Mostrando postagens com marcador Neurologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Neurologia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de junho de 2015

O QUE É TELECINESE?

Considerada por muitos como um fenômeno paranormal, a telecinese é a capacidade que um indivíduo possui de mover fisicamente um objeto usando apenas o poder da mente.

Naturalmente, por não possuir evidências cientificamente irrefutáveis, a telecinese é um tema em constante polêmica. Existem os que acreditam piamente no fato e os que o consideram um embuste.

Estudos desenvolvidos pela parapsicologia demonstraram que a ocorrência da telecinese é possível, mas que não obedece conscientemente às ordens do cérebro, caracterizando-se como um fenômeno espontâneo e inconsciente.

Além de mover objetos sem tocá-los, operar máquinas à distância e curar enfermidade usando apenas as mãos, são considerados fenômenos telecinéticos.

“Carrie, A Estranha” foi um filme que divulgou amplamente para o mundo um caso fictício de telecinese. Trata-se da história de uma jovem repudiada por seus colegas de classe que resolve declarar vingança ao utilizar seus “poderes” para atingir seus inimigos.

Uma hipótese razoável propõem que o cérebro humano produz impulsos elétricos para controlar nosso organismo e que a telecinese seria uma disfunção desse sistema, que “em pane” criaria um campo extra-sensorial de energia magnética.

Existem alguns casos de pessoas reais que alegaram possuir tal habilidade, mas até hoje não existem provas científicas que abalizem tais informações.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O QUE É POGONOFOBIA?

A pogonofobia é um medo muito estranho e inusitado. Essa fobia é caracterizada por um pavor irracional de barbas. A aversão aos homens de barba tem sintomas físicos específicos, como suor frio, tremor, taquicardia e síndrome do pânico.

A Pogonofobia é um medo descontrolado, persistente e repugnante a barba. As pessoas que sofrem dessa fobia não conseguem ver barbas nem mesmo pela televisão ou por fotografias.

Essa aversão ao pelos faciais pode ter origem emocional ou pode estar relacionada a algum tipo de trauma. Segundo a psicologia, a fobia pode ter relação com as imagens estereotipadas da infância, como personagens monstruosos e peludos.

Essa fobia precisa de tratamento adequado para evitar o isolamento social e a depressão. Para tratar a pogonofobia é necessário buscar um acompanhamento psicológico profissional e a administração da medicação adequada.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

USO DE ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA PARA O TRATAMENTO DE DEPRESSÃO


Um estudo conduzido pelo McLean Hospital, da Harvard University, apresentou que a estimulação neurológica através de campos magnéticos é eficaz no tratamento de sintomas depressivos, aliviando o humor dos pacientes.

O campo magnético possui menor intensidade em comparação àqueles utilizados na estimulação magnética transcraniana (EMT) convencional. Contudo, possui uma frequência mais elevada; isto seria um dos fatores que melhoraria mais rapidamente o humor dos pacientes em relação à EMT convencional, que demora mais para produzir os efeitos desejados.

Uma combinação entre EMT de alta frequência com medicamentos pode ser uma estratégia eficaz no tratamento da depressão. Pode-se pensar também que a utilização da EMT até que os medicamentos comecem a ter efeitos mais duradouros sobre o humor (o que geralmente dura entre duas e três semanas) seja considerada um aperfeiçoamento ao tratamento convencional.

O avanço no tratamento de sintomas depressivos é algo necessário, tendo-se em vista os grandes prejuízos pessoais, interpessoais e laborais que provocam na vida de uma pessoa. Deve-se sempre ter em vista que apenas o tratamento medicamentoso, por si só, não é uma estratégia totalmente eficiente para a melhora dos sintomas. A psicoterapia é fundamental para a melhoria dos sintomas depressivos, ajudando o paciente a rever aspectos de sua vida e a melhorar o controle de novas crises.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

DENTRO DO CÉREBRO DE UM DEPRIMIDO

ISSO É DEPRESSÃO?


Com a progressiva disponibilização de informação sobre saúde junto do grande público, atualmente, todos nós temos automatizado o conhecimento de que numa gripe, numa anemia, doença cardíaca ou qualquer outra condição médica existem condições de funcionamento do organismo que nos afastam de processos de saúde e exigem intervenção ou recuperação para serem corrigidas ou geridas, num processo de retoma e re-equilíbrio internos.

No entanto, em saúde mental, ainda há uma ideia meio nebulosa de que aconteceram umas coisas na vida das pessoas que misteriosamente se misturaram com algo de errado e que vagamente pertence ao domínio da vontade e criaram contextos emocionais aos quais qualquer um – ou pelo menos, “os fortes” – poderia resistir e contrariar. Ora isto é tão disparatado como pensar-se que podemos fazer desaparecer uma gripe por artes mágicas, só pela força de vontade ou que nos engripamos porque somos fracos de espírito.

Nas condições psicológicas (aqui assumidas como melhor tratadas por um psicólogo), tal como nas condições médicas (aqui assumidas como melhor tratadas por um médico) existem funcionamentos internos que estão em desequilíbrio homeostático – há um mau funcionamento – e que têm de ser corrigidas em contexto próprio. Tal como em medicina, ainda há muito deste funcionamento organísmico que está sob estudo, sabendo-se que ainda resta um longo caminho a percorrer, para descodificar o intrincado e complexo mundo da fisiologia, mas não há por que continuar a pensar em termos antiquados de humores que afetam uns quantos com alguma falha de carácter – é errado, não é útil e apenas ajuda a perpetuar o adiamento da procura de ajuda/tratamento que se impõem para reverter uma situação de sofrimento e retomar qualidade de vida.

Hoje, ilustramos o que acabamos de dizer com o tema da depressão, um dos temas simultaneamente mais comuns e pior interpretados pelo público. A depressão inclui um conjunto de apresentações clínicas que devem ser corretamente diagnosticadas, porque, dependentemente da sua forma de apresentação, assim requerem intervenções diferentes. Neste caso falamos de depressões major ou persistentes – havendo uma diferença sobretudo de severidade entre as duas.

De uma forma geral, a depressão atinge números terríveis na população: é a 2ª perturbação mais comum do foro mental e a razão mais frequente que leva as pessoas a dirigirem-se a psicólogos ou psiquiatras. Cerca de 1 em cada 20 homens vão sofrer um episódio depressivo ao longo das suas vidas e este número duplica nas mulheres. Além disso, é a situação em saúde mental que mais facilmente pode ser mortífera: 1/3 das pessoas deprimidas considera a possibilidade de suicídio e 8% faz pelo menos uma tentativa de suicídio.

A depressão gosta de companhia, atrapalhando-a sempre… As pessoas deprimidas têm maior tendência para hábitos de vida problemáticos – fumam mais, comem pior, não praticam exercício físico, têm mais problemas na adesão aos tratamentos de doenças crônicas, como a diabetes. Além disso, há uma elevada incidência de depressão aliada a doenças do foro médico, chegando a duplicar. E, estando muito ligada a quebras de produtividade tem um impacto brutal na economia.

Vamos então mergulhar na neurodinâmica da depressão? O que é que já se sabe sobre o estado de funcionamento do cérebro deprimido?


Neurodinâmica da depressão

Em termos cerebrais, a depressão é um trabalho em equipa de 3 grandes módulos:
• Os elementos superiores: hemisférios esquerdo e direito, e o córtex
• Os elementos de base: o hipocampo e a amígdala
• O intermediário: córtex cingulado anterior (CCA)


Módulo superior:

O hemisfério esquerdo gosta do que é positivo, é mais analítico, dado a procurar a ação e sabe falar, porque é uma sede importante da linguagem. Já o hemisfério direito tem uma queda natural para o que é negativo, apreende a realidade de uma forma mais global, e está muito envolvido nos comportamentos de evitamento.

Num episódio depressivo, os dois hemisférios ficam em desequilíbrio: o lado direito fica mais ativo e o esquerdo retrai-se.

Desta forma, as pessoas evitam o contacto social (talvez mesmo por também terem dificuldades em explicar o que se passa com elas, porque a área da fala fica com menor capacidade) e evitam atividades que até teriam o potencial de as fazer gradualmente sentirem-se melhores. E ficam dominadas pelo negativo, sem grande capacidade para absorver o positivo, pela menor atividade do hemisfério esquerdo.


Módulo de base:

O hipocampo e a amígdala, duas pequeninas estruturas cerebrais, trabalham em conjunto. O hipocampo ajuda a criar novas memórias a partir da experiência, ajuda-nos a encontrar novos caminhos para o nosso destino, e dá-nos a localização espácio-temporal. A amígdala é o nosso botão de pânico cerebral, capaz de disparar os alarmes em fracções de segundo, e é também a responsável por gravarmos aquelas primeiras impressões sobre os outros que são tão importantes para nos orientarmos socialmente, sabermos o que sentimos por eles, o que eles sentem por nós e, mesmo, descodificarmos as suas intenções em relação a nós.

Quer o hipocampo, quer a amígdala diminuem de tamanho quando sujeitos a stress crônico, sempre presente numa depressão, o que debilita a sua atuação (não se preocupe! Esse processo é revertido quando as situações de stress são levantadas). O hipocampo chega a ter uma redução de 10% a 20% de tamanho em pessoas que estejam cronicamente deprimidas.

Quando estamos deprimidos, o hipocampo torna-se menos ativo, prendendo-nos na incapacidade de sairmos de um modo letárgico. Já a amígdala fica mais ativa, o que faz com que o medo e a ansiedade se tornem presentes em maiores doses, com a amígdala a enviar um fluxo contínuo de mensagens emocionais negativas para os elementos superiores, dizendo ao córtex que se devia preocupar


O intermediário:

Como um gestor intermédio, o CCA recebe e gere informações “de cima e de baixo”. Num episódio depressivo não tem mãos a medir, tentando criar algum equilíbrio interno, mas sem grande sucesso. Uma das coisas que faz habitualmente é monitorizar o nosso funcionamento, procurando erros e activando-se quando encontra um. Quando se instala uma depressão, as memórias que nos surgem são apenas as negativas, porque a memória é um processo dependente do estado emocional – se estamos contentes, lembramo-nos de coisas boas, mas, se estamos tristes só nos conseguimos lembrar do que foi também triste. Por isso, o ACC encontra uma imensidade de coisas que correram mal e fica hiper-activado.

Além disso, como também tem um papel importante a selecionar e a codificar as experiências que passam ou não para a memória de longo prazo, quando fica muito activado, e os seus parceiros de baixo estão de mãos cheias com o stress e literalmente a encolherem, torna-se-lhe mais difícil prestar atenção ao que de novo se passa na vida, ficando a braços apenas com as memórias difíceis, mesmo que na realidade (lá fora) se estejam a passar coisas boas. Ficamos com tudo o que foi amargo e surdos ao que é bom.


E agora?

Bem, em psicoterapia, com ajuda das intervenções eficazes – e há várias abordagens demonstradas como muito eficazes em depressão – são criadas as condições, com técnicas criteriosamente escolhidas, para quebrar o ciclo vicioso de negativismo e inacção que mantém o cérebro neste modo e que, de outra forma, nos prenderia numa espiral descendente de negativismo. Algumas situações requerem intervenção psicofarmacológica, de acordo com critérios que começam a estar objectivados, pelo que já é possível o seu profissional de saúde dizer-lhe com alguma certeza se deve “tomar comprimidos” ou não, em conjunto com a intervenção psicoterapêutica.

O que é fundamental reter: a depressão é muito comum e é uma doença séria que exige tratamento, tão rápido quanto possível. O tratamento é eficaz e existem diversas intervenções capazes de conseguirem resultados e fazê-lo sair de um estado que degrada a qualidade total de vida. Se tiver critérios clínicos de depressão – pode fazer o módulo de Vulnerabilidades do Snapshot, para ficar com uma boa ideia quanto à presença de depressão ou alguma outra condição comum em saúde mental – ou conhecer alguém em quem reconheça sintomas – pode ler sobre depressão na nossa página sobre depressão – recorra a um profissional de saúde mental.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

CIÊNCIA EXPLICA O PORQUÊ DE ACREDITAR EM SIMPATIAS

As simpatias fazem parte da vida da maioria dos brasileiros. Vestir-se de branco na noite de Réveillon, colocar um vaso de sete ervas em casa, tomar banho de sal grosso e amarrar fitinhas no braço são alguns dos exemplos mais conhecidos.

O brasileiro André Souza, pós-doutorando em psicologia na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, sempre achou curiosas as receitas de sua mãe para diversas situações cotidianas – se quisesse passar em uma prova, por exemplo, ele deveria dormir com o livro aberto e vestir uma camisa azul no dia do exame. Por isso, as mandingas viraram seu objeto de estudo acadêmico.

Souza e a psicóloga americana Christine Legare iniciaram uma série de pesquisas sobre rituais, especialmente simpatias. Com experimentos feitos no Brasil e nos Estados Unidos, a dupla mostrou que os processos cognitivos envolvidos na realização de um ritual são os mesmos presentes em diversas ações cotidianas – como apertar o botão do elevador mais vezes quando se está com pressa.

A relação entre as duas ações está na intuição: em ambos os casos, a pessoa não sabe exatamente como aquele processo (seja dar três pulinhos ou apertar o botão mais quatro vezes) vai fazer com que ela atinja seu objetivo, mas intui que alguns fatores, como a repetição, podem ser responsáveis pelo sucesso da ação.

PASSO A PASSO – O primeiro estudo, publicado em abril de 2012 no periódico Cognition, buscou os fatores que fazem com que uma pessoa considere uma simpatia eficaz. O primeiro passo foi inventar mandingas - algumas delas, propositalmente parecidas. "Uma simpatia repetia o mesmo procedimento sete vezes, a outra só uma vez, e o resto era igual. A gente queria ver, dessas duas, qual as pessoas veriam como mais eficaz", explicou Souza, em entrevista ao site de VEJA, durante uma passagem pelo Brasil.

Ao todo, 162 brasileiros foram entrevistados para este estudo, em postos de saúde em Belo Horizonte. Cada participante ouvia algumas das simpatias e respondia, em uma escala de 0 a 10, o quanto acreditava que ela poderia funcionar. Os pesquisadores notaram que a frequência, a repetição e o nível de detalhamento dos procedimentos eram os principais fatores que faziam uma simpatia parecer confiável. "Se eu digo ‘uma simpatia boa para crescer cabelo é tomar um suco de laranja’, ou digo ‘pegue o suco, sopre três vezes, rode e então beba’, a segunda vai ser considerada mais eficaz, porque tem mais detalhes", explica Souza.

Segundo o autor, isso acontece porque quando nosso sistema cognitivo se depara com uma ação e um resultado que não sabe explicar, é mais fácil se convencer de que deve haver uma explicação quando vários procedimentos levam ao resultado, mesmo que você não saiba dizer como isso aconteceu. "O que difere uma ação ritualística das demais é não saber a relação de causa e efeito. Mas você compensa a falta de entendimento com processos intuitivos, como repetição e detalhamento", afirma Souza.

Esse tipo de intuição funciona para outras situações, além das simpatias. "A gente não tem uma cognição diferente pra avaliar rituais. Usamos os mesmos processos cognitivos, e é por isso que os rituais, apesar de terem diferenças superficiais, em termos cognitivos, são parecidos em qualquer lugar", diz.

Para garantir que os resultados não eram exclusivos dos brasileiros, acostumados com a tradição de simpatias, os autores repetiram o teste com 68 americanos. Entre eles, a quantidade de pessoas que acreditavam nesses rituais foi menor, mas os resultados se mantiveram iguais, ou seja, os mesmos fatores que fazem a simpatia parecer eficaz foram apontados pelos americanos, apesar de não haver equivalência às simpatias brasileiras nos Estados Unidos.

O fato de uma pessoa acreditar ou não na eficácia das simpatias também não alterou os resultados. Mesmo entre os participantes que se declararam céticos, a descrença era maior diante das simpatias com poucos detalhes e menos repetição.

FALTA DE CONTROLE– Em um segundo estudo, a ideia era mostrar como a falta de sensação de controle faz com que as pessoas acreditem mais nas simpatias. Segundo Souza, o sistema cognitivo tenta compensar a ausência, mesmo quando o contexto não envolve a crença em um ritual. "Se eu pergunto a você por que o Brasil está nessa situação econômica, você vai criar uma explicação, mesmo que não entenda nada de economia, porque o sistema cognitivo se sente mais à vontade quando sabe por que as coisas acontecem", explica.

Para demonstrar isso, os pesquisadores fizeram quarenta brasileiros e 92 americanos formarem frases com palavras pré-determinadas. Eles foram divididos em três grupos: no primeiro, havia palavras com significados que remetiam à sensação de aleatoriedade, como "caótico", "desordem", "imprevisivelmente" e "acaso". No segundo grupo, havia palavras de sentido negativo, como "medo", "machucado" e "idiota", enquanto no terceiro, apenas palavras consideradas neutras.

Depois disso, cada um recebeu algumas simpatias para avaliar. A ideia é que, entrando em contato com termos que remetem à falta de controle, o sistema cognitivo seria afetado por essa sensação, de forma inconsciente. De fato, os resultados mostraram que as pessoas desse grupo avaliaram as simpatias como sendo mais eficazes, enquanto o resultado dos grupos neutro e negativo foram iguais. Em outras palavras, quando estamos diante de uma situação que sentimos incapazes de controlar, temos uma tendência de acreditar em rituais, para compensar essa falta de controle cognitivo.

Segundo Souza, a principal contribuição dos estudos é mostrar que o processo cognitivo usado em rituais é algo geral da natureza humana. "O que leva uma pessoa no Brasil a fazer uma simpatia e uma nos Estados Unidos e não fazer é um processo cultural. Mas a partir do momento em que alguém faz uma simpatia ou outro ritual, o que a leva a acreditar naquilo ou não é universal", afirma. O segundo estudo foi publicado em agosto da revista Cognitive Science, e será apresentado em fevereiro do próximo ano, durante a 15.ª reunião anual da Sociedade de Personalidade e Psicologia Social, em Austin, nos Estados Unidos.


Fonte: Veja

quarta-feira, 28 de maio de 2014

ESTUDO AFIRMA QUE SEXTO SENTIDO NÃO EXISTE

O sexto sentido costuma ser associado a uma característica feminina. Cientificamente, porém, ele não existe. Um estudo da Universidade de Melbourne, na Austrália, publicado no periódico Plos One nesta terça-feira, mostrou que as pessoas captam as mudanças ao redor, mesmo sem saber defini-las, por meio de sentidos como visão ou audição, e não de uma habilidade extrassensorial.

Para provar que o sexto sentido é apenas o processamento de dados que não conseguimos verbalizar, o psicólogo Piers Howe, autor do estudo, mostrou pares de fotografias da mesma mulher a 48 pessoas. Em alguns casos, uma das imagens era ligeiramente diferente da outra: a mulher poderia estar com o cabelo mais curto ou usando óculos. As fotos eram visualizadas durante 1,5 segundo, com intervalo de 1 segundo. Após a última fotografia, as pessoas precisavam dizer se haviam visto alguma coisa diferente e, se sim, escolher qual foi a alteração em uma lista de nove possibilidades.

Os resultados mostraram que os participantes eram capazes de identificar se alguma mudança foi feita, mesmo que não conseguissem apontar qual foi ela. E, para isso, não precisavam de um sexto sentido – apenas confiaram nos cinco tradicionais.

ADEUS À PERCEPÇÃO EXTRASSENSORIAL – O pesquisador começou seu experimento depois que uma de suas alunas disse ter sexto sentido. Para provar que ela não tinha percepção extrassensorial e estava apenas processando inconscientemente sinais que mostravam se algo ruim iria acontecer a outras pessoas, ele passou um ano desenvolvendo a pesquisa. 

"Recebemos muitas informações que não conseguimos ou não podemos verbalizar. Isso acontece, por exemplo, quando algo desaparece. Se meus filhos estão sendo muito barulhentos na sala ao lado e, de repente, eles ficam quietos, não percebo que o que me causou surpresa foi a falta de barulho. Inconscientemente, recebo o alerta, vou à sala e descubro que eles estão quietos porque estão fazendo algo errado. Isso não é sexto sentido", explicou Howe, em entrevista ao jornal The Guardian.


Fonte: Veja

terça-feira, 27 de maio de 2014

É POSSÍVEL CRIAR MEMÓRIAS DE ABUSO SEXUAL?

"Quando tinha 7 anos, Woody Allen me pegou pela mão e me levou a um pequeno espaço mal iluminado do segundo andar de nossa casa. Ele disse para que eu deitasse com a barriga para baixo e brincasse com um trem elétrico do meu irmão. Então ele me agrediu sexualmente", afirma Dylan Farrow, filha adotiva do diretor e da atriz Mia Farrow, em um texto publicado no início de fevereiro no site do jornal The New York Times. Foi uma das primeiras vezes em que Dylan, hoje aos 28 anos, falou publicamente sobre o episódio ocorrido em 1992. Na época, a acusação foi investigada pela polícia com a ajuda de especialistas do Hospital Yale-New Haven, da Universidade Yale, nos Estados Unidos, que não comprovaram o abuso. No último dia 7, no mesmo jornal, Woody Allen negou o crime e acusou Mia de manipular as lembranças da filha.

Mais de duas décadas depois, o caso ainda divide a opinião pública. Seria possível que as memórias de Dylan fossem falsas? O tema é largamente discutido na psicologia jurídica. Desde os anos 1980, juristas e psicólogos perceberam que um dos recursos usados em litígios conjugais é a implantação de memórias falsas de abuso sexual nos filhos. No Brasil, estimativas de psicólogos ligados a varas de família indicam que até metade dessas acusações feitas durante divórcios conflituosos não são verdadeiras.

"Isso acontece quando um dos cônjuges tenta denegrir a imagem do outro. Trata-se do ataque mais perverso que pode ocorrer”, afirma o psicólogo Jorge Trindade, presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia Jurídica. “Para quem acredita ter sofrido uma violência, verdadeira ou não, o impacto emocional é o mesmo: terrível."

MECÂNICA DA RECORDAÇÃO — Desde o início do século XX, estudos como o do psicólogo francês Alfred Binet, considerado pioneiro em testes de inteligência, indicam que a memória é formada por distorções. Nos últimos trinta anos, pesquisas comprovaram que grande parte das nossas lembranças é forjada. Recordações, reais e falsas, e esquecimentos são os elementos que, combinados, formam a memória. Esse é o funcionamento padrão das lembranças, em um cérebro normal. Ele faz de nossas recordações algo flexível e maleável para que o ser humano aprenda coisas novas, raciocine, tenha criatividade para enfrentar as situações do presente e inteligência para compreender o passado. Combinamos eventos, fatos, sons, imagens, nossos ou alheios, o que nos possibilita viver o dia a dia. É o que acontece quando preenchemos mentalmente uma frase com palavras que nosso interlocutor deixou de dizer. No futuro, provavelmente, a lembrança será da sentença inteira, uma falsa recordação que auxilia a conectar episódios vividos. Tempo e influências externas tingem a memória, tornando-as adequadas ao momento vivido. 

Menores de 6 anos são mais suscetíveis a criar falsas lembranças, porque, nessa idade, eles ainda não distinguem fantasia e realidade. Mentiras de abuso sexual normalmente são sugeridas por algum adulto que tenha proximidade afetiva e seja percebido como autoridade. Nesse papel entram pais, professores, amigos mais velhos, conselheiros tutelares ou profissionais de saúde. Na maioria das vezes a sugestão é intencional, mas também pode ser feita sem dolo. É o caso da formulação de questões que mais afirmam do que interrogam, e que têm influência na formação das reminiscências. "A forma como uma pergunta é feita vai influenciar a resposta e pode, inclusive, contaminar a memória", afirma a psicóloga Lilian Stein, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). "Com o tempo, nos lembramos, de fato, de coisas que não aconteceram."

COMO CONFIRMAR O ABUSO — Denúncias de violência sexual infantil são difíceis de comprovar. A maior parte dos casos acontece sem testemunhas, são cometidas por pessoas próximas à criança e não deixam marcas físicas — o relato da vítima é a única evidência. Como as lembranças são formadas por um sistema dinâmico e suscetível a mudanças, não existe um método confiável para averiguar sua veracidade. O instrumento recomendado são avaliações e entrevistas, feitas por psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras e promotores. Uma criança que é denunciada como vítima de violência sexual tem pelo menos sete encontros com esses profissionais, até chegar ao juiz.

"As perguntas são abertas, para a criança poder falar qualquer coisa ou mesmo não falar. Perguntas do tipo 'sim ou não' ou 'certo/errado' são a última opção", afirma Cátula Pelisoli, pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Adolescência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "Alterações fisiológicas medidas em um detector de mentiras ou em um teste poligráfico não funcionariam nesse caso, porque a pessoa acredita na memória. Exames de neuroimagem também são descartados, pois o cérebro recria os mesmos padrões em casos verdadeiros e falsos."

Em alguns Estados americanos e em países como Dinamarca ou Finlândia, as entrevistas feitas em casos de suspeita de abuso são padronizadas. No Brasil, foi lançado em outubro de 2013 um instrumento que pode ajudar a distinguir memórias, resultado de pesquisas de doze juristas, psiquiatras e psicólogos do Rio Grande do Sul. O método, um questionário chamado Escala de Alienação Parental, busca identificar o processo de induzir uma criança ou adolescente a detestar o pai ou a mãe. "Esses instrumentos apresentam um grau interessante de confiabilidade, mas ainda precisam ser mais estudados em casos de abuso sexual", diz Cátula.

De acordo com um estudo feito pelo psicólogo Antonio Serafim, do Núcleo Forense do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, os principais sinais de abuso são depressão, ansiedade e fobias. Meninas podem ter alterações no sono e na alimentação, além de apresentar erotização do comportamento, enquanto garotos mostram-se isolados, agressivos e com distúrbios de conduta. "Crianças com suspeita de abuso normalmente sinalizam dificuldade em lidar com as figuras abusadoras e demonstram insegurança", afirma Serafim.

Até Freud, o pai da psicanálise, confundiu-se acerca da memória de relatos de abuso sexual. No início de seus estudos, em 1890, ele formulou a hipótese de que suas pacientes histéricas teriam sido vítimas do crime. Essa ideia simplesmente desaparece em seus escritos após 1897, substituída pela fantasia incestuosa — em vez de sofrer abuso, as pacientes teriam apenas ilusões dessa violência. Pouco tempo depois, os pesquisadores perceberiam que não há meios de diferenciar, no cérebro, lembranças falsas das reais.

FALSAS REMINISCÊNCIAS EM ADULTOS - Embora crianças pequenas sejam mais suscetíveis à criação de memórias, o processo também acontece com adultos — e com alta frequência. Em 2005, um estudo da pesquisadora Lilian Stein descreveu a implantação de memórias em adultos. Sua equipe apresentou a cerca de 500 participantes uma lista de palavras que deveriam ser recordadas minutos depois. Em seguida, pediu para que os termos fossem marcados em folhas de papel. Nessa última etapa, os participantes selecionaram palavras que jamais apareceram nas primeiras listas, como aquelas semanticamente próximas ao assunto ou que resumiam o tema. Tratava-se de falsas memórias.

Momentos importantes da vida, como o nascimento de um filho ou a morte dos pais, podem ser invadidos por lembranças não verdadeiras tanto quando eventos banais. Em 1995, um das principais estudiosas do assunto no mundo, a psicóloga Elizabeth Loftus, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, verificou em um experimento que recordações emocionalmente fortes também podem ser implantadas. Para isso, ela recrutou 24 pessoas e, com a ajuda das famílias, apresentou a elas três eventos que teriam acontecido na infância. Dois deles eram reais, mas o terceiro, um episódio dramático em que a criança ficava perdida em um shopping, foi inventado pela pesquisadora. Após o relato, um quarto dos participantes afirmou lembrar-se do fato. "Na vida real, muitas pessoas são induzidas a lembrar-se de eventos múltiplos e impossíveis", afirma Elizabeth.

O QUE DIZ A NEUROCIÊNCIA — Nos estudos atuais de neurociência e neurobiologia, falsas lembranças são um tema central. Há décadas os pesquisadores perceberam que reminiscências estão distantes de ser como uma máquina fotográfica ou filmadora que registra os acontecimentos e os arquiva. "Memória não é uma gravação, mas sim a representação mental de um evento que ocorreu. E, como representação, não há diferença entre o que aconteceu e o que alguém acredita que aconteceu", afirma o neurocientista Martin Cammarota, pesquisador do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Como parte dessa representação psíquica, há dados objetivos que podem ser verificados — como em uma foto. Já informações sutis passam despercebidas pelos sentidos. Aí entram as falsas lembranças, para completar os "brancos" do cérebro. Esse é o processo de armazenamento de qualquer uma de nossas memórias, seja ao completar uma palavra que o interlocutor deixou de dizer em um diálogo que aconteceu há poucos segundos, seja para reconstruir um evento de anos atrás.


Os estados emocional e físico também são essenciais na formação de lembranças. Estar ansioso, triste, alegre ou apressado pode manipular mesmo dados objetivos. "Quando falamos de falsas memórias, parece que elas são feitas de propósito. Mas elas fazem parte processo de recordar. Ser incorreta não quer dizer que não seja verdadeira", afirma Cammarota.

Como um processo composto de vários elementos, as lembranças não existem isoladamente. Dados do passado se misturam no momento em que uma memória está sendo formada. Essas lembranças são aquelas que ajudam a compreender o presente e projetar o futuro. No hipocampo, área do cérebro responsável pela memória, as reminiscências são reconstruídas, editadas e renovadas. E, a cada vez que evocadas, elas se modificam — novos elementos são perdidos ou incorporados.

"Recordações dependem do que esperamos delas. Ao contrário de uma foto ou de um documento com começo e fim, trata-se de sistemas dinâmicos, com um conteúdo que se modifica ao longo do tempo", diz o neurocientista. "Memórias não são estáticas no tempo nem no cérebro." Assim, longe de parecer um computador repleto de arquivos que poderiam ser acessados e abertos a qualquer momento, a memória é mais semelhante a um baralho. Ao escolhermos um naipe, várias outras cartas saem ao mesmo tempo. Em diversos estudos detalhando imagens de observações por ressonância feitos nos últimos anos, cientistas perceberam que lembranças vívidas produzem ampla ativação no cérebro, envolvendo áreas sensoriais, emocionais e executivas.

Em um artigo publicado em 2013 na revista The New York Review of Books, o neurologista britânico Oliver Sacks, professor da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, elencou uma série de pesquisas que comprovam o quanto os seres humanos precisam desconfiar de suas memórias. Entre elas, as de violência sexual. "Não existe um modo pelo qual os acontecimentos do mundo possam ser transmitidos ou gravados diretamente em nossa mente; eles são experimentados e construídos de modo altamente subjetivo, que é diferente em cada indivíduo e reinterpretado ou revivido diferentemente a cada vez que são recordados", diz Sacks. "Com frequência nossa única verdade é a verdade narrativa, as histórias que contamos uns aos outros e a nós mesmos — histórias que reclassificamos e refinamos sem cessar."



Fonte: Veja

quarta-feira, 7 de maio de 2014

SITUAÇÕES ESTRANHAS ESTIMULAM O CÉREBRO


Além de oscilações entre momentos ruins e surpresas agradáveis, oportunidades e ofensas, a vida também apresenta contradições

A nota de três dólares; a freira com barba; o verso, retirado do poema de Lewis Carroll, que "roldavam e relviam nos gramilvos".

Resumindo, uma experiência que viola toda lógica e expectativa. O filósofo Soren Kierkegaard escreveu que tais anormalidades produziam uma profunda "sensação de estranheza", e ele não foi o único a levar essas anormalidades a sério. Freud, em um ensaio chamado "O Estranho", demonstrou a sensação do medo de morte, de castração ou de "algo que deveria ter ficado escondido, mas que veio à tona"

Na melhor das hipóteses, o sentimento é confuso. Na pior, é assustador.

Um estudo atual sugere que, contraditoriamente, esta mesma sensação pode levar o cérebro a perceber padrões não perceptíveis em outra ocasião --nas equações matemáticas, na linguagem, no mundo de forma geral.

"Queremos tanto nos livrar daquele sentimento que procuramos por significado e coerência em todo lugar", disse Travis Proulx, aluno de pós-doutorado da Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara, e principal autor do artigo, publicado na atual edição do periódico Psychological Science. "Conduzimos o sentimento para outro projeto, e isso parece melhorar alguns tipos de aprendizado".

Há muito tempo, os pesquisadores sabem que as pessoas se prendem ainda mais a suas crenças pessoais quando o sentimento está ameaçado. Ao lembrarem que a morte é inevitável, tornam-se mais patrióticas, mais religiosas e menos tolerantes a estranhos, segundo as pesquisas. Quando ofendidas, manifestam mais lealdade a amigos - e quando ficam sabendo que não se deram bem em um teste de perguntas e respostas, identificam-se mais com os times vencedores do colégio.

Em uma série de novos artigos, Proulx e Steven J. Heine, professor de psicologia na Universidade da Columbia Britânica, argumentam que essas descobertas são variações do mesmo processo: manter o significado, ou a coerência. O cérebrodesenvolveu-se para fazer previsões, e isso ocorre ao identificar padrões.

Quando esses padrões se rompem - a exemplo de quando um mochileiro se depara com uma cadeira no interior da floresta, como se tivesse caído do céu - o cérebro procura algo, qualquer coisa que faça sentido. Pode recorrer a um ritual familiar, como checar um equipamento. Porém, segundo os pesquisadores, isso também pode voltar a sua atenção para o meio externo, e notar um padrão de rastros de animais que estava oculto. O desejo de encontrar um padrão coerente torna mais provável que o cérebro descobrirá um.

"Mais pesquisas precisam ser desenvolvidas sobre essa teoria, "disse Michael Inzlicht, professor assistente de psicologia da Universidade de Toronto, porque deve ser o nervosismo, e não uma busca por significado, que leva a um estado de alerta. Ele acrescentou que a nova teoria foi "plausível, e certamente afirma meu próprio sistema de significado; acho que eles estão chegando lá". No artigo mais recente, publicado no mês passado, Proulx e Heine relataram que 20 alunos da faculdade leram um conto sem sentido, baseado no livro "Um Médico Rural", de Franz Kafka. O médico do título teve que fazer uma consulta domiciliar em um garoto com uma terrível dor de dente. Ele faz a viagem e descobre que o garoto não tem dentes. Os cavalos da sua carroça começam a se comportar mal; a família do garoto fica irritada; então, o médio descobre que o garoto tem dentes. E assim por diante. A história é rápida, vívida e sem o sentido- Kafkaesco.

Após a história, os alunos estudaram uma série de 45 sequências de seis a nove letras, como "X, M, X, R, T, V." Depois, fizeram uma prova sobre a sequência das letras, escolhendo, em uma lista de 60 sequências, aquelas que achavam ter visto antes. De fato, as letras estavam relacionadas, sutilmente, com algumas aparecendo mais frequentemente antes ou depois de outras.

O teste é uma medida padrão que os pesquisadores chamam de aprendizagem implícita: conhecimento obtido sem consciência. Os alunos não faziam idéia de quais padrões o cérebro deles estava percebendo ou quão bem eles estavam indo no teste.

Todavia, eles se saíram muito bem. Eles escolheram cerca de 30 % mais sequências e acertaram o dobro das suas escolhas, comparado a um grupo comparativo de 20 estudantes que havia lido um conto diferente, e coerente.

"O fato do grupo que leu o conto sem sentido ter intuído mais sequências de letras sugere que eles estavam mais motivados a procurar os padrões do que os outros alunos", disse Heine. "E, acreditamos que, o fato de terem se saído melhor nos testes significa que eles estão formando novos padrões, os quais que não seriam capazes de formar em outra situação."

Estudos de imagem cerebral para avaliar anormalidades, ou problemas preocupantes, mostram que a atividade em uma área do cérebro, chamada córtex cingulado anterior, aumenta significantemente. Quanto mais ativação é registrada, maior a motivação ou habilidade de buscar e corrigir erros do mundo real, sugere um estudo recente. "A idéia de que somos capazes de aumentar aquela motivação," disse Inzlicht, co-autor, "vale muito a pena investigar."

Os pesquisadores que estão familiarizados com o novo trabalho dizem que é cedo para incorporar trechos de filmes de David Lynch, por exemplo, ou composições de John Cage na grade curricular. Primeiramente, porque ninguém sabe se a exposição a estranheza pode ajudar as pessoas ao aprendizado explícito, como memorizar o francês. Além do mais, estudos descobriram que as pessoas, na busca pelo misterioso, tendem a ver padrões onde não existem - tornando-se mais propensas a teorias de conspiração, por exemplo. Parece que o desejo pela ordem satisfaz a si mesma, sem levar em conta a qualidade da evidencia.

Mesmo assim, a nova pesquisa apóia o que muitos artistas experimentais, viajantes habituais e outros em busca de novidade sempre insistiram: pelo menos algumas vezes, a estranheza leva a um pensamento criativo.


Fonte: 
New York Times 
22/10/2009



terça-feira, 6 de maio de 2014

POR QUE SENTIMOS VERGONHA ALHEIA?

Sentir vergonha alheia é uma coisa comum em nosso cotidiano. Ver alguma pessoa em uma situação de constrangimento ou vergonhosa e sentir vergonha como se você estivesse no lugar daquela pessoa é um sentimento comum a todos os seres humanos. Ela é o constrangimento que se sente ao se assistir uma pessoa fazendo papel de ridículo.

Basicamente, sentimos vergonha alheia por que nos colocamos psicologicamente no lugar da pessoa que está passando por tal constrangimento ou agindo de maneira ridícula. Inconscientemente, você pode ser perguntar se você faria aquele ato constrangedor que está sendo feito por terceiro. Conscientemente, você se sente envergonhado por que você não passaria por determinada situação. Isso gera o sentimento de vergonha alheia.

Cientistas estudaram através de ressonância o processo cerebral em uma situação de vergonha alheia. Foram percebidas reações cerebrais em áreas responsáveis por processar a dor. Ou seja, a matriz da dor cerebral. Isso não é o único fator determinante para a existência de tal sentimento.

A co-dependência, ou até mesmo a empatia com a pessoa que está passando pelo ridículo, faz gerar tal sentimento.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

POR QUE PEDIMOS DESCULPAS?

Ao contrário do que se acreditava, o estado de vulnerabilidade experimentado por quem admite um erro pode gerar uma queda na autoestima e diminuir a sensação de felicidade que deveria acompanhar o pedido de desculpas.

De acordo com o estudo publicado na revista "European Journal of Social Psychology" a ideia de que assumir a culpa por um erro faz a pessoa mais feliz é um completo embuste. No geral, essas pessoas sentem-se mais vulneráveis e prefeririam não ter que assumir responsabilidade sobre o ocorrido.

A maioria dos pais não está gostando nada dessa história. Quem tem filhos sabe que um dos argumentos-chave para extrair a verdade de uma criança é assegurar que ela irá sentir-se muito melhor após a ‘confissão’.

Tyler G. Okimoto, um dos responsáveis por esse estudo, acredita que a educação das crianças deve partir de outro princípio, e não da ideia egoísta de que pedir desculpas é melhor para você.

Mesmo que não pedir desculpas faça com que as pessoas se sintam melhores é importante ensinar que o ato de desculpar-se melhora as relações interpessoais e estabelece laços mais resistentes de afetividade entre os envolvidos.


Fonte: Curiosidades

quinta-feira, 1 de maio de 2014

ESTRESSE ALTERA CÉREBRO DAS CRIANÇAS

Um estresse intenso e duradouro pode desferir um golpe terrível em crianças, dizem os pesquisadores que descobriram que uma área do cérebro ligada à memória é reduzida nas crianças que sofrem estresse crônico em comparação com crianças mais tranquilas.

As diferenças no cérebro também deram luz a capacidade cognitiva, e mostraram como essas crianças com  vida  altamente estressantes têm desempenho pior do que outras crianças em testes de memória. As crianças altamente estressadas ??também tiveram mais problemas com testes de memória de curto prazo, incluindo tarefas como encontrar um token em uma série de caixas, disseram os pesquisadores.

"Todas as famílias experimentam algum stress, por isso, é importante notar os efeitos que os diferentes níveis de estresse podem causar nas crianças". O pesquisador Jamie Hanson, estudante de psicologia da Universidade de Wisconsin-Madison, disse a LiveScience, que alguns exemplos extremos podem incluir membros da família que sejam vítimas de crimes violentos ou doenças crônicas como a causa de estresse em crianças.

A pesquisa, detalhada na edição de 06 de junho do Journal of Neuroscience, acrescenta outra evidência dos impactos do estresse mostrando que as crianças expostas a várias instâncias de violência tem um aumento rápido do nível celular. Outro estudo mostra que o estresse infantil pode evoluir e durar anos na vida de uma pessoa.

Avaliando o estresse

A equipe foi inspirada por um trabalho com animais que encontrou uma ligação entre estresse e alterações cerebrais, particularmente no córtex pré-frontal, que está relacionado com a memória.

Assim, com financiamento  do National Institutes of Health, os pesquisadores realizaram entrevistas com 61 crianças com idades de 9 a 14 anos, perguntando sobre eventos estressantes ao longo de suas vidas.

Eles também usaram a ressonância magnética (MRI) para fazer a varredura do cérebro de cada participante, com o objetivo de encontrar o cingulado anterior, que reside no córtex pré-frontal, e analisar a região cerebral de crianças altamente estressadas. O córtex cingulado anterior tem um papel importante nas tarefas emocionais e cognitivas, incluindo a chamada memória espacial, onde a informação espacial pode ser processada e acessada rapidamente.

"Estas são diferenças sutis, mas existem diferenças ligadas a importantes habilidades cognitivas", disse Hanson.

Os pesquisadores também observaram diferenças nas quantidades de massa cinzenta e massa branca do cérebro, sendo que os dois tipos de tecido apresentaram volumes menores no grupo estressado em comparação com o não tão estressado. (Lembrando que a massa branca do cérebro compreende os longos apêndices por onde os neurônios transmitem sinais elétricos usados ??pelas células para se comunicar; e a massa cinzenta é formada pelos corpos celulares que usam essencialmente a informação compartilhada pela massa branca para "fazer a matemática.")


Cicatrizes permanentes?

Hanson e seus colegas não têm certeza do mecanismo por trás das ligações entre o estresse e as alterações cerebrais, embora tenham algumas idéias.

"A exposição a níveis muito elevados de estresse pode mudar substâncias químicas importantes no cérebro e no corpo", disse Hanson, observando duas substâncias químicas de particular interesse, o cortisol e a dopamina. O hormônio cortisol tende a aumentar com o estresse e pode afetar as células do cérebro, disse Hanson.


Há também a chance do desenvolvimento do cérebro ser temporariamente atrofiado.
"Nós não estamos tentando argumentar que o estresse causa cicatrizes permanentes ao cérebro. Não sabemos como é que o estresse afeta o cérebro", disse Hanson. "Temos apenas uma ideia a partir do que vimos em ressonâncias magnéticas, e, neste ponto, não entendemos se isto é apenas um atraso no desenvolvimento ou uma alteração duradoura. Pode ser que, porque o cérebro é muito plástico, muito capaz de mudar, as crianças que tenham sofrido de estresse possam recuperar essas áreas do cérebro com o passar do tempo."


Fonte: CuriosidadesCientíficas

quarta-feira, 9 de abril de 2014

DEU A LOUCA NOS NEURÔNIOS

Você já sentiu vontade de dizer palavrões no meio da sala de aula ou no escritório? Provavelmente, você segurou o impulso e ficou calado, para não acabar sendo expulso ou despedido do emprego. Sorte sua. Porque pessoas diagnosticadas com síndrome de Tourette – um distúrbio neurológico que se manifesta por tiques vocais e motores involuntários – não têm o mesmo autocontrole. Na hora que a vontade de falar palavrões aparece, não há quase nada que elas possam fazer para impedir.

Nas enciclopédias de medicina, a síndrome de Tourette é apenas uma das doenças neurológicas que apresentam sintomas esquisitos. Um rapaz com a síndrome de Klüver-Bucy, por exemplo, pode ter ímpetos de fazer sexo com postes ou calçadas. Uma garota com coréia de Sydenham, que provoca espasmos nos braços e nas pernas, pode dar a impressão de estar dançando freneticamente em situações nada apropriadas para coreografias. Quem tem narcolepsia dorme sentado, de uma hora para outra, durante uma reunião importante ou enquanto conversa com um amigo. E quem tem frangofilia pode destruir em pouco tempo móveis, roupas, travesseiros, colchões e qualquer objeto que estiver por perto.

Além dos sintomas, os doentes se vêem obrigados a lutar contra o estigma social de que são vítimas. Já pensou no embaraço dessa gente, na maioria das vezes estudantes e profissionais tão competentes quanto colegas saudáveis? É bem possível que você, ao ser pego de surpresa por alguém com algum desses sintomas, tivesse vontade de rir – uma reação bem compreensível. Mas não dá para ser preconceituoso e achar que está lidando com malucos. Nas próximas páginas, você vai conhecer um pouco mais sobre algumas das patologias que apresentam sintomas para lá de esquisitos e fazem pessoas comuns se sentirem estranhas e inadequadas no seu dia-a-dia.



Metralhadora de palavões

Em 1825, a marquesa de Dampierre, uma nobre de 26 anos, impressionava a todos pela inteligência e pela ousadia. Ela costumava rechear seus discursos sobre as artes na França com palavras tão elegantes quanto “merda” e “porco imundo”. “Mudava bruscamente seu comportamento. Latia e dizia obscenidades. Parecia possuída pelo diabo”, escreveu o neurologista francês Gilles de la Tourette em 1883, quando descreveu – e batizou – a síndrome.
A marquesa foi o primeiro caso de síndrome de Tourette descrito pela medicina. Naquela época considerava-se que a coprolalia (o impulso de dizer palavrões) era seu sintoma mais comum. Hoje, já se sabe que ela é rara. “Para um diagnóstico positivo, é preciso que um tique motor acompanhe um tique fônico”, afirma a psiquiatra Roseli Gedanke Shavitt, da Associação Brasileira de Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-Compulsivo.
A síndrome pode ter vários sintomas. Alguns simples – como piscar os olhos, repuxar a cabeça, encolher os ombros e fazer caretas – e outros complexos – pular, tocar coisas e pessoas, cheirar, retorcer-se e pronunciar palavras fora do contexto. Tudo num impulso incontrolável. O distúrbio costuma começar antes dos 10 anos, ocorre mais nos meninos que nas meninas e tende a ficar menos intenso com o tempo. Ainda sem cura, é tratado com medicamentos – nos casos mais graves – e técnicas de psicoterapia e modificação de comportamentos.

Síndrome de bailarino

Em grego, coréia significa dança. Pela tradução, já dá para ter idéia de uma das características da coréia de Sydenham: movimentos involuntários nos braços e nas pernas que lembram coreografias. Um dos principais sintomas da febre reumática, esse distúrbio se desenvolve quando as lesões da doença atingem o sistema nervoso. “Ele dura de algumas semanas até dois anos”, diz o psiquiatra Marcelo Zappitelli, da Escola Paulista de Medicina, que descreveu casos de pacientes com Sydenham em sua tese de mestrado.
Em geral, as vítimas são meninas em idade escolar, como Leilani, uma americana de 7 anos, incapaz de controlar os movimentos do próprio corpo. A menina parecia dançar desajeitadamente em momentos impróprios e escrevia as lições da escola com garranchos incompreensíveis quando a mãe percebeu o problema e ela foi diagnosticada com a coréia. As reações do paciente podem ser tão embaraçosas que a família de Leilani resolveu criar um site para instruir pessoas passando pela mesma situação.
Outros sintomas da coréia são voz baixa, fraqueza muscular e ansiedade ou comportamentos obsessivos-compulsivos. A boa notícia é que o distúrbio se tornou mais raro na era dos antibióticos, que atacam infecções causadas por bactérias, justamente a origem do problema. Em países em desenvolvimento, por exemplo, a incidência da febre reumática é de um caso em mil, sendo que a coréia só aparece em cerca de 30% desses pacientes.

O amor é cego. Os impulsos sexuais também

A história é contada pela jornalista inglesa Rita Carter, em O Livro de Ouro da Mente – O Funcionamento e os Mistérios do Cérebro Humano. Um homem foi preso ao ser flagrado fazendo sexo com a calçada. Antes que fosse internado como pervertido, diagnosticou-se que ele sofria da síndrome de Klüver-Bucy, um distúrbio neurológico com origem na amígdala – não a que inflama quando você tem dor de garganta, mas uma estrutura no cérebro do tamanho de uma noz, que identifica situações de medo e agressividade.
A síndrome provoca comportamentos anti-sociais. A pessoa perde a habilidade de reconhecer objetos, a capacidade de perceber o perigo e a seleção sexual. Assim, não vê problema algum em aliviar seus impulsos carnais junto a um poste na avenida mais movimentada da cidade. Também tende a colocar na boca tudo o que estiver pela frente, desde alimentos até cabelos.
A doença foi descrita pelo alemão Heinrich Klüver e pelo americano Paul Clancy Bucy, em 1939. Os dois médicos estudaram o comportamento de macacos Rhesus sem o tal pedaço do cérebro. No homem, a síndrome pode aparecer depois de traumatismo craniencefálico, encefalite, tumores localizados ou outras lesões adquiridas. O dano à amígdala em geral é irreversível e os sintomas são controlados com medicamentos e técnicas de controle comportamental, explica o neurologista Charles André, professor da UFRJ.

Hora da sesta

De uma hora para outra, em plena reunião com o chefe, o cara pega no sono. Certamente ele seria demitido se ninguém soubesse que tem narcolepsia, um distúrbio que provoca sonolência excessiva em homens e mulheres e surge quase sempre na adolescência. Os cochilos acontecem sem aviso e não é preciso estar sentado ou deitado. Mesmo em pé, o portador de narcolepsia adormece por períodos de 10 a 20 minutos. Nesse caso, ele fica com a musculatura mole e cai. Para quem vê, parece um desmaio.
A narcolepsia costuma atacar em situações bem parecidas com aquelas em que pessoas saudáveis sentem sono: depois do almoço ou durante atividades entediantes. Outro sintoma do distúrbio são as alucinações hipnagógicas, sonhos muito reais que podem ser confundidos com esquizofrenia.
O tratamento para a narcolepsia usa remédios estimulantes, para manter o doente acordado, ou hipnóticos, para melhorar o sono à noite. Os antidepressivos evitam a cataplexia, aquela moleza nos músculos que termina em queda. Segundo o médico José Roberto Santiago Barreto, do Laboratório de Sono do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o distúrbio afeta 0,78% da população. Uma taxa baixa, comparada a outras doenças do sono, como a insônia (45%) e a sonolência (15% a 30%). As causas da narcolepsia ainda são desconhecidas, mas o diagnóstico é possível com um exame chamado Teste de Múltiplas Latências do Sono.

Instinto de destruição

Tire tudo de perto. Uma pessoa com impulso de frangofilia é capaz de pôr toda a casa abaixo. Ela dirige sua raiva contra roupas, toalhas, travesseiros, colchões, móveis e objetos de decoração. A quebradeira tem diversas explicações psiquiátricas. Algumas vezes é uma expressão de hostilidade ativa e incontida ao mundo material (no caso de pacientes com transtorno afetivo bipolar, agitação catatônica, estados demenciais senis e pré-senis e oligofrenia – escassez de desenvolvimento mental).
Em outros casos – personalidades desajustadas, imaturas, explosivas e paranóides – a explicação aparece no que os médicos chamam de deslocamento afetivo. O indivíduo fica nutrindo sentimentos de humilhação e vingança e, instantes depois, tem explosões incontroláveis. Como não pode, ou não quer, atingir diretamente a pessoa que o humilhou, por covardia moral ou desvantagem física, ele descarrega a agressividade nos objetos que estiverem à sua volta ou rasgando as roupas que estão no próprio corpo.
A frangofilia não é uma doença, mas um impulso patológico, assim como a piromania (produzir incêndios), dromomania ou poriomania (fuga e correria súbitas e precipitadas), toxicofilia (uso abusivo de drogas), dipsomania (uso abusivo de bebidas, alcoólicas ou não) e cleptomania (furtos). Todos eles se caracterizam por um estalo súbito, explosivo, instantâneo, fulminante. E capaz de deixar qualquer um morrendo de vergonha quando o impulso passa.



Fonte: SuperInteressante

quinta-feira, 27 de março de 2014

PAIXÃO É PRODUZIDA PELO CÉREBRO

Por Marta Relvas

"A paixão é produzida em uma área do cérebro denominada sistema límbico de recompensa"

Quem nunca sentiu paixão por alguém, pelo trabalho, ou por alguma atividade que esteja realizando? Dizem que para se fazer algo e para fazer bem há necessidade de se colocar umas "pitadas" de emoção e paixão.

A paixão ganha uma expressão simbólica representada pelo coração e é ledo engano pensar que é esse órgão que se apaixona. Na verdade, é o cérebro que promove essa reação emocional. A paixão é quase vista como um processo irracional, pois dizem que a paixão cega... Será?

Quem se apaixona sabe muito bem que tal sentimento provoca "brilho" no olhar. Basta observar um casal de namorados ou uma pessoa que tenha conseguido conquistar um grande sonho que é possível se perceber a plenitude da felicidade.

Essa satisfação é produzida em uma área do cérebro denominada sistema límbico de recompensa. Essa estrutura fica bem "escondidinha" no interior do encéfalo, protegida pelas regiões subcorticais dos núcleos accubens, onde as células neurais especializadas (neurônios) produzem substâncias neuroquímicas - os neurotransmissores do tipo neurotrofinas.

Ainda bem que nosso cérebro produz neurotrofinas para nos apaixonarmos! Pena que tem curta duração: em média dois anos. São elas que, ao serem liberadas do sistema límbico, nos promovem o êxtase nos calorosos encontros quando vemos alguém que gostamos, abraçamos os nossos amados(as) e quando realizamos atividades que nos provocam prazer.

