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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A ARTE DE EDUCAR

Hoje quero escrever sobre Educação. Não tenho a proposta de fazer um grande discurso, mas falar de algumas coisas simples, básicas, que de tão óbvias, ficam obscuras!
A importância da Educação para o nosso país! Sim, a Educação está no centro de toda transformação que precisa acontecer em nosso cenário político, social, econômico e cultural.
Ontem, uma matéria veiculada pelo Fantástico me chamou muita atenção: da série Educação .doc, “Escola pública de cidade do Piauí tem alunos motivados e ótimos resultados”. Em síntese, durante toda a apresentação, o que ficou claro foi a necessidade de uma conscientização efetiva da importância central da Educação na formação de cada indivíduo.
Dar atenção ao educar é uma forma efetiva de cuidar do futuro do nosso país, que está nas mãos das novas gerações. Citando Viviane Mosé, filósofa e escritora, que participou desta matéria: “A gente tem que tomar conta do Brasil”.
Para exemplificar ações bem sucedidas nesse objetivo, foi apresentada a experiência de uma escola pública, localizada em Cocal dos Alves, município de economia rural no estado do Piauí.
O nome da escola: Augustinho Brandão.
O diferencial: pessoas que acreditam na importância de sonhar e correr atrás de seus sonhos, pessoas engajadas, conscientes de suas responsabilidades, que compartilham, somam e multiplicam a vontade de fazer um futuro melhor. Profissionais da Educação que acolhem o seu ofício com amor e dedicação, e passam aos seus alunos muito mais que teorias e fórmulas científicas! Eles oferecem a certeza de que é preciso sonhar e acreditar que somos responsáveis pela mudança da nossa sociedade a partir de nossas atitudes e escolhas.
E aqui, sendo uma psicóloga fenomenológico-existencial, não posso deixar de comentar a beleza e a importância de termos claro o sentido de nossa vida! Aquilo que nos guia, que motiva nossa busca, apesar de todas as adversidades, aquilo que nos faz humanos e seres em contínua construção, pois na busca por realizar o que nos faz sentido, damos sentido à nossa própria existência. Somos humanos!
Os alunos dessa escola acolheram tudo o que foi passado pelos professores, e assim se deu um trabalho feito em parceria, que não fica restrito apenas ao contexto escolar. Ao termos contato com esse tipo de realidade, dentro de um horizonte tão decadente, como é o da nossa Educação, impossível não se envolver e pensar (ou repensar), qual é o nosso papel dentro dessa sociedade¿ O que cada um pode fazer para contribuir com iniciativas como essas, que acontecem lá no interior de uma cidade de um dos estados mais pobres do Brasil!
Finalizo essa breve reflexão com a frase de uma aluna dessa escola, que realmente representa o ponto da grande mudança: “Quando o pessoal cair na real e perceber que não tem outra forma de se ter um futuro melhor sem ser pela educação, aí vai acontecer a grande diferença, a grande melhoria”, destaca Franciele de Brito, aluna.
E o link para quem quiser ver a reportagem:

sexta-feira, 18 de julho de 2014

VYGOTSKY E A PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

Lev Semenovitch Vygotsky (1896 -1934) foi um pesquisador e professor contemporâneo de Piaget.
Estudou Direito, Filosofia e História. Entre os anos de 1924 e 1934, Vygotsky iniciou suas pesquisas no campo da Psicologia e criou sua teoria histórico-cultural dos fenômenos psicológicos. O psicólogo bielo-russo visava alcançar a origem do desenvolvimento dos processos psicológicos durante a história da espécie humana. Esta abordagem é denominada Abordagem Genética por embasar-se no estudo do modo de como ocorre  o desenvolvimento do homem através da cultura, do ambiente no qual se encontra, e do seu convívio social.
Vygotsky foi o primeiro estudioso a ressaltar a importância do ambiente durante desenvolvimento da criança e durante a formação da mente humana. Considerava que as origens da vida consciente e do pensamento abstrato encontravam-se na interação do organismo com as condições da vida social e com as formas histórico-sociais de vida humana. Destarte, Vygotsky propunha que se deve buscar analisar o reflexo do mundo exterior no mundo interior do sujeito, partindo da interação do sujeito com a realidade. Sua metodologia sempre ligava teoria à prática e foi de suma importância para a Psicologia Cognitiva, haja vista que complementou a teoria das etapas do desenvolvimento intelectual, que até esse momento histórico tinham sido entendidas somente por Piaget.
O psicólogo bielorrusso enfatizou a importância da participação do aluno no processo de aprendizagem, já que a participação mostra a importância da inserção social do indivíduo em suas várias fases de crescimento. Para que ocorra a efetiva maturação da mente, Vygotsky apontava para a necessidade do contato estreito com a comunidade.
A problemática relação existente entre desenvolvimento e educação foi um tema abordado por Vygotsky, assim como também por outros autores. A solução encontrada pelo autor para a relação entre desenvolvimento e educação foi a de que o problema deve ser visto sob dois vieses, o geral e o particular: 1) o aprendizado vem com o sujeito desde o nascimento; 2) Deste modo, pode-se notar a relação intrínseca entre aprendizado e desenvolvimento.
Partindo da educação formal, o desenvolvimento ocorre em dois níveis, isto é, no nível do real e no nível do potencial. Respectivamente, o primeiro é o nível no qual a criança se encontra quando consegue resolver os problemas que lhe foram propostos sozinha. Neste nível fica evidente o amadurecimento consolidado. O segundo nível é o potencial, ou seja, a criança só alcança uma reposta com o auxílio de outros. Este é o conceito de Zona de desenvolvimento proximal e relaciona-se à diferença entre o que a criança realizar sozinha e aquilo que é capaz de aprender a realizar com o auxílio de alguém mais experiente. Deste modo, este conceito tão importante na teoria da aprendizagem de Vygotsky, diz de tudo o que a criança tem possibilidade de adquirir, no âmbito intelectual, quando o devido suporte educacional lhe é oferecido.


