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terça-feira, 3 de setembro de 2013

SOBRE A FRUSTRAÇÃO DE APRENDER A TOCAR VIOLÃO

Por Isabela Ribeiro



Já iniciei umas cinco vezes um curso de violão, que sempre acaba antes de passar das notas musicais para o arranjo delas. Sempre fui apaixonada por quem sabe fazer daquelas cordas melodias e composições, e me espanta ainda ver a facilidade que uns amigos têm de aprender uma nova música só em ouvi-la.

Aprender nomes e sequências não é tão complicado quanto espremer os dedos nas cordas para que o som saia no mínimo bonitinho, no início é assim, há todo um desleixo com a posição correta do violão, dos dedos sob as cordas e da pressão nelas. Mas não é tão aceitável saber que está fazendo errado e que mesmo tentando, ainda continua errado. Invejo todos os meus ídolos que fazem parecer a coisa mais simples e mais fácil do mundo compor belissimamente e tocar como experts. E mais, me arrependo de ter desistido facilmente as últimas cinco vezes.

A minha fascinação pelo violão ainda é a mesma, talvez por isso minha teimosia continue. E começo de novo, é a sexta vez que vejo tudo do início: nome das partes do violão, nome das cordas, sequência de notas, e espero desta vez não terminar até poder me virar sozinha.

A minha frustração por não aprender a tocar tão facilmente quanto meus amigos têm diminuído desde que ouvi falar sobre inteligências múltiplas. Na faculdade, enquanto estudávamos inteligência e o famoso teste de QI nos foi apresentada uma nova forma de ver o desenvolvimento da inteligência humana. Alguns estudiosos de Harvard desenvolveram a teoria das inteligências múltiplas, nela é abordado que as pessoas nascem com pelo menos nove inteligências, sendo essas: Verbal ou linguística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, naturalista, pictográfica e as inteligências pessoais: intrapessoal e interpessoal.

Os indivíduos têm em parte de sua herança genética algumas habilidades básicas em todas essas inteligências, mas cada um desenvolve mais algumas que outras. Gardner afirma que alguns talentos são desenvolvidos porque são valorizados pelo ambiente com o estímulo cultural, fortalecido em casa ou na escola.

Por isso existem pessoas que lidam muito bem com instrