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quinta-feira, 10 de abril de 2014

O NARCISISMO

Por Katree Zuanazzi


O Transtorno de Personalidade Narcisista está categorizado no DSM-IV (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais) entre os dramáticos, imprevisíveis e irregulares. Assinalado por uma forte frieza emocional, o narcisista não empatiza gratuitamente, sempre que estabelecer relação com alguém será em prol de sí mesmo.

Cria um falso eu soberano. Convicto de ser melhor que os outros, mais especial e superior, luta consecutivamente para isso. Por se considerar superdotado, é arrogante e orgulhoso. Em tudo que executa cria uma fantasia de sucesso, de poder, como tentativa de convencer aos outros de que é melhor. Neste ponto, há semelhança com a megalomania.

Tem que ser atendido sempre pelos melhores profissionais. Não tem afeto genuíno pelos filhos, em caso de divórcio pode não fazer questão de ficar com eles ou os ver com frequência, a não ser que pretenda reatar o casamento ou obter vantagens financeiras. Ao se relacionar amorosamente faz declarações públicas de amor exageradas, idealizam o parceiro como se fosse o melhor do mundo. No trabalho é comum tratar os colegas como inferior, a não ser que queira tirar proveito, ai sim pode os bajular. Se adquire algum bem, faz questão de ostentar. Fica frustradíssimo se não glorificam seus méritos, ai sim pode manifestar sofrimento e dramatizar.

É normal menosprezar, desdenhar, criticar, depreciar pessoas que são mais bem sucedidas que ele, como uma tentativa de se sobressair, de tentar convencer a sí mesmo de que não está ‘por baixo’. Se a colega de trabalho foi promovida e ele não, pode alegar que ela esta saindo com o chefe. Se o amigo tem mais poder aquisitivo que ele, pode insinuar que ele está fazendo algo ilegal. Se a amiga é mais bonita, pode dizer que parece um travesti. E assim por diante. Sempre tentando ofuscar a luz alheia para se sentir iluminado. Inveja quem se sobressai e alega que são os outros que o invejam.

Narcisistas são pessoas fissuradas por popularidade, exploradoras, tem poder de persuasão, ludibriam com facilidade, usam os outros e buscam conquistar o que desejam a todo custo. Gostam de ser reconhecidos e admirados. Característica semelhante aos sociopatas.

Pessoas acometidas pelo Transtorno de Personalidade Narcisista só amam a sí mesmas, são incapazes de amar o outro, mas exigem amor. Se acreditam amar alguém é porque este lhe proporciona comodidade, segurança ou alguma outra vantagem. Se considerar que não compensa permanecer em um relacionamento, não hesita em largar o companheiro. Preferem se casar com pessoas submissas, pois assim o relacionamento perdura, talvez a vida toda, independente do que fizer (trair, enganar, maltratar…).

É raro perceber que feriu alguém, mais raro ainda se importar em saber do sofrimento alheio e, às vezes, pode ferir intencionalmente. Se preocupa apenas em amenizar o desprazer que sente e correr atrás do prazer subjetivo, seja ele qual for. Quem mais sofre são os familiares e pessoas que convivem com ele. Dificilmente um Narcisista procura ajuda psicoterápica, pois nunca se consideram doentes. Nos casos em que procura é porque o cônjuge colocou como condição para permanecer junto, ou porque visa obter alguma vantagem externa que não é a cura.

terça-feira, 18 de março de 2014

MULHERES APAIXONADAS E ILUDIDAS

Por Katree Zuanazzi
Muitas mulheres escolhem se enganar para manter um relacionamento inexistente, para sustentar o vínculo com um homem que não corresponde aos sentimentos dela e, na esperança de futuramente ganhar o coração deste e como troféu receberem o status de namorada/noiva/esposa se sujeitam a serem tratadas como objeto.
Palavras românticas têm sido usadas como moeda por homens que desejam a companhia ocasional de uma mulher sem necessariamente manterem um relacionamento sério com esta. Frases bonitas comovem facilmente fazendo com que mulheres permaneçam em relacionamentos desrespeitosos motivadas por uma porcão destas proferidas automaticamente, sem se quer minimamente condizerem ao contexto a que se inserem. Por mais que as palavras produzam um impacto emocional muito grande, são capazes de serem inverdade. Já os atos não, os atos nunca mentem.
O comportamento de um homem sempre vai deixar implícito quais são suas verdadeiras intenções com a mulher. Se ele gosta de uma mulher, a ama, pretende ficar com ela, a considera importante, sempre a colocará como prioridade. Assim como, se não a ama ou não intenciona ficar de verdade com ela, quer só ‘curtir o momento’, a tratará como uma companhia temporária com a qual pode ocupar seu tempo vago ou períodos de carência. Aí, é uma opção desta se submeter ou não a ser o remédio para curar o tédio e a fossa de homem que não está se sentindo feliz, como na música de Peão Carreiro.
Ainda, há casos em que o homem mostra, verbaliza que não pretende ter um relacionamento sério ‘nesse momento’ ou ‘por esse período que esta passando’, enfim, utiliza um pretexto qualquer para ser, no minimo, delicado e não magoar a moça, e mesmo assim esta finge que não entendeu ou quer tanto tê-lo que acaba por criar uma realidade fantasiosa em relação ao romance, às vezes chega até a usar de má-fé distorcendo as palavras do moço para alimentar sua esperança.
Você fingir não enxergar que o homem não te ama, não vai fazê-lo amá-la! Muito ao contrario, apenas será um demonstativo para ele de que pode fazer o que quiser e ainda assim você continuara disponível. Ou seja, você estará assinando um contrato de que permite ser tratada como objeto.
Ninguém respeita quem não se respeita.
Se um homem não arruma tempo para te ver é porque ele não deseja te ver e aparecer ocasionalmente não é sinal de compromisso. De acordo com as pesquisas da escritora Sherry Argov ‘Muitos homens dizem que estão ocupados demais com o trabalho. O trabalho nunca interfere quando ele realmente quer estar com alguém na vida pessoal. Se um homem quiser mesmo se encontrar com uma mulher, o tempo livre vai aparecer num passe de mágia’, e ‘ A partir das pequenas coisas que o homem faz e das atitudes que toma perto de uma mulher, dá pra ver quais são suas intenções’.
Identificado que o sujeito com o qual você se envolveu não retribui as suas expectativas cabe a você decidir abandonar agora ou ser abandonada depois. Que ele vai partir assim que encontrar uma mulher por quem se apaixone é obvio.  Então pra que perder o tempo, saúde, vida em um relacionamento que só fere sua autoestima e você sabe que não tem futuro? Vale a pena usar o tempo que você poderia ocupar para conhecer e conviver com uma pessoa que valoriza quem você é, com alguém que só te usa?

quarta-feira, 12 de março de 2014

CAFAJESTE: O VILÃO DA PSIQUE FEMININA

Mulheres crescem ouvindo sobre este personagem que tem o poder de lhes dilacerar o coração e se preparam psicologicamente pra quando isso acontecer ao chegarem à idade adulta. A crença de que “nenhum homem presta” vai se construindo com estas mensagens subliminares perpetradas por familiares (que intencionam proteger sua menininha do futuro) e com o passar dos anos a convicção de que homens são sujeitos não confiáveis vai se instalando.
O arquétipo do cafajeste é definido como um vilão, um homem mau, mentiroso, ludibriador, que se finge de romântico, que só pretende se aproveitar de moças de família para depois abandoná-las com a honra manchada. Esta é o perfil primário, inspirado em histórias reais que deu corpo a uma série de livros, filmes e afins que só serviram pra intensificar a imagem desse personagem no inconsciente coletivo feminino.
Hoje é um tanto diferenciada a concepção de cafajeste, mas o conteúdo permanece o mesmo: de que os homens são vilões e as mulheres, vítimas. O público feminino em massa continua projetando esta imagem de que homem não presta em seus relacionamentos e se posicionando como “coitada” ao fim de cada um deles.
É uma utopia dizer que homens não prestam. Existem pessoas com caráter desonesto e isto não se remete a um gênero sexual. Tem tantos homens promíscuos quanto mulheres, atualmente. O que ocorre é que algumas mulheres foram programadas mentalmente para aguardar os cafajestes de sua vida e vão de alguma forma chegar a este destino que esperam, mesmo que simbolicamente. Não que cafajestes não existam, existem sim! Mas não são todos os homens e nem apenas homens.
Algumas mulheres estão tão bitoladas na crença de que “todos os homens são iguais, não confiáveis” que pra elas não existe outra realidade. Mesmo que apareça um “príncipe” ela vai vasculhar até achar um indício de que seja sapo, pois não consegue enxergar/acreditar que pode ter um homem decente (deseja, mas não acredita). O sujeito pode ter muitas características apetecíveis em um companheiro, lhe provar ser sério e honrado, mas ela inconscientemente vai procurar falhar, por mínimas que sejam, pra comprovar sua crença de que ele é um algoz. E quando a relação fracassar ele será o culpado. A ideia de que homem é cafajeste é tão forte, vivida, presente que de tanto crer nisso ela verdadeiramente se sente traída pelo destino e convence as pessoas a seu redor disso. Pais, amigos, colegas, enfim, todo mundo fica sabendo que ela foi vítima indefesa de um mocinho sem vergonha, mau caráter, que não prestava, entre outros adjetivos direcionados ao pobre moço. E depois vem outro mocinho igual, e outro... E nenhum na cabeça desta mulher presta.
E é claro que existem mulheres que se relacionam com cafajestes de verdade. Que traem, mentem, fingem, cometem violência, abandonos temporários ou perpétuos, enfim, que a colocam em situações vitimizadoras. Estas são vítimas no primeiro contato com esse tipo de relação, mas deixam de ser a partir do momento que permanece na relação, ou escolhem outros companheiros com o mesmo perfil (o que é normal para mulher com “síndrome do cafajeste”).
A crença do “cafajeste” tem sido responsável pelo término de relacionamentos entre pessoas de boa índole. A ciência já comprovou: nossas crenças influem sobre nosso sistema cerebral, este não consegue distinguir entre a realidade e a imaginação. A partir do momento que eu crio uma verdade subjetiva todo meu ser vai trabalhar em prol de materializá-lo, diz a física quântica. O cafajeste do seu companheiro pode ser o cafajeste que você criou!
Fonte: Folha de Saltinho

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

CORRUPÇÃO E CARNAVAL: COMO O BRASIL, NÃO TEM IGUAL

Por Katree Zuanazzi
 
 
A televisão está lotada com programações de entretenimento barato como Big Brother Brasil, novelas, sensacionalismos, humores sem graça nenhuma, fofoca sobre a vida de “celebridades”, mulheres se retorcendo como lagartixas, Jornais de Notícias, que nem sempre retrata as notícias importantes para a nação, e demais programas destinados a pessoas acéfalas. Logo, a tragédia que nossa pátria amada vem enfrentando fica às escondidas, reprimida, calada, como se fossemos cego, surdo e mudo nos entregamos a programações alienadoras.
 
Somos sufocados por uma onda de ilusão. A verdade que nosso país está enfrentando vem sendo abafada e esquecida pelo conformismo dos derrotados. Sim, somos derrotados, eu e você que nada fazemos pela pátria que residimos. Nosso país foi saqueado por terroristas com a nossa permissão, aliás, com o nosso aval. Faço das palavras de Marcelo D2, as minhas palavras: “Entra Fernando e sai Fernando (Agora, entra Lula e sai Lula) e quem paga é o povo, que pela falta de cultura vota nele de novo. E paga caro, com corpo e com a alma, e entrega nas mãos de um pastor, pra ver se salva. Com a barriga vazia não conseguem pensar [...] Vários irmão se recolhem, vão em frente. Vários também escravizam sua mente”.
 
É exatamente isto que ocorre agora na história do Brasil, somos escravos dos espertalhões. Lula, melhor dizendo o Capo di tutti capi (chefe de todos os chefes), que tem seu terceiro mandato mascarado de Dilma, continua a furtar a nação descaradamente. Os escândalos são inúmeros: mensalões, amante, filho que fica rico da noite para o dia (na internet a matéria “Filho de Lula, de catador de estrume a milionário”), etc. e a famosa “vista grossa” impera. Um jornalista há algum tempo chamou o PT de Cosa Nostra brasileira, achei o máximo esta postulação, sendo que o PT não passa de uma sociedade criminosa, semelhante à máfia siciliana.
 
Entretanto, o que fazer diante disso? Muitas pessoas inteligentes, estudadas, formadoras de opinião, estão cientes do que vem acontecendo e se veem impotentes, realmente não sabem que atitude tomar além de informar os outros cidadãos menos instruídos do que vem acontecendo, e “tentar” levantar um movimento contra isso, porém parece que tudo é em vão. Recentemente teve o evento Marcha contra os corruptos e o que vemos? Poucas pessoas envolvidas, pouco destaque se comparado à Parada Gay e Marcha da maconha. Enfatizando que não estou criticando estes movimentos, apenas chamando a atenção para o fato de que, se para o interesse de uma minoria há eventos de tamanha proporção, porquê um assunto de interesse de todos os brasileiros não se faz praticamente nada?
 
O Brasil vai gastar mais de 11 Bilhões de reais com essa porcaria de copa do mundo enquanto pessoas estão morrendo na fila do SUS! E o pior é que tem muito bobo-alegre (peço desculpa aos leitores pela expressão) que tá achando o máximo, ta até guardando dinheiro pra ir assistir jogos em 2014. Sem falar do carnaval, pelo qual tornou famoso o Brasil como pais da pobreza e de mulher promíscua, e grande parte da população, cuja minoria é do sul, simplesmente adora. A dança tudo bem, é saudável praticar esportes seja eles quais forem. Agora, dançar nua, carregando um monte de pena na cabeça, e inúmeros adornos que usados por mais que alguns minutos, sem sombra de dúvidas, causa dor física, na minha ótica gostar disso beira a insanidade, e o pior de tudo é que estão sorrindo, por aquele momento esquecem que passam fome, moram em situações precárias, tem pouco acesso á educação e saúde e vivem na calamidade. Enquanto nosso dinheiro é roubado com impostos exorbitantes tem gente preocupada com a penuja que vai usar no próximo carnaval. Bem que dizem que o país tem o governante que merece.
 
Nunca votei no Lula, me orgulho disso, algumas vezes votei em Branco como forma de protesto e sempre culpei o nordeste pelos corruptos colocados no poder, e torci veementemente por separar o sul do resto do Brasil, mas nunca fiz nada para tanto. Afinal, é tão mais fácil culpar os outros enquanto ficamos nos bastidores, é exatamente isso que me peguei fazendo, junto a milhões de brasileiros que se indignam com a situação e nada fazem para mudar.
 
Não quero que as minhas sejam apenas meras palavras jogadas ao relento, quero que elas se transformem em ato. Chega de PT! Chega de ser o país do carnaval, das putas pobres, dos ladrões poderosos, dos mafiosos, da miséria, dos doentes terminais, da morte por inanição, enfim, chega de ser o País das bananas, onde a maioria vive na desgraça achando tudo lindo-maravilhoso. Chega de ser famosa internacionalmente como escória mundial.
 
Penso que quem ri de si mesmo é sábio, mas quem gargalha e festeja as próprias desgraças só pode ser retardado.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

PERVERSÕES SEXUAIS

Por Katree Zuanazzi
 
 
 
O nome contemporâneo usado para se referir a perversões sexuais é parafilia. Originada da junção do grego “para” que tem como significado “fora de” e “philia” que traduz-se como “amor”. Assim, o próprio nome já deixa evidenciado que é uma pratica diferenciada do ato de fazer amor.
 
Parafilias são comportamentos sexuais não aceitos pela sociedade e a maioria de suas categorias é desconhecida para esta. São praticados por pequena parcela da população sendo que o índice de ocorrência mais comum é entre pessoas do sexo masculino. Entendidos como praticas incomuns, exclusivas, anormais que coloquem em perigo alguém e/ou represente prejuízo físico, psicológico ou emocional a um dos envolvidos no ato.
 
A pessoa acometida por este transtorno se fixa em um objeto ou coisa para obter o prazer sexual que comumente é obtido no coito. Dificilmente uma pessoa parafilica permanece em uma única pratica estranha, o interesse pela primeira tende a se tornar monótono, a pessoa começa a procurar novas praticas e se envolvendo em outras atividades sexuais excêntricas. Com o tempo ocasiona a exclusão de atos sexuais normais, fazendo a pessoa ficar adepta apenas a praticas antinaturais.
 
O catalogo das parafilias é vasto. Entre as mais conhecidas e menos rechaçadas estão: o sadismo (o ato de sentir prazer com o sofrimento físico ou psicológico alheio), o masoquismo (ter prazer originário da dor, esta é a parafilia oposta e complementar a primeira mencionada), exibicionismo (fazer sexo em lugares públicos ou mostrar os órgãos genitais a estranhos), fetiche (a fixação sexual direciona-se a um objeto especifico inanimado como roupa, sapato...), podolatria (desejo por pés), bondage (prazer originado no ato de amar ou imobilizar o parceiro), voyeurismo (gostar de observar o ato sexual ou corpos, sem ter nenhum contato fixo).
 
Averiguando as parafilias mais vistas como insanas fica em evidencia: a zoofilia (pratica sexual com animais), emetofilia (excitação com o ato de vomitar ou com o vomito do outro), necrofilia (desejo sexual por cadáver), asfixiofilia (prazer em reduzir a oxigenação do cérebro intencionalmente durante a relação, pratica bastante perigosa), espectrofilia (atração sexual por fantasmas).
 
É diagnosticada como parafilica a pessoa que tem hábitos sexuais considerados “desviados” com exclusividade, ou seja, usando sexo bizarro como única fonte de prazer sexual, excluindo o sexo convencional/normal, ou fazendo por obrigação (social), mas sem obter o prazer máximo.
 
Alguns desses comportamentos sexuais (das parafilias mais “leves”, que cataloguei acima como as mais conhecidas) podem se apresentar em pessoas consideradas normais, que apenas ampliaram a gama das possibilidades de obtenção de prazer, que aderem algo diferenciado ocasionalmente sem representar perigo a si mesmo e a terceiros. Se não for algo continuo, fixo, prejudicial a alguém e o sexo normal continuar sendo a principal fonte de prazer não é enquadrado como transtorno.
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O SINTOMA SEGUNDO A PSICANÁLISE

Por Katree Zuanazzi
 
 
 
O sintoma eclode como a manifestação física das pulsões insatisfeitas. É uma defesa que tem como objetivo manter a satisfação. Pode ser descrito como a expressão da presença de algum processo patológico. É quando uma função passou, foi modificada ou quando surgem novas manifestações desta. Ao mesmo tempo implica satisfação e sofrimento.
 
O sintoma também pode ser entendido como uma metáfora pela quais são manifestos os desejos do inconsciente englobando o real, o simbólico e o imaginário. É uma formação do inconsciente que busca vias para satisfazer a libido insatisfeita. Através destas vias mantém-se a satisfação. Nele repete-se a forma de se relacionar com objeto na infância.
 
Existe um conflito entre id e superego na formação do sintoma. O ego busca mediar entre estes para satisfazer os desejos pulsionais de uma forma em que seja adequado à realidade, é o acordo que se tem entre a exigência à satisfação e a ação defensiva do eu.
 
No entanto este processo de ter satisfação e ao mesmo tempo adequar esta satisfação à realidade necessita de determinada quantidade de energia psíquica que pode gerar a neurose. Diz-se neurose quando a pessoa fica fixada a eventos passados que lhe propiciaram alguma forma de satisfação, mesma que embutida à dor.
 
No neurótico histérico o mais comum são manifestações físicas dos sintomas. Um exemplo é o caso da paciente Ana O., expresso por Freud, que fala sobre a paralisia da mesma causada por conflitos inconscientes. Como a pessoa não consegue falar, por causa da ação do superego, o corpo fala por ela. O próprio autor citou que "quando a boca cala, falam as pontas dos dedos". Por isso, sempre o maior traço da histeria são as conversões físicas: enxaquecas, asma, alergias, desmaios... (o que não significa que estas problemáticas sejam apenas sintomas de histeria), porque o desagradável que fica guardado vai causar sempre alguma reação que vai ser manifesta de alguma forma.
 
Já no neurótico obsessivo, os sintomas são mais expressos em níveis de pensamento. As fantasias fazem parte do pensamento dele. Por se julgar mais limpo e consciencioso que os outros, o obsessivo busca o autocontrole como satisfação, os rituais que ele mantém lhe proporcionam satisfação libidinal.
 
É do sintoma que vem o mal, é o sinal e o substituto de uma satisfação pulsional não realizada. Continuamente refaz suas exigências de satisfação e assim incita o ego a dar o sinal de desprazer e a colocar-se em uma posição de defesa.
Em terapia, as pessoas chegam ao consultório dizendo que não sabem o que está acontecendo, pois se for pensar racionalmente não há nenhum motivo para estarem angustiadas. Mas estão. Estão, na verdade, pensando a falta, o simbólico, uma representação do desagradável. O papel do Psicólogo é levar o paciente a questionar esta satisfação e esse sofrimento, ou melhor, que prazer há no desprazer.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O USO TERAPÊUTICO DO REIKI

Sendo uma denominação japonesa, Reiki traduz-se como “energia vital universal”. Erroneamente associado à religiosidade o Reiki, em nada se assemelha a crendices, na verdade, se trata de uma terapia holística natural, ou melhor, uma terapia alternativa energética, podendo ser usado como tratamento em casos de patologias físicas, mentais e emocionais.
 
O calor ou a energia que refulgem do corpo humano ou animal é a força da vida, descrita como CH’I ou KI, que significa: ar, respiração, vento, essência vital, energia ativa do universo. E é desta energia que o Reiki aufere proveito para tratar faltas de alinho no corpo e no espírito.
 
Segundo os praticantes da técnica a energia cósmica deve perpassar todo o corpo para ele ser saudável. Caso seja impedida com eventualidades cotidianas como preocupações, má alimentação, baixa qualidade de vida, relações tumultuadas, entre outros fatores estressantes, haverá um bloqueio na (s) chakra (s) afetada (s) que impossibilitará que a energia flua naturalmente e isso também repercutirá no plano físico. A doença é resultado de desequilíbrios energéticos.
 
A terapia (considerada como tal por ser reconhecida pela Organização Mundial de Saúde), também chamada de desintoxicação energética, é tanto preventiva quanto curativa, se dá via imposição de mãos direcionada aos chakras (sete centros distribuídos pelo corpo), que tem a potencialidade de arrojar vibrações harmoniosas capazes de propiciar o reequilíbrio das energias vitais (semelhante ou igual ao magnetismo de Mesmer, ao passe no Espiritismo e a canalização de energia no Budismo), desta maneira a saúde é promovida juntamente com a cura das zonas adoecidas do corpo em questão.
 
Indicado para tratar ansiedade, insônia, impotência, compulsões, vícios, dores físicas diversas, fobias, cansaço, obesidade e outros descontroles alimentares, depressão, tensão, estresse, doenças crônicas e agudas e demais desordens físicas e psíquicas.
 
Quem recebe o tratamento adquire a harmonização que mais do que cura de doenças, implica também em uma calmaria mental, intensificação das habilidades subjetivas, aumento da imunidade, equilíbrio o emocional, desenvolvimento da criatividade, promoção de habilidades interpessoais.
 
Por utilizar-se de uma energia não polarizada o Reiki não tem nenhuma contraindicação, não possui efeitos colaterais, é uma técnica muito fácil, prática, acessível, segura, age diretamente na raiz da problemática, disponível a qualquer idade e pode ser utilizada concomitante a outros tratamentos.
 
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

AMIZADE NÃO É COLEGUISMO

Tanto quanto nos relacionamentos conjugais, os relacionamentos de amizade tem sofrido defasagem continuamente. Amizades começam e terminam, a visão de pessoas descartáveis tem tomado espaço concomitante a indiferença diante de verdadeiras amizades. Talvez as pessoas estejam se acostumando aos relacionamentos com prazo de validade curto.
 
Em momento de festas, diversão, passeios o número de amigos muito excede a o que se sabe que se tem. Em momentos de infortúnio, desgraça, sofrimento o número de amigos é muito menor do que se acredita ter. Que controvérsia, não. Às vezes temos mais amigos que pensamos ter e outras, menos. Ou seja, o que pensamos não tem nada a ver com a realidade.
 
A futilidade em massa que atinge a população não repercute apenas no âmbito do consumismo material, mas compreende juntamente os relacionamentos interpessoais. Agora existe o mercado de relacionamento, ou melhor, os relacionamentos que visam algum interesse. Permanece-se amigo enquanto obtém-se alguma vantagem. Mas ai se questiona se é amizade a denominação desta relação, até porque, neste caso, ao que me parece não é amizade e sim um cambio, uma venda, uma relação próxima da monetária. Não duvido nada que em breve surja a “profissão amigo”, se é que esta já não surgiu, mesmo que dissimuladamente.
 
Penso que o nome que mais caberia a estas “amizades momentâneas” seria coleguismo, que diz respeito a ser companheiro em algumas atividades específicas e não a uma relação continua que envolva afetividade. Demi Lovato diz que “Amigos falsos são como sombras, vivem perto de você nos momentos brilhantes, mais na hora da escuridão todos somem”.
 
 
 
Amizade é constância, permanecia tanto nos momentos bons quanto nos ruins, tristes e felizes, de festividade e de martírio, não apenas em épocas de farra, até porque para festa se encontra gente em qualquer esquina. Amizade é mais do que dar risada junto, é principalmente chorar junto. “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”, segundo as nobres palavras de Confúcio.
 
Os vínculos interpessoais estão falindo progressivamente por mais que as máscaras sociais finjam, fujam e tentem encobrir esse fenômeno. As pessoas vivem cercadas de pessoas, já que a internet isso muito favorece, mas permanecem sozinhas ou tem poucas companhias concretas. Parece ironia, alguém estar tão acompanhado e tão só, mas não é, é a realidade.
 
A gratidão pouco existe, os favores logo são esquecidos. As pessoas pouco se importam com quem está ao seu redor quando estão ocupadas demais com seus assuntos cotidianos, em meio tanto egoísmo pouca energia sobra para o altruísmo. Fomentado pela ideia de “cada um por si e Deus por todos”, a humanidade perambula, cada um em busca de seus próprios desígnios.
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

MÍDIA E A SUBJETIVIDADE CALADA

Por Katree Zuanazzi
 
 
 
Aproveitando o gosto da humanidade pelas falácias, comparações, mexericos a mídia vem sorrateiramente adentrando lares das mais diversas classes sociais e a partir disso lançando uma ditadura de normas de condutas coletivas. Composta pelas mais variadas ferramentas para transmissão de informações, tem o poder de determinar quem devemos ser, como agir, o que comer, o que vestir, o que tem valor, o que é bom, o que é importante, influindo sobre os padrões de prestar e não prestar nos mais variados âmbitos do viver humano.
 
Todo mundo quer possuir a melhor roupa, o melhor carro, o melhor trabalho, o melhor companheiro, morar nos melhores lugares, fazer as melhores viagens, o melhor tudo. Os considerados “melhores” só assim o são descritos devido à existência da mídia, o que foge deste padrão forjado ideal é estabelecido como defeito. Repelindo a individualidade de cada sujeito a mídia vem traçar um suposto bem coletivo, assim o querer humano é controlável e manipulável parecendo uma produção em série.
 
No começo a mídia era apenas um veiculo de divulgação, hoje é um mercado de informações. No documentário intitulado “1,99”, simples, porém com um conteúdo inegável, demonstra a ensimesmação do ser, a coisificação da necessidade humana. No referido as pessoas em um espaço de compra encontram-se perdidas diante das vastas opções de escolha, mas não buscam o que precisam, buscam, na verdade, o que mais as atraem, fascinam, causam desejos, ou seja, buscam sensações alheias a elas mesmas. A falsa ideia de poder “comprar” do exterior aquilo que não possuem internamente mantém esse comportamento.
 
Mensagens coletivas são impostas utilizando-se de desejos individuais como método de sedução. O belo, o feliz, o perfeito é exposto de maneira a provocar o interesse do telespectador que acata (talvez inconscientemente) estas mensagens e categoriza-as como desejáveis. Uma roupa nova vai mudar o sentimento que tenho a respeito de mim mesmo? Provavelmente não, mas vai momentaneamente causar um sentimento de bem estar que reforçará o comportamento de buscar fora o que não possuímos dentro de nós mesmos.
 
Se existe uma maneira mais eficiente para controlar, nivelar, alienar, padronizar, manipular, moldar o comportamento humano em relação ao social melhor do que a mídia, certamente, o desconheço. As pessoas gostam de verem e serem vistas, compararem, julgarem, se exibirem e agora que há um espaço específico para isso, o natural e obvio é desfrutá-lo sem perceber que irrefletidamente compõe uma fábrica de alienados.
 
As pessoas cortam o cabelo igual, usam as estampas nas roupas iguais e os modelos também, preferem as mesmas marcas, enaltecem algumas qualidades, repelem outras, resumindo, a subjetividade está em extinção, sufocada em meio a preocupação de estar enquadrada na “forminha” social delineada pelos veículos de comunicação.
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

PESSOAS QUE SE FAZEM DE VÍTIMAS

Por Katree Zuanazzi
 
 
Aposto que todo mundo já se deparou com uma pessoa que se coloca como a injustiçada do mundo, se ainda não, há possibilidade de você ser essa pessoa. Reclamar, lamentar, lastimar se torna tão habitual a pessoas que se enxergam como vítimas do universo que quem convive junto a estas nem leva em consideração mais suas lamúrias. Afinal, o ocorrer de eventuais adversidades desperta a solidariedade dos colegas, amigos, familiares, mas quem transforma tudo em adversidade só angaria descrédito.
 
As pessoas só têm defeitos, nenhum trabalho é bom, nenhuma amizade é verdadeira, nenhuma atividade é agradável, ninguém é admirável, nada dá certo, nada está legal, tudo é difícil, desprazeroso, chato, problemático, estressante, relatos contínuos de doenças, dores, sofrimento, infortúnios são comuns, enfim, encontrar motivos pra reclamar de tudo e de todos é um comportamento nítido de quem tem o mundo como inimigo. Estas pessoas constroem histórias tão convictas que passam a acreditar que realmente são coitadinhas e os outros carrascos, muitas vezes chegando a convencer alguém disso.
 
Se posicionando como vítima, além de desviar a culpa de si mesmo acerca das mazelas da qual reclama, existe a possibilidade de culpar um outro ser por tudo aquilo que se esta passando. É tão mais fácil culpar o funcionário e atribuir a ele erros do que assumir as próprias falhas enquanto chefe, é tão mais fácil culpar o outro por não nos amar do que assumir as atitudes nada amáveis que adotamos diante destas pessoas, é tão mais fácil julgar os alunos do que perceber a própria falha enquanto professor, é tão mais fácil apontar os marginais na rua do que assumir nossa própria contribuição para a marginalidade, é mais fácil culpar os colegas, a secretária, o motorista ao lado, o filho, os parentes por inúmeras coisas que não são muito agradáveis, mas que tem nossa parcela de culpa, ou total culpa pelo que vem a acontecer. Tudo que eclode em nossa vida esta sob nossa responsabilidade, se vitimizar é uma tentativa de fugir desta.
 
O ponto mantenedor do comportamento vitimizado é que este furta a atenção e misericórdia de pessoas que, mesmo que por pouco tempo, despende energia psíquica acreditando que a pessoa realmente foi injustiçada por alguém ou algo. Mesmo isso não sendo a verdade plena, ser vítima implica em um aglomerado de ganhos secundários, além da atenção das pessoas: o apoio, o amparo, a solidariedade, a disposição em lhe ajudar, enfim, muitas coisas satisfatórias. Se não existissem vantagens o comportamento não seria mantido
 
Conviver com gente que se acostumou a ser ‘pobre coitada’ não é algo muito fácil, porque qualquer tentativa que tenhamos de lançar um olhar mais positivo para animá-la, confortá-la ou incentivo a ela sair deste movimento passivo de derrota logo é bombardeado pelas justificações das desgraças vividas. Concordar que a vida da pessoa é uma desgraceira mesmo é uma alternativa valida quando se cansa de vê-la tentando convencer de que é digna de pena. Afinal, chantagem emocional só comove o próprio chantagista, geralmente causa irritação no ouvinte.
 
Quem consegue identificar em si mesmo esta característica já esta em vantagem, pois não é algo muito fácil assumir os próprios pontos que merecem atenção. Se perceber é o primeiro passo em direção à mudança. A frase Lacaniana ‘Qual a tua contribuição na desordem da qual te queixas?’ é importante de ser lembrada continuamente diante das vicissitudes da vida.
 
As pessoas só colhem aquilo que plantam. Cada pensamento, ação, palavra que lançarmos ao mundo é uma semente que, querendo ou não, vai implicar em resultados. É má-fé ficar culpando aos outros, culpar o mundo, culpar o destino e se fazer de vítima. A culpa pelo que escolhemos projetar no mundo nunca é do outro, é só nossa. Cada um só é vítima de si mesmo. Quem não gosta do que está recebendo do “destino” deve refletir sobre o que fez lá no passado para estar hoje nesta situação, sem se fazer de coitadinho, porque isso é desprezível. A vida é apenas consequência do que fazemos ou que deixamos de fazer, ou seja, resultado de nossas escolhas pessoais.
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A FANTASIA DO AMOR PERFEITO

Por Katree Zuanazzi
 
 
 
O amor perfeito é vivido em sua impossibilidade de concretude, é existente apenas em nível de pensamento, fantasia, tudo no campo do imaginário. Na prática depara-se com o desmascarar da ilusão, com a frigidez da plenitude, com o fim de um começo que nunca existiu. O amor na prática nunca será sublime quanto na fantasia.
 
Quando nos deparamos com a possibilidade de amor é arquitetado, consciente ou inconscientemente, toda uma estrutura mental a respeito deste sujeito que é um potencial ser pra ser amado, bem como, para todas circunstancias que permeiam esta relação. Em meio à emergência de uma infinidade de fantasias cercando este sujeito, uma expectativa passa a existir que confronta quando a realidade se faz presente.
 
Quando contatamos realmente o objeto amado, o descobrimos, o desvelamos, destrói-se juntamente toda e qualquer possibilidade de amor pleno. Alguém disse que só se ama um desconhecido. O desconhecido é a nossa perfeição projetada em um alguém real e desconhecida, que por esse fator se torna possível atribuí-la todas as virtudes que julgarmos necessários, o desconhecido é criado por nossa ideia de ideal, mas quando a pessoa deixa de ser desconhecido se desmancha toda a construção outrora estabelecida.
 
O conhecido é um ser independente, que atua além do que queremos ou desejamos, que tem vontade própria, que tem defeitos além do que pensamos, que critica, opina, tem costumes, manias, maneiras subjetivas de ser, e isso destrói o amor. O amor é massacrado com o conhecimento. O amor perfeito, pleno, fatídico só existe no plano da fantasia. Ao deparar-se com a realidade ele involuntariamente se dissolve dando espaço as imperfeições do sujeito amado. Só resta chorar o amor que se vai, elaborar o luto e se lançar a um novo processo semelhante, ou aceitar este amor imperfeito.
 
O amor imperfeito não é menos amor por ser mais angustiante, é tão intenso e verdadeiro quanto o amor no plano da fantasia, apenas mais complicado de se vivenciar, talvez por isso tanta gente tenha preferido manter relacionamentos virtuais. Como é difícil lidar com o defeito dos outros, e vê-los agir sem saber o porquê optaram por tais comportamentos, ir de encontro as nossas vontades, questionar nossas verdades, nos travar, confrontar, mostrar outras formas de existir, nos impressionar, nos deixar confusos, atônitos, sem saber lidar com o enigma que é este outro, mas não é impossível de estruturar-se como relação estável. Aliás, é totalmente possível! Qualquer pessoa com maturidade é capaz de fazer esta transferência da fantasia para a realidade e se adaptar a ela, mesmo que com sofrimento e lastima. Isto é o amor possível.
 
As pessoas querem uma coisa que não existe. E vivem frustradas por não conseguir alcançá-la. Mas a frustração apenas existe porque foram criadas expectativas exorbitantemente elevadas em que não há o mínimo de chances de serem condizentes com a realidade. Quem não fantasia com “contos de fadas” mirabolantes não corre o risco de sofrer tanto com a realidade, que, querendo ou não, lutando ou não, jamais será livre de infortúnios.
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

MALDITA BENÇÃO

BELEZA FEMININA: A BENÇÃO QUE ATRAPALHA
Por Katree Zuanazzi
 
 
 
O conceito de belo é constituído socialmente e historicamente. Aspectos considerados atraentes hoje nem sempre assim o foram considerados no passado. Um exemplo é o caso da gordura corporal que, outrora sendo entronizado como o estereótipo de corpo perfeito o gordo, posteriormente a magreza auferiu este título e atualmente impera o modelo de corpo vigorexo, fato que pode (e vai) mudar constantemente.
 
Ao longo da história, ora os homens sofriam para se enquadrar nos padrões impostos, ora as mulheres. Hoje existe mais um padrão de poder para os homens enquanto o padrão das mulheres é o de beleza. É claro que não tem como generalizar. Existem muitos homens metrossexuais e muitas mulheres que não se importam com a aparência, bem como, existem homens que não se esforçam tanto em obterem conquistas materiais e mulheres que batalham muito por isso. Mas o foco desta reverberação é, a saber, a beleza.
 
Beleza: a cruz desejada e difícil de carregar, a rosa cheia de espinhos, o inferno e o paraíso, o bom e o ruim, todos a querem, mas ninguém exulta com os ossos do ofício. Implica em um preço pago, um estigma, uma troca com o Universo, uma barganha. Recebo a beleza desejada e juntamente os simbolismos que ela implica, os quais compreendem aspectos valorosos e outros, indesejáveis.
 
Nada pode ser tão bom, que não venha a carregar, mesmo que sutilmente, alguma carga negativa. Exatamente isto acontece com a boa aparência física, ao mesmo tempo é um ganho e uma perda, principalmente quando se trata de uma mulher.
 
Siri Hustvedt, uma escritora americana, em uma entrevista deu como resposta que “Mulheres bonitas e intelectuais sofrem preconceito. Parece que ninguém acredita que é possível ser as duas coisas. A beleza faz com que as pessoas tratem você de forma mais condescendente”, é exatamente a isso que me refiro.
 
Vulgarmente a beleza considerada acima do normal é associada a déficit intelectual, á incompetência, á impotência, á frivolidade, á futilidade, á arrogância, á soberba, á orgulho e adjetivos afins. Se uma pessoa bela conquista algo grandioso na vida logo atribuem isso á sua aparência, desconsiderando todo seu esforço, empenho e dificuldades que enfrentou e superou para estar onde está.
 
Os padrões de beleza impostos pela sociedade são muito rigorosos, pouquíssimas pessoas (segundo os conceitos atuais) são realmente belas. O que aparentemente acontece é uma revolta contra estas poucas pessoas, como uma tentativa de castigá-las pela graça que ostentam. Assim, uma forma de não se sentirem inferiores a estas, seria rejeitar que possuíssem outras qualidades.
 
Primeiramente tem uma questão de gênero. O homem “ainda” chega a postos de liderança com mais facilidade do que a mulher, e “ainda” tem uma renda financeira superior a esta. Em segundo lugar, a beleza. Uma mulher não muito bonita e não muito inteligente tem muito mais facilidade em chegar a uma liderança, do que uma extremamente bonita e razoavelmente inteligente.
 
Vejamos: Raramente encontramos uma mulher numa posição de liderança realmente bela, bem arrumada, maquiada, com roupas femininas, salto 12 (só se o ramo de atividade dela for moda).
 
Geralmente as mulheres quando lideres de empresas, na política e carreiras semelhantes não são muito bonitas, cortam cabelo curto, se maquiam discretamente e usam terno. Por que será? Porque se caracterizar de homem talvez facilite a chegada ao sucesso?
 
Ou seja, para uma mulher muito bonita, feminina e inteligente ser bem sucedida em seu ramo de atividade não basta ser boa profissional no que faz. Além de saber tudo de sua área, ser super inteligente, trabalhar com excelência, ter uma formação exemplar, inúmeros cursos bem conceituados, experiências, ser “super, mega, ultra, power” boa, a melhor no que faz, tem que ficar provando a todo o momento que isso o é, já que é testada o tempo todo.
 
Um brinde ás mulheres que chegaram ao topo sem abrir mão de seu aspecto feminino! E dois brindes para as mulheres que as apoiaram!
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

AMOR PRÓPRIO

Por Katree Zuanazzi
 
 
 
Sábia foi a percepção de Carlos Drummond de Andrade transmitida pelo verso: “Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável… pessoas, tarefas, crenças, tudo e qualquer coisa que me deixasse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
 
Hoje sei que se chama… amor-próprio.”
 
Amor próprio nada mais é do que a aceitação positiva, a graça, a admiração que cada pessoa tem pelo valor que acredita possuir, é uma estima pelo preço que destina a quem se é. Muito além do que considerar as situações perpassadas ao longo da vida entre sucessos e fracassos, amar a si mesmo diz respeito a uma questão interna e subjetiva de ter respeito e carinho por quem se é independente das imperfeiçoes, é saber reconhecer as qualidades e talentos e lhes dar méritos.
 
Mede-se a proporção do amor próprio em uma pessoa pela forma que ela conduz a relação consigo mesma e com tudo que a circunda, pelo que ela destina a si mesmo e o que ela permite que o outro lhe inflija, pelo que ela aceita ou rejeita, ou seja, por todas as escolhas que ela fez. Para ter uma conclusão do quanto uma pessoa se ama não é necessário uma analise tão profunda, basta prestar atenção a o que ela faz consigo mesma.
 
Cada um escolhe para si aquilo que julga digno, apropriado, merecedor de possuir, até mesmo quando isto represente algo indesejável. Há uma dualidade: o que eu desejo (que é uma reflexão consciente) e o que eu realmente, profundamente acredito que mereço (um conceito inconsciente).
 
Isto dificilmente ocorre de uma maneira que a pessoa se de conta de que é ela que tem escolhido para si mesma.
 
Os tipos de relações mantidas refletem muito sobre o quanto nos amamos, pois são padronizadas, sempre iremos nos relacionar de maneiras semelhantes, mesmo que com pessoas diferentes. Atrair consecutivamente o mesmo tipo de pessoa, ou melhor, escolher se articular com determinados perfis, estabelecer certo padrão de se relacionar, independente de ser uma vinculação amorosa ou de amizade revela muito sobre a crença que a pessoa tem a respeito de si mesma. Significa o tipo e o tanto de amor que ela acha justo receber (ou deixar de receber).
 
Quem não se ama ou se ama pouco, tem um julgamento acerca de si próprio de que não é bom o bastante, ressalta os defeitos e devido a isso não se considera merecedor de coisas boas. É comum permanecer relacionamentos abusivos, viver em função de satisfazer o outro, se coloca como objeto agradando além dos limites, pois acha que só assim receberão afeição, agir com passividade eclode normalmente pelo temor de que o outro descubra que não se é bom o suficiente.
 
Quem se ama conhece suas potencialidades, reconhece o valor que tem, não escolhe para si coisas que lhe prejudicarão, não aceita passivamente que os outros lhe façam coisas desagradáveis, não permitem que se estabeleçam relações abusivas. Sabe se impor, sabe colocar limites, se presentear com coisas apetecíveis, respeita o próprio corpo e a própria mente. O que não significa querer sempre que os desejos sejam satisfeitos, pois isso é egoísmo e mesquinharia.
 
Se há insatisfação em alguma escolha feita, seja no trabalho, no relacionamento amoroso ou de amizade, de saúde, enfim, em qualquer âmbito da vida é importante repensar o papel que vem se escolhendo para desempenhar. As coisas só se mantém em nossa vida se estivermos de acordo que elas permaneçam. Se algo desagradável tem se repedido devemos questionar: “O que estou fazendo comigo?”
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

INTERESSEIROS OU SELETIVOS?

Por Katree Zuanazzi
 
 
Vejo como as pessoas estão habituadas a denominar de maneira insultuosa os outros de interesseiros. Se uma pessoa tem um relacionamento amoroso com alguém que se destaque de alguma maneira, principalmente financeira, já é motivo de ser chamada de interesseira. Mas será que o é?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O adjetivo “interesseiro” tem como definição: pessoa que somente se relaciona com algum interesse pessoal, não considera as qualidades subjetivas de um pretendente apenas o benefício que terá ao se relacionar com ele, que só se entrega amorosamente se obtiver vantagens com isso e com pessoas notavelmente superiores a sí, e que em hipótese alguma fica com alguém sem obter ganhos.
 
Entretanto, nem todas as pessoas que elegem parceiros bem sucedidos são interesseiras, algumas são simplesmente seletivas. Pessoas de um bom nível (social, intelectual, financeiro, profissional ou outro) e por terem consciência disso jamais se submeteriam a um relacionamento com uma pessoa mediana. Interesseiro é quem se coloca em relacionamentos desiguais em que é discrepantemente inferior ao companheiro, enquanto o seletivo se relaciona apenas com pessoas num grau de evolução semelhante ao próprio. Eis a diferença.
 
Uma pessoa inteligente (que NÃO é sinônimo de ter uma formação superior, pois isto é muito acessível hoje em dia), que se destaca em algum ramo de atividade, batalha pelas coisas que acredita ou gosta, é conhecida e reconhecida por suas conquistas, alcançou sucesso em algum âmbito da vida, cuida da aparência física e da saúde, está sempre aprendendo novos ofícios, idiomas, conhecendo lugares, se lançando a novas possibilidades, enfim, sempre evoluindo, dificilmente se submeterá a um relacionamento com uma pessoa que aspira ao fracasso, a não ser que tenha sérios problemas de autoestima ou não tenha consciência de si. Sempre digo que as pessoas andam com quem elas se parecem, e a cada dia tenho mais convicção desta tese. Se alguém que julgamos invejável se relaciona com alguém de pouco mérito, é porque ela mesma se considera como tal.
 
Assisti na internet uma cena daquele programa Mulheres Ricas, que passou não sei quando e não sei em que emissora de televisão, no qual um dos presentes dizia “Quem gosta de velho é a Val (Marchiori)”, a zombando por ser casada com um homem mais velho, e esta respondia “Eu gosto de homem inteligente e bem sucedido”.  Foram demasiado congruentes as palavras que ela usou como resposta. Como que uma empresária bem sucedida vai se envolver amorosamente com um homem inferior a ela? Isto a rebaixaria. Não importa se a pessoa é mais velha ou mais nova, mais feia ou mais bonita, mais alta ou mais baixa, o importante é que esteja num mesmo patamar que o outro. Uma pessoa bem sucedida desce de nível ao se envolver com pessoas mal sucedidas (não me refiro apenas à posição socioeconômica, mas principalmente à intelectual). Agora, se ela fosse uma pessoa pobre de conquistas, ou desempregada, ou sem atividade alguma, que vivesse como sombra deste homem, o título de interesseira seria congruente.
 
Há pouco tempo conheci uma mulher, que na minha ótica aparentava ser uma pessoa instruída, bem sucedida e realmente era uma mulher muito bonita. Ela relatava com desanimo sobre o seu insucesso amoroso quanto mencionava seu relacionamento atual, com uma pessoa nitidamente inferior a ela, e de todos os outros relacionamentos passados que sempre tinham o mesmo perfil. O que mais me chamou atenção foi que enquanto justificava que merecia relacionamentos melhores por ser uma pessoa com várias qualidades a qual citou (as quais concordei com todas), fez uma referencia que me deixou intrigada: mencionou a amiga “interesseira, que nem era tão bonita” que sempre se dava bem, sempre ficava com “os melhores homens” e que estes faziam de tudo pra ficar com ela, expressando repudio por esta amiga, falando hostilmente sobre ela, usando adjetivos muito pesados. Fiquei em alerta, percebi o quanto ela queria esta no lugar desta amiga, quanto a invejava, e aquele frase Freudiana “quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo” fez sentido.
 
Pessoas com autoestima extremamente abalada só se permite eleger parceiros que ela julga como semelhante (sendo que inconscientemente se acha pouca coisa), e vai mantendo um círculo vicioso que destrói cada vez mais sua autoimagem, e por isso sente a necessidade de denegrir quem conquista coisas que ela mesma se julga incapaz de conseguir. Se existia um interesseiro na história de vida desta mulher eram os homens com os quais ela se relacionava, pois a amiga era apenas uma mulher seletiva.
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CUIDADO COM OS SUPOSTOS "TERAPEUTAS"

Tenho visto se proliferar pessoas que se autodenominam terapeutas. As propagandas são das mais diversas formas e muito invasivas, chego a pensar que estes supostos “terapeutas” estão mais para publicitários ou profissional de marketing, porque o forte deles em vez de ser a saúde alheia é a autopromoção. Os chamo de terapeutas com síndrome de popstar.
 
Terapeuta complementar, terapeuta do emagrecimento, terapeuta da mulher, terapeuta de outras vidas, terapeuta de cura da alma, e mais uma infinidade de nomenclatura (temos que concordar que são muito criativos, para continuamente estarem inventado nomes para se autodenominar). O interessante é que nenhum destes que assim se intitulam tem formação para trabalharem como profissionais de saúde! Fazem uns cursinhos de finais de semana e já saem com uma divulgação pesada ludibriando as pessoas. Assim, muitos que não se instruem a respeito da veracidade das informações acerca do que estes profissionais estão afirmando ser, acabam caindo nas garras destes que, com muita lábia e simpatia, os emaranham em seus ardis.
 
Resultado no que fazem? Que nada! O que pode acontecer é um efeito placebo rápido pela fé da pessoa (todos sabemos que a crença da pessoa pode promover algumas mudanças). Afinal, estes profissionais não conseguem resultado nem na própria vida utilizando suas técnicas, quem dirá na vida alheia! Já vi profissional trabalhar hipnose com o famoso “balão hipnótico” para emagrecimento, mas eles mesmos estão acima do peso. Se não tratam nem a eles mesmos, não promovem resultados na própria vida, como poderão promover na de alguém? Ninguém dá o que não tem! Ah, o campo da hipnose...
 
Outro campo em que se tem emergido uma legião de terapeutas mercenários é na hipnose. Quem trabalha com hipnose tem percebido o tanto de “profissionais” que não tem se quer um curso superior e já se acha profissional de saúde por trabalhar com hipnose, e o pior, dão cursos a verdadeiros profissionais de saúde que, assim como eu, não sabiam que a pessoa não era absolutamente nada. Ai vai lá o Dentista, o Psicólogo, o Médico em busca de aperfeiçoar o atendimento a seus pacientes e depois do curso descobre que o “professor de hipnose” não era absolutamente nada além de um charlatão. E o pior não é pra nós, profissionais de saúde, pois faremos frequentemente novos cursos de aperfeiçoamento procurando com mais critério os professores. O efeito prejudicial se da na vida dos leigos, dos que precisam urgente de tratamento de saúde e acabam se direcionando a estes profissionais incapacitados, sem formação e sem qualificação para atendê-los, que apenas são bons de conversa e de divulgação de si mesmo.
 
Aprender a ser seletivo em nossas escolhas é a melhor forma de não sermos enganados. Como disse Niccolo Maquiavel “Quem engana encontrará sempre alguém que se deixe enganar”. Seja como profissional de saúde ou como paciente que sou quando necessário, noto a importância de obter informações acerca da integridade dos profissionais antes de investir num tratamento ou curso.
 
Quando alguém nos engana a culpa não é dele, é nossa!
 
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

sábado, 28 de setembro de 2013

MASOQUISMO, ALÉM DO QUE SE IMAGINA

Por Katree Zuanazzi
 
 
Freud esclarece que a estruturação psíquica se da nos primeiros anos de vida através das relações objetais, são estes que influem sobre a maneira que posteriormente, na idade adulta, iremos encarar as questões que nos rodeiam. A sexualidade é definida através da atividade a passividade sem que este ativo/passivo tenha relação com gênero sexual. Enquanto o sádico tem uma ligação com a posição ativa, o masoquista com a passiva, sem desconsiderar que pode haver a coexistência de ambas nestes. Tanto no sadismo quanto no masoquismo há a associação do prazer com a crueldade.
 
O mesmo autor faz explanação de que o masoquismo pode ser originado pelo complexo de castração e sentimento de culpa emergente com este fazendo com que o sujeito se fixe a posição passiva originaria, mas considera que não passa de um sadismo direcionado a si mesmo, onde volta-se a agressividade para a própria pessoa. O prazer no castigo nada mais é do que a procura de amenizar o sentimento de culpa.
 
Ainda, segundo a psicanalise, no masoquismo ocorre a conexão da crueldade com a pulsão sexual concomitante a dor emergir como uma forma de prazer. Isto porque o masoquista faz uma supervalorização do objeto sexual, no qual apenas se percebe o bom deste, que é visto como perfeito, confiável, há credulidade no amor. Isto posto, evidencia-se que o masoquista tem uma atitude passiva em sua vida sexual onde o prazer está associado à dor produzida pelo objeto sexual que é sempre idealizado. Este é o lado belo do masoquismo.
 
Isto remete a compreender as escolhas de sujeitos masoquistas, para além dos pré-conceitos. Vulgarmente o masoquista é descrito como “aquele que gosta de sofrer”, mas o definir assim é uma postulação errônea. A concepção de sofrer não é estática, é subjetiva, logo, o que é sofrimento para mim não é, necessariamente, sofrimento para o outro. O fato de ele obter prazer de uma forma diferente da maioria das pessoas, não significa que goste de sofrer, simplesmente de obter prazer de uma maneira peculiar.
 
Outra questão pouco explorada e um ângulo do masoquismo despercebido: o das pessoas que obtém prazer de uma forma de dor mais sutil. Pessoas que se mantém em relacionamentos destrutivos, que só ama quem não corresponde, permanecem em trabalhos que não gostam, se colocam em situações de abuso, exploração, enfim, entram em um conjunto de interações indesejáveis e aí permanecem, mesmo que façam reclamações continuamente. De uma maneira singela, isso não deixa de fazer parte do movimento mental chamado masoquismo.
 
Lobão em uma de suas músicas diz uma frase que pode ser relacionada ao masoquismo, a saber, “como uma chuva, uma tristeza podem ser uma beleza, e o frio uma delicada forma de calor”. Trecho ótimo para esclarecer que o masoquismo compreende muito mais do que o senso comum prega, além de evidenciar que esta prática não é tão incomum assim como muitos acreditam. Afinal, quem nunca chorou ouvindo uma música e mesmo assim insistiu em tornar a ouvi-la, por vezes, continuamente?!
 
Pois é... Isso também é masoquismo.




Fonte: Temas de Psicologia

sábado, 31 de agosto de 2013

A SÍNDROME DO FACEBOOK

Por Katree Zuanazzi


Não cairia nada mal se a ‘doença do facebook’ constasse no DSM V. Longe de ser simplesmente modismo e carência, algumas manifestações que eclodem nesta rede social beiram a insanidade. O espaço que foi criado com intuito de fortalecimento de vínculos passa longe disso, tornando-se local de exposições exacerbadas dos aspectos mais bizarros de um ser humano. É claro que não se deve generalizar, aqui fala-se de alguns casos específicos.

Fotos de prato de comida, fotos de gente fazendo bico, caretas, post com 10 fotos iguais mudando apenas um fio de cabelo do lugar, de pessoas fotografando a si mesmas em frente o espelho são as mais típicas dos ‘doentes do facebook’, sem esquecer os posts dizendo onde se está, o que se esta fazendo, comendo, enfim qualquer atividade tosca que não diga respeito a ninguém além de si mesmo, como se alguma destas informações fossem uteis para o leitor, amigos, humanidade, ou seja, se tivesse alguma lógica ser expostas tais coisas na rede social.

Lógica, palavra intrigante, a base desta explanação. O doente do facebook tem dificuldade de ter um raciocínio lógico, aparenta ter perdido a noção de realidade, ter criado um mundo particular (comum nos psicóticos) e compartilhar esse mundo com os amigos adicionados e uma maneira no mínimo constrangedora, e o pior: sem constrangimento algum. Coisas ridículas estão sendo expostas como se fossem motivo de orgulho e mais: coisas que nem deveriam estar sendo divulgadas, por serem pessoais, estão sendo escancaradas como se fossem o máximo.

É claro que rendem varias risadas para os equilibrados mentalmente, mas emergem coisas tão inacreditáveis que nem o riso se faz presente e sim a cara de ‘não estou acreditando no que estou vendo’ e certo sentimento de pena da pessoa que se expõe tão vexadoramente.

Cada vez mais as pessoas perdem a noção de certo e errado, bonito e feito, agradável e repugnante, formoso e ridículo. Por vezes, fazem confusão entre estes, como se sua capacidade de julgamento estivesse abalada. Fuga da realidade? Talvez! Quem tem uma vida muito miserável tem como mecanismo de defesa criar uma vida paralela.

O doente do facebook tem como característica principal o fato de viver em função de um outro, este outro que o vê (no caso, que ele fantasia estar o vendo), e vive em função deste como numa tentativa de esconder o quão sua vida é desinteressante a mascarando de felicidade. Então expõe os ápices de sua vida que às vezes é um prato de comida (no mínimo deve passar fome pra expor foto de alimento), ou uma foto tentando esconder os defeitos espichando os lábios (implorando por se sentir menos desprovido de beleza do que sabe que é), foto empinando o ‘bumbum’ e assim por diante! Enfim, todas estas atitudes ridículas são apenas sintomas de pessoas que gritam por socorro, que tem uma vida falida, infeliz, insatisfeita e não conseguiram elaborar isso e acabam usando o facebook como terapia alternativa sem se dar conta que isso só denigre a própria imagem.

Até onde isso vai chegar? Não se sabe! Percebesse apenas que a alienação não é pouca, tem ocorrido em massa. Popularmente se diz que na internet se encontra de tudo e nada mais sensato do que concordar. Tanto a normalidade quanto a bizarrice encontram ai um espaço livre pra se manifestar e proliferar. Comportamentos doentios são reforçados por ser comungado por vários praticantes e vão se estruturando como uma persona de normalidade.