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segunda-feira, 12 de maio de 2014

QUANDO ROMEU SE APAIXONA, ELE IDEALIZA, OU SERIA AO CONTRÁRIO?

Por Rafael Almeida


É como se, ter meus sonhos realizados e a perspectiva de dias melhores fosse em verdade uma sombra do esforço e preço pago com força extrema, ânimo e perseverança... É claro que é Deus quem nos dá força para adquirirmos riquezas, mas isso provém de força e não só de fé. Mas não é sobre isso que quero falar... Quero falar do preço a ser pago... Tudo tem o seu. O preço que tenho pagado por tudo é a entrega. Como tenho me entregado ao novo e como isso é de difícil digestão... Uma vida nova regada a experiências e pessoas novas, onde o único apego que tenho são as lembranças que insisto em guardar em minha mente.

À todas essas tenho ficado um pouco agressivo e intolerante nas minhas poucas relações, pelo menos é o que tenho ouvido por ai, e confesso não saber a causa e nem a circunstância que me levam a isso, talvez seja um anticorpo natural, uma maneira de auto proteção, não sei...O que sei é que temo arruinar o pouco que tenho..

Conheci alguém ontem... Bom, não é bem ontem. Mas é como se fosse. Tenho pensado nela a cada minuto do meu dia. Minha vontade é falar com ela o tempo todo, isso é bom... Isso é humano. E o engraçado é que não combinamos de jeito nenhum, argüimos em tudo, opiniões diferentes, costumes diferentes, gênios extremamente fortes. Mas ela tem um jeito tão doce e ao mesmo tempo tão decidida a respeito de tudo que mexe comigo. Se é de independência que precisava? Meus problemas estão resolvidos, pois ela parece que nasceu sozinha (sim ela é órfã, mas nasceu de pai e mãe assim como todo mundo). Talvez eu tenha mesmo muito que aprender com ela, com aquele jeito todo especial de ser.

Jantou comigo, brigou comigo e se não fosse uma lata de pêssego que comprei as pressas no supermercado, a fim de fazer as vezes de sobremesa, nem sei como seria aquele final de noite. Quem diria, salvos por uma lata de pêssego! Mas é assim que se começa uma grande historia, de pequenos fatos, bobos, simples, com um significado extremamente especial para quem os vive, capaz de marcar a essência daquilo a que se destina viver.

Nos veremos pouco, mas sinceramente? O necessário para ter mais carinho e menos contendas. Eu fico aqui doido pra vê-la, falar com ela, cultivando algo totalmente bom e ao mesmo tempo arriscado e ela lá pensando não se sabe o que. Tomara que pensando em mim... Boba insegurança eu sei! Mas até isso é um bom sinal, bom sinal eu digo porque o que mais quero é me envolver, me apaixonar e parar de me abastar apenas de memória. Passado é bom quando é usado como parâmetro e não como refúgio. Sem falar o quanto preciso neste tempo de alguém que cuide de mim. Assim, se lavasse minhas cuecas e fizesse meu almoço seria ótimo...mas vamos devagar, cuidando do meu coração e fazendo-me companhia já seria o suficiente, um bom começo. 21/3/2008 12:20:37:35

Bom, o jovem Romeu, cansado de ver seus dias passarem sem um conteúdo que lhe atribua sentido, decidiu se aproximar de uma garota que mais lhe parecida atraente. Notem que ele em momento algum a descreve fisicamente, apenas evoca similaridades e pontos de profundo interesse. Esse seu movimento evidencia uma pseudo-identificação, baseada na idealização, haja vista se tratar de um primeiro encontro e ele pouco saber sobre a moça.

Tal fato ocorrido com Romeu é recorrente desde que o mundo é mundo: Há sempre certa necessidade do sujeito em criar um eu ideal, apropriado para corresponder-lhe os anseios, e projetá-lo em um outro qualquer, o qual é posto sob um elevado patamar de admiração.

