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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O QUE É PSICOMOTRICIDADE?

O que é Psicomotricidade?

Psicomotricidade (do grego “Psykhé”, ‘sopro de vida’, ‘alma’ e do francês “Motrice” ‘o que move’) se revela como ciência ao propor, para um existir saudável do homem, que MENTE, CORPO e EMOÇÕES estejam em constante interação, num movimento harmônio em todos os aspectos do existir humano: relacionamento do homem consigo mesmo, com as pessoas que convive, com as escolhas que faz, com as responsabilidades que assume e com os dilemas e dificuldades que enfrenta no seu dia a dia.
O movimento é o meio pelo qual a pessoa comunica-se e transforma o mundo que a rodeia. O corpo, a mente, o outro, o eu, a ação, o pensamento, a percepção, o real, o imaginário, a expressão, o afeto, estão estritamente ligados no homem desde a primeira idade e com o passar do tempo irão diferenciando-se e cada qual tomando sua função no desenvolvimento do indivíduo.
Lembrando as palavras de Wallon (1995) em que o movimento não é puramente um deslocamento no espaço, nem uma simples contração muscular, e sim, um significado de relação afetiva com o mundo, assim, para o autor, o movimento é a única expressão e o primeiro instrumento do psiquismo. Neste contexto, pode-se dizer que o desenvolvimento motor é precursor de todas as demais áreas.
Dessa maneira, o movimento é uma significação expressiva e intencional, é uma manifestação vital do ser humano que ao movimentar-se envolvido em tal vivência, atinge o pensamento. É esta intenção que dá ao movimento um conteúdo de consciência. A psicomotricidade traz no seu bojo o domínio da dependência entre pensamento, sentimento e ação produzindo desenvolvimento e crescimento.
O mérito da Psicomotricidade está em estimular ao mesmo tempo os conteúdos do pensamento (cognitivo/racionais/mente), dos sentimentos (psicológicas/emocionais) e as atitudes corporais (gestos, atos, postura), para que, mais consciente dessa tríade, o homem enfrente com mais segurança, harmonia, controle e assertividade as diversas situações do cotidiano.
Por que a Psicomotricidade?
Nos últimos anos, um número cada vez mais expressivo de psicólogos, em suas diversas áreas de atuação – clínica, educação e organização, assim como profissionais da educação – professores, coordenadores pedagógicos, psicopedagogos e fonoaudiólogos, tem recorrido à Psicomotricidade na tentativa de compreender melhor o homem em sua interação consigo mesmo e com o mundo.
Na escola
Para entendermos a importância que a Psicomotricidade assume no contexto escolar, ressaltamos o número significativo de crianças que chegam à clínica com queixas escolares, como, transtornos de aprendizagem (disgrafia, dislexia, disortografia, discalculia), TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade), além de problemas na interação social como agressividade, por exemplo.
Ao pensarmos na infância hoje, nos damos conta da falta de espaço que a criança tem para brincar, seja por questões sociais ou pela própria dinâmica familiar. A violência e o medo impedem que as crianças brinquem na rua, o excesso de atividades como inglês, computação, judô, futebol, a falta de tempo dos pais para estarem com seus filhos, para levá-los a um parque, por exemplo, constituem fortes características da infância. A tecnologia presente na vida da criança desde muito cedo também é um fator de destaque no contexto atual – computador, vídeo game. Todas essas situações restringem muito o brincar da criança que é a fonte de descobertas, de aprendizagem, não só em relação com si mesma, mas em interação com o grupo. A criança é capaz de passar horas sozinha, na frente do computador ou da televisão, mas não consegue brincar de pular corda. Pode se mostrar desajeitada ao tentar subir em uma árvore, porém irá ter uma habilidade fantástica ao manusear o controle do vídeo game. As atividades acabam sendo, em grande parte, solitárias e sem estimulação motora. A criança não corre mais, não percebe os movimentos que pode realizar, não domina seu próprio corpo, sentindo-se insegura em relação ao mundo.
Essa realidade irá repercutir no desenvolvimento emocional, cognitivo e social, restringindo possibilidades nas aquisições motoras que serão a base para muitas aprendizagens escolares.
Por exemplo, a criança que não tem o domínio corporal e que, portanto, não sabe com que lado desempenha as suas atividades com maior facilidade e desenvoltura, exercendo – indiscriminadamente – ora uma atividade com membro direito, ora com membro esquerdo, terá mais dificuldade para reconhecer as noções de esquerda e direita sendo essas noções importantes num processo de aprendizagem mais sistemática. Talvez essa criança não reconheça com facilidade a diferença das letras p,b, q, d.
Toda criança se sente bem na medida em que seu corpo lhe obedece, que o conhece bem, que se sente segura e confiante ao se movimentar e ao agir. Como exemplo, podemos citar a criança que consegue se vestir sozinha ou que manuseia com facilidade os talheres à mesa é certamente uma criança mais realizada e satisfeita com suas conquistas e pode, por isso, ser mais valorizada e reconhecida pela escola, família e amigos, favorecendo a autoestima e a autoimagem positiva.
Na clínica
Ampliando essas questões podemos pensar o homem em seu contexto pessoal, que expressa no corpo o seu modo de ser. Mesmo à distância é possível identificarmos uma pessoa mais insegura ou aquela mais agressiva, assertiva, simplesmente pela maneira de se portar, andar, gesticular. O corpo é o berço de uma vivência emocional, e é justamente esse corpo um dos focos de estudo da Psicomotricidade. O quanto essas questões emocionais podem ser trabalhadas na medida em que haja uma intervenção corporal. Novas vivências emocionais dependem de uma nova relação com o próprio corpo.
Nas organizações
Por fim, citamos o homem em seu contexto profissional. A Psicomotricidade com suas propostas de vivência em grupo procura estimular e favorecer a comunicação, o trabalho em equipe, o despertar para a liderança, na medida em que faz pensar e falar aquele que participa da proposta. Valores como participação, solidariedade, espírito de equipe, entre outros são trabalhados nas propostas psicomotoras.
Assim, a Psicomotricidade procura instrumentalizar o homem, não só a partir de sua vivência corporal, mas também da vivência sócio-emocional e cognitiva, para que este, mais realizado e satisfeito com suas conquistas, perceba-se em sua totalidade vivenciando sua existência de modo pleno.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

