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terça-feira, 12 de junho de 2012

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MORTE


Por Dann Toledo



Então eu me questionei: 


- Quantas vezes deixamos de falar coisas bonitas às pessoas que amamos, e só nos damos conta disso quando elas morrem?



Quanto tempo perdemos com futilidades quando na verdade poderíamos estar falando e demonstrando o nosso amor por aqueles que estão ao nosso lado. Em um momento estamos juntos, e no outro nem ao menos ligamos para dizer boa noite (pra quem não sabe as operadoras de telefonia têm ótimas promoções que tornam as ligações bem mais baratas). O tempo passa, as prioridades mudam e aquilo que deveria ser verdadeiramente prioritário em nossas vidas, acaba se tornando um mero supérfluo.

O que é fútil se torna importante e o que deveria ter uma importância infinita, se torna irrelevante. E assim, nós só percebemos essa bobagem toda que fizemos, quando já não há mais tempo para revertermos os fatos. Quantos beijos e abraços poderíamos ter dado nas pessoas que amamos, e hoje já não podemos mais fazer isso? Quantas vezes nos despedimos de alguém de uma forma ríspida, sem nos darmos conta que aquela pode ser a última vez que veremos essa pessoa?

A morte nada mais é do que um alívio para tudo isso, e uma forma de nos sentirmos menos culpados. Quem morre se torna bom, quem morre não tem pecado.


Esse perdão póstumo nada mais é do que um perdão a nós mesmos. Um perdão a nossa falta de tempo, um perdão a nossa mudança de prioridades.


Pois nos tornamos moscas egoístas e bêbadas girando em torno dos nossos próprios dejetos egocêntricos, sem nos darmos conta de que o mundo não é só isso. 



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A MORTE DE UM DITADOR

E O NASCIMENTO DE UM DEUS
Por Dann Toledo




Morreu Kim Jong-il o ex-ditador Norte Coreano. Confesso a vocês que não conheço muito sobre o governo dele, assim como o restante do mundo, tendo em vista a política extremamente fechada de seu país.
Corpo de Kim Jong-il.

Assistindo imagens daquele país em momento de luto, algo nos parece estranho, não é mesmo? Mais de uma semana após a morte dele as pessoas ainda se encontravam desesperadamente em prantos.

Crianças, mulheres, velhos, homens, enfim, todos daquele país estão completamente desesperados, vivendo uma espécie de histeria coletiva. Mas, o que faz com que eles ajam assim? A primeira vez que vi imagens dessa Coréia do Norte enlutada, tive (e ainda tenho) um misto de riso e espanto.

Esse comportamento de extrema veneração segundo a psicanálise cumpre certas carências emocionais e psicológicas que geram uma ligação libidinal com a autoridade, que por sua vez estava encarnada no “líder bondoso”. Se analisarmos a cultura e o meio no qual aquela população tem vivido durante todos esses anos, acreditando ser Kim Jong-il quase um semideus, tendo em vista as fantasias que sempre cercaram a sua vida, desde seu misterioso nascimento numa “montanha sagrada”, até o “choro” das divindades com a morte dele, que fez com que a montanha se fendesse e com isso estremecesse o céu e a terra, vemos assim certa lógica no comportamento dos norte-coreanos.

Para nós que estamos de fora, é muito fácil distinguir toda a farsa e fantasia acerca do “amado líder”, porem se tentarmos enxergá-lo com os olhos de seu povo, que sempre o viram envolto em um carisma extraordinário que o tornou um ser especial para seu país, isso se torna bem mais difícil de ser feito. Esse delírio e essa catarse coletiva nos discursos do líder e o pranto desesperado pela sua morte tem se sustentado num vinculo emocional de mesma natureza, que se estabeleceu com a figura de autoridade atingida à ideal do ego.

Essa espécie de projeção paterna, pode nos explicar como Kim Jong-il ao contrario de outros ditadores no mundo todo, sempre foi um “amado líder” para o teu povo. Isso me remete à obra de George Orwell, e a sociedade utópica que Snowball fazia com que os seus liderados acreditassem estar vivendo.

Mesmo olhando todos esses acontecimentos através da ótica da psicologia das massas, não tem como não nos questionarmos se em tudo isso não há certo fingimento, que aquelas lagrimas sofridas não sejam somente uma forma daquelas pessoas esconderem a verdade de si mesmas. Uma verdade tão insuportável, que elas preferem prantear a morte de seu líder na forma de um semideus, do que encará-la e ter que assumir que não passam de um povo sem identidade própria, que suas vidas foram e ainda têm sido baseadas em uma mentira, em um ideal não ideal.