A idealização ocorre quando atribuímos ao outro um ideal de perfeição e/ou satisfação, incrementando nele uma sorte de qualidades e características ilusórias positivas.

Ao que parece, o jovem Romeu idealizou na sua pretendente alguém capaz de preencher lhe o vazio existencial. Outro engodo, pois a ideia de completude é utópica.

Se sentindo apaixonado Romeu passa a estar sob o domínio de um estado emocional que permite ao objeto de sua paixão uma supervalorização em seus atributos.

Com base nos modelos ideais correlatos à a pré-história do sujeito, ocorre neste estágio uma projeção de valores ideais da pessoa “apaixonada”.

A situação é mais complexa do que se pensa, uma vez que o apaixonado vai beber nos valores ideais dos primeiros modelos de relação que possui em seu inconsciente, no caso, os pais. Todos os modelos são carregados de grande carga de afeto, tornando-se projeções que fazem parte da bagagem “fantasmática” de cada um.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

ROMEU SEM PROZAC: QUEM É ROMEU?

Por Rafael Almeida



Romeu é um cara de vinte e tantos anos que após passar em um concurso público, se vê obrigado a mudar de cidade.
Ao se estabelecer em uma realidade totalmente diferente da que estava acostumado, Romeu encontra-se às avessas para dar conta da saudade dos entes queridos, aprendendo a lidar com a ausência dos amigos e a se reconhecer como pessoa autônoma.
Em algum momento nisso tudo, Romeu passa a compreender a dimensão da realidade que o cerca, pois estava prestes a escrever definitivamente sua história como um adulto, doravante unicamente responsável por sua realização pessoal, longe do olhar crítico e austero daqueles que esperavam algo da imagem de jovem maduro e promissor que este construiu ainda em família e pretendia trazer consigo à nova realidade que se apresentava.
O jovem então passa a dedicar-se ao trabalho, e, paralelamente segue na ânsia de transformar colegas em amigos.
Dias, semanas, meses passam até que o jovem descobre que as regras impostas pelo capitalismo não são suficiente para dar-lhe sentido à vida, e que embora possuísse uma conta bancária abastada, de igual proporção havia um vazio existencial na conta de seus dias.
É quando Romeu percebe que precisa de amigos para suprir o vazio de seu apartamento, precisa de assunto para ocupar seus pensamentos, precisava de gente para se sentir humano.
E foi assim que surgiu a saga Romeu sem Prozac. Relatos sobre a vida de um jovem que enfrenta agruras rotineiras, destas que todo mundo sente, sabe que sente, mas não para a fim de refletir sobre elas.
Romeu sem Prozac será uma coluna semanal e trará sempre após os capítulos uma análise psicológica dos relatos feitos pelo autor, evidenciando fenômenos da vivência diária sob outras perspectivas.
Romeu sem Prozac vem para rechaçar a postura hipócrita de que homem não ama, vem para desmascarar a supressão sentimental masculina, consequência de uma radiação contemporânea emanada de uma civilização pós machista.
Simples... Provocadora... Humana. 
Romeu sem Prozac tem como plano de fundo um roteiro de exposição de conflitos de um jovem apaixonado que vivência a angustia de não ser correspondido, deixando purgar sentimentos desconhecidos, mas que sempre estiveram com ele.
Na coluna semanal, o leitor encontrará muitas questões sobre o “sentir e o agir”, sendo o sujeito posto frente às suas ânsias e também aos seus temores e desejos. 



Do autor: Rafael Almeida é graduando do 9º Período do curso de Psicologia do UNILAVRAS -   Lavras/MG.  É Técnico em Segurança Pública e um apaixonado pela vivência humana. Tem fé na vida e na funcionalidade das redes sociais pelo censo de publicidade que impacta a subjetividade humana, seja pela velocidade da informação, seja pela projeção de um “eu” a mercê de outro.