, Psy.D., em 26 de Agosto de 2013

Fonte: PsychCentral

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O LADO BOM DE VER TELEVISÃO

Claro que ver televisão o dia inteiro não pode ser bom – para começar, por causa de todo o tempo que não foi investido em outras atividades. Mesmo que fosse inerentemente bom, só se dedicar a essa atividade seria um atraso de vida. Até beber água, uma das coisas boas da vida, pode ser ruim se feita em excesso.

Mas há maneiras e maneiras de ver televisão. Existe TV-papel-de-parede, TV-rádio, TV-cinema, TV-jornal, TV-babá, TV-companhia-para-adormecer, TV-não-quero-pensar-em-nada. Todas elas pelo menos estimulam os sentidos, mesmo que você adormeça. Mas estímulo por estímulo não basta para o cérebro (assistir Teletubbies, por exemplo, comprovadamente emburrece). Para ser interessante e proveitoso, o estímulo precisa fazer sentido.

Televisão interessante, portanto, é aquela que faz sentido – ou seja, que consegue fazer você pensar. Jornais, entrevistas e outros “programas sérios” são provocadores-de-pensamentos óbvios, convites ao posicionamento pessoal e à elaboração de críticas e apreciações. Assim, programas realmente imundos, daqueles que ficam chafurdando no DNA alheio, também funcionam: com um pouco de sorte, seu cérebro acha aquilo acintoso e dá as ordens necessárias para seu dedo mudar de canal.

O jornalista Steven Johnson, autor do livro Tudo que é ruim é bom pra você, defende que até mesmo os reality shows mais bestas trazem suas vantagens ao cérebro, por oferecerem uma oportunidade de aprendizado social no seu sofá. Segundo ele, até o Big Brother 215 poderia contribuir para você aprender a ler os sinais que ajudam a identificar estratégias de convívio social e indicam quem é confiável ou quem é manipulador.

Pode ser. Eu ainda prefiro usar meu tempo com outras coisas – mesmo que sejam programas de TV aparentemente ainda mais inúteis, como… comédias. Acontece que besteirinhas leves também fazem seu cérebro funcionar. Estudos com telespectadores assistindo a episódios de seriados como Seinfeld e Os Simpsons deixaram claro que achar graça estimula o cérebro. Apreciar o humor requer esforço cognitivo: antes de curtir suas gargalhadas é preciso entender a piada, ou literalmente achar a graça.

Circuitos diferentes do cérebro são acionados no processo. Encontrar a graça coincide com a ativação de regiões do lado esquerdo do cérebro que normalmente tanto processam a linguagem quanto resolvem ambiguidades contextuais – como as tiradas irônicas e piadinhas de situação que pululam nos seriados americanos. Curtir a graça, por outro lado, casa com a ativação intensa de três regiões, dos dois lados do cérebro. Uma faz parte do sistema de recompensa, aquele conjunto de estruturas que cuidam de nos dar prazer quando fazemos algo bom. As outras duas cuidam das sensações corporais, base das emoções: a amígdala (não, não é a da garganta) e a ínsula (que monitora em permanência o estado do corpo). Como bônus, rir ainda melhora a imunidade do organismo. Ou seja: assistir a comédias dá trabalho e prazer a corpo e cérebro.

Ver filmes modernos também dá um trabalho danado. Como Steven Johnson lembra, a edição de filmes vem evoluindo e ficando cada vez mais rebuscada, com tramas paralelas, voltas no tempo e pulos adiante e às vezes até montagens ao contrário. Assistir a esses filmes é um esforço cognitivo e tanto.

Nada disso, contudo, justifica passar horas a fio em frente ao aparelho, com tantas outras coisas interessantes para fazer com o seu dia. Mas, se você curte descansar no sofá depois de um dia de trabalho, eis a desculpa perfeita: ver televisão nem sempre é uma atividade completamente passiva e descerebrada.

Fonte: Mente e Cérebro

sábado, 15 de junho de 2013

CÉREBRO DE PESSIMISTAS PRODUZ MENOS SUBSTÂNCIA DE COMBATE À DOR

Pessoas que têm expectativas positivas em relação ao futuro tendem a responder melhor o tratamento medicamentoso da dor, segundo pesquisadores da Universidade de Maryland. Eles pediram que 50 voluntários saudáveis respondessem a um questionário de personalidade que avaliava níveis de altruísmo, resiliência e otimismo. Em seguida, enquanto registravam imagens do cérebro dos participantes por meio da técnica de tomografia por emissão de pósitrons (PET), aplicaram em todos eles uma injeção dolorosa e em seguida entregaram um comprimido placebo – enganando-os, dizendo que era um analgésico.

As neuroimagens mostraram que o cérebro dos voluntários que apresentavam, em maior grau, os traços de personalidade descritos produziu maiores quantidades de substâncias que naturalmente combatem a dor, como endorfinas. Como esperado, eles também relataram melhora mais rápida da dor. “Parece que há uma conjuntura emocional que favorece a liberação natural de substâncias que combatem a dor, o que aumenta a efetividade do efeito placebo”, diz o coordenador do estudo, Jonkar Zubieta.


Fonte: Mente e Cérebro

sexta-feira, 29 de março de 2013

RETARDO MENTAL E MANICÔMIOS JUDICIAIS


Com um olhar agitado e as mãos trêmulas, Gabriel* descreve o que o levou ao Hospital de Custódia e Tratamento da Bahia: “Vai, vai, mata eles. Não, não, hoje não, outro dia. Vai, hoje mesmo”. Eram, nas palavras do rapaz de 26 anos, há quase três no estabelecimento, as “vozes de ideia contrária” que ele ouve desde menino. Em uma manhã, Gabriel sucumbiu ao pedido. Passou uma faca no pescoço do padrasto, que, naquele momento, fazia o café. Esperou a mãe chegar e também a matou. Colocou os dois corpos embaixo da cama, até ser facilmente descoberto pelos vizinhos.


As tais vozes que Gabriel ouve são familiares a 42% da população que vive em hospitais de custódia no país, também conhecidos como manicômios judiciários. Essa é a proporção dos acometidos pela esquizofrenia — doença mental complexa cujas causas ainda não são completamente conhecidas. Em segundo lugar nos laudos que trazem o diagnóstico principal dos internos vem o retardo mental, atingindo 16% dos quase 4 mil loucos infratores atualmente detidos, de acordo com estudo financiado pelo Ministério da Justiça obtido pelo Correio.


Fonte: Correio Braziliense



quarta-feira, 27 de março de 2013

SONANBULISMO: CAUSAS E IMPLICAÇÕES

O Sonambulismo é atualmente, e desde sempre, marcado por um certo desconhecimento e mistério. Mas afinal o que é o sonambulismo e como devemos ajudar o sonâmbulo?

O Sonambulismo é caracterizado por episódios recorrentes de atividade motora complexa durante iniciada durante o sono. O indivíduo, levanta-se da cama, calça os sapatos, vai à cozinha, come, fala, acende as luzes, contorna obstáculos, chega a ter comportamento de fuga perante uma eventual ameaça, tudo como se estivesse acordado. Existem casos extremos de durante a noite subir uma montanha, vir para a rua enquanto neva (acabando por falecer com hipotermia) ou mesmo atacar outro ser humano (acabando por o levar à morte).

O Sonambulismo ocorre durante o primeiro terço da noite, antes do sono REM, durante o sono profundo. 
Como é antes do completo tonos muscular e da completa desativação cerebral, o cérebro fica parcialmente ativo. As áreas motoras permanecem ativas, contudo áreas relacionadas com a consciência e memória se mantém praticamente inativa, explicando a amnésia do que fez, no momento que acorda.

Durante os episódios, o sonâmbulo torna-se menos despertável, com um olhar vazio e relativamente indiferente à comunicação, aos estímulos externos e aos esforços para o acordar. Quando acorda pode haver um período de alguns minutos confusionais e/ou de dificuldades de orientação, seguindo da recuperação total das capacidades cognitivas e dos comportamentos adequados.

Ao contrário do que se acreditava no passado, acordar um sonâmbulo, não representa nenhum perigo, nem para o sonâmbulo, nem para a pessoa que acorda. Pelo contrário, como referi num parágrafo acima, o sonambulismo pode se tornar perigoso, visto que o sonâmbulo pode por a sua vida e a vida de outros em risco, assim sendo, deve-se acordar um sonâmbulo, visto que o comportamento deste não obedece a regras ou lógica, é imprevisível.

Dados estatísticos referem que de 10 a 30% das crianças têm pelo menos um episódio de sonambulismo, enquanto de 2 a 3% têm episódios frequentes. Nos adultos, entre 1 a 7% possuem episódios de sonambulismo, mas esporádicos. O primeiro episódio costuma surgir entre os 4 e 8 anos, apresentando um pico aos 12 anos.

Aproximadamente 80% das pessoas com sonambulismo, possui um familiar com sonambulismo ou terrores noturnos. Uma criança a ter pais com história de episódios de sonambulismo, possui 60% de também ter episódios de sonambulismo. Através de estudos de gémeos monozigóticos e dizigóticos, pode-se afirmar que existe pré-disposição genética.

Existem fatores que aumentam a probabilidade dos episódios de sonambulismo, tais como: uso de sedativos ou drogas; consumo de álcool; stress; ansiedade; febre; problemas respiratórios; stress pós traumático, entre outros.

No passado, por vezes, o sonambulismo era associado a fenómenos de “possessão espírita”. Atualmente o sonambulismo continua envolvido por mistério, não apenas pela sua origem, mas também pelo funcionamento cerebral associado. Por curiosidade, o que sonâmbulo vê e interage parece um misto de realidade e sonho, visto que este usa objetos com extrema precisão, ao mesmo tempo que pode olhar para o lado e começar a falar com alguém imaginário ou fugir / atacar um perigo que não existe.


segunda-feira, 25 de março de 2013

DORMIR HORAS A MAIS AJUDA A COM AS DORES

Dormir quase duas horas a mais por noite pode melhorar drasticamente o estado de alerta de uma pessoa e reduzir a sensibilidade à dor. Segundo o jornal Daily Mail, pesquisadores disseram que dormir quase 10 horas por noite - em vez das oito horas recomendadas - é mais eficaz no tratamento de dores do que tomar codeína.

O estudo utilizou 18 pessoas, livres de dor, que dormiram oito horas por quatro noites e quase 10 por mais quatro noites. Pesquisadores constataram que quando dormiam mais ficavam mais alertas durante o dia. Além disso, tiveram menos sensibilidade à dor. Notou-se ainda que eles conseguiam ficar com o dedo em uma fonte de calor 25% mais tempo do que quando dormiram menos.

Dr. Timothy Roehrs, especialista em distúrbios do sono, disse que os resultados sugerem a importância de um sono adequado no tratamento de dor crônica. "Ficamos surpreendidos pela redução da sensibilidade à dor, comparada com a de tomar codeína."


Fonte: Terra Comportamento



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O QUE É UM PSICOPATA?

O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. 

Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática.

Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.

No entanto, costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa. Nos relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos. Não é de surpreender, portanto, que haja um grande número de psicopatas nas prisões. Estudos indicam que cerca de 25% dos prisioneiros americanos se enquadram nos critérios diagnósticos para psicopatia. No entanto, as pesquisas sugerem também que uma quantidade considerável dessas pessoas está livre. Alguns pesquisadores acreditam que muitos sejam bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque na política, nos negócios ou nas artes.

Especialistas garantem que a maioria dos psicopatas é homem, mas os motivos para esta desproporção entre os sexos são desconhecidos. A freqüência na população é aparentemente a mesma no Ocidente e no Oriente, inclusive em culturas menos expostas às mídias modernas. Em um estudo de 1976 a antropóloga americana Jane M. Murphy, na época na Universidade Harvard, analisou um grupo indígena, conhecido como inuíte, que vive no norte do Canadá, próximo ao estreito de Bering. Falantes do yupik, eles usam o termo kunlangeta para descrever “um homem que mente de forma contumaz, trapaceia e rouba coisas e (...) se aproveita sexualmente de muitas mulheres; alguém que não se presta a reprimendas e é sempre trazido aos anciãos para ser punido”. Quando Murphy perguntou a um inuit o que o grupo normalmente faria com um kunlangeta, ele respondeu: “Alguém o empurraria para a morte quando ninguém estivesse olhando”.

O instrumento mais usado entre os especialistas para diagnosticar a psicopatia é o teste Psychopathy checklist-revised (PCL-R), desenvolvido pelo psicólogo canadense Robert D. Hare, da Universidade da Colúmbia Britânica. O método inclui uma entrevista padronizada com os pacientes e o levantamento do seu histórico pessoal, inclusive dos antecedentes criminais. O PCL-R revela três grandes grupos de características que geralmente aparecem sobrepostas, mas podem ser analisadas separadamente: deficiências de caráter (como sentimento de superioridade e megalomania), ausência de culpa ou empatia e comportamentos impulsivos ou criminosos (incluindo promiscuidade sexual e prática de furtos).


TRÊS MITOS

Apesar das pesquisas realizadas nas últimas décadas, três grandes equívocos sobre o conceito de psicopatia persistem entre os leigos. O primeiro é a crença de que todos os psicopatas são violentos.

Estudos coordenados por diversos pesquisadores, entre eles o psicólogo americano Randall T. Salekin, da Universidade do Alabama, indicam que, de fato, é comum que essas pessoas recorram à violência física e sexual. Além disso, alguns serial killers já acompanhados manifestavam muitos traços psicopáticos, como a capacidade de encantar o interlocutor desprevenido e a total ausência de culpa e empatia. No entanto, a maioria dos psicopatas não é violenta e grande parte das pessoas violentas não é psicopata.

Dias depois do incidente da Universidade Virginia Tech, em 16 de abril de 2007, em que o estudante Seung-Hui Cho cometeu vários assassinatos e depois se suicidou, muitos jornalistas descreveram o assassino como “psicopata”. O rapaz, porém, exibia poucos traços de psicopatia. Quem o conheceu descreveu o jovem como extremamente tímido e retraído.

Infelizmente, a quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR) reforça ainda mais a confusão entre psicopatia e violência. Nele o transtorno de personalidade anti-social (TPAS), caracterizado por longo histórico de comportamento criminoso e muitas vezes agressivo, é considerado sinônimo de psicopatia. Porém, comprovadamente há poucas coincidências entre as duas condições.

O segundo mito diz que todos os psicopatas sofrem de psicose. Ao contrário dos casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é freqüente a perda de contato com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem muito bem que suas ações imprudentes ou ilegais são condenáveis pela sociedade, mas desconsideram tal fato com uma indiferença assustadora. Além disso, os psicóticos raramente são psicopatas.

O terceiro equívoco em relação ao conceito de psicopatia está na suposição de que é um problema sem tratamento. No seriado Família Soprano, dra. Melfi, a psiquiatra que acompanha o mafioso Tony Soprano, encerra o tratamento psicoterápico porque um colega a convence de que o paciente era um psicopata clássico e, portanto, intratável. Diversos comportamentos de Tony, entretanto, como a lealdade à família e o apego emocional a um grupo de patos que ocuparam a sua piscina, tornam a decisão da terapeuta injustificável.

Embora os psicopatas raramente se sintam motivados para buscar tratamento, uma pesquisa feita pela psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra. Mesmo que seja muito difícil mudar comportamentos psicopatas, a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos.




Without conscience – The disturbing world of the psychopaths among us. Robert D. Hare. Guilford Press, 1999.

Handbook of psychopathy. Christopher J. Patrick (ed.), Guilford Press, 2007.



Fonte: Mente e Cérebro








segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

POR QUE O ÓCIO FAZ BEM AO CÉREBRO?

Reservar algumas horas ou minutos do dia para simplesmente fazer nada é um verdadeiro presente para o cérebro, segundo artigo publicado na Perspectives on Psychological Science. A psicóloga e educadora Mary Helen Immordino-Yang, da Universidade do Sul da Califórnia, relata os resultados de pesquisas recentes, que mostram que o descanso da mente, seja fazendo uma caminhada sem horário definido para terminar ou espreguiçando-se no sofá, sonhando acordado, favorece a criatividade e a capacidade de resolver problemas.

Quando a mente se dispersa, a rede neural de modo padrão (DMN, na sigla em inglês), isto é, os circuitos cerebrais que se “desligam” durante tarefas que exigem foco no ambiente externo, se torna mais ativa. Estudos relacionam a DMN à introspecção, a pensamentos internos, à imaginação do futuro, à recuperação espontânea de memórias, à divagação e ao surgimento de soluções criativas. Segundo Mary Helen, a noção de “preencher o tempo” com tarefas de todo tipo – como navegar na internet ou ver TV por horas a fio – atrapalha a dispersão natural do cérebro.

A cultura “antiócio” pode prejudicar principalmente os mais jovens, afirma. “A reflexão, o hábito de olhar para dentro, não é incentivada no ensino tradicional. Ela é essencial para construir memórias e conferir sentido aos acontecimentos, assimilar valores morais e digerir o que foi aprendido”, diz, apontando pesquisas que mostram que crianças motivadas a desfrutar o tempo livre têm menos problemas de ansiedade, melhor desempenho escolar e demonstram mais capacidade de planejar o futuro. “Em vez de ser visto como perda de produtividade, o tempo livre pode ser encarado como oportunidade de reflexão construtiva, o que é essencial para retirar aprendizado de experiências vivenciadas”, diz a psicóloga.

Fonte: Mente e Cérebro


sábado, 29 de dezembro de 2012

O LADO ESQUERDO É MAU

DESTROS ASSOCIAM LADO DIREITO COM BOM E ESQUERDO COM MAU.

 
Ser destro ou canhoto significa mais que usar os membros do lado direito ou esquerdo do corpo com mais ou menos habilidade. Essa predominância pode influir de forma inconsciente em nossas escolhas, segundo a teoria da cognição incorporada – de acordo com essa hipótese, considerada por cientistas cognitivos de várias universidades, as ideias abstratas partem de experiências físicas do mundo externo.

O psicólogo Daniel Casasanto, da Nova Escola de Pesquisa Social, em Nova York, analisou escolhas de voluntários em várias situações – quais objetos ou imagens preferiam, ou mesmo candidatos a vagas de emprego com que simpatizavam mais – e descobriu que os destros tendiam a associar características positivas a pessoas ou coisas que se encontravam a seu lado direito; com os canhotos, ocorre o oposto. Em outro estudo, Casasanto também observou que políticos costumam gesticular com a mão de seu lado dominante ao se promoverem, por exemplo, e com a outra ao rebaterem críticas ou se justificarem.

Em 2011, o psicólogo colocou em xeque a teoria de que a lateralidade é determinada geneticamente. Ele pediu a voluntários que jogassem dominó usando uma luva grossa e desconfortável em sua mão dominante e depois que escolhessem objetos e opinassem sobre pessoas. Descobriu que eles preferiram o que ou quem estava do lado de sua mão livre. E essa tendência já pode ser observada em crianças de 6 anos, como Casasanto relatou em artigo publicado na Cognitive Science. Ele e sua equipe perguntaram a elas que animais, entre desenhos apresentados aos pares, pareciam mais simpáticos ou mais espertos. Os destros quase sempre escolheram as imagens à direita, e os canhotos, as da esquerda. Também escolheram guardar seus brinquedos preferidos em caixas posicionadas a seu lado dominante. “Nosso pensamento é influenciado por interações com o mundo físico que nem imaginamos”, diz o psicólogo.

Fonte: Mente e Cérebro



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

LEI DA ATRAÇÃO: O EFEITO PIGMALEÃO



Quem não ouviu falar do “O segredo” ? O filme e livro que ensinava a Lei da Atracão, que através da qual poderíamos ter tudo o que desejasse-mos, bastando alterar a forma de pensar. Mas existe a Lei da Atração ou será apenas o nosso cérebro? Que nos diz a ciência?

Segundo “o Segredo” existiria uma Lei da Atração à semelhança de outras Leis do Universo como a gravidade. Mas a Lei da Atração, permitia ás pessoas realizar qualquer coisa, bastando desejar de forma incondicional, através de pensamentos positivos e persistência.

Numa tentativa de descodificar “O Segredo” numa perspetiva psicológica, levo-vos até um fenómeno psicológico chamado “Efeito Pigmaleão” também chamado “Efeito Rosenthal”, mas comecemos pelo início.

A realidade é subjetiva, já que é recebida e interpretada pelo nosso cérebro, em função das nossas emoções, expectativas, personalidade, etc. Assim, a minha realidade é diferente da sua realidade e mais importante, a minha realidade sobre determinado acontecimento ou momento pode variar, se as minhas emoções e expectativas se alterarem.

Aqui entra então o “Efeito Pigmaleão”, ele representa uma espécie de “Profecia Auto-Realizavel”. Ele diz-nos que encontramos o que procuramos, ou melhor, que o nosso cérebro vai ser coerente com as suas expectativas.

Uma experiência popular sobre esse efeito, foi com o professor Robert Rosenthal. Numa escola, convenceu os professores que determinados alunos (escolhidos ao acaso, sem que os professores soubessem) teriam um maior potencial de êxito. Curiosamente, foi-se verificou-se que todos os alunos “escolhidos”, revelaram esse “maior potencial de êxito”. Revelando em todos subidas de QI. No extremo uma subida de 81 para 128 (sendo 200 o máximo).

Como foi isso possível? Ao convencer os professores, ele modificou as suas expectativas face aos alunos. Por consequência, inconscientemente, a atenção, a disponibilidade para esses alunos também se alterou. O cérebro maximizava o positivo e minimizava o negativo. Como resultado, os proporcionaram (mesmo inconscientemente) condições favoráveis ao desenvolvimento desses alunos.

A Lei da Atração, diz-nos que basta desejar de forma incondicional, através de pensamentos positivos e persistência, para conseguir-mos tudo o que pretender-mos. Não estamos apenas a auto-convencer-nos e a alterar as nossas expectativas? Não iremos inevitavelmente interpretar a realidade de forma diferente, proporcionando (mesmo inconscientemente) condições favoráveis para o nosso sucesso?

Noutra perspetiva, numa ciência afastada da Psicologia, a Física Quântica revela experiências surpreendentes. Não nos diz nada sobre a existência da Lei da Atração, mas revela-nos que uma simples observação ou pensamento pode alterar a forma como as partículas interagem. Desta forma o nosso pensamento poderia ter “algum” poder em alterar “mesmo” a realidade.

O popular efeito placebo é semelhante ao efeito pigmaleão, mas aplicado à medicação. As pessoas tendem a sentir benefícios depois de tomarem medicação, mesmo que esta não tenha qualquer efeito.



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

EFEITO PLACEBO

Quase todos nós já ouvimos falar do efeito placebo, nos documentários, nos telejornais, em hospitais ou centros de saúde. Mas o que é o efeito placebo? Qual é o seu poder? E de onde vem esse poder? São questões que irei tentar responder neste artigo.

Placebo é chamado a uma substância inerte ou procedimento falso, que apresenta efeitos terapêuticos unicamente devido à crença e expectativa do doente que está a ser tratado. Entre essas substâncias podemos encontrar a farinha, açúcar ou soro fisiológico. Isto é, na prática, o terapeuta administra ao paciente um comprimido de farinha, mas dizendo-lhe que é um analgésico, surpreendentemente as dores diminuem. Como é possível?

Chama-se a essa “melhoria” descrita pelo paciente, quando administrado um placebo, o efeito placebo. O Efeito Placebo é semelhante ao Efeito Pigmalião, porém ao nível dos medicamentos e terapias. O Efeito Placebo deve-se exclusivamente a um truque mental, proporcionado pelas crenças e as expectativas do sujeito face a determinado efeito terapêutico do suposto medicamento ou terapia. Logo variáveis como a credibilidade, reputação, confiança, do terapeuta irá aumentar o efeito, como também a inocência, desconhecimento e suscetibilidade do “paciente” também o irá intensificar. Assim pessoas mais inteligentes e conhecedoras dos procedimentos médicos serão menos suscetíveis a esses efeitos.



 ACREDITAR QUE ACONTECE, FAZ (SENTIR) QUE AS COISAS REALMENTE ACONTECEM.



Estudos sobre placebos, chegam a conclusões surpreendentes e curiosas.

O mesmo placebo pode ter a metade do efeito analgésico da aspirina e noutros pacientes pode ter a metade do efeito analgésico da morfina, sendo que a morfina é muito mais poderoso, torna-se curioso. Um mesmo placebo pode reduzir ou aumentar a dor.

Quando se fala em Placebo, referi-mo-nos não apenas a comprimidos, mas também a cremes, injeções, cirurgias, bebidas e até mesmo botões. Mas vamos então a uma compilação de conclusões de estudos:
  • Quanto maior for o comprimido, maior é o efeito.
  • Tomar 2 comprimidos o efeito é maior, do que tomar apenas um.
  • A cápsula tem efeito maior que o comprimido.
  • Injeções têm efeito maior que a cápsula.
  • Intervir com uma máquina científica (falsa), tem maior efeito que as injeções.
  • Um comprimido com “marca” tem maior efeito que um sem marca.
  • Quanto mais caro o comprimido for, maior é o efeito.
  • Quanto mais “bonita” a caixa (dos comprimidos falsos) maior é o efeito.
  • Comprimidos azuis funcionam melhor como calmantes.
  • Comprimidos vermelhos funcionam melhor como estimulantes. 
  • Estudos indicam também que as pessoas que tomam medicamentos, estão menos propensas a morrer que as que não tomam, mesmo que os medicamentos tomados sejam placebos.
  • Estudos também indicam que placebos, podem originar dependência (quando os pacientes são convencidos disso), originando inclusive sintomas de abstinência.

Acredita-se que qualquer medicamente verdadeiro, uma parte do seu efeito, deve-se ao efeito placebo. 
Acredita-se também que muita homeopatia e “curas” caseiras se devem exclusivamente ao efeito placebo. Afinal de contas o maior “remédio” está no nosso cérebro.
 
E você, já conhecia o efeito placebo? Quantas vezes sentado à mesa com crianças, elas “inventam” mil e uma dores para não comer, você pega em água, esfrega no sítio  e passa rapidamente a dor?



Fonte: Psicologia Free



sábado, 15 de dezembro de 2012

EXPERIÊNCIAS RELIGIOSAS E SISTEMA LÍMBICO


De acordo com o cientista Francisco Varela, em seu livro “Sobre a competência ética”, nosso cérebro é o resultado de uma evolução biológica e supõe um diálogo com o meio e sua consequente configuração neuronal. Esse sistema assim constituído é um sistema autorreferente, autônomo, determinista e relativista, que faz com que se possam gerar inúmeras narrativas de si, inúmeras descrições mentalistas e linguísticas de um determinado fenômeno, alimentado pela interação social. O corpo surge qual verdadeira máquina ontológica que com suas redes neuronais, com sua coordenação sensório-motora, com seu centro cerebral presidido pela lei da reciprocidade das suas diversas regiões, e com seu trabalho de rede, faz emergir o mundo.

Na verdade, faz surgir não só um novo mundo, mas também faz surgir um novo sujeito que a partir de então é definido e identificado pelo seu cérebro: o sujeito cerebral. Cada vez mais temos visto a necessidade de nos definir a partir das interações internalistas e externalistas mediadas pela mente e pelo cérebro, fazendo com que este seja necessário para nos identificarmos e sermos nós mesmos.

Não são imbróglio as pesquisas do neurologista indiano radicado nos Estados Unidos Vilayanur Subramanian Ramachandran, em seu livro “Fantasmas no cérebro”, ao considerar as experiências religiosas como pertencentes aos lobos temporais do cérebro, de modo com que fosse possível localizar através das mais modernas técnicas de imagem cerebral o exato “ponto de Deus no cérebro”.

Em suas pesquisas históricas e empíricas, baseados em casos clínicos, Ramachandran identificou que as crenças religiosas não são meramente o resultado de um desejo mágico religioso ou um anseio pela imortalidade da alma, mas também encontrou dados de intenso êxtase religioso experimentado em pacientes que tinham ataques no lobo temporal esquerdo, cuja experiência resultou na sensação de que Deus falara diretamente com esses pacientes tais como nos delírios do presidente do senado Daniel Paul Schreber, ou Santa Tereza D’Ávila e seus êxtases religiosos, ou ainda como as visões de São Paulo.

Seria então possível considerar que o sistema límbico é o responsável por todas as experiências religiosas já que ele é o principal responsável por todas as experiências e registros das emoções, tal como afirma o neurologista António Damásio em seu livro “O mistério da consciência: do corpo e das emoções ao conhecimento de si”?

O registro das emoções é mediado pelas conexões neuronais intensas presentes nos lobos frontais e grande parte da interação das emoções depende dessa conexão entre os neurônios presentes nessa região do cérebro.

O sistema límbico, ainda é preciso considerar, é um sistema composto por uma série de estruturas interconectadas circundando um ventrículo cheio de fluído do cérebro e forma a borda interna do córtex cerebral. As estruturas, de acordo com Ramachandran, ainda incluem o hipocampo, amígdala, septo, núcleos talâmicos anteriores, corpos mamilares e córtex cingulado, mas não é um sistema nem sensorial nem motor, mas constitui o núcleo central do processamento das emoções humanas e é essencial no registro das experiências místicas ou religiosas.

Aqui não se discute a existência ou não da presença divina, mas sim que sem o repertório “biológico” do sistema límbico, dificilmente as pessoas poderiam experimentar as sensações que descrevem quando se encontra em êxtase religioso ou místico. Caberia também aqui questionar se uma pessoa descrente, um ateu, poderia experimentar as mesmas sensações divinas ou místicas do que uma pessoa fervorosamente religiosa.

Seria possível que nosso equipamento cerebral estivesse “formatado” para esse tipo de experiência, desenvolvendo um conjunto especializado de circuitos neuronais com o objetivo de mediar a experiência religiosa ou justamente porque temos esse equipamento cerebral é que somos capazes de observar essa experiência e descrevê-la como sendo um fenômeno divino, sem que para isso descartemos toda a construção do caldo cultural, social e linguística da religião e de nossas crenças?

Mas há ainda de se ponderar que essas experiências religiosas também fazem parte de nossa capacidade cognitiva e que se dão de modos distintos nos mecanismos neuroanatômicos e neurofisiológico tal como pontuado pelos neurocientistas D’Aquili e Newberg em seu livro “The mystical mind: probing the biology of religious experience”, ainda não publicado no Brasil.

De acordo com esses autores, o comportamento religioso começa com uma operação e uma “inter-relação desses dois mecanismos do cérebro. No primeiro deles, é a percepção de sequências causais na organização da realidade”. Isso resulta, segundo os autores, “na tentativa de impor controle além do mundo através da manipulação de construtos causais opostos como deuses, demônios, espíritos ou outros agentes causais personalizados”. O segundo mecanismo é o resultado da “evolução neurofisiológica culminando no potencial de estados alterados desenvolvidos da consciência”.

Esse tipo de experiência é frequentemente interpretado como um rápido olhar dentro do mundo sobrenatural e tendem a confirmar a existência do poder personalizado gerado pelo primeiro mecanismo (neuroanatômico). Além disso, para algumas pessoas, “esse tipo de experiências podem facilitar a reorganização da estrutura da personalidade do indivíduo e realinhar sua concepção de mundo frente ao cosmos”, afirmam D’Aquili e Newberg.

A neuroteologia, assim, tem se firmado como uma ciência que tem buscado interpretações possíveis para fenômenos religiosos de diversas ordens, desnaturalizando o fenômeno religioso como uma mera construção cultural, social ou histórica das sociedades primitivas ou modernas ou por outro lado, reforçando e reafirmando a fidedignidade de nossas crenças de acordo com nosso equipamento biológico.

Caberia aqui, como ilustração, tomar de exemplo os experimentos de D’Aquili e Newberg ao escanear o cérebro de oito budistas americanos, praticantes da meditação tibetana e de três freiras franciscanas em oração contemplativa, buscando mostrar como em ambos os grupos poderíamos observar um aumento da atividade neural do córtex pré-frontal e uma diminuição da atividade lobo parietal posterior superior. O objetivo de tal experimento foi mostrar a relação entre a atividade mental e o seu correlato cerebral nas práticas de meditação de ambos os grupos.

De acordo com o filósofo e pesquisador das neurociências Francisco Ortega, a crítica a esses experimentos refere-se mais ao dualismo cartesiano clássico do que a obviedade de uma tradução materialista das experiências mentais ou espirituais.

Caberia perguntar se esses dados, procedentes do polo cerebral, fornecem alguma informação importante sobre o polo mental, para além do fato óbvio (se não quisermos reeditar alguma versão do dualismo clássico) de que toda a experiência mental (inclusive as espirituais) possui correlatos cerebrais. Podemos identificar a experiência espiritual de vazio, o Nirvana dos budistas, com o sentimento de comunhão com o Deus das freiras? Seria ingênuo se acreditássemos na identidade das duas. Obviamente, trata-se de duas experiências subjetivas completamente diferentes, correspondentes a duas visões de mundo, a concepções teológicas e espirituais diversas e a contextos socioculturais distintos, ainda que possuam o mesmo correlato neural. A riqueza e a diversidade do polo mental (espiritual) perdem-se na pretensa redução ao polo material, cerebral. Trata-se de uma tradução grosseira, simplificadora e ingênua, afirma Ortega. As variedades das experiências religiosas, segundo o autor, não são traduzíveis à monotonia e à uniformidade de seus correlatos neurais, pois nenhum mecanismo neural pode dar conta da totalidade e variedade de nossas experiências espirituais.

Assim, para usar a expressão do neurocientista John Horgan, poderia a “neuroteologia nos salvar” diante de nossa fragilidade diante de um mundo convulsionado por guerras religiosas, por fenômenos paranormais, místicos ou entidades superiores trazendo a imagem de Deus bem mais próxima do que a realidade científica tem tentado provar? 

É possível “fotografar Deus” no cérebro? As patologias cerebrais tais como epilepsia ou as convulsões do lobo temporal esquerdo que tanto afetam a experiência da vida e da realidade de um indivíduo, fazendo com que este perceba o fenômeno como uma experiência mística de contato com santos ou deuses pode dizer mais do que a própria existência de Deus nos mais variados sistemas de crenças religiosas que conhecemos? Se Deus existe, seriam estas pessoas selecionadas para experimentar sua presença do que o resto das pessoas ditas normais, tal como aconteceu com Santa Tereza D’Ávila, Joana D’Arc, São Paulo ou Van Gogh? E se assim o fosse, o fato de não ter esse tipo de distúrbio cerebral nos afasta ou nos aproxima ainda mais de Deus?

As respostas a estas questões são inúmeras. Por enquanto, os neuroteólogos não têm afirmado nem a presença nem a ausência de Deus no mundo, mas sim, em nosso cérebro. O terreno do ser é sempre mais do que nós podemos compreender e mais do que podemos articular. Deus é sempre mais do que nossa ideia de Deus.


Fonte: Sergio Silva



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

POR QUE O ÓCIO FAZ BEM AO CÉREBRO?

Reservar algumas horas ou minutos do dia para simplesmente fazer nada é um verdadeiro presente para o cérebro, segundo artigo publicado na Perspectives on Psychological Science. A psicóloga e educadora Mary Helen Immordino-Yang, da Universidade do Sul da Califórnia, relata os resultados de pesquisas recentes, que mostram que o descanso da mente, seja fazendo uma caminhada sem horário definido para terminar ou espreguiçando-se no sofá, sonhando acordado, favorece a criatividade e a capacidade de resolver problemas.

Quando a mente se dispersa, a rede neural de modo padrão (DMN, na sigla em inglês), isto é, os circuitos cerebrais que se “desligam” durante tarefas que exigem foco no ambiente externo, se torna mais ativa. 

Estudos relacionam a DMN à introspecção, a pensamentos internos, à imaginação do futuro, à recuperação espontânea de memórias, à divagação e ao surgimento de soluções criativas. Segundo Mary Helen, a noção de “preencher o tempo” com tarefas de todo tipo – como navegar na internet ou ver TV por horas a fio – atrapalha a dispersão natural do cérebro.

A cultura “antiócio” pode prejudicar principalmente os mais jovens, afirma. “A reflexão, o hábito de olhar para dentro, não é incentivada no ensino tradicional. Ela é essencial para construir memórias e conferir sentido aos acontecimentos, assimilar valores morais e digerir o que foi aprendido”, diz, apontando pesquisas que mostram que crianças motivadas a desfrutar o tempo livre têm menos problemas de ansiedade, melhor desempenho escolar e demonstram mais capacidade de planejar o futuro. “Em vez de ser visto como perda de produtividade, o tempo livre pode ser encarado como oportunidade de reflexão construtiva, o que é essencial para retirar aprendizado de experiências vivenciadas”, diz a psicóloga.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

ADMIRÁVEL CÉREBRO NOVO

Desde que Bichat exclamou “Abram-se os cadáveres!”, que a tecnologia médica em torno do corpo buscou desvelar os segredos de sua interioridade, não parando mais de crescer e refinar os mecanismos de busca desse pretenso segredo interior insofismável.

As discussões acerca da biologia dos sentimentos, das emoções, da identidade pessoal, da subjetividade humana e acima de tudo da identidade biológica, parecem não ter chegado a um fim, sobretudo do ponto de vista neurológico ou neurocientífico. É preciso que tenhamos em mente que cada cérebro, cada ínfima conexão de um neurônio com o outro, não é suficiente para identificar todos os seres humanos como sendo um só, dentro do ponto de vista daquilo que tem se configurado como o “sujeito cerebral”.

A idéia de um “sujeito cerebral” decorre, segundo  historiador da ciência Fernando Vidal,  da concepção de “personhood” (personalidade, em inglês), ou seja, se por personalidade entendemos a qualidade ou condição de sermos uma pessoa, um indivíduo ou um sujeito com um sentido de ipseidade e um centro de gravidade narrativa, “brainhood” ou “sujeito cerebral” é a qualidade ou condição de “ser um cérebro” e é essa propriedade que define um sujeito. Por sua vez a figura do sujeito cerebral foi determinada pela influência galênica na psicologia do século XVIII e tem transformado o futuro das ciências médicas, a exemplo das neurociências e da neurologia na contemporaneidade.

Mas nossa identidade biológica seria a identidade de uma pessoa considerada na sua totalidade? Seria o cérebro, o conjunto de conexões neuronais que nos individualiza, nos particulariza, nos torna únicos? Prescindimos de uma centelha divina em nossa demasiada escuridão visceral para compreendermos o ser humano, ou seria a mente, essa estranha personalidade “encarnada” na materialidade do nosso corpo, a grande responsável pelo sentido de ipseidade que tanto tentamos entender?

Quando biólogos, psicólogos cognitivistas, neurologistas e neurocientistas de várias ordens buscam provar que tudo o que nos particulariza diante do Outro e do mundo vem do interior, eles subestimam a nossa capacidade narrativa substituindo a materialidade metafísica por uma interioridade biológica.

Erik Kandel é um bom exemplo disso. Ganhador do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 2000, ele mostrou as contribuições da neurologia e das neurociências no campo das ciências psis, defendendo, inclusive, a psicanálise como ferramenta teórica da mente. Não obstante, Kandel é crítico quanto à relutância dos psicanalistas no que se refere em aproveitar as oportunidades que as ciências de um modo geral têm a oferecer ao campo da mente.

Na sua perspectiva, a psicanálise tal como foi desenvolvida no século XX foi prejudicada por uma concepção mais cientificista da mente, relegando para segundo plano os aportes das ciências biológicas, não obstante Freud ter feito uso das idéias de Darwin ao descrever em seu “Projeto para uma psicologia científica” uma concepção neurológica de mente.

Mas de acordo com Eric Kandel a biologia pode transformar a psicanálise em uma disciplina cientificamente mais fundamentada. Kandel especifica oito áreas em que a biologia e a psicanálise poderiam cooperar: a natureza do inconsciente dos processos mentais; a natureza da causalidade psicológica; a causalidade psicológica e a psicopatologia; as primeiras experiências e a predisposição para as doenças mentais; o pré-consciente, o inconsciente e o córtex pré-frontal; a orientação sexual; a psicoterapia e as mudanças estruturais no cérebro e finalmente a psicofarmacologia como um acessório à psicanálise. Todas elas não privilegiam a fisicalidade dos processos psíquicos nem subestimam as descrições psicológicas e narrativas da mente, pelo contrário, tanto uma quanto a outra estão imbricadas.

