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quarta-feira, 23 de abril de 2014

A FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE DE UM INDIVÍDUO

O conjunto de características psicológicas que afetam a maneira com que o indivíduo interage com o ambiente chama-se personalidade, moldada desde a concepção e sendo construída pelas situações que o indivíduo enfrenta. Tudo que ocorre na vida de uma pessoa influencia as características de sua personalidade.

Os primeiros anos de vida são fundamentais para o formação da personalidade do indivíduo, pois nessa fase ocorre em grande intensidade a relação com os pais e com o meio. Cabe destacar  a importância da mãe, pois o relacionamento entre mãe e filho será fundamental para a formação da mentalidade do futuro adulto.. Dessa maneira, qualquer falha na relação entre mãe e filho poderá causar graves conseqüências na formação da personalidade. Devemos compreender que os mecanismos de relação entre as pessoas não são perfeitos, portanto uma relação equilibrada é a ideal

O comportamento do indivíduo é regido pela busca da satisfação das necessidades. O excesso ou falta de alguma dessas necessidades é uma doença.

Constituindo o início do desenvolvimento do indivíduo, a fase oral, caracteriza-se pela busca do prazer através da parte superior do aparelho digestivo. A mãe é fundamental, pois através dela o bebê confia no mundo. Na fase anal, o prazer se concentra na fase posterior do aparelho digestivo e com isso a criança testa a confiança que adquiriu na fase anterior. A fase fálica é marcada pelo prazer nos órgãos genitais, desenvolvendo a culpa e a iniciativa. Na fase latente, o professor é importante e o indivíduo recebe mais conhecimentos. A adolescência é marcada pela busca da identidade própria. A vida adulta é a fase matura, com o amadurecimento das relações interpessoais.

As características desenvolvidas ao longo desses períodos se manifestarão quando houver a interação da pessoa com o meio.

Podemos sintetizar essa teoria num exemplo:  um edifício, ao ser construído necessita de uma fundação, que fica oculta quando o prédio termina de ser construído. Porém é essa fundação que sustenta o edifício e possíveis falhas nessa fundação podem abalar todo o prédio. O mesmo ocorre na vida das pessoas, pois as relações delas com os demais indivíduos dependerá da estrutura psíquica dessa pessoa e das experiências por ela vivenciadas.


Fonte:
Super Carlos HP


Leia Mais no SitedeCuriosidades.com: http://www.sitedecuriosidades.com/curiosidade/a-formacao-da-personalidade-de-um-individuo.html

sexta-feira, 11 de abril de 2014

COMO A FUNÇÃO EXECUTIVA DO CÉREBRO AFETA SUAS AÇÕES

Por Edson Toledo


"As funções executivas relacionam-se com o planejamento de ações, com o que chamamos de memória operacional. Ou seja, a capacidade de manter algo em mente tempo suficiente para ser usado em uma tarefa imediata"

A geração de pesquisa, informação e conhecimento aumenta a cada dia. Porém, frequentemente me vejo pensando do que vale todo esse estudo se não conseguimos diminuir a violência, as doenças cardiovasculares, a obesidade, a depressão, os transtornos cognitivos e principalmente as dificuldades de aprendizagem; só para citar alguns dos problemas em que nos deparamos no nosso dia a dia.

Como um dos objetivos dessa coluna é falar da mente, pensei que poderíamos falar sobre novos caminhos a partir dos estudos da ciência do cérebro ou, melhor ainda, de uma região dele: o córtex pré-frontal que como o próprio nome sugere, é a parte da frente do cérebro, mais especificamente atrás dos nossos olhos e da testa; região essa que é a sede das funções executivas, funções que os estudiosos vêm dedicando grande parte de suas pesquisas e consequentemente têm sido valorizadas nos últimos anos.

Para o famoso neuropsicólogo russo Alexander Romanovich Luria e seu discípulo Elkhonon Goldberg as funções executivas são funções que nos fazem civilizados, humanos por assim dizer. Portanto, a história humana desenrola-se na dependência das funções executivas.

A principal região cerebral relacionada ao funcionamento executivo é o córtex pré-frontal, podemos dizer que as funções executivas são aquelas que mais nos diferenciam dos animais, já que nós os humanos, temos a habilidade de processar atividades com atenção sustentada, memória operacional, inibição dos impulsos, fluência verbal e especialmente pensamento abstrato.

Você duvida dessa afirmação? 

Então me responda, você conhece algum animal (não estou falando agora do humano) que planeja suas ações, organiza sua agenda, abstrai o mundo ao seu redor, mantém a atenção ou altera o foco de atenção de acordo com seu interesse, e tem uma mente flexível que consegue resolver um problema igual de vários modos diferentes? Espero que você tenha respondido os humanos, já que todas as funções citadas são as executivas e o único animal que consegue desenvolver a história em torno de si é o homem.

Para melhor entendermos, as funções executivas relacionam-se com o planejamento de ações, com o que chamamos de memória operacional. Ou seja, a capacidade de manter algo em mente tempo suficiente para ser usado em uma tarefa imediata (como guardar um número de telefone para ser discado), e ainda com a atenção, tanto a sustentada (quando temos de manter a atenção em algo mesmo com distrações ao nosso redor) como a alternância de atenção entre objetos (como por exemplo, o ato de ler um livro e andar por um caminho tortuoso, ao mesmo tempo); a resolução de problemas, o que envolve atenção, raciocínio (outra função executiva); abstração (outra função executiva, também, sendo esta a capacidade de imaginar uma situação ou algo não concreto a partir de pistas); inibição de respostas não desejadas a uma determinada situação ou de comportamentos inapropriados a certa situação; flexibilidade mental (a capacidade que temos de resolver um problema de vários modos diferentes, o que demonstra também nossa capacidade de atenção, raciocínio lógico e abstração). Embora controverso nossa personalidade e nosso caráter são armazenados aqui também.

No âmbito da psiquiatria e psicologia é possível identificar problemas no funcionamento executivo em vários quadros clínicos. Essas dificuldades estão presentes especialmente no transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno obsessivo compulsivo (TOC), todas as classes de dependências, nos quadros demenciais, transtorno afetivo bipolar (TAB) e até na depressão.

Como um trauma na função executiva pode afetar você

Outra questão que devemos considerar é a do que pode acontecer se essa região cerebral sofrer uma lesão ou trauma, temos algumas possibilidades do que poderá acontecer como você verá abaixo:

- Extrema desorganização e comprometimento na habilidade de planejamento 

A pessoa não consegue terminar uma atividade iniciada, pois é incapaz de sequencializar etapas para atingir um objetivo, por exemplo.

- Prejuízo na tomada de decisão 

Por exemplo: um sujeito decide por algo aparentemente vantajoso, mas que no longo prazo traz sérios prejuízos. Uma pessoa com esse tipo de alteração não é capaz de prever as consequências das decisões que toma.

- Desinibição comportamental 

Exemplo: xingar as pessoas ou falar o que vier a cabeça sem pensar. 

- Flutuação atencional 

Por exemplo: o foco de atenção se torna lábil e a pessoa perde a meta/objetivo do que estava fazendo, como quando está fazendo uma atividade qualquer e interrompe para atender ao telefone e quando desliga não retoma a atividade que fazia anteriormente.

- Dificuldade em flexibilizar o pensamento 

Exemplo: muita rigidez expressa na dificuldade de pensar em soluções e estratégias alternativas para solucionar um problema, seja ele de que natureza for.

- Comprometimento na habilidade de solucionar problema

Essa nem precisa de exemplos.

- Alteração da personalidade 

Como exemplo podemos pensar no *caso Phineas Gage que se comporta de forma diferente ao período pré-lesão. Passando a fazer uso de linguagem obscena, torna-se um piadista em situações cujo contexto social requer certa polidez. Este caso é muito citado nos textos de neurociências e neuropsicologia.

- Exposição a comportamentos de risco 

Exemplo: o sujeito desrespeita autoridades ou hierarquias, faz uso de drogas.

- Falta de iniciativa 

O sujeito não inicia um comportamento sozinho, só toma a iniciativa se for solicitado.

- Desregulação emocional 

A pessoa apresenta o humor lábil e oscilante, irritabilidade e agressividade, por exemplo.

Como vimos lesões ou disfunções nas regiões pré-frontais dos lobos frontais podem resultar em perturbações das funções executivas e consequentemente afetariam indiretamente todos os processos cognitivos. Portanto, uma correta avaliação do quadro clínico, incluindo uma avaliação neuropsicológica, poderá auxiliar no entendimento dos problemas cognitivos e especialmente na formulação de um adequado plano de tratamento, levando em consideração as habilidades e dificuldades do paciente.

* Phineas Gage (1823-1860) foi um operário americano que, num acidente com explosivos, teve seu cérebro perfurado por uma barra de metal, sobrevivendo apesar da gravidade do acidente. Após o ocorrido, Phineas, que aparentemente não tinha sequelas, apresentou uma mudança acentuada de comportamento, sendo objeto para estudos entre neurocientistas.



Fonte: Mente e Você

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

PSICOLOGIA AMBIENTAL: 6 ASPECTOS AMBIENTAIS DE BEM ESTAR

A Psicologia Ambiental é uma área da Psicologia que ajuda o ser humano a viver melhor com o espaço à sua volta. Assim sendo, como podemos alterar o espaço para nos sentirmos melhor? Como podemos melhorar a disposição da nossa casa, para sermos mais criativos, produtivos ou mais sociáveis?
 
A Psicologia Ambiental é uma área da Psicologia que visa a alteração do ambiente com o objetivo de conseguir o comportamento mais adequado no momento mais adequado. Isto é, nas organizações o meio deve propiciar a produtividade e a inovação, na escola deve propiciar a aprendizagem, a nossa casa deve propiciar o nosso bem-estar a vários níveis.
 
Existem vários aspetos do espaço que influenciam diretamente o nosso comportamento e emoções em nossa casa tais como:
 
Amplidão – Um espaço amplo, possibilita uma melhor adaptação ao espaço, permitindo aos indivíduos ajustar as distâncias interpessoais. A amplitude pode propiciar a intimidade, bem como a constituição de grupos.
 
Visão Expansiva –Uma das coisas relativamente simples e que proporciona uma sensação de segurança e controlo, é o facto de estarmos em qualquer lugar de uma divisão e conseguirmos ver quem entra e quem sai. Quantas vezes de forma inconsciente nos sentamos numa mesa com amigos e evitamos os lugares que fiquem de costas viradas para a entrada? Deve-se a essa mesma necessidade de segurança. Evite então lugares onde não se veja a entrada da divisão.
 
Cores – As cores são extremamente importantes nas nossas emoções e comportamentos. Para um ambiente mais tranquilo, promovendo o bom funcionamento das capacidades cognitivas. Por outro lado, para um espaço mais emocional e estimulante, dá-se preferência ao vermelho. Investigadores afirmam que o vermelho inibe algumas funções cognitivas, e que deve ser evitado em espaços que valorizem as capacidades cognitivas e intelectuais, tais como escritório, sala de reuniões, etc.
 
Plantas e flores – Investigadores defendem que trabalhamos melhor em espaços com plantas, especialmente se estas têm as folhas arredondadas. Assim, uma planta no escritório será sempre uma mais-valia.
 
Personalizar – Personalizar o espaço é fundamental para o bem-estar dos indivíduos. A personalização do espaço, isto é, a organização pessoal é essencial no bem-estar. Promovendo o sentimento de segurança, de pertença, de controlo, o que poderá ter influência sobre a motivação.
 
Iluminação – A iluminação também é importante nos nossos comportamentos e emoções. Investigações indicam que a luz natural, tem um efeito melhor que a luz artificial no nosso bem-estar. Uma luz mal posicionada, pode desviar a nossa atenção do nosso objetivo central. A intensidade da luz, também influencia diretamente a nossa produção. Assim, quanto mais luz natural melhor. Direcione e posicione a luz, tendo em conta o seu objetivo. Regule-a para intensidade adequada ao objetivo, mais intensa em atividades que requeiram a visão pormenorizada, menos intensa em atividades mais descontraídas.
 
Existem inúmeros fatores ambientais que influenciam direta ou indiretamente o nosso comportamento e as nossas emoções. Muitos investigadores afirmam que o exterior tem mais influência sobre o nosso comportamento que as nossas características internas.
 
E você, acha que ambiente tem assim tanto poder?
 
 
Fonte: PsicologiaFree

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

AS ALUCINAÇÕES TÊM SIGNIFICADO OU/E FUNÇÕES?

Ao longo do tempo as alucinações permanecem ainda um mistério. Serão apenas imagens do cérebro sem significado, ou será que poderão ter algum significado? Terão alguma razão para existir, ou simplesmente são uma consequência de um mau funcionamento cerebral? Estas e outras são perguntas que desde o início da psicologia, têm sido objeto de estudo, procurando a verdadeira resposta.
 
O cérebro pode ter várias “modalidades”/ tipos quantos inputs este comporta, isto é, podem ser: alucinações visuais, alucinações auditivas, alucinações cinestésicas, alucinações olfativas e alucinações gustativas, alguns autores defendem também que podem existir alucinações relacionadas com dor, como a dor do membro fantasma.
 
As alucinações só por si são sintomas de algo que não está “bem”, tal como a febre, só por si não é uma doença, mas um sintoma de algo que possa estar a acontecer no organismo.
 
Existem várias formas de abordar as alucinações, numa abordagem cognitivo-comportamental, as alucinações são vistas como sintomas, não dando muito enfâse ao eventual significado. Já uma abordagem psicanalista/psicodinâmica defende que a alucinação, tem um significado e este deve ser interpretado. Ao nível neurológico, as alucinações são ativações aleatórias do cérebro, reflexo de mau funcionamento, sem qualquer significado.
 
Porém, a questão, quando se tem uma alucinação, é com algo muito específico. Podendo “alucinar” com infinitas coisas, porque com algo tão específico? Por vezes as alucinações são algo altamente complexo, construindo todo um mundo paralelo/alternativo ao mundo real. Como pode ser isso construído de forma aleatória algo tão complexo?
 