ENTENDENDO A PSICOMOTRICIDADE

Diante das dificuldades escolares dos filhos, muitos pais se surpreendem com a indicação da escola para que recorram ao profissional de Psicomotricidade, o psicomotricista, para uma avalição que compreenda melhor a origem de tais dificuldades.
- Psico o quê???… Psicólogo, Psicopedagogo tudo bem! Mas agora Psicomotricista?!?
A Psicomotricidade é conceituada como uma ciência da saúde e da educação, uma neurociência, que entende que os potenciais humanos são sustentados por um aparato neuropsicomotor que coordena e organiza as ações geradas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado.
Por aparato neuropsicomotor entende-se as áreas básicas da psicomotricidade, que são: esquema e imagem corporal, equilíbrio,  tonicidade, lateralidade, coordenação,  estruturação espacial e temporal.
A prática psicomotora procura estimular e enriquecer tais bases para que o potencial humano seja melhor explorado e com ele a perpetuação do sentimento de autoestima e competência. Só assim a pessoa se convencerá da real possibilidade que tem em se adaptar, tornando-o transformador e produtor social.
Atualmente se entende que muitas das dificuldades de aprendizagem encontradas nos primeiros anos do ensino regular, entre elas: dificuldade com a letra cursiva, falta de atenção e concentração, hiperatividade, dislexia, discalculia, estão, na grande maioria, relacionadas com a pouca estimulação do aparato neuropsicomotor, ou falta dela, nos anos iniciais de vida, mais precisamente, entre o nascimento e os 3 – 4 anos.
Nestes anos, a criança precisa ser bem estimulada para que as bases da psicomotricidade ocorram. Quando negligenciados ou mal estimulados, as seguintes dificuldades podem aparecer:
  1. Esquema Corporal
  2. Não coordena bem os movimentos dos membros do corpo: tropeça com facilidade, esbarra constantemente em móveis e objetos, deixa cair seus pertences.
  3. Dificuldade em se vestir/despir: é bastante lenta para isso
  4. Caligrafia ilegível ou muito lenta.
  5. Leitura expressiva não harmoniosa: para muito e não segue bem o ritmo.
  1. Lateralidade
  2. Não percebe a diferença no seu lado dominante.
  3. Não distingue direita e esquerda.
  4. Incapaz de seguir a direção gráfica (leitura começando pela esquerda).
  1. Percepção Espacial – orientação pelo espaço
  2. Espelhamento por conta da lateralidade:
- b e d
- p e q
- 12 e 21
  1. Não distingue alto e baixo:
- b e p
- n e u
- ou e no
  1. Percepção Temporal – orientação no tempo
  2. Noção de antes ou depois: confusão na ordenação dos elementos de uma sílaba.
  3. Análise gramatical prejudicada: não consegue reconstruir uma frase com as palavras misturadas.
  4. Dificuldade muito grande com a matemática, pois para calcular precisa: ter pontos de referência, colocar os números corretamente, possuir noção de fileira e coluna, combinar as formas para fazer as construções geométricas.
Dessa forma, a Psicomotricidade contribui não apenas para instrumentalizar o aluno com suas dificuldades de aprendizagem, fortalecendo e resgatando sua autoestima, mas também a escola e professores para que, munidos de mais informação sobre a importância dessas bases psicomotoras no processo de alfabetização, possam reconhecer e intervir de modo mais preciso na origem da dificuldade apresentada pelo aluno.
Texto escrito por Anderson Vilhena Santoro Mariano,  psicólogo e psicomotricista do Espaço Cuidar.

terça-feira, 3 de abril de 2012

PSICOMOTRICIDADE PARA O PSICÓLOGO

Nos últimos anos, um número cada vez mais expressivo de psicólogos, em suas diversas áreas de atuação – clínica, educacional e organizacional, tem recorrido a uma técnica, uma abordagem chamada Psicomotricidade. A abordagem psicomotora propõe uma visão holística do homem, integrando as funções cognitivas, motoras e emocionais, pensando o homem em sua interação no contexto psicossocial.
Quando se fala nisso, precisamos entender importância que a Psicomotricidade assume no contexto da psicologia, para isso, ressaltamos o número significativo de crianças que chegam à clínica com queixas escolares, como, problemas de interação social e queixas de dificuldade de alfabetização.
Devemos levar em consideração a dinâmica familiar e o contexto onde a criança está inserida. Violência, medo, falta de tempo, tudo isso acarreta a perda do brincar na rua, excesso de atividades como inglês, computação, judô, futebol, a falta de tempo dos pais para estarem com seus filhos, para levá-los a um parque, por exemplo, constituem fortes características da infância. A tecnologia presente na vida da criança desde muito cedo também é um fator de destaque no contexto atual – computador, vídeo game. Todas essas situações restringem muito o brincar da criança que é a fonte de descobertas, de aprendizagem, não só em relação com si mesma, mas em interação com o grupo. A criança é capaz de passar horas sozinha, na frente do computador ou da televisão, mas não consegue brincar de pular corda. Pode se mostrar desajeitada ao tentar subir em uma árvore, porém irá ter uma habilidade fantástica ao manusear o controle do vídeo game. As atividades acabam sendo, em grande parte, solitárias e sem estimulação motora. A criança não corre mais, não percebe os movimentos que pode realizar, não domina seu próprio corpo, sentindo-se insegura em relação com o mundo.
Essa realidade irá repercutir no desenvolvimento emocional, cognitivo e social, restringindo possibilidades nas aquisições motoras que serão a base para muitas aprendizagens escolares.
Por exemplo, a criança que não tem o domínio corporal e que, portanto, não sabe com que lado desempenha as suas atividades com maior facilidade e desenvoltura, exercendo – indiscriminadamente – ora uma atividade com membro direito, ora com membro esquerdo, terá mais dificuldade para reconhecer as noções de esquerda e direita sendo essas noções importantes num processo de aprendizagem mais sistemática. Talvez essa criança não reconheça com facilidade a diferença do das letras p,b, q, d.
Toda criança se sente bem na medida em que seu corpo lhe obedece, que o conhece bem, que se sente segura e confiante ao se movimentar e ao agir. Como exemplo podemos citar a criança que consegue se vestir sozinha, que manuseia com facilidade os talheres à mesa é certamente uma criança mais realizada e satisfeita com suas conquistas, pode por isso ser mais valorizada e reconhecida pela escola, família e amigos, favorecendo a auto-estima e a auto-imagem positiva.
Ampliando essas questões podemos pensar no adulto que expressa no corpo o seu modo de ser. Mesmo à distância é possível identificarmos uma pessoa mais insegura ou aquela mais agressiva, assertiva, simplesmente pela maneira de se portar, andar, gesticular. O corpo é o berço de uma vivência emocional, e é justamente esse corpo um dos focos de estudo da Psicomotricidade. O quanto essas questões emocionais podem ser trabalhadas na medida em que haja uma intervenção corporal. Novas vivências emocionais dependem de uma nova relação com o próprio corpo.
Por fim, citamos o homem em seu contexto profissional. A Psicomotricidade com suas propostas de vivência em grupo procura estimular e favorecer a comunicação, o trabalho em equipe, o despertar para a liderança, na medida em que faz pensar e falar aquele que participa da proposta. Valores como participação, solidariedade, espírito de equipe, entre outros são trabalhados nas propostas psicomotoras.
Assim, a Psicomotricidade procura instrumentalizar o homem, não só a partir de sua vivência corporal, mas também da vivência sócio-emocional e cognitiva, para que este, mais realizado e satisfeito com suas conquistas, perceba-se em sua totalidade vivenciando sua existência de modo pleno.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PSICOMOTRICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

DESENVOLVENDO CAPACIDADES

A Psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. Por isso, cada vez mais os educadores recomendam que os jogos e as brincadeiras ocupem um lugar de destaque no programa escolar desde a Educação Infantil.

A Psicomotricidade nada mais é que se relacionar através da ação, como um meio de tomada de consciência que une o ser corpo, o ser mente, o ser espírito, o ser natureza e o ser sociedade. A Psicomotricidade está associada à afetividade e à personalidade, porque o indivíduo utiliza seu corpo para demonstrar o que sente.

Vitor da Fonseca (1988) comenta que a "PSICOMOTRICIDADE" é atualmente concebida como a integração superior da motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio.

Na Educação Infantil, a criança busca experiências em seu próprio corpo, formando conceitos e organizando o esquema corporal. A abordagem da Psicomotricidade irá permitir a compreensão da forma como a criança toma consciência do seu corpo e das possibilidades de se expressar por meio desse corpo, localizando-se no tempo e no espaço. O movimento humano é construído em função de um objetivo. A partir de uma intenção como expressividade íntima, o movimento transforma-se em comportamento significante. É necessário que toda criança passe por todas as etapas em seu desenvolvimento.

O trabalho da educação psicomotora com as crianças deve prever a formação de base indispensável em seu desenvolvimento motor, afetivo e psicológico, dando oportunidade para que por meio de jogos, de atividades lúdicas, se conscientize sobre seu corpo. Através da recreação a criança desenvolve suas aptidões perceptivas como meio de ajustamento do comportamento psicomotor.Para que a criança desenvolva o controle mental de sua expressão motora, a recreação deve realizar atividades considerando seus níveis de maturação biológica. A recreação dirigida proporciona a aprendizagem das crianças em várias atividades esportivas que ajudam na conservação da saúde física, mental e no equilíbrio sócio-afetivo.

Segundo Barreto (2000), “O desenvolvimento psicomotor é de suma importância na prevenção de problemas da aprendizagem e na reeducação do tônus, da postura, da direcional idade, da lateralidade e do ritmo”. A educação da criança deve evidenciar a relação através do movimento de seu próprio corpo, levando em consideração sua idade, a cultura corporal e os seus interesses. A educação psicomotora para ser trabalhada necessita que sejam utilizadas as funções motoras, perceptivas, afetivas e sócio-motoras, pois assim a criança explora o ambiente, passa por experiências concretas, indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do mundo que a cerca.

Bons exemplos de atividades físicas são aquelas de caráter recreativo, que favorecem a consolidação de hábitos, o desenvolvimento corporal e mental, a melhoria da aptidão física, a socialização, a criatividade; tudo isso visando à formação da sua personalidade.

SUGESTÕES DE EXERCÍCIOS PSICOMOTORES: engatinhar, rolar, balançar, dar cambalhotas, se equilibrar em um só pé, andar para os lados, equilibrar e caminhar sobre uma linha no chão e materiais variados (passeios ao ar livre), etc.....

Pode-se afirmar, então, que a recreação, através de atividades afetivas e psicomotoras, constitui-se num fator de equilíbrio na vida das pessoas, expresso na interação entre o espírito e o corpo, a afetividade e a energia, o indivíduo e o grupo, promovendo a totalidade do ser humano.

DICAS BIBLIOGRÁFICAS
CHICON, José Francisco. Prática psicopedagógica integrada em crianças com necessidades educativas especiais: abordagem psicomotora. Vitória: CEFD/UFES, 1999.

LAPIERRE, André; AUCOUTURIER, Bernard. A simbologia do movimento, psicomotricidade e educação. São Paulo: Manole, 1986.

LE BOULCH, Jean. Educação psicomotora: a psicomotricidade na idade escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.

VAYER, Pierre. A criança diante do mundo. Porto Alegre: Artes Médicas, 1986.

WALLON, Henri. Do ato ao pensamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1947.