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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

VOLTA ÀS AULAS


AS RELAÇÕES NO AMBIENTE ESCOLAR E SUAS VARIÁVEIS EXTERNAS
Por Paula Rodrigues




A atenção com a rotina dos indivíduos, inseridos em um ambiente escolar, é de suma importância para que se estude de forma minuciosa a permanência de um bem estar afetivo e emocional aos mesmos.

A atualização constante da equipe pedagógica com os programas de inclusão, erradicação de preconceitos, e de melhor linguagem pra lidar com a realidade dos alunos, auxiliam na diminuição da evasão escolar.

Se colocar no lugar do aluno, tentando visualizar sua realidade e a origem de seus problemas ou possível comportamento indisciplinado, ajuda a equipe manter uma ação mais humana e mais solidária com o sujeito.

Por muitas vezes o professor se torna figura referencial para o aluno, onde cria – se uma confiabilidade e o mesmo se sente mais confortável pra expor possíveis problemas.

Como o profissional vai receber esses problemas encarados pelos alunos é que é determinante para um possível desenvolvimento positivo e melhor enfrentamento de tal situação.

Com isso, a relação aluno – professor se torna mais respeitosa, onde ambas as partes se aceitam mutuamente, e tal relação é mais saudável.

Outra relação importante no ambiente escolar é o da coordenação com a equipe docente. É importante que o trabalho seja multidisciplinar, onde acontece uma união entre as ciências específicas e contribui para a educação de forma completa.

Segundo Piaget, a multidisciplinaridade ocorre quando "a solução de um problema torna necessário obter informação de duas ou mais ciências ou setores do conhecimento sem que as disciplinas envolvidas no processo sejam elas mesmas modificadas ou enriquecidas"

Por muitas vezes, o ambiente escolar é contagiado pelo clima organizacional, causando conflitos na convivência entre os profissionais. Aqui, fica clara a ausência de respeito ou incompreensão por uma ou pelas duas partes, onde a intolerância sobressai o profissionalismo e ambição pode tomar conta das sensações humanas do ambiente.

É importante que se coloque como prioridade a educação dos alunos, o respeito mútuo entre os profissionais e que essa boa educação que a equipe pedagógica transmite, também seja utilizada entre os colegas de trabalho, para que assim, sejam verdadeiras referências aos alunos, auxiliando na superação e no bom desenvolvimento escolar.

Sabe – se que não é possível desmembrar o ambiente escolar do meio social, ao considerarmos o comportamento e suas concepções em tal local.

Antes de freqüentar o ambiente escolar o sujeito vive em sociedade. Ou seja, vivencia a realidade das relações e os fenômenos do meio. Daqui, moldam – se condutas e posturas determinantes para a realidade escolar.

“A criança ou o adolescente dos dias de hoje, lidam com a nova tecnologia, resultado da globalização e as novas formas de explicações sociológicas interferem no aspecto intelectual, mas também financeiro do indivíduo, isto é, o ambiente escolar torna – se cenário de exposição dos objetos de desejo atuais, sejam eles eletrônicos, as tão questionadas “pulseiras do sexo”, um ídolo famoso ou o dito respeito hierárquico diante dos colegas, por outros motivos”. (RODRIGUES, 2009)


Nessa transição de faixa etária existe o desejo de evidência em relação aos outros, que pode agir inconscientemente. Muitas vezes, as células familiares já disseminam uma essência de arrogância e desejo de poder no lar, exigindo da criança ou adolescente, posturas firmes e precoces que vão além de seu tempo, ou seja, exige a ausência de respeito ao se impor na escola, com um colega ou até mesmo professores, pode exigir defesa constante dessa moralidade exacerbada que foge da realidade desses indivíduos. Há um esquecimento dentro desse lar, que esses indivíduos necessitam de carinho e respeito, há uma necessidade nesse período, de explicações claras do certo e do errado, e a presença do amor é extremamente importante para que esses jovens sintam – se compreendidos.

É importante que o olhar de respeito à diversidade seja amplo e acolhedor. Pois, atualmente, a realidade do aluno é composta por diversificadas questões sociais que influenciam sua vivência, deixando – o passivo da tolerância e aceitação da sociedade, hoje, tão preconceituosa.

O momento da escolha profissional é complexo para todos os jovens.

Tomar tão importante decisão implica em reconhecer e internalizar uma nova realidade. Ou seja, além do 
período de mudança da adolescência, o adolescente lida com a responsabilidade de responder a si mesmo a pergunta feita em toda sua infância: “O que quer ser quando crescer?”. É o momento da resposta determinante para o futuro.

Cabe a escola estimular tal questionamento ou auto questionamento. Estar atentos a feiras de profissões que muitas faculdades organizam, para que seus alunos visitem e conheçam mais a fundo uma possível escolha inicial, aplicação de dinâmicas de grupos para análise de realidade individual e de grupo, contratação de um profissional para orientação e demais ações podem ser benefícios em tal fase.

Ademais, o jovem lida com a expectativa da família, custos, transporte e demais obstáculos para que ultrapasse tão tortuoso caminho e chegue a tal resposta.