Porém, como ela tem vida curta, deveríamos dar uma ajuda diária aos nossos cérebros para sempre nos apaixonarmos por algo que nos promova automotivação.

Seis dicas para liberar o neurotransmissor da paixão:

1ª) Leitura de um bom livro.

2ª) Estar com pessoas que promovam um "alto astral".

3ª) Busque a automotivação, algo desafiador e prazeroso no seu trabalho; busque a recompensa para se construir propósitos e significados maiores nesse universo. 

4ª) Permita-se apaixonar pelo seu companheiro ou companheira todos os dias: perceba o que tem de melhor nessa relação.

5ª) Escreva cartas de amor e envie para a pessoa amada.

6ª) Surpreenda o outro com palavras e atitudes carinhosas.


Fonte: Vya Estelar

sexta-feira, 14 de março de 2014

HORÓSCOPO PODE INFLUENCIAR NAS DOENÇAS MENTAIS

Horóscopo do dia: pessoas de Touro e de Gêmeos correm mais riscos de ter um certo problema neuronal.

É o que diz o psiquiatra Erick de Messias, cearense e esquisador da Universidade de Maryland, nos EUA. Depois de estudar pacientes de hospitais públicos de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Erick constatou: “Quem nasce 3 meses depois do período de chuvas no Nordeste, que acontece entre fevereiro e março, está mais propenso à esquizofrenia”. Essa foi a primeira pesquisa feita no Brasil sobre a influência do mês de nascimento na saúde. Já no hemisfério norte, onde os estudos a respeito estão concentrados, não faltam evidências de que a coisa funciona.

Pesquisas mostram que os europeus e americanos que nascem no final do inverno de lá, entre fevereiro e abril, têm um risco 5 a 10% maior de desenvolver esquizofrenia, uma doença mental que causa mudanças bruscas de comportamento e afeta a percepção da realidade. Para os que chegam ao mundo um tempinho depois, entre abril e junho, o risco é outro: anorexia. A chance de desenvolver a falta total de apetite é 13% maior nesses casos.

Por que isso acontece? Boa pergunta. “Temos certeza de que o mês de nascimento é importante. Só que ainda não sabemos por quê”, diz o brasileiro. Mas existem teorias, e elas não têm nada a ver com os astros, claro. A mais aceita diz que as gestações que começam no verão do hemisfério norte obrigam as mulheres grávidas a atravessar o rigoroso inverno de lá com o bebê a bordo. Desse jeito o feto fica mais exposto à gripe, o que poderia atrapalhar a formação do cérebro dele. Essa é a tese em que Erick bota fé – e que explicaria o caso nordestino, já que os surtos de gripe por lá estão relacionados à estação das chuvas. 
Novas pesquisas, porém, sugerem outra causa: a falta de sol diminuiria a quantidade de vitamina D no organismo da mãe. A relação entre falta do nutriente e a esquizofrenia já foi observada em ratos, pelo menos.

Para a anorexia, a hipótese é outra: mães anoréxicas engravidariam mais facilmente no verão, e os filhos delas são geneticamente mais propensos a desenvolver o problema. É o que acredita Beth Watkins, especialista em distúrbios alimentares do Hospital Médico St. George, em Londres. Para ela, o inverno demanda uma dieta mais calórica, coisa que uma anoréxica não faz. Então a mulher fica mais fraca, e menos fértil. Já no período de calor ela tem mais chances de engravidar. Os astros não mentem.



Fonte: SuperInteressante

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

CID 11 SERÁ LANÇADO EM 2015 E JÁ CAUSA POLÊMICAS

Por Edson Toledo
 
 
"O ponto polêmico, porém positivo, é que disfunções sexuais deixam de ser consideradas doenças; mas isso terá um impacto negativo nos transexuais, que não teriam como recorrer ao SUS, por exemplo, para fazer cirurgia de mudança de sexo"          
 
 
 Foi durante a segunda metade do século XVIII que a comunidade cientifica demonstrou interesse na obtenção de um instrumento estatístico que sistematizasse as causas de morte, de uso internacional e que possibilitasse comparações.

Assim, fruto de um acordo internacional que aconteceu em 1893, criou-se a Classificação Internacional de Doenças, conhecida pela sigla CID, que tinha o objetivo de classificar as causas de morte na população e a cada década seria revista com a finalidade de incluir novas doenças que iam sendo descritas e que eram causas de morte, fato esse que ocorreu até a sua quinta edição (1938).
 
Somente a partir da sexta edição (1948), que efetivamente passamos a ter uma verdadeira classificação de doenças; já que a CID-6 não incluia apenas aquelas mortes, mas todas as doenças, lesões, sintomas e alguns motivos de consulta que não eram propriamente doenças. Outra mudança apartir dessa edição foi que a Organização Mundial da Saúde passou a ser a responsável pela CID e suas sucessivas revisões.

Lembrando, uma classificação de doenças é uma sistematização das doenças, sintomas, sinais e motivos de consultas que são agrupados segundo características comuns e basicamente serve para finalidade estatística de descrição e análise quanto à distribuição das doenças em uma população definida.

Atualmente estamos na CID-10, como é conhecida na prática, já que a partir dessa revisão ela passou a ser denominada de Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Caso você queira obter mais informações visite o síte da CID-10.

Conforme anunciado recentemente pela mídia, a CID-11 que tem previsão para ser lançada em 2015, já vem provocando polêmica ao propor mudanças em uma das esferas que ainda hoje é considerada como tabu para uma parcela significativa da população: a sexualidade.

Isso porque, na nova proposta, deixaria de ser transtornos as disfunções sexuais (aversão ao sexo e falta de prazer sexual, associados à ideia de frigidez feminina), transtornos do desenvolvimento sexual (problemas psicológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento e à orientação sexual), transtorno de preferência sexual (fetichismo, travestismo fetichista e sadismo não consentido).

Já o transtorno de identidade de gênero, deixaria de ser um transtorno mental e passaria a ser incluido em outro capítulo intitulado de incongruência (ou discordância) de gênero e o transexualismo, ganharia um novo capítulo onde deverá reunir outras "condições relativas à sexualidade".

Para melhor entendermos, o transexualismo é entendido como aquela pessoa que apresenta desconforto persistente com o próprio sexo e com um sentimento de inadequação no papel social desse sexo. Isso causa sofrimento e prejuizo à vida pessoal, social e profissional da mesma.

Atentamos que ao excluir o transexualismo da lista de transtornos, a preocupação se volta aos transexuais, uma vez que eles poderão ter dificuldade de acesso ao tratamento. Assim a questão é complexa, já que no Brasil os transgêneros, seguem um protocolo para mudança de sexo que inclui uma equipe multiprofissional (psiquiatra, psicólogo, cirurgião, endocronologista e assistente social) e todo o protocolo de tratamento é coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Portanto, uma ótima proposta, os transexuais deixarão de ser classificados e estigmatizados como portadores de transtornos mentais, porém se a ordem é despatologizar o sexo, será necessário refletirmos sobre o impacto da mudança de diagnóstico para evitar qualquer eventual prejuízo ao acesso aos serviços de saúde dessa população ou que ocorra mudança de gênero sem diagnóstico de transexualismo, resultando em graves distúrbios psíquicos e mesmo em suícidio.

Como reflexão final vale a frase do diretor de saúde mental da Organização Mundial da Saúde, Geoffrey Reed, em recente visita a São Paulo, "Comportamentos sexuais que são inteiramente privados ou consensuais e que não resultem em danos às outras pessoas não devem ser considerados uma condição de saúde".

No Brasil a discussão e coordenação das pesquisas e análises sobre as novas propostas para a CID estão a cargo da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Como temos visto nesta coluna não temos uma clara definição para transtornos mentais e o mesmo podemos falar quando o assunto é sexualidade, quando esse assunto vem à baila. Mas vamos acreditar que a CID sobreviverá por mais uma década.
 
 
 
 
Fonte: UOL