Se as alucinações têm significado, qual será? Terão alguma função em especial? 
Segundo alguns autores, essencialmente os que seguem Freud acreditam que nada no cérebro é por acaso ou simples coincidência. Assim sendo, as alucinações possuem um significado, mesmo fugindo à compreensão do próprio indivíduo, a sua compreensão situa-se no seu inconsciente.
 
As alucinações estão presentes em inúmeros quadros psicológicos, como a esquizofrenia, os surtos psicóticos, ou mesmo a psicose em termos gerais.
 
Para os autores que defendem o seu significado, eles também afirmam que esse significado está intimamente relacionado com a sua suposta função. Segundo estes autores, as alucinações são formas inconscientes do cérebro garantir o “bem-estar” relativo do indivíduo. O cérebro prefere uma realidade coerente a uma realidade real, e perante um sofrimento insuportável, incoerente com a realidade do indivíduo. As alucinações trazem mais coerência à realidade, diminuindo o sofrimento, porém com um preço elevado, afastando o indivíduo da realidade.
 
Assim a alucinação irá no sentido contrário ao sofrimento, logo sabendo a alucinação, pode dar indícios do “sofrimento” presente no inconsciente. Por exemplo, uma pessoa que se sente sozinha, abandonada por todos. Tendo um sofrimento consequente extremo, sendo impossível de ser “gerido”, um sofrimento tão grande que o próprio individuo não o vê como possível de existir na sua realidade, assim surge a incoerência. Por consequência, o cérebro para garantir a coerência vai construir alucinações garantindo a coerência. Em cada caso existem inúmeras formas de garantir a coerência, neste caso específico: o indivíduo pode alucinar com pessoas  que interagem com ele, fazendo-lhe companhia;  pode sentir-se o centro do universo, com poderes, sentindo-se importante; pode imaginar-se imprescindível para um país, planeta, etc. Perceber o sofrimento pela alucinação é complexo e cada pessoa é única.
 
Com base nessa mesma percetiva, é frequente alucinar com pessoas falecidas, principalmente após pouco tempo do seu falecimento, de forma à sua despedida não ser tão “brusca” ou “radical”.
 
Alguns filmes retratam essa função de “conservação” das alucinações, tais como: K-Pax ou A Beautiful Mind .
 
 
E você, já teve alguma alucinação?
 
 
 
Fonte: PsicologiaFree

sábado, 5 de outubro de 2013

PSICOLOGIA POR TRÁS DO SUCESSO DE JOGOS COMO "CANDY CRUSH"

Sobre o tabuleiro pode-se ver dezenas de doces diferentes. A tarefa é juntar os que têm a mesma cor, mas há obstáculos e truques para conseguir ao longo dos 400 níveis. Muitos passam incontáveis horas jogando e alguns chegam a gastar centenas de dólares com isso.
 
Candy Crush Saga, o jogo mais popular da história do Facebook, é jogado mais de 600 milhões de vezes por dia, por 50 milhões de usuários.
 
Ele apareceu no vídeo mais recente do famoso cantor sul-coreano Psy, foi o jogo mais baixado em dispositivos Apple e Android nos últimos meses e, para milhares que se manifestam em blogs e redes sociais, é um vício irresistível.
 
Há quem afirme que seus antecessores são Tetris e o jogo da cobra dos celulares Nokia, mas seu parente mais próximo é Bejeweled, de 2001, que consiste em ordenar diamantes da mesma cor.
 
Lançado em novembro de 2012 e desenvolvido pela empresa King, o Candy Crush Saga gera mais de US$ 600 mil (R$ 1,3 milhão) ao dia - segundo dados não oficiais - através das 'ajudas' que os usuários podem comprar para passar de níveis mais difíceis.
 
Os criadores insistem que é possível completar o jogo sem pagar nada, mas acredita-se que as ferramentas sejam fonte de milhões de dólares para a empresa, que não revela números.
 
Como em muitos jogos do tipo, a tarefa do Candy Crush parece simples: ordenar os elementos e passar de nível. No entanto, ele é feito com características diferentes para estimular o vício nos jogadores.
 
TAREFAS INCOMPLETAS
 
Para o professor de psicologia e ciências cognitivas Tom Stafford, da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha, o vício em Candy Crush se relaciona a um fenômeno psicológico chamado efeito Zeigarnik.
 
O psicólogo russo Bluma Zeigarnik dizia que os garçons costumam ter uma memória impressionante para lembrar dos pedidos, mas só até que os cumprem. Uma vez que a comida e a bebida são levadas até a mesa, eles se esquecem completamente de algo que sabiam momentos antes.
 
'Zeigarnik deu nome a todos os problemas em que uma tarefa incompleta fica fixada na memória. E Candy Crush gera uma tarefa incompleta', disse Stafford à BBC.
 
Cada tabuleiro - ou cada nível - é uma tarefa que o jogador sente a urgência de resolver, como acontece com jogos de perguntas ou dúvidas que aparecem em uma conversa e que é preciso ir à Wikipedia imediatamente: a pessoa não descansa até que saiba a resposta.
 
Mas o Candy Crush dá aos jogadores cinco vidas por nível e, se elas acabam, é preciso esperar 30 minutos para voltar a jogar. É meia hora durante a qual o problema fica sem resolução.
 
'A lógica dos 30 minutos reforça a psicologia de que você tem que jogar todos os dias', afirma Jude Gomila, da consultora de videogames Heyzap.
 
 
HOSPEDAGEM NO FACEBOOK
 
O jogo é hospedado pelo Facebook, o maior site de rede social do mundo, mas também está em todos os dispositivos da Apple ou com sistema Android, o que permite parar de jogá-lo em uma plataforma e retomá-lo em outra.
 
Por isso, muitos o defendem com o argumento de que '(o jogo) nunca te deixa sozinho'.
 
'É o primeiro jogo que realmente interconecta diferentes plataformas. Se você fica sem bateria no iPad, pode ir para o celular e, se cansa do celular, pode ir ao computador', diz Gomila.
 
Os jogadores podem compartilhar não somente seus resultados no Facebook, mas também ferramentas e vidas. Assim que a pessoa publica seus resultados, pode ver a comparação entre seu progresso e o de seus amigos na rede social.
 
'Não há nenhum prêmio neste jogo além da satisfação de suspeitar que suas habilidades para juntar doces são maiores que as dos seus amigos', diz o crítico cultural June Thomas, da revista eletrônica americana Slate.
 
O vício em Candy Crush deu origem a uma série de piadas na internet, mas os diversos casos nos últimos anos de adolescentes que morreram após longas jornadas de uso de videogames provam que a ludomania (vício em jogos) é um problema sério.
 
Nas redes sociais já circulam fotos de um suposto centro de reabilitação para viciados em Candy Crush - uma piada que diz muito sobre o alcance do fenômeno.
 
Fonte: G1

sexta-feira, 5 de abril de 2013

AMO MEU PARCEIRO, MAS ELE TEM ATITUDES QUE NÃO GOSTO


É POSSÍVEL SER FELIZ COM ELE?
Por Eduardo Yabusaki


"Certamente ele (a) tem muitas qualidades e virtudes que um dia fizeram com que você se unisse a ele (a) e o (a) amasse. Portanto, é importante reconhecer isso tudo ..."


Essa é uma pergunta comumente feita num momento de crise pessoal, de insatisfação e marasmo no relacionamento.

Mais importante do que não ter respostas, é ter a tranquilidade para refletir sobre o que acontece, ou não, e como isso pode estar associado à vida a em parceria ou não. É muito comum a pessoa estar insatisfeita na vida, seja por frustrações profissionais ou financeiras e acabar descontando no relacionamento, que pode nem estar ruim, mas pelo fato de não promover grandes emoções, acaba entrando no mesmo contexto, misturando as estações.


AFINAL, É POSSÍVEL SER FELIZ MESMO QUE O PAR TENHA ATITUDES QUE A GENTE NÃO GOSTE?

Sim, claro que é! 

Certamente ele (a) tem muitas qualidades e virtudes que um dia fizeram com que você se unisse a ele (a) e o (a) amasse. Portanto, é importante reconhecer isso tudo e não só ficar olhando para outros relacionamentos comparando-os com o seu. Além do mais, não há situação que não possa ser resolvida com uma boa conversa.

Não tenha receio de manifestar o que te incomoda, pois só assim o outro poderá ter a dimensão do problema e assim talvez se dispor a mudar.

O par muitas vezes não faz o que você spera, não por não querer ou não saber fazer, mas sim porque talvez simplesmente não saiba o quão bom e importante possa ser para você. 

Portanto, mais uma vez o diálogo pode ser o caminho para a resolução.

Mais do que ficar se lamentando ou insatisfeito (a), procure estimular coisas no outro que você goste. Olhar para ou outro como parceiro é o que pode realmente fazer com que a troca e a complementação possam acontecer.

Portanto, ao invés de ficar só na expectativa, seja um agente de mudança dentro do relacionamento, seja pró-ativo, busque o bem-estar e a boa convivência.

Quatro dicas para promover mudanças positivas no relacionamento:

1ª) Acredite sempre no outro, as mudanças fazem parte de nossas vidas;

2ª) A boa comunicação é sempre o caminho para o entendimento;

3ª) Sempre manifeste seus desejos e expectativas;

4ª) Seja pró-ativo, tenha iniciativa, não fique esperando.



Fonte: Vya Estelar


quinta-feira, 4 de abril de 2013

SEGURANÇA E PRIVACIDADE NAS REDES SOCIAIS


Por Ana Luiza Moreira Mano


"Todos os usuários de redes sociais têm o poder de optar pela não divulgação de seus dados publicamente"

"Como posso garantir a privacidade das informações que publico nas redes sociais, e na Internet como um todo?".

Essa é uma pergunta que não se ouve tanto quanto se gostaria, mas que tem uma importância muito grande. Para exemplificar as implicações de nossa exposição online, falaremos de um aplicativo chamado "Girls Around Me" que criou polêmica algum tempo atrás, sendo inclusive excluído da iOS App Store posteriormente.

O aplicativo é relativamente simples: um mapa do Google baseado na geolocalização do usuário, que tem o propósito de notificar locais de interesse ao redor. Neste caso, o que se notifica não são apenas locais, mas também pessoas. O usuário pode selecionar o gênero que lhe interessa (masculino, feminino ou ambos), e pronto! A partir daí é possível ver quais pessoas estão naquela região, e em quais estabelecimentos, de acordo com a preferência de gênero.

O interessante é que ninguém precisa cadastrar-se para que o programa funcione. Os dados que o "Girls Around Me" utiliza são do Foursquare e de uma interligação deste com o Facebook. Portanto, todos os perfis com dados públicos nessas redes sociais são apresentados nos resultados da busca no mapa. Se há mais de uma pessoa num determinado estabelecimento, aparece um aviso com um número indicativo de quantas pessoas (do gênero selecionado pela busca do usuário) estão ali. Ao clicar neste número, é possível ver as fotos de perfil de cada uma dessas pessoas, e cada imagem corresponde à foto do perfil delas nas redes sociais em que estão inseridas.

Isso acontece porque a configuração padrão (default) de muitas redes sociais é justamente a "pública". Dessa forma, muitos usuários acabam tendo seus dados expostos, devido à não alteração das configurações de privacidade. É sabido que, na maioria dos casos, as pessoas aceitam os termos de uso de diversos sites sem ao menos fazerem uma leitura dos mesmos. Da mesma forma, muitas pessoas não se interessam por verificar o nível de exposição a que estão submetidas nas redes sociais. Assim, um aplicativo pode facilmente assinalá-las numa rede pública, sem que elas tenham o menor consentimento. Vale lembrar que, nos resultados que o "Girls Around Me" apresenta, não há nada que vá contra as políticas da Apple, uma vez que as informações utilizadas são públicas.

Para se ter uma ideia de que tipo de dados estamos falando, aqui estão algumas informações que costumamos publicar nas redes sociais: nome e sobrenome; data do aniversário e/ou idade; estado civil; nomes da escola, universidade, local de trabalho; livros, artistas, grupos de interesse; nomes de membros da família e amigos; visão política e religiosa, fotos de hobbies, viagens, parentes, amigos, etc. Todas essas são informações que nós mesmos escolhemos publicar. Todos os usuários de redes sociais têm o poder de optar pela não divulgação de seus dados publicamente, porém o desconhecimento - ou até uma simples preguiça - podem induzir que essa ação preventiva não ocorra.

Uma exposição desse nível - não só nas redes sociais, mas na Internet como um todo - sem as devidas precauções, pode gerar sérias consequências, pois perde-se facilmente a noção de público e privado. Uma pessoa mal intencionada consegue facilmente saber onde estamos, nosso nome completo (bem como os nomes de nossas famílias e amigos), nossa aparência, quais os nossos interesses, onde estudamos/trabalhamos... imaginemos o que seria possível fazer com todas essas informações!

Infelizmente, o "Girls Around Me" não é um exemplo isolado, e sim a demonstração prática da urgência de educação para o uso da Internet. Tão importante quanto, é o diálogo entre pais e filhos sobre os cuidados a serem tomados para um uso mais seguro e benéfico da ferramenta mais revolucionária de nossos tempos: a Internet.

O texto completo sobre a ocorrência com o aplicativo "Girls Around Me" pode ser encontrado em: http://www.cultofmac.com/157641/this-creepy-app-isnt-just-stalking-women-without-their-knowledge-its-a-wake-up-call-about-facebook-privacy


Fonte: Vya Estelar



quarta-feira, 3 de abril de 2013

O QUE É PSICOLOGIA COGNITIVA?


Psicologia Cognitiva é uma área de conhecimento que se propõe em estudar como as pessoas são capazes de perceber, aprender, lembrar e pensar sobre determinadas situações da vida. A tarefa do psicólogo cognitivo é descobrir leis que estabeleçam conexões entre o comportamento e a variedade de aspectos e elementos com os quais o comportamento está relacionado. A Psicologia Cognitiva moderna se insere num movimento mais amplo, o das chamadas “ciências cognitivas” e pretende estudar, dentre outras coisas, a relação entre os processos cognitivos e o comportamento humano.


CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Entende-se que a psicologia é uma ciência que abrange várias áreas de atuação e conhecimento, bem como o modelo clínico, social, educacional, das relações de trabalho, etc. E desenvolve trabalhos nos campos: social, afetivo, patológico e também através de uma atuação pautada na perspectiva de uma psicologia cognitiva.

Psicologia Cognitiva é uma área de conhecimento que se propõe em estudar como as pessoas são capazes de perceber, aprender, lembrar e pensar sobre determinadas situações da vida, ou seja, se propõe a estudar os processos mentais dos indivíduos. O psicólogo que atua no campo cognitivo está apto a entender como as pessoas percebem os fenômenos ou porque algumas pessoas lembram com mais facilidade de um fato e outras esquecem mais facilmente, dentre outras atribuições.

No intuito de caracterizar esse trabalho, diz-se que essa é uma área da psicologia que tem por finalidade estudar o pensamento, a percepção, a memória, a fim de analisar como o sujeito percebe o mundo e de que modo desenvolve as funções cognitivas tais como: falar, resolver problemas, memorizar, raciocinar, etc.

Em suma, a psicologia cognitiva apresenta algumas divergências no tocante às outras abordagens da psicologia, tendo em vista que refuta a idéia da introspecção, adotando um modelo positivista como método de investigação científica. Nesse sentido, a psicologia cognitiva trabalha com a idéia de que há estados mentais internos, ou seja, as crenças, as motivações e tais estados mentais soam em desencontro com a psicologia comportamental.

Na atualidade, existem algumas áreas de conhecimento que se comunicam com a ciência cognitiva, bem como a inteligência humana, a atenção, a percepção visual e auditiva, a inteligência artificial, a linguagem, o esquecimento, a lembrança, etc.


COMO SURGIU O CONCEITO DE PSICOLOGIA COGNITIVA?


O surgimento da psicologia cognitiva moderna se insere num movimento mais amplo, o das chamadas “ciências cognitivas” (Soares, 1993).

Uma das abordagens mais recentes é o Cognitivismo, que se apóia a partir da crença de que o comportamento humano pode ser compreendido através de como as pessoas pensam. Com base nisso, a psicologia cognitiva surge utilizando uma análise quantitativa para estudar os processos e funções mentais.

Alguns dos fatores desencadeantes do movimento cognitivista foram, por um lado, o fracasso do behaviorismo em explicar os aspectos mais elevados do comportamento humano a partir do paradigma estímulo-resposta (E®R) e, por outro, pesquisas como aquelas realizadas por Miller, Boadbent, Cherry, e Bruner (Gardner apud RODRIGUES et al, 2009).

Desta forma, a psicologia cognitiva considera o modelo linear E-R limitante, insuficiente e consequentemente inadequado para explicar o comportamento humano, procurando substituí-lo por um esquema mais complexo e elaborado que considera de forma circular esta relação diádica entre organismo e estímulos. O organismo tem papel relevante e ativo, um sistema capaz de elaborações complexas, tais como: efetuar escolhas dentre os elementos relevantes de uma dada situação, utilizar estratégias alternativas, armazenar seletivamente informações, operar transformações sobre os elementos de forma a elaborá-los apropriadamente, operando os resultados dessas elaborações e não apenas operações ligadas e determinadas, aprioristicamente, pelos estímulos de entrada (SPINILLO, 1989).

Portanto, um fator de destaque para a psicologia cognitiva em seu processo de surgimento e construção é a insatisfação com o modelo comportamental e a iniciativa de fomentar um arcabouço teórico visando especificar os processos mentais do organismo a fim de indicar as fases e as funções que são desenvolvidas nesse processo.



ATRIBUIÇÕES DO PSICÓLOGO COGNITIVO

De acordo com SPINILLO (1989) a tarefa do psicólogo cognitivo é descobrir leis que estabeleçam conexões entre o comportamento e a variedade de aspectos e elementos com os quais o comportamento está relacionado, procurando encarar o problema de forma mais abrangente.

O psicólogo cognitivo trabalha com a perspectiva de estudar quais os meios que o indivíduo organiza um conhecimento, como também de que forma esse conhecimento é utilizado a fim de direcionar ou planejar determinadas ações. Este trabalho categorizado é fundamental para compreensão e atuação sobre tal realidade.

Assim, o psicólogo cognitivo estuda não só a forma como as informações externas são extraídas, mas, especialmente, como estas informações são conceitualizadas e organizadas internamente, para então serem utilizadas de maneira eficaz. Podemos acrescentar, ainda, que está preocupado com aspectos que implicam elaborações internas, partindo do pressuposto de que a resposta dada à determinada situação-estímulo sofreu algum tipo de elaboração dentro do indivíduo, e que esta elaboração não depende apenas do estimulo externo apresentado, mas de processos mentais internos presentes na mente do indivíduo em um momento determinado do seu desenvolvimento e em função de elaborações anteriores que tenham sido efetuadas (SPINILLO, 1989).

Explicando a partir de uma ótima mais tradicional, compete ao psicólogo cognitivo estudar atividades que dizem respeito à memória, à percepção, à imagem mental, ao raciocínio, a aprendizagem, etc. Esse trabalho visa dar conta dos mecanismos mentais que agem quando se percebe, memoriza ou se elabora um dado objeto.


ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A PSICOLOGIA COGNITIVA


Na tentativa de compreender a amplitude da Psicologia Cognitiva torna-se relevante argumentar acerca dos modelos mentais, que se configuram como as imagens, as abstrações, os pressupostos e histórias que estruturam nossa mente. Desse modo, tais imagens, histórias, idéias enquadram o modo de ser de cada sujeito, de perceber as outras pessoas, e tudo que está em sua volta, inclusive os sentimentos, denominando-se assim cognições.

Para PALMA (2009) pode-se entender as cognições como um conjunto de conhecimentos ou crenças. A partir disso, a pessoa estabelece um conjunto de estratégias que utiliza para aprimorar sua relação com o meio. Assim, as cognições são pensamentos ou auto-afirmações atuais de uma pessoa, bem como suas percepções, avaliações, atitudes, lembranças, objetivos, padrões, valores, expectativas e atribuições. Tem-se então, as estratégias mentais que vão sendo construídas e desenvolvidas.

Gardner apud SENGE (2002) afirma que nossos modelos mentais determinam não apenas a forma como entendemos o mundo, mas também como agimos. Os modelos são ativos, moldam nossa forma de agir. Se temos a crença de que não podemos confiar nas pessoas, agimos de forma diferente do que agiríamos se acreditássemos que são dignas de confiança. Felizmente, por mais distorcidos que sejam nossos modelos mentais, há sempre a possibilidade de alteração.

Para bem compreendermos os modelos mentais cabe ressaltar alguns aspectos, assim como enfatizar que esse modelo determina o que visto e sentido. Entretanto, não são estáticos, podem ser aperfeiçoados a fim de estar a serviço de uma melhor adaptação em prol de propiciar um bem estar e adaptabilidade.



CONSIDERAÇÕES FINAIS



Em conclusão, pode-se considerar que a psicologia cognitiva é uma área que objetiva estudar as funções e processos mentais do sujeito, bem como a memória, percepção, atenção, raciocínio. Desse modo, enfatiza-se que o interesse da psicologia cognitiva recai sobre a natureza do conhecimento, com base em estudos empíricos. A partir desse estudo foi possível conhecer as motivações e os interesses para o surgimento desse saber psicológico, entender algumas considerações sobre essa área e ainda tecer algumas considerações sobre o manejo dessa profissional que trabalha especificamente com a cognição. Partindo desse pressuposto, acredita-se que esse trabalho trará um esclarecimento inicial a respeito do que se configura psicologia cognitiva e quais contribuições esse conhecimento traz para a sociedade.



Fonte: Psicologado 




sexta-feira, 1 de junho de 2012

VOCÊ SABE O QUE É DOR CRÔNICA?

DOR CRÔNICA
 
A dor existe junto com o homem e há milhares de anos se investigam maneiras de controlar a dor. Porém, apesar do desenvolvimento sofisticado da medicina e do muito que se conquistou nessa área, ainda não existe uma maneira permanente e consistente de aliviar a dor de todos os pacientes (Turk e Gathcel, 1996). 

A dor está relacionada com uma das funções principais do sistema nervoso que é proteger o organismo, pois funciona como um alerta para a ocorrência de lesões nos tecidos. Muitas vezes a dor perde sua função de alerta e passa a comprometer a qualidade de vida, tornando-se um problema crônico.

A dor é um problema de saúde pública muito grave que afeta milhões de indivíduos, com um gasto financeiro enorme para a sociedade, além do incalculável sofrimento humano.

Um quadro de dor crônica compromete não apenas a saúde física do indivíduo que sofre com a dor, mas também uma grande quantidade de outros problemas que acabam por comprometer praticamente todos os aspectos da vida da pessoa. Viver com esse problema exige muito e há uma busca por alívio que dificilmente é encontrada, podendo levar a sentimentos de tristeza, desmoralização e desesperança. 

Compromete não apenas o indivíduo, mas a família e pessoas próximas também são afetadas. As conseqüências vão muito além da própria dor, uma vez que ocorre uma perda de produtividade, muitas vezes associada com uma perda salarial e um gasto grande com despesas médicas, além da frustração com tratamentos que não produzem os resultados esperados. (Turk e Gatchel, 1996)

CLASSES DE DOR
 
A dor pode ser classificada de diferentes maneiras: 1) de acordo com os sistemas envolvidos (miofacial, reumática, neurológica, vascular); 2) segundo critérios anatômicos (lombar, cervical); 3) de acordo com critérios topográficos (localizada e generalizada); 4) de acordo com critérios etiológicos (orgânica e psicogênica; 5) temporais (aguda e crônica); 6) de intensidade (leve, moderada, intensa) ou de forma multidimensional como proposto pela International Association for the Study of Pain -IASP ( Associação Internacional para o Estudo da Dor) (Ferreira e cols. , 2004).
 
Apesar dessa definição geral do fenômeno doloroso, é importante considerar a diferenciação entre dor aguda e crônica, uma vez que existem marcadas diferenças entre ambas, enquanto a dor aguda é considerada como um sintoma de doença a dor crônica é considerada, por si só, uma doença. Além disso existem diferenças quanto á etiologia, mecanismos, fisiopatologia, sintomatologia, função biológica e condutas diagnósticas e terapêuticas (Ferreira e cols. , 2004).
2.2.1) 


DOR AGUDA:

Uma dor para ser considerada aguda deve ter inicio recente e ser bem definida. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais - DSM-IV (4ª ed, APA, 1994) uma dor é considerada aguda quando sua duração é inferior a seis meses. Uma dor aguda pode ser causada por traumas, doenças subjacentes ou alterações funcionais musculares e viscerais. Constitui, na maioria das vezes, uma resposta nociceptiva à agressão, apesar de sofrer a influência de fatores psicológicos. Tem a importante função biológica de alertar o indivíduo sobre algo que está errado, de modo que o organismo possa reagir a uma eventual agressão. Essa função de alarme evita danos adicionais ou o agravamento da patologia. Uma evidência da importância da dor para a sobrevivência é o fato de que a ausência de dor é uma condição incompatível com a sobrevivência dos animais. A analgesia congênita, uma doença neurológica em que a pessoa afetada não sente dor, é conhecida apenas em humanos e a sobrevivência de quem tem essa condição depende de um aprendizado, essas pessoas aprendem a seguir instruções para evitar o perigo, e mesmo assim, constantemente estão expostas ao risco de situações graves, como infarto do miocárdio.
Chapman e Bonica (1983) identificaram as causas da dor aguda através de seis mecanismos : 1) lesão mecânica; 2) irritação química dos tecidos; 3) queimadura; 4) estresse tecidual; 5) distensão aguda de vísceras ocas ou de vasos sangüíneos e 6) espasmos de músculos lisos.

A dor aguda tende a cessar em poucos dias ou semanas, com a resolução do quadro básico ou prescrição de analgésico. No caso da dor persistir por mais de seis meses considera-se que tenha se tornado crônica.
2.2.2) 


DOR CRÔNICA

A dor crônica é um processo de longa duração em que se percebem limites mal definidos, a dor perde sua função de alerta e passa a comprometer o estilo de vida da pessoa. Outro critério empregado é a extensão da dor além do período esperado de cura, porém é difícil estabelecer esse período.

De acordo com Ferreira e Torres (2004), diversos eventos podem estar envolvidos na gênese da dor crônica, que geralmente se inicia com uma lesão tecidual perpetuada por fatores que são patogenicamente remotos às causas de origem. Os eventos envolvidos vão desde alterações na excitabilidade das fibras nervosas aferentes até marcadas mudanças de fenótipo celular, com expressão de novas moléculas, incluindo enzimas, neurotransmissores e receptores. Estímulos inócuos podem passar a ser percebidos como dolorosos devido a alterações centrais crônicas na neuroquímica da sinalização da dor que levam à hipersensibilidade, aumentando e prolongando níveis relativamente baixos de impulsos aferentes. Após a lesão de nervos periféricos podem ocorrer alterações estruturais que incluem perda de interneurônios medulares, rearranjo inadequado de processos nervosos aferentes na medula espinal e proliferação de fibras sinápticas em gânglios sensitivos. Essas alterações não são uniformes, dependendo do tecido lesado, do envolvimento do tipo específico de fibras aferentes e da participação do sistema imune.

TRANSFORMAÇÃO DA DOR AGUDA EM CRÔNICA:
 
Turk e Gatchel (1996), ressaltam que, de acordo com o modelo biopsicosocial da dor fatores psicológicos e sociais são vistos como intrinsecamente relacionados à percepção de dor. Quanto mais crônica a dor se torna, mais esses fatores influenciam na manutenção da dor e do sofrimento. Com base nessa pressuposição, esse autor propõe um modelo para explicar a transformação da dor aguda em crônica. 

Considera que nos primeiros estágios de dor aguda os problemas psicológicos ainda não estão presentes, e que passam a atuar na medida em que a dor se cronifica e passa a comprometer a qualidade de vida dos indivíduos. Essas mudanças psicológicas provavelmente ocorrem na medida em que o desconforto e preocupação com a dor se tornam constantes na vida desses pacientes, ativando um modo de funcionar cognitivo/comportamental/afetivo problemático baseado na experiência original de dor.

Esse modelo descreve três estágios envolvidos na transformação da dor aguda em crônica. O primeiro estágio está associado com reações emocionais, como medo, ansiedade e preocupação, que são conseqüência da percepção de dor aguda. A dor em sua função de alerta produz uma reação do organismo para responder ao dano causado; se a dor persiste por um longo período de tempo (4 a 6 meses), entra-se no estágio 2. Esse estágio está associado a uma série de problemas comportamentais e cognitivos em reação a cronicidade da dor. Os problemas mais comuns são o aparecimento de sentimentos de desesperança, raiva, tristeza e problemas como depressão e somatização. A reação das pessoas nesse estágio depende da predisposição de características psicológicas e de personalidade individuais, além da influência de fatores socioeconômicos e ambientais. Se esse modo de funcionar não adaptativo permanecer, passa-se para o terceiro estágio, em que ocorre a adesão ao papel de doente, levando a um comportamento anormal de doente. Esses pacientes são então afastados de suas responsabilidades normais e de suas obrigações sociais, sendo liberados de assumir responsabilidades como se cuidar e cuidar dos outros. Isso pode se tornar um potente reforçador para a sua adesão à doença. Os ganhos secundários funcionam reforçando esse estágio. Esses ganhos podem ser os reforçadores sociais, como atenção da família, benefícios financeiros (auxílio doença) e também a esquiva de situações sociais conflitivas (ambiente de trabalho insatisfatório).

De acordo com Pilowiski (1997) o comportamento anormal de doente é definido como um modo inapropriado ou desadaptativo de experienciar, perceber, avaliar e agir em relação ao seu próprio estado de saúde, que persiste mesmo após receber orientação adequada e informação sobre seu estado de saúde, compatível à idade, cultura e condição sócio-econômica. De acordo com essa definição, o que é considerado anormal é maneira de pensar sobre a sua própria doença. Para Fortes (2002a), os pacientes com um comportamento anormal de doente procuram ampliar as restrições impostas pela dor, além de aderir excessivamente a medidas para a sua diminuição, como o uso de medicações, ampliando a intensidade das queixas.

MODELO COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
 
De acordo com Rangé (2001), a abordagem cognitivo-comportamental baseia-se no modelo cognitivo, segundo o qual as emoções e os comportamentos das pessoas são influenciados por suas percepções dos eventos. A maneira como interpretam situações específicas influencia seus sentimentos e ações. De acordo com Winterowd, Beck e Gruener (2003), os principais aspectos do modelo cognitivo-comportamental para a dor crônica são:
  1. a dor não inclui apenas sensações físicas, inclui também emoções, pensamentos e comportamentos que estão interligados;
  2. a dor também é influenciada por variáveis pessoais, sociais e ambientais que atuam na vida de cada pessoa, incluindo características de personalidade, limitações físicas, relacionamento com outros, serviços médicos e características do ambiente (como clima);
  3. as pessoas podem ter pensamentos e crenças negativas não realistas a respeito de sua dor, de si mesmo, dos outros, do mundo e em relação ao futuro;
  4. esses pensamentos negativos irrealistas sobre a dor e outros eventos da vida têm conseqüências negativas significativas sobre a percepção da dor;
  5. existem distorções quanto a maneira de pensar que podem ser identificadas (distorções cognitivas) e afetam negativamente a experiência dolorosa.
Uma grande quantidade de estudos tem pesquisado os fatores cognitivos que contribuem para o desenvolvimento e manutenção dos quadros de dor crônica. Esses estudos têm demonstrado consistentemente que a atitude, as crenças e as expectativas em relação a si próprios, suas habilidades de enfrentamento e o sistema de saúde afetam os relatos de dor, a atividade, o prejuízo funcional causado e a resposta ao tratamento de pacientes com dor crônica (Turk e Gatchel, 1996; Flor e Turk, 1989; Keefe e cols, 1992; Angelotti,1999; Pincus e Morley, 2001).


sábado, 26 de maio de 2012

QUEM TEM MEDO DE MENSAGEM SUBLIMINAR?

Por André L. Souza


Você já ouviu falar sobre James Vicary? Mesmo que nunca tenha ouvido falar sobre ele, tenho certeza que já viu, ou ouviu histórias sobre o que ele chamou de mensagens subliminares. A internet está cheia dessas histórias de que os desenhos da Disney, por exemplo, propagam uma série de mensagens subliminares sobre sexo: castelos em formato de pênis, fumaça que forma palavra “sexo”, etc.

Mas o que é isso afinal de contas? O que são mensagens subliminares? Bom, posso começar dizendo o que NÃO é mensagem subliminar. Mensagem subliminar não tem nada a ver com mensagens do além, ou com seres sobrenaturais que tentam se comunicar conosco de alguma forma (lembra da história sobre tocar os discos da Xuxa ao contrário?). Essa definição de mensagem subliminar é do senso-comum e está errada (tocar o disco da Xuxa é esquisito sim, mas por outros motivos).

Pois então. Em 1957, James Vicary – um pesquisador da área de marketing — fez um experimento onde ele mostrou que “propagandas subliminares” eram capazes de influenciar a escolha de consumidores acerca de algum produto. O que chamamos de mensagem subliminar na psicologia são estímulos (na maioria das vezes estímulos visuais) que são produzidos de maneira tão peculiar que não somos capazes de processar conscientemente. Não somos capazes de processar conscientemente, mas eles “passam” pelo nosso sistema perceptual. Mas como eles estão abaixo de um certo “limiar” (por isso o nome sub-liminar) nosso sistema cognitivo não processa o sinal.

A coisa funciona mais ou menos assim: imagina que esteja assistindo à uma apresentação de slides com fotos da sua família. Entre uma foto e outra, alguém coloca um slide com o símbolo da Skol. No entanto, esse slide aparece na tela por 17 milésimos de segundos. O slide aparece tão rápido que você literalmente não vai “vê-lo”. No entanto, o seu sistema visual vai “captar” essa imagem e ela pode acabar passando para o seu sistema cognitivo (mesmo sem você ter consciência disso). Essa informação então pode acabar influenciando o seu processo de tomada de decisão (você vai preferir Skol à Brahma, por exemplo).

Foi exatamente isso que James Vicary fez em 1957. Ele disse que mesmo que você mostre a marca da sua empresa para as pessoas de maneira subliminar (sem que elas “percebam”), isso vai influenciar a escolha das pessoas — basicamente fazer com quer as pessoas comprem seu produto. Isso foi feito em 1957 e desde de então muita gente já conseguiu mostrar que a coisa não funciona bem assim.

Um estudo bacana publicado em Abril desse ano no Journal of Consumer Psychology mostrou que o efeito de mensagens subliminares, na verdade, depende dos hábitos e necessidades que você tem. Os pesquisadores queriam saber se mensagens sublimares (com a logomarca de dois tipos de bebida: chá gelado e água mineral) influenciariam a escolha das pessoas quando elas estivessem com sede.

Para começar, os pesquisadores mediram o nível de sede de cada participante. Logo após essa medida, os pesquisadores perguntaram aos participantes se eles tinham alguma preferência específica pelas duas bebidas. Depois dessas medidas, cada participante teve que executar a seguinte tarefa: eles viam na tela do computador um punhado de slides com um punhado de letras B’s maiúsculas (ex.: BBBBBBBBB). Em alguns slides, no entanto, apareciam uns b’s minúsculos (ex.: BBBBBbBBBB). O participante tinha que prestar atenção e contar o número de nos slides que tinha a letra b minúscula.

Para metade dos participantes, os pesquisadores colocaram um slide contendo a logomarca do chá gelado entre cada slide de B’s. No entanto o slide com a logomarca aparecia na tela por menos de 20 milisegundos. Após a tarefa, os participantes tinham que escolher uma bebida para matar a sede.

Os resultados mostraram/sugerem basicamente o seguinte:

1) Se você não está com sede (não tem a necessidade de beber água), a mensagem subliminar não funciona pra você: entre a água e o chá, você escolhe o que geralmente tem o hábito.

2) Se você está com sede, mas não gosta muito de chá gelado (sua preferência é a água), a mensagem subliminar tem um efeito, fazendo com que você escolha o chá gelado (mesmo não sendo a sua preferência).

3) Se você está com sede e não tem nenhuma preferência quanto à bebida, a mensagem subliminar te afeta um pouco e você tende a beber o chá.

Resumindo, a idéia de que mensagem subliminar afeta suas escolhas independente de qualquer coisa não é verdade. O efeito vai depender das suas preferências e, principalmente, das suas necessidades. A mensagem subliminar não vai te induzir a fazer algo que não queira (ou que não precise).

Em outras palavras, essa história de que os desenhos da Disney estão cheios de mensagens subliminares “induzindo” as crianças à pensarem sobre sexo é uma balela danada! Talvez os adultos que “vêem” essas mensagens precisam se concentrar mais em suprir as necessidades que os fazem “ver” as mensagens pra começo de conversa….

Fica a dica!



REFERÊNCIA:

Verwijmeren, T., Karremans, J., Stroebe, W., & Wigboldus, D. (2011). The workings and limits of subliminal advertising: The role of habits Journal of Consumer Psychology, 21 (2), 206-213 DOI: 10.1016/j.jcps.2010.11.004

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CADA RELACIONAMENTO É ÚNICO E EXCLUSIVO

Por Eduardo Yabusaki


"A arte de viver a dois é escrita por aqueles que a vivem e não por quem supostamente tenha vivido uma vida feliz. Por sermos seres ímpares cada relacionamento também é único e exclusivo"


Pensar na vida a dois é o maior desafio num relacionamento. Deparamos-nos com a situação em que as pessoas acham que encontrarão a pessoa ideal e que a partir disso não precisam fazer ou se empenhar em nada para que o relacionamento dê certo ou atenda às suas expectativas, porém isso é um grande engano. 

Não temos uma cultura ou visão de que um relacionamento para dar certo tem de se fazer por onde isso possa acontecer.

Por mais que se acredite ter encontrado a pessoa certa ou ideal, só isso não basta, pois essa certeza se resume em características de caráter ou personalidade com as quais se identifica, mas a pessoa escolhida também tem defeitos e diferenças, que faz com que ela pense e viva um mundo interior diferente.

No inicio do relacionamento tudo é novo, divertido, empolgante, sedutor e prazeroso. Mas com o passar do tempo, o encanto não é mais o mesmo, a dedicação é menor, o cuidado parece ser desnecessário.
Enfim, o relacionamento cai numa rotina e isso contribui para reduzir o interesse e a motivação pelo namoro e pelo tesão/desejo em relação ao sexo.

Atribuições profissionais, sociais e familiares também acabam por ocupar espaços importantes na vida do par, fazendo-os dedicados e empenhados em tudo, exceto na atenção de um para com o outro.
Comportamento comum nos relacionamentos, que quando estáveis, parecem não precisar de atenção especial, eventos diferentes, enfim, um tempero rico em criatividade e vitalidade.

Os modelos propagados são exatamente de estabilidade sem sobressaltos sem grandes emoções o que torna o relacionamento cotidiano entediante e sem sentido. Afinal, não é preciso estar a dois pra viver essa vida.

O grande desafio é como despertar a necessidade inovadora e renovadora num relacionamento estagnado e engessado. Criar espaço para o desenvolvimento e aprofundamento amoroso que é infindável e inesgotável, bastando desvelar o desejo e o interesse de cada um no que se refere aos próprios sentimentos e emoções desejados e talvez esquecidos ou adormecidos.

Casamentos acontecem sem planejamento ou sem que os pares se conheçam a fundo ou intimamente.
Depois quando isso acontece, vem a decepção e a frustração, que são inerentes à existência humana e à vida a dois. Muitos veem e acreditam que o casamento é a finalidade, quando na realidade é o inicio de uma etapa da vida exigente e importante. Outros veem o casamento como um sonho a ser realizado independente de tudo e de todos, um objetivo de vida seja como for e com quem for. Pessoas buscam constituir família e encontram no casamento a oportunidade de viver uma idealização de que assim tudo será lindo e maravilhoso.

Todos se esquecem de que por trás de um casamento existem duas pessoas, com origens e histórias diferentes, características e personalidades diversas; sonhos, desejos, ideais, objetivos e ambições iguais ou divergentes; expectativas quanto ao relacionamento, família, amor e sexo em constante mutação. Enfim, dois seres humanos repletos de diversidade que os tornam únicos e especiais. Seres pensantes e afetivos que avaliam, refletem e agem de forma particular, imprevisível e distinta.

Viver a dois é acima de tudo respeitar, tolerar, abdicar, ceder, suportar, fazer concessões e reconhecer os próprios limites, ser disponível e se dispor ao que for necessário; amar, mas amar intensamente e tanto quanto possível, sem limites, sem receio, sem medo, e sem fim. Sabendo que pode ser magoado e magoar, mas ainda assim amar, e amar mais e mais, até o próprio fim.

A arte de viver a dois é escrita por aqueles que a vivem e não por quem supostamente tenha vivido uma vida feliz. Por sermos seres ímpares cada relacionamento também é único e exclusivo. É preciso que as pessoas tenham essa percepção e assumam seu importante papel na construção de uma vida a dois. Só assim, se poderá seguir a rota para um caminho único, especial e inesquecível, fazendo de cada relacionamento uma história a ser escrita e contada.


Fonte: Amor & Sexo