Vygotsky construiu sua teoria tomando o desenvolvimento como resultado de um processo sócio-histórico, dando relevância ao papel da linguagem e da aprendizagem. A questão colocada por Vygotsky tem como centro a aquisição de conhecimento através da interação entre sujeito e meio. Isto significa que o autor concebe o desenvolvimento do ser humano como marcado por sua inserção em um grupo social e, ainda, concebe o meio como o que mediatiza a relação eu-outro social. A relação mediatizada ocorre com a possibilidade da interação com símbolos culturais, signos e objetos, ou melhor, a mediação ocorre quando o homem não tem possibilidade de acessar diretamente os objetos, e o faz através de recortes do real – operados pelos sistemas simbólicos dos quais dispõe. Assim, a construção do conhecimento se dá com a interação mediada por várias relações. O conhecimento é visto como uma mediação feita por outros sujeitos, durante o processo de ensino e aprendizagem e durante os processos de produção de instrumentos mediadores – os quais visam a realização de tarefas específicas. A mediação caracteriza, pois, a relação do homem com o mundo e com o outro-social.
O contexto social também passou a ser considerado como parte crucial para o entendimento do processo de ensino e aprendizagem e vai abarcar a cultura à qual o aluno pertence; as condições materiais do mesmo bem como as suas relações sociais. Entender as relações que ocorrem na escola faz-se necessário para se apontar as causas do fracasso escolar do aluno. Deve-se ter em mente que, entre professor e aluno, ocorre uma relação de interdependência no processo de ensino e aprendizagem e, assim, quando o aluno fracassa, o professor também fracassa. Todavia, vale notar que o aluno não é visto como somente um produto de seu contexto histórico-cultural, ele é visto como um agente ativo na criação deste contexto.
A epistemologia proposta por Vygotsky fundamentou-se de acordo com o trabalho do sociólogo Karl Marx. O autor russo entendeu o homem como resultado das relações sociais e culturais do contexto em que vive. Toda a aprendizagem do sujeito media-se pelo meio social. O conhecimento que é mediado pelo meio social auxilia a aprendizagem através do processo de apropriação do conhecimento. A apropriação do conhecimento, por sua vez, aponta para o fato de que o aluno incorpora o objeto do conhecimento e que pode operar esse objeto mentalmente. O conhecimento que foi apropriado pelo aluno passa a fazer parte de seu psiquismo de modo que o norteará em suas ações no meio social e cultural, em concordância com suas apropriações.
Este processo brevemente descrito ficou conhecido como objetivação do conhecimento. Segundo esta perspectiva, a escola tem a função de passar o conteúdo acadêmico ao aluno fazendo-o refletir sobre a organização política, econômica e social do meio no qual se encontra inserido. No momento em que a apropriação do conhecimento ocorre, há também a apropriação – por parte do aluno – do conhecimento sobre o processo histórico que constitui a sociedade. A consciência desse aluno muda e visa esse conhecimento sobre o processo histórico constituinte da sociedade e, doravante, temos como resultado a mudança do contexto social e histórico no qual o sujeito está inserido. Fica explicado, pois, a causa de termos afirmado acima que o aluno também é um agente na produção do contexto no qual se insere.
A teoria do pesquisador russo rompeu com a visão que se tinha acerca do sujeito durante o processo de ensino e aprendizagem: tanto professor quanto aluno são vistos como agentes de transformação social. Ao fracasso escolar eram relacionados outros fatores como: as relações que ocorrem dentro da sala de aula; o contexto social e histórico dos sujeitos envolvidos durante o processo de ensino e aprendizagem; o modo como a Educação é vista pelas esferas do governo; a gestão da escola.
As mudanças que ocorrem no homem são oriundas na Sociedade, na Cultura e na História. Vygotsky propõe um novo modo de compreensão da relação entre sujeito e objeto, durante o processo da construção do conhecimento, ao tomar como referência o contexto histórico-cultural. Assim, fica exposta a Teoria Histórico-cultural de Vygotsky bem como  sua visão acerca do desenvolvimento da aprendizagem.
Referências Bibliográficas: