Mostrando postagens com marcador Jung. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jung. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

COMPLEXO SE REFLETE NAS SUAS ATITUDES

SAIBA COMO O COMPLEXO SE REFLETE EM SUAS ATITUDES
Por Leniza Castello Branco


"Ao se referir a alguém como autoritário, deve-se inverter. Ao invés de dizer, fulano é autoritário”, dizer: “ Eu sou autoritário” ou “Meu complexo é autoritário”. Assim, iremos tocar direto no complexo e diminuiremos sua força, já que traremos para o consciente algo que está escondido e nos faz perder a cabeça"



O complexo é um conjunto energético estrutural da psique (mente) formado por imagens, lembranças, fantasias e ideias; nome dado ao que se torna confuso, complicado e intrincado.

Na nossa personalidade existem vários complexos, vários núcleos complicados que são acessados através das emoções, sonhos e imaginações. Podemos reconhecer alguns deles e saber quando aparecem. Outros são tão escondidos e disfarçados que nem temos ideia que existam. Para Jung, o complexo é “a via régia (o caminho) para o inconsciente”.

São muito conhecidos os complexos de inferioridade e de culpa. Mas existem outros, como por exemplo, o de autoridade.

É o caso de uma pessoa que tem problemas com autoridade, não aceita patrões e nem disciplina. Qualquer pessoa que lhe diga o que fazer ou que queira liderá-lo, é imediatamente descartada por ser “mandona”, “autoritária” e “inflexível”. Em geral, quem sofre desse complexo pode entrar em conflito, perder a cabeça e acabar dizendo o que não queria.

Qualquer insinuação ou palavra, mesmo que de leve, lembre autoridade, faz com que essa pessoa aja de modo destrutivo, perdendo cargos ou trabalho. Esse indivíduo sempre põe a culpa nos outros.

Em resumo, numa linguagem leiga essa pessoa tem um “complexo de autoridade”. Assim projeta nos outros sua própria autoridade interna e não reconhecida. Trata-se de um autoritário que não exerce sua autoridade. Mas quando exercida, é sempre de modo agressivo, tomado pelo complexo.

Sempre que um complexo nos domina agimos de forma inadequada e depois nos arrependemos. 

Durante a terapia temos que abordar esse e outros complexos que irão aparecer nos sonhos, nos relacionamentos... 

O doutor Edward Whitmont analista membro do Centro de Treinamento C.G.Jung de Nova York sugere:

Ao se referir a alguém como autoritário, deve-se inverter. Ao invés de dizer, fulano é autoritário”, dizer: “ Eu sou autoritário” ou “Meu complexo é autoritário”. Assim, iremos tocar direto no complexo e diminuiremos sua força, já que traremos para o consciente algo que está escondido e nos faz perder a cabeça. Sempre que a perdemos, o complexo está atuando e nos dominando. Quanto mais inconsciente, mais força esse complexo tem. Segundo Jung, “não temos um complexo , é ele é que nos tem” é autônomo, e não conseguimos controlá-lo.

O complexo não é só negativo. Muitos complexos são positivos e afetam nossa criatividade e nosso desenvolvimento psíquico.

Quando alguém nos fascina, nos atrai, quando uma pessoa ou ideia nos apaixona, também é um complexo que vem à tona. Pode ser algum potencial positivo que não desenvolvemos e está presente no outro e assim nos fascina. O potencial positivo nos atrai e o potencial negativo nos irrita. 



segunda-feira, 4 de junho de 2012

OLHAR


Por Eliane Walther



É difícil acreditar
No que estou a olhar
Quando ao caminhar
Me deparo num único olhar

Olhar que antes sorria
Olhar que hoje chora

Acreditar numa verdade
Caminhar em direção ao olhar
Hoje é fácil notar
Como o tempo vem apagar

Minha alegria que tinha a comtemplar
E hoje apenas marcas há de deixar
Na minha face estampar

A tristeza de um olhar
Algumas lágrimas estão a rolar
Nesta face marcada pelo olhar

O sorriso pode comtemplar esta face
Mas a tristeza do tempo
É mais forte
E apagar é a única certeza
Que tenho a declarar

quinta-feira, 26 de abril de 2012

MULTIPLICIDADE DE "EUS" E O CIBERESPAÇO


Por Rosa Farah


"... até pouco tempo uma pessoa seria considerada saudável e “equilibrada” tanto mais quanto mais se apresentasse ao seu meio como um indivíduo “coerente e previsível”. No entanto, na atualidade tal critério começa a ser questionado, com base especialmente na observação do comportamento dos internautas e a multiplicidade da personalidade passa a ser revista como uma nova forma de estruturação possível e 'saudável' "


Em palestra proferida em 1932, o psicoterapeuta suíço C. G. Jung afirmou: “O homem contemporâneo é apenas o mais recente fruto maduro na árvore da raça humana” . Esta observação nos permite deduzir que o ser humano ainda não assumiu sua forma definitiva: somos seres em contínua evolução, um processo que acontece de forma gradativa, paralela e integrada aos desenvolvimentos culturais e tecnológicos.

Conforme sabemos, a evolução humana iniciou-se há milênios em sincronia com a criação dos primeiros artefatos tecnológicos da cultura. Desde o surgimento das primeiras ferramentas rudimentares utilizadas pelo homem, a cultura e o próprio ser humano (seu corpo e sua consciência) vêm sendo moldados e estruturados gradualmente de maneira estreitamente inter-relacionada.

Mas segundo estudos evolucionistas, em certos momentos desse processo ocorreram “saltos evolutivos” geradores das súbitas transformações que nos tornaram seres diferenciados dos demais animais, especialmente ao adquirirmos a chamada “consciência racional”. O controle do fogo e das formas de manipulação dos metais, o manejo do plantio, a criação da roda e da escrita - entre outras “técnicas” – são alguns dos recursos que, progressivamente, permitiram ao homem atuar sobre seu meio gerando também - e simultaneamente - alterações da nossa própria conformação física e psíquica. 

Foi assim que, ao longo de incontáveis milênios, o ser humano adquiriu a forma na qual nos autorreconhecemos nas eras mais recentes: como indivíduos capazes de se expressar por meio de suas habilidades físicas e psíquicas (para o bem e/ou para o mal...). De acordo com essa concepção, uma das características essenciais do ser humano seria a sua “unicidade”, ou seja: cada um de nós se constitui como uma personalidade - “um eu” - capaz de se autorreconhecer e ser reconhecido pelos demais por suas peculiaridades.


MÚLTIPLOS "EUS" NO CIBERESPAÇO

Mas, os mesmos estudos mencionados acima apontam também o fato do processo evolutivo humano estar passando atualmente por uma nova e intensa fase de aceleração especialmente sincronizada com as recentes criações derivadas das tecnologias informatizadas. E uma dessas derivações mais significativas seria a possibilidade da experimentação – pelo humano - das inusitadas vivências subjetivas no espaço da virtualidade. Por meio dessas vivências, o homem estaria pela primeira vez em sua longa história tendo a chance de explorar e expressar seus “múltiplos eus” no ciberespaço. 

Não nos referimos aqui apenas às identidades virtuais criadas pelos internautas para se apresentarem nos sites de relacionamentos; nem apenas aos perfis ‘falsos’ utilizados eventualmente para burlar ou enganar deliberadamente os seus interlocutores. Referimo-nos também às possibilidades de autoexplorações oferecidas aos indivíduos que - no virtual – podem se redescobrir e reconhecer em si habilidades e características nunca antes expressas e por vezes até mesmo aparentemente contraditórias com a persona com a qual até então se apresentavam ao seu meio e à vida. 

Alguns exemplos: O executivo sério e sisudo que se descobre tão hábil nos games quanto seus filhos adolescentes; o advogado que explora sua veia poético-literária ao dedicar-se à manutenção de um blog; a dona de casa que se torna fluente em um novo idioma ao comunicar-se via chats ou e-mails; o adolescente tímido que se surpreende com a eloquência que pode imprimir em sua comunicação escrita, entre outras muitas possibilidades.

Algumas características da comunicação e das formas de uso da Internet parecem favorecer esse tipo de experimentação: seu caráter lúdico e a condição de anonimato (real ou suposta) são algumas dessas condições. De todo modo, alguns pesquisadores da psicologia já se interessam por esse fenômeno e começam a pesquisar as “novas formas de estruturação da subjetividade” da era pós-moderna. 

Segundo seus estudos, até pouco tempo uma pessoa seria considerada saudável e “equilibrada” tanto mais quanto mais se apresentasse ao seu meio como um indivíduo “coerente e previsível”. No entanto, na atualidade tal critério começa a ser questionado, com base especialmente na observação do comportamento dos internautas e a multiplicidade da personalidade passa a ser revista como uma nova forma de estruturação possível e “saudável”. 

O tema é polêmico, e exige observações cuidadosas antes que possamos assumir opiniões conclusivas. Mas, a questão que se coloca é sem dúvida fascinante e pode instigar a nossa própria autoobservação: afinal, quantos ‘eus’ nos habitam ?

O título da palestra citada é “Todos temos duas almas” e foi publicada em “C. G. Jung: entrevistas e encontros” – uma compilação organizada por W. Mc Guire e R.F. Hull publicada pela editora Cultrix em São Paulo, 1982 (ps. 68/69) .