Evidenciar a ética, na utilização do poder profissional, traz grande progresso mundial ao dissipar da honestidade e dignidade humana, daí, o destaque para o Profissional de Psicologia.

No âmbito escolar é importante que a Equipe Pedagógica respeite o aluno em sua especificidade, evitando exposições, constrangimentos e demais conflitos.

Cabe a Coordenação, Diretoria, Corpo Docente, Secretaria, Equipe de Apoio e demais funcionários de tal ambiente, preservar a imagem moral de seus alunos, com o intuito de manter a confiabilidade mútua, necessária para facilitar a aprendizagem e evitar a evasão escolar.

A tão dita ética traz o discernimento e a conduta, a ser colocada em prática, fazendo com que o profissional compartilhe seu conhecimento e se doe de forma verdadeira e correta. O certo e o errado é um fator transformador na vida de um indivíduo, sendo sinônimo de alicerce na construção de sua história e carreira profissional, onde, ao possuir ética, em sua específica profissão, terá como conseqüência o sucesso e o respeito diante da sociedade, hoje tão mais informada e conhecedora de seus direitos.

Destaque para o investimento na educação dos, hoje, crianças, adolescentes e jovens, para que amanhã, adultos, graduados, mestrados, doutorados e afins, espalhem o orgulho e satisfação profissional em seu exercício.



Referências

ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de. Psicologia Escolar – Ética e competências na formação e atuação profissional. Editora Alínea. 2ª Edição. Campinas/SP, 2006.

ARAUJO, Claisy Maria Marinho; ALMEIDA, Sandra Francesca Conte de. Psicologia Escolar – Construção e Consolidação da Identidade Profissional. Editora Alínea. 2ª Edição. Campinas/SP, 2008.

FRITZEN, José Silvino. Relações Humanas Interpessoais: Nas convivências grupais e comunitárias. 17ª Edição. Editora Vozes. Petrópolis/RJ, 2008.

GONÇALVES, André R. S. Lar Doce Lar. Brasil, 2010. Disponível em < http://cotidianoconsciente.blogspot.com/2010/03/lar-doce-lar.html> Acesso em 8 de junho de 2011.

GUZZO, Raquel Souza Lobo. Psicologia Escolar – LDB e Educação Hoje. Editora Alínea. 3ª Edição. Campinas/SP, 2007.

KALOUSTIAN, Sílvio Manoug. Família Brasileira: A base de tudo. 9ª Ed. Brasília, 2010

LARA, Luciane Dianin de. et al. O Adolescente e a Escolha Profissional: Compreendendo o Processo de Decisão. Umuarama/PR, 2005. Disponível em <http://revistas.unipar.br/saude/article/viewFile/1356/1207> Acesso em 10 de Junho de 2012.

PRETTE, Zilda Aparecida Pereira Del. Psicologia Escolar e Educacional – Saúde e Qualidade de Vida. Editora Alínea. 3ª Edição. Campinas/SP, 2008.

RODRIGUES, Paula Ap. dos Santos. A ação do inconsciente na ocorrência do Bullying escolar. Dourados/MS, 2009.

SILVA, Ana Patrícia da. et al. Paulo Freire. Pedagogia da Diversidade? Recife/PE, 2005. Disponível em <http://migre.me/9xLZc> Acesso em 11 de junho de 2012.

SOUZA, Célia Maria Moraes de. A Afetividade na Formação da Auto Estima do Aluno. Belém/PA, 2002. Disponível em <http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/monografias/a_afetividade_na_formacao_da_auto.pdf> Acesso em 11 de junho de 2012.

TASSONI, Elvira Cristina Martins. Afetividade e Aprendizagem: A Relação Professor Aluno. Campinas/SP, 2010. Disponível em <http://www.anped.org.br/reunioes/23/textos/2019t.PDF> Acesso em 09 de Junho de 2012.

VYGOTSKY, L. S. (1994) A formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes.



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA FAMÍLIA

CONCEITO DE FAMÍLIA E SUA EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Por Paula Rodrigues



A família é a primeira célula da sociedade. Partindo do pressuposto que os indivíduos possuem vínculo consangüíneo, jurídico ou afetivo. A família é o meio indispensável para sobrevivência, desenvolvimento e proteção integral dos filhos e demais membros, independente da estrutura formada.

“O termo “família” advém da expressão latina famulus, que significa “escravo doméstico”, que designava os escravos que trabalhavam de forma legalizada na agricultura familiar das tribos ladinas, situadas onde hoje se localiza a Itália”. (CUNHA, 2010, Apud MIRANDA, 2001)

A família pode ser constituída por um grupo de pessoas, composto por genitores e filhos, e demais vínculos de convivência com comunhão de afetos, em uma só economia, com uma mesma rotina.

A família é considerada a unidade social mais antiga do ser humano. Todos os membros da família possuíam obrigações morais entre si, sob a liderança do chamado patriarca, como figura masculina. Essas primeiras unidades eram chamadas de clãs e com o crescimento territorial e populacional, passaram a se unir formando tribos e grupos sociais.

Adaptada pela Igreja Católica, a família natural foi transformada e o casamento estabelecido como instituição sacralizada e indissolúvel, e único formador da família cristã, formada pela união entre duas pessoas de diferentes sexos, unidas através de um ato solene, e por seus descendentes.

Em um modelo religioso, a família eleva importância destinada ao sexo, como requisito de validade para a consolidação dos laços matrimoniais. Isso se deve à dissociação entre o matrimônio e a procriação, só podendo acontecer após o sacramento do casamento.

Nos anos passados, a intimidade era extinta do ambiente familiar. Todos conviviam em um mesmo ambiente, misturados e sem limites quanto à privacidade. Hoje a família tem seu espaço, de individualidade, respeitado, no aspecto fraternal e conjugal, o que antes não se via, pois até mesmo a construção da moralidade era imposta. 

A Lei Maria da Penha nº (11.340), de 2006, traz uma nova regulamentação legislativa da família, compreendida diante da justiça como “comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; independentemente de orientação sexual” (art. 5º, inciso II, e parágrafo único).

Segundo o art. (1.511), do Código Civil, a definição legal da família brasileira da atualidade é o que condiz com o casamento “entre cônjuges”, não fazendo alusão à sexo oposto, mas esclarecendo que a heterossexualidade não é condição para o casamento.

Essa conquista social e jurídica traz consigo a grande polêmica por, aos olhos de muitos, ferir a essência tradicional e de respeito do que se entendia por família.

Nos dias de hoje, a formação de famílias são diversificadas, seja pelas condições financeiras das mesmas, por desestruturação dos relacionamentos, ou até mesmo pela falta de cuidado por parte dos pais, quando temos como exemplo avós atuando como mães na vida de seus netos.

A igualdade de gênero, também, trouxe a mulher como independente e transformadora de tabus, antes, conservados pelos olhos da sociedade. A mulher, hoje, traz a força com ausência do medo pelo preconceito, que antes a deixava impotente diante de situações que a proteção masculina não estava presente. Hoje a mulher é a protetora do lar e tem poder transformador consigo e com os seus.


A FUNÇÃO DA FAMÍLIA

A família é possuidora do poder do cuidar e do educar, mas também do negligenciar e do desamparar.

A família é o refúgio em que o indivíduo ameaçado se protege das situações de adversidades. Cabe à mesma o constante cuidado, amparando os seus no aspecto biopsicossocial, afinal, nos casos de membros da família menores de idade o amparo e atenção às necessidades básicas se faz presente com grande consideração, já que os mesmos são dependentes e não respondem pelas suas ações.

A dedicação durante a educação do indivíduo é grande responsável pela formação de caráter e poder de iniciativa do mesmo. Saber impor limites diante de supostas rebeldias, com sensatez, é de grande valia na prevenção e construção da disciplina, ou seja, podendo visualizar um futuro mais produtivo, próspero, digno e pró ativo, por parte do mesmo. 

O respeito pelo ser humano deve estar presente nas relações familiares, pois dessa forma as situações conflituosas tornam – se extintas e não evoluem para ações impensadas e inconseqüentes, relacionadas à violência, negligência ou demais abusos existentes.

Ao compor as ações com negligência e descuido, a família pode trazer momentos de conturbações e sofrimentos para o indivíduo, que é constante dependente da atenção da mesma.

A negligência pode ser especificada à partir de diversos fatores de acordo com as situações do cotidiano do indivíduo. Pode – se identificar a negligência quanto à alimentação, à higiene, à educação, ao amparo emocional e social, ao direito a um lar, a proteção contra a violência, seja ela psicológica, sexual ou física, entre outros.

Em muitos casos, a própria família, ou membros da mesma, trazem a destruição para o lar. Nesses casos, podemos citar os pedófilos, os espancadores, os dependentes químicos (alcoolistas, fumantes e etc.), que trazem a influência negativa aos olhos dos demais.

A exclusão dentro do ambiente familiar, também, torna negativa a convivência cotidiana, o que acontece em algumas culturas.

Cabe à família encaminhar seus membros para uma educação digna, acompanhando o desempenho dos mesmos durante o período. Quando acontece a evasão escolar, o indivíduo ocupa muitas vezes o tempo com ações prejudiciais ao seu crescimento moral, psicológico e até mesmo profissional. Em muitos destes casos, o indivíduo fica exposto a situações de risco, como a tão temida prostituição e exploração sexual, contato com substâncias químicas, que ocasionam o vício constante, afetando o organismo, no aspecto biológico e cognitivo, e etc.

O indivíduo, com a educação defasada, fica vulnerável aos riscos sociais existentes, aumentando a probabilidade de ter ações ilícitas (atos infracionais), tendo então, que cumprir medidas socioeducativas.

Fica visível a importância da atenção do núcleo familiar com os seus membros, considerando que os cuidados são diversos, e na ausência dos mesmos pode – se rotular a família como destruidora e negligente.


REFERÊNCIAS

ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2ª Ed. Rio de Janeiro/RJ: LTC, 1981.
BRASIL. Lei Maria da Penha: Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, que dispõe sobre mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2007.
CARVALHO, Luiza Marilac Batista de. Inclusão: tudo começa na família e na escola. Disponível em <http://migre.me/9nTDn> Acesso em 29 de Maio de 2012.
CUNHA, Matheus Antônio. O conceito de família e sua evolução histórica. Piracicaba/SP, 2009. Disponível em <http://www.investidura.com.br/biblioteca-juridica/artigos/historia-do-direito/170332-o-conceito-de-familia-e-sua-evolucao-historica.html#_ftn7> Acesso em 09 de Junho de 2012.
GONÇALVES, André R. S. Lar Doce Lar. Brasil, 2010. Disponível em < http://cotidianoconsciente.blogspot.com/2010/03/lar-doce-lar.html> Acesso em 8 de Junho de 2012.
KALOUSTIAN, Sílvio Manoug. Família Brasileira: A base de tudo. 9ª Ed. Brasília, 2010

terça-feira, 29 de maio de 2012

A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA

A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA SOCIEDADE, COM ÊNFASE AOS PROFISSIONAIS DE PSICOLOGIA 
Por: Paula Rodrigues
O profissional, munido de ética, demonstra uma imagem constituída de credibilidade, sendo assim, traz consigo maiores possibilidades de ascensão profissional, com respeito e honra em seu exercício.

A disciplina profissional é fundamental na execução da profissão, obtendo um plano de carreira, mais produtivo e funcional.

Diante de irregularidades existentes, cabem aos órgãos responsáveis, punições e exonerações, com o objetivo de extinguir situações prejudiciais ao cidadão, consumidor dos serviços, específicos, prestados.

Evidenciar a ética, na utilização do poder profissional, traz grande progresso mundial ao dissipar da honestidade e dignidade humana, daí, o destaque para o Profissional de Psicologia.

No dia 27 de agosto de 1962, o Conselho Federal de Educação publicou a Lei nº 4.119, com a emenda: 

“Dispõe sobre os cursos em formação de psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo”.

De certa forma, ser Psicólogo é ser solidário com o ser humano, em tempos de grandes exigências pessoais, tanto no aspecto afetivo como profissional, embora tal profissão traga retorno financeiro.

Com a ambição e o egoísmo cercando muitos pensamentos, os possuidores da vocação Psicologia têm seu exercício não apenas como um direito, como descreve a Constituição Federal/1988, art. 5º, XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer; mas também como um dever de trazer a compreensão do significado da palavra evolução.

A tão dita ética traz o discernimento e a conduta, a ser colocada em prática, fazendo com que o profissional compartilhe seu conhecimento e se doe de forma verdadeira e correta. O certo e o errado é um fator transformador na vida de um indivíduo, sendo sinônimo de alicerce na construção de sua história e carreira profissional, onde, ao possuir ética, em sua específica profissão, terá como conseqüência o sucesso e o respeito diante da sociedade, hoje tão mais informada e conhecedora de seus direitos.

Com o destaque do importante desenvolvimento da Psicologia em seu campo científico e profissional, a ética tem sido o foco de grandes discussões e debates, daí a importância da utilização da mesma no cotidiano do profissional, inserindo os conceitos éticos de forma positiva e constante:


CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA - PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS:

I – O Psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiando nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A importância da sensatez e dignidade no exercício diário da profissão resulta no bom resultado obtido da mesma, ou seja, deve – se considerar ações profissionais de bom desempenho, regulares e que vão de encontro com normas já estabelecidas:


CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA - DAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO:

Artigo 1º - São deveres Fundamentais do Psicólogo:

c) Prestar serviços Psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência Psicológica, na ética e na Legislação Profissional;
É de extrema importância que a ética se faça presente na relação Psicólogo – Cliente, quanto ao sigilo das informações concedidas nos atendimentos, com o objetivo de preservar o bem estar social e pessoal do mesmo, podendo ser quebrado somente com o consentimento do atendido, na possibilidade de transferência de caso e profissional, com utilização de registros documentados:


CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA - DAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO:

Artigo 1º - São deveres Fundamentais do Psicólogo:

e) Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia;

i) Zelar para que a comercialização, aquisição, doação, empréstimo, guarda e forma de divulgação do material privativo do Psicólogo, sejam feitas conforme os princípios desse código;

Artigo 9º - É dever do Psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso ai exercício profissional.
Segue abaixo um exemplo, real, da ausência de ética e uso meios irregulares no exercício da Psicologia, utilizando métodos inapropriados:


ESTUDO MONSTRUOSO

Em 1939, 22 crianças órfãs foram submetidas a experimentos por Wendell Johnson, da Universidade do Iowa, EUA. Ele escolheu Mary Tudor, sua estudante de graduação, para conduzir os experimentos e apenas supervisionou a pesquisa.

Depois de separar as crianças em grupos, um grupo experimental e outro de controle, Mary falou para um grupo de crianças sobre a boa fluência de suas maneiras de falar as elogiando, isso é chamado de terapia da fala positiva, em tradução literal. Em seguida ela fez o oposto com as outras crianças, depreciando-as por cada imperfeição da sua fala e dizendo que elas eram gagas.

Muitas das crianças que receberam o tratamento negativo no experimento sofreram de efeitos psicológicos negativos e outras tiveram problemas de fala durante toda a vida.

Apelidado de “Estudo Monstruoso” por alguns dos colegas de Wendell, que ficaram horrorizados com o fato de que ele havia feito experimentos em crianças para provar uma teoria. O experimento foi ocultado por medo de que ferisse a reputação de Wendell se fosse ligado aos experimentos realizados em humanos durante a Segunda Guerra Mundial. A Universidade de Iowa se desculpou publicamente pelo estudo em 2001.


CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA - DAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO:

Artigo 2º - Ao Psicólogo é vedado:

a)      Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ou opressão;

b)      Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo, tortura ou qualquer forma de violência.
Ao desrespeitar os direitos humanos e a legislação específica de sua profissão, no caso, da Psicologia, há punições cabíveis para tal ato:


CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA - DAS DISPOSIÇÕES GERAIS:

Artigo 21º - As transgressões dos preceitos desse Código constituem infração disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades, na forma dos dispositivos legais ou regimentais:

a)      Advertência;
b)      Multa;
c)      Censura Pública;
d)      Suspensão do Exercício Profissional, por até 30 (trinta) dias, ad referendum do Conselho Regional de Psicologia;
e)      Cassação do exercício profissional, ad referendum do Conselho Regional de Psicologia.

O profissional não possuidor de ética e atitudes corretas em seu exercício há de sofrer, também, as seguintes punições:

- Lei das Contravenções Penais/Parte Geral:


PENAS ACESSÓRIAS

Art. 12 - As penas acessórias são a publicação da sentença e as seguintes interdições de direitos:

I - a incapacidade temporária para profissão ou atividade, cujo exercício dependa de habilitação especial, licença ou autorização do poder público;

II - a suspensão dos direitos políticos.


PARÁGRAFO ÚNICO - Incorrem:

a) na interdição sob nº I, por 1 (um) mês a 2 (dois) anos, o condenado por motivo de contravenção cometida com abuso de profissão ou atividade ou com infração de dever a ela inerente;

b) na interdição sob n° II, o condenado à pena privativa de liberdade, enquanto dure a execução da pena ou a aplicação da medida de segurança detentiva.


DAS CONTRAVENÇÕES PENAIS RELATIVAS À ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO:

Exercício ilegal de profissão ou atividade

Art. 47 - Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício:

Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa.
- Código Penal:

Inciso II do Artigo 61 do Código Penal - Decreto-lei 2848/40

Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II - ter o agente cometido o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão.
Punições que, também vão de encontro com o Código de Ética do Profissional de Psicologia:


CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA - DAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO:

Artigo 2º - Ao Psicólogo é vedado:

e) Ser conivente com erros, faltas éticas, violação de direitos, crimes e contravenções penais praticados por Psicólogos, na prestação de serviços profissionais.
Na relação Psicólogo – Cliente, no aspecto financeiro, deve – se respeitar, também, as condições do dito consumidor de tal serviço prestado, preservando – o de toda e qualquer irregularidade, deixando claras as condições de ambas as partes, contratante e contratado:


CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA - DAS RESPONSABILIDADES DO PSICÓLOGO:

Artigo 4º - Ao fixar a remuneração pelo seu trabalho, o Psicólogo:

a)      Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as condições do usuário ou beneficiário;

b)      Estipulará o valor de acordo com as características da atividade e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado;

c)      Assegurará a qualidade dos serviços independente do valor acordado.

E, por fim, no caso de negligência e irregularidade por parte do profissional, o mesmo deverá, então, arcar com suas responsabilidades perante a legislação vigente:


DANOS AO CLIENTE - CÓDIGO CIVIL:

Artigo 186 do Código Civil - Lei 10406/02

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Artigo 927 do Código Civil - Lei 10406/02

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
A corrupção é constituída pela ingenuidade e conformismo nacional acima de caráteres contestados.

Os jovens de hoje, não estão livres da possibilidade de serem os corruptos de amanhã. A visão constante da nação é o cenário deprimente da aprovação latente do cinismo, o que possui grande motivação aos que buscam o seu espaço. Os primeiros responsáveis por essa aceitação são seus pais que não modificam suas ideologias e valores, permitindo serem ludibriados pelos gestos oportunos e a venda da falsa esperança, oferecida pelos ambiciosos.

Existem evidências nítidas de um futuro negativo e, mesmo assim, são aprovadas. Destaca – se, então, o conformismo e a ausência da verdadeira esperança. O país está saudoso do poder transformador do cidadão de anos revolucionários, aqueles que transformaram a liberdade.

Antes das poltronas políticas serem ocupadas existe um ato de democracia, esse conquistado com tamanho e tão discutido esforço, que traz consigo até mesmo a igualdade de gênero.

O país é lindo, possuidor de paisagens comentadas mundialmente, mas com turistas atacados pela violência da ausência da educação. A nação traz o patriotismo nas conquistas do esporte, que se depara com desestruturações. A economia faz descobertas de jazidas de suposta independência financeira e surge o conflito na administração de partilhas.

A semente da resolução dos problemas sociais está nos bolsos dos livres e emergentes corruptos, pois esses esquecem a legislação e a moral, desviando as conseqüências benéficas dos poucos que lutaram pela sonhada e tão intocável justiça. Pais, filhos, de uma população, de uma nação miscigenada, que hoje, moldam uma imagem internacional.

Clama – se, então, por uma consciência geral a ponto de refinar a percepção e razão dos possuidores da mudança (mesmo que com o auxílio de uma psicologia honesta).

Observa – se a importância da honestidade e boa execução do exercício profissional, seja como Psicólogo ou outra função.

Destaque para o investimento na educação dos, hoje, crianças, adolescentes e jovens, para que amanhã, adultos, graduados, mestrados, doutorados e afins, espalhem o orgulho e satisfação profissional em seu exercício.


REFERÊNCIAS:

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, Senado,
1998. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm> Acesso em 21 de setembro de 2011;

BRASIL. Decreto – Lei Nº 3.688. Lei das Contravenções Penais. Brasília, DF, Senado 1941. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del3688.htm> Acesso em 21 de setembro de 2011;

BRASIL. Lei Nº 10.406. Código Civil. Brasília, DF, Senado, 2002. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm> Acesso em 21 de setembro de 2011.

Código de Ética Profissional do Psicólogo. XIII Plenário do Conselho Federal de Psicologia. Brasília, 2005;

Conselho Regional de Psicologia – AL. Exposição de motivos do Código de ética profissional do psicólogo. Alagoas. Disponível em <http://www.crp15.org.br/conteudo_det.php?nid=303> Acesso em 22 de setembro de 2011;

Conselho Regional de Psicologia – SP. Linha do Tempo. São Paulo. Disponível em < http://www.crpsp.org.br/linha/linha_do_tempo/memoria/home.htm> Acesso em 21 de setembro de 2011;

sábado, 14 de abril de 2012

O INCONSCIENTE E O BULLYING

A AÇÃO DO INCONSCIENTE NA OCORRÊNCIA DO BULLYING ESCOLAR
Por Paula Aparecida dos Santos Rodrigues



 
Formas educativas de cunho hostil no âmbito familiar e o sentimento de inferioridade, do qual todo ser humano é possuidor, têm como consequências projeções inconscientes nas relações interpessoais. 

Quando negativa, na ocorrência de atos de humilhação com agressões físicas ou psíquicas, pode – se afirmar a ocorrência do Bullying. Os estudos sobre o Bullying escolar tiveram início na Suécia, na década de 70 e na Noruega, na década de 80.

Bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra outro (s), causando dor, angústia e sofrimento. Insultos, intimidações, apelidos cruéis, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos levando-os à exclusão, além de danos físicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do "comportamento bullying" (Fante, 2005, p. 28 e 29).

Quando um indivíduo sente – se humilhado, alguém é responsável por tal sentimento devido alguma atitude negativa. Essa inferioridade, é integrante dos conteúdos inconscientes de nossa formação, que podem ser alterados ao longo de nossa existência, de acordo com as experiências vivenciadas.

Não que seja uma regra, mas a constituição de condutas e personalidade dos indivíduos, segundo a Psicologia, se dá desde as primeiras vivências. Estes podem inserir em seu cotidiano formas inconscientemente mais fáceis e inconseqüentes para atingir seus objetivos e próprios interesses, o que para muitos, é necessário colocar alguém em situação inferior, em nível de desvantagem, para que possam sentir o poder à partir da importância, não direcionando respeito nem mesmo preocupações com o emocional dos que participam de seu ciclo afetivo.

A criança ou o adolescente dos dias de hoje, lidam com a nova tecnologia, resultado da globalização e as novas formas de explicações sociológicas interferem no aspecto intelectual, mas também financeiro do indivíduo, isto é, o ambiente escolar torna – se cenário de exposição dos objetos de desejo atuais, sejam eles eletrônicos, as tão questionadas “pulseiras do sexo”, um ídolo famoso ou o dito respeito hierárquico diante dos colegas, por outros motivos.

Nessa transição de faixa etária existe o desejo de evidência em relação aos outros, que pode agir inconscientemente. Muitas vezes, as células familiares já disseminam uma essência de arrogância e desejo de poder no lar, exigindo da criança ou adolescente, posturas firmes e precoces que vão além de seu tempo, ou seja, exige a ausência de respeito ao se impor na escola, com um colega ou até mesmo professores, pode exigir defesa constante dessa moralidade exacerbada que foge da realidade desses indivíduos. Há um esquecimento dentro desse lar, que esses indivíduos necessitam de carinho e respeito, há uma necessidade nesse período, de explicações claras do certo e do errado, e a presença do amor é extremamente importante para que esses jovens sintam – se compreendidos.

É visto em entrevistas e pesquisas que o maior incômodo de crianças e adolescentes em relação aos seus responsáveis é a ausência da compreensão. Sim, é uma fase complexa e em muitos casos os pais estão corretos, mas o que acontece é que o lar onde o carinho é extinto e a compreensão de que cada idade tem seu tempo e suas limitações, é um grande candidato a formar um agressor que possui como arma social o bullying.

“Quando os pais/cuidadores protegem, preservam de incômodos ou perigos (…) estão construindo um espaço de proteção. (…) A ausência desse espaço é desabrigo, ataque, enfim, violência (…).” (PORTELLA, 2006, p. 81).

Como já citado, tal ação acontece devido projeções inconscientes das vivências de um lar com predicados negativos. Considerando que uma criança não tem capacidade de reflexão e análise para o entendimento de uma humilhação sofrida, causada por um adulto, que externa o seu próprio sentimento de inferioridade, podemos observar que a criança poderá levar muito tempo para uma reconstrução de personalidade.

Uma educação funcional é constituída de carinho e afeto, onde os responsáveis por essa criança ou esse adolescente, compreendam desde a sua idade até o meio em que o mesmo está inserido. Daí a importância do diálogo, da explicação clara do significado da palavra respeito, que deve ser inserido em todos os relacionamentos interpessoais, destacando a tolerância com possíveis diferenças que muitas vezes são objetos de preconceito como cor, sexo, gênero, situação financeira, religiões ou até mesmo os estilos, que hoje são muitos e diversificados, que podem ser os emos, sertanejos, rockeiros, pagodeiros, góticos e etc.

O indivíduo ao sofrer em seu cotidiano, ensinamentos que fazem com que o mesmo internalize, inconscientemente, insatisfações e sofrimentos que o reprimem, têm como conseqüência a dita projeção, que no caso do bullying acontece socialmente, de forma física ou psíquica. 

Em psicologia, projeção é um mecanismo de defesa no qual os atributos pessoais de determinado indivíduo, sejam pensamentos inaceitáveis ou indesejados, sejam emoções de qualquer espécie, são atribuídos a outra(s) pessoa(s). De acordo com Tavris Wade, a projeção psicológica ocorre quando os sentimentos ameaçados ou inaceitáveis de determinada pessoa são reprimidos e, então, projetados em alguém. (Wade, Tavris “Psychology” Sixth Edition Prentice Hall 2000 ISBN 0-321-04931-4)

Com essa projeção psicológica, reduz – se a ansiedade do indivíduo por permitir que a expressão dos impulsos inconscientes, indesejados ou não, fazendo com que o consciente não os reconheça. No caso da ação do bullying culpar determinada pessoa por um fracasso, evita o desconforto da admissão consciente da falta cometida, mantendo os sentimentos do inconsciente do agressor e projeta, assim, as falhas em outras pessoas, no caso a vítima.

Segundo Sigmund Freud, a projeção é um mecanismo de defesa psicológico em que determinada pessoa projeta seus próprios pensamentos, motivações, desejos e sentimentos indesejáveis numa ou mais pessoas.

A projeção se faz presente ao longo de nossa vida, nos relacionando com o mundo externo, onde, inconscientemente, percebemos algo do nosso eu em outra pessoa. Sendo inconsciente, externamos esse processo de forma positiva ou negativa, sem o controle do nosso ego, ou seja, não pontuamos o que, nem onde, iremos projetar tal sentimento.

Onde existe a relação interpessoal é normal a ocorrência de conflitos, considerando que o ser humano é imprevisível e está sujeito a situações de desejos inconscientes e conscientes de poder, evidência diante dos outros colegas ou até mesmo a crueldade propriamente dita.

A perversidade não provém de um problema psiquiátrico, mas de uma racionalidade fria combinada a uma incapacidade de considerar os outros como seres humanos. (Freitas, 2001: 13).

O agressor costuma demonstrar pouca empatia, com uma imagem de mais forte da turma, sentindo uma necessidade de dominar e subjugar os demais, impõe suas vontades, gostos e preferências, custando a adaptar-se ás regras, não aceita ser contrariado, é considerado pela turma como malvado, durão e tudo que, em sua visão agressiva resulte em uma evidência necessária, que o faz se sentir melhor em relação aos colegas. Com essa desigualdade imposta em seu meio, o agressor espalha comentários da vítima, recusando se socializar com a mesma e influenciando os demais colegas a fazer o mesmo.

O agressor possui rapidez em se enraivecer e usar a força, somando com comportamentos agressivos, o ato de encarar as ações de outros como hostis, a preocupação com a auto-imagem e o empenho em ações obsessivas ou rígidas. É freqüentemente sugerido que os comportamentos agressivos têm sua origem na infância, portanto, se os mesmos não forem burlados nesse período há o risco de que eles se tornem habituais, ou seja, o indivíduo será um constante agressor, onde o bullying pode existir na escola (infância e adolescência), na faculdade (juventude), evoluindo para que o agressor seja protagonista do assédio moral (forma evoluída do bullying) no ambiente de trabalho. O indivíduo se torna, então, uma pessoa de difícil temperamento, o que resulta em possível solidão em relação as suas relações interpessoais. Há evidências que apontam que a prática do bullying durante a infância situa a criança em risco de comportamento criminoso e violência doméstica na idade adulta, pois a citada solidão pode fazer com que o indivíduo entre em contato com o uso de drogas e bebidas alcoólicas, o que também pode desencadear uma personalidade suicída.

O bullying não se confunde com outras formas de violência, sendo claramente definido, principalmente pela característica de causar traumas psíquicos às vítimas de tal ato. Vai além do ambiente escolar, podendo estar presente, de forma evoluída, em prisões, exércitos e empresas.

A vítima não compreende a situação de forma clara, pois o agressor não oferece satisfação ou motivo, hostilizando, ignorando e ridicularizando a mesma. Na maioria das vezes a vítima se sente culpada pela agressão sofrida, podendo até se auto - inferiorizar, também, se desestabilizando emocionalmente.

No caso das mulheres a fragilidade se refle com momentos de pranto intenso e constante. A sensibilidade e a magoa podem resultar em ressentimentos complexos. Ao ver o agressor a vítima reage emocionalmente sofrendo palpitações, tremores e intenso medo.

Os homens reagem com sentimento de fúria e vingança. Evitam comentar o assunto por vergonha, se auto - definindo como desprezível e inútil, devido sua masculinidade estar ferida e sua dignidade afetada.

Em muitos casos, as consequências são extremas, e os homens podem entrar em contato com drogas, o que ocasiona, muitas vezes, a violência doméstica. Quando chegam à solidão, com a auto - estima em baixa, sentem – se fracassados.

Em ambos os casos, podem ocorrer irritações constantes, não acreditam mais em si mesmos, há um cansaço intenso e diminuição na capacidade de enfrentar o estresse existente. Iniciam – se, então, momentos conturbados com pesadelos ou até mesmo a insônia, dificuldade de concentração e memorização (a dita amnésia psicógena: diminuição na capacidade de recordar os acontecimentos), dificuldade no relacionamento interpessoal, bloqueando o surgimento de novas amizades, aumento ou diminuição de peso, devido o surgimento de distúrbios digestivos, hipertensão arterial, diminuição da libido, fortes dores de cabeça, e em alguns casos a ocorrência de ações fatais como o suicídio.

Outro personagem, que muitas vezes internaliza um intenso trauma é o espectador, que, presenciando a ação do bullying, reage inconscientemente, calando – se, temendo ser a próxima vítima do agressor.

Existe a possibilidade de ocorrer, também, uma resposta aos maus tratos sofridos na escola, isto é, a vítima do agressor, e até mesmo o espectador, pode externar o intenso trauma sofrido ou presenciado, tornando – se, também, um agressor. Isso acontece devido a exclusão sofrida que desperta o desejo de pertencer a um grupo, fazendo com que estes indivíduos traumatizados necessitem de uma auto – afirmação, se evidenciando no seu ciclo afetivo, tornando extinta a agressão vivenciada.

Em todos os casos está presente a inabilidade para expressão dos sentimentos íntimos, excluindo a humildade do cotidiano, não sabendo se colocar no lugar do colega para racionalizar as conseqüências dos seus atos agressores.

[...] estas situações estão associadas a uma série de comportamentos ou atitudes que se vão agravando e mantendo por toda a vida e que arrastam consigo conseqüências negativas, na maior parte dos casos de alguma gravidade, que estarão sempre presentes, influenciando todas as decisões, imagens, atitudes, comportamentos que a pessoa constrói em relação a si, aos outros, ao mundo e até a própria vida (Pereira, 2002, p.23).

A atenção com a rotina dos indivíduos, inseridos em um ambiente escolar, é de suma importância para que se estude de forma minuciosa a permanência de um bem estar afetivo e emocional aos mesmos. A conscientização dos responsáveis, membros da família desses estudantes, é essencial para que a compreensão e a disponibilidade de afeto seja funcional na educação desses indivíduos. Nos casos citados, de nível grave, já com a ocorrência do Bullying, é importante a intervenção psicológica, considerando a ação do inconsciente, pois, dessa forma torna – se possível uma melhor compreensão pessoal, ou seja, o auto – conhecimento, fazendo com que sejam superados traumas vivenciados na história de vida específica, trazendo para um cotidiano conturbado, uma melhor qualidade de vida, visando a socialização futura com uma essência respeitosa e satisfatória, intimamente.



BIBLIOGRAFIA:

FANTE, Cleonice Zonato. Fenômeno Bullying – Como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2ª edição. Campinas SP: Veros Editora, 2005.

INÁCIO, Sandra Regina da Luz. Bullying: A Síndrome da Humilhação.2008. Disponível em: <http://www.artigonal.com/auto-ajuda-artigos/bullying-a-sindrome-da-humilhacao-644664.html> Acesso em 27 de maio de 2010.

PORTELLA, Fabiane Ortiz. Família e Aprendizagem: uma relação necessária. 2ª Edição. Rio de Janeiro: Wak, 2008.

WADE, Tavris. "Psicologia". 6ª Edição. Prentice Hall 2000.

ABRAMOVAY, Miriam. Cotidiano das escolas: entre violências. Brasília: UNESCO, 2006.

PEREIRA, Beatriz Oliveira. Para uma Escola sem violência: estudo e prevenção das práticas agressivas entre crianças. Edição: Fundação Calouste Gulbenkian, Porto, 2002.