O próprio Kandel, em outro momento, afirmou que “a biologia pode revigorar a exploração psicanalítica da mente. Devo dizer, de saída, que embora esboçamos o que poderia evoluir para uma significativa fundamentação biológica para a psicanálise, estamos recém nos primórdios deste processo. Ainda não temos uma compreensão satisfatória dos complexos processos mentais. Mesmo assim, a biologia tem feito progressos notáveis nos últimos cinqüenta anos, e os passos não estão diminuindo. Como os biólogos focalizaram seus esforços na compreensão do cérebro/mente, a maior parte deles está convencida de que a mente representará para a biologia do século XXI o que os genes representaram para a biologia do século XX”.

Para o autor, os estudos biológicos, neurológicos e neurocientíficos podem contribuir para aquilo que ele chama de uma “biologia da subjetividade, da consciência, da ipseidade e do conflito”.

O que a neurologia atual pode trazer de contribuição para as teorias da mente, entre tantas, é apontar não só o referente corporal da nossa subjetividade como também descrever de um modo fisicalista não-dedutivo, como essa subjetividade está predisposta em nosso cérebro, pois, segundo Kandel, o cérebro não espelha o mundo como uma câmera, ele o decompõe em imagens e sensações para então reconstruí-lo na mente.

É provável que, em um futuro muito próximo, estejamos usando as ciências médicas como a neurologia ou as neurociências como aporte de nossas teorias mentalistas acerca da subjetividade e da identidade, construindo novas narrativas da mente.


Fonte: Sergio Gomes

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CÉREBRO MASCULINO x CÉREBRO FEMININO

Desde o início do ser humano enquanto tal, existiram sempre diferenças entre o homem e a mulher. Ao nível genético é inquestionável, mas ao nível cerebral haverá mesmo diferenças significativas? E se as há, quais são? Vamos então analisar os cérebros e as capacidades cognitivas de ambos os géneros.

Ao nível Global, o cérebro das mulheres possui aproximadamente menos 10% que o dos homens, contudo, as suas células nervosas possuem maior número de ligações entre elas, tornando-o mais denso. O cérebro da mulher é mais propenso a alterações químicas, como no deficit de produção de serotonina, originando depressão. Refletindo-se que as mulheres têm mais depressões que os homens.

Ao nível da cognitivo da atenção, a mulher tem a capacidade de dividir a concentração, enquanto o homem de a focar. Isto é, frequentemente vemos uma mulher atenta a todos os pormenores, todos os sinais, de todas as tarefas. Enquanto o homem, consegue-se focar, de forma a abstrair-se de quaisquer outros estímulos (ex: quando o homem vê tv…nada mais existe J  ). Porém, ambos os “estilos” podem ser negativos ou positivo, conforme a situação.

Estudos indicam que a mulher possui a estrutura corpo caloso (responsável pela ligação de ambos os hemisférios) maior que os homens, permitindo-lhes fazer mais facilmente tarefas distintas em simultâneo, visto de os dois hemisférios estão melhor ligados.

Ao nível cerebral as mulheres têm o hemisfério esquerdo melhor organizado, especificamente a área verbal (área Broca 23% maior e área Wernicke 13%), proporcionando-lhe maior fluência e memória verbal que os homens. Já o cérebro dos homens, verifica-se o hemisfério direito melhor organizado, proporcionando-lhes maior competências ao nível da orientação espacial, tendo estes maior facilidade em visualizar a rotação dos objetos, identificar figuras geométricas, calcular distâncias e velocidades.

O cérebro dos homens, proporciona-lhes uma maior habilidade de sistematização, de forma a entender melhor sistemas baseados em regras e na lógica, de causa e consequência. Típico do pensamento dos programadores ou dos jogadores de xadrez.

O cérebro das mulheres, contrariamente ao dos homens, proporciona-lhe maior empatia, têm maior facilidade em identificar emoções e sentimento, e responder a estes de forma adequada, típico das psicólogas ou vendedoras.

Ambas as habilidades podem ser negativas, tornar o homem premeditador e as mulheres manipuladoras, tudo depende de como estas habilidades/competências são integradas na personalidade.
Ao nível do QI, embora as mulheres a nível verbal sejam superiores e os homens sejam superiores ao nível espacial e lógico-matemática, a média do QI revela-se sem diferenças significativas.

Resumindo as funções de forma geral, o cérebro masculino foca-se na compreensão das coisas a um nível racional e lógico, enquanto o cérebro feminino está programado para a empatia.

Verificamos várias diferenças ao nível cerebral e por consequências as funções associadas a cada género. Mas é importante referir que todos os estudos são feitos com base em diferenças estatísticas. É claro que existem mulheres excelentes matemáticas e homens com enorme capacidade de empatia. Ao nascermos existe apenas predisposições, nada determinista.


Fonte: Psicologia Free

sábado, 27 de outubro de 2012

A NEUROLOGIA DE SACKS

A neurologia foi uma das ciências que mais se desenvolveu nos últimos tempos, sobretudo após os avanços das tecnologias do imageamento cerebral. Os diversos distúrbios neurológicos tais como perda da fala, da linguagem, da memória, da visão, da percepção dos sentidos e da identidade, foram estudados largamente e construídoum conjunto de conhecimento específico para cada um deles, e muito do que se pensava sobre as causas fisiológicas ou psíquicas desses danos, caiu por terra com oavanço da tecnologia médica.

Desde o final do século XIX, a pesquisa científica de inúmeros neurologistas sobre o cérebro humano foi a responsável por estabelecer definitivamente uma relação entrecérebro e mente, cérebro e corpo e, finalmente, corpo e mente.

Paul Broca foi um deles. Ao descobrir uma área específica do hemisfério esquerdo do cérebro como a responsável pelos distúrbios da fala em 1861, ele abriu caminho paraque outro neurologista famoso, Freud, atribuísse uma base fisiológica aos problemas da fala. Desde então, as pesquisas e o mapeamento do cérebro humano não pararam mais.

A neurologia tornou-se, portanto, uma “ciência personalista” ao comprovar que os acidentes vasculares cerebrais ou demais danos ao cérebro, tal como foi vítima Phineas Gage, também afetava a personalidade e a identidade do sujeito, sua “persona”, sua subjetividade, seu próprio “eu”.

Numerosos casos clínicos comprovaram essa sentença, tais como aqueles analisados por Oliver Sacks. Seus pacientes, transformados em personagens em uma vastaprodução literária, trouxeram à tona uma gama de distúrbios do comportamento comorigens eminentemente causadas por danos ao cérebro: um pintor que passou a enxergar tudo em preto e branco, uma mulher que perdeu a sensação da propriocepção, o homem que passou a perceber membros fantasmas no seu corpo, umjovem que perde a noção do tempo tendo sua memória restrita à década de sessenta,quando ocorreu seu acidente; o cirurgião que passa a ter tiques nervosos ou ainda umneurologista famoso que perde a sensação e percepção da própria perna, entre outros,são todos personagens do fantástico universo de Oliver Sacks. Muitos dos seuspersonagens tiveram suas histórias publicadas em revistas tais como “The New Yorker” e “The New York Times”, mais tarde em livros e posteriormente em filmes epeças de teatro.

Os filmes são: “At First Sight”(À Primeira Vista) – Direção de Irwin Winkler – MGM/United Artists, 1999; “Awakening” (Tempo de Despertar) – Direção de Penny Marshall – Columbia/Tristar Pictures, 1990. A peça de teatro chama-se “The Man Who Mistook his Wife for a Hat” (O Homem que Confundiu sua Mulher com umChapéu)  – Direção de Peter Brooks, Royal Natinal Theatre, Junho de 1994.

Em todos os casos, verificamos vividamente o esforço do neurologista em não deixar de lado as ferramentas que a ciência médica dispõe. Mas o que transforma Sacks em umneurologista diferente da maioria, é que ele apontou para algo que ainda não havia sido feito: ele passou a deixar seus pacientes falarem sobre si mesmos e sobre seusdistúrbios, tais como psicólogos e psicanalistas tem feito há décadas, dando passagem para a subjetividade de seus pacientes.

Sacks se tornou um proeminente intérprete das desordens neurológicas na culturaanglo-americana, tornando-se uma celebridade no mundo acadêmico. No início de suacarreira ele inspirou a prática daquilo que ele chamou de “neurologia romântica”, ouseja, uma neurologia que recobre a subjetividade de seus pacientes ao invés unicamente das condições fisiológicas engendradas pela neurologia tradicional.

Com isso, o neurologista Sacks praticamente “atualiza” o neurologista Freud naquiloem que ele fez de mais singular e específico – a cura pela palavra: Sacks não desperdiça os laudos médicos de exames neurológicos complexos, mas deixa a palavra e asdescrições narrativas e subjetivas de seus pacientes tomarem forma.

Munido de seus conhecimentos como neurologista e somado a uma leitura particular da filosofia, da psicologia e, sobretudo, da psicanálise, Sacks busca as raízes da subjetividade humana através de uma atenta observação do comportamento de seuspacientes e de uma escuta clínica sobre o que eles têm a dizer antes e depois de lesõescerebrais, muitas das vezes graves, sobre sua história de vida, sobre o que eles foram,sobre o que eles se tornaram e sobre o que eles pensam como serão daí para frente. Sacks não se reduz a uma descrição biológica, nem fisicalista nem mentalista da vidasubjetiva, mas se utiliza da mesma técnica que fez da psicanálise ser conhecida como uma “talking cure”.

A consequência disso é que Sacks, apesar de não construir uma teoria inovadora acerca da construção da imagem do corpo, da subjetividade e da identidade pessoal, ele passa fazer uso das teorias disponíveis no campo fenomenológico para auxiliá-lo nas descrições subjetivas de diversos distúrbios neurológicos de seus pacientes sem, noentanto, desprezar a descrições dos mesmos distúrbios através das mais modernas técnicas médicas para análise e tratamento.

Assim sendo, ele não restringe ao seu arsenal de conhecimentos médicos e científicos,nem faz da cadeia de redes neuronais predicativa de nossas subjetividades. Ele não as nega, mas não se restringe a elas.

O que Sacks propõe não é a compreensão da subjetividade humana, da identidade e daconstrução da imagem do corpo a partir de uma entidade exterior ao corpo. O cérebroé um órgão integrado à visceralidade da matéria do próprio corpo, e como tal, necessita desse corpo e de todos os seus dispositivos necessários para conhecer, reconhecer edecodificar todos os estímulos providos pelo ambiente e pela interioridade de sua carne, construindo imagens de si, narrativas de si e fundamentando o seu “eu” e a sua identidade a partir do seu equipamento lingüístico. Com isso, Sacks quebradefinitivamente o modelo clássico do dualismo cartesiano e aponta para uma possívelcompreensão de uma neurologia mais voltada para a identidade do que para asdescrições dos distúrbios neurológicos.

Este neurologista vem apontando para algo novo no campo da ciência do século XXI: a possibilidade de uma “neurologia romântica” como ele bem a definiu no início de seus estudos, ou quem sabe, uma “neurologia da identidade”, uma “neurologia do self” ou ainda uma “neurologia do ‘eu’”.

No campo da subjetividade, não podemos nos fechar para os avanços que as ciências médicas têm proposto para as nossas certezas diante da mente e da alma humana. Aprender com o olhar clínico de pesquisadores como Oliver Sacks, é se abrir para as mudanças que Freud já havia referido na primeira metade do século passado e buscar, na atualidade, novas narrativas da mente.

 

Fonte: Blog Sergio Gomes

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O NASCIMENTO DE UMA PALAVRA


O ser humano, assim como vários outros animais, é especialista em imitar os outros. A imitação é fundamental para a existência de uma cultura, e foi tão importante em nossa evolução que hoje vemos claramente como uns imitam os outros (quem tem filhos ou irmãos mais novos sabe bem do que estou falando).

Quando bebês, não conseguimos falar nem andar, mas fazemos um grande esforço para imitar nossos modelos, geralmente nossos pais. Nesta tentativa emitimos diferentes comportamentos que podem não chegar perto do comportamento-alvo, mas aí outro processo de aprendizagem entra em campo: a modelagem.

O bebê fala “a-a”, “ba-ba”, “ga-ga” e outras sílabas sem sentido, mas quando sem querer ele diz “ma-ma” a mãe tem uma reação diferente. Ela sorri e responde “isso mesmo, mamae!”, brinca com ele e chama todo mundo para ver a nova palavra que seu filho aprendeu a dizer. Isso é reforçar a resposta de dizer “mama”. É a modelagem de comportamento acontecendo.

Isso é o que a teoria diz e nós conseguimos imaginar alguns exemplos a partir do nosso dia-a-dia, mas imagine se pudéssemos ver isso acontecendo na prática. O pesquisador do MIT Deb Roy, pensando nisso, instalou câmeras em toda sua casa e filmou as interações de seu filho bebê por 3 anos seguidos.

Cinco anos depois, ele tem dados incríveis sobre a modelagem do comportamento verbal, como o “gaga” de seu filho se transformando em “water” e outras palavras. Além disso, seus dados também mostram em que cômodos da casa as palavras mais foram ditas, mostrando o contexto em que elas ocorrem. Genial!

Para entender um pouco mais, recomendo assistir à sua apresentação no TED, clicando no LINK.



Fonte: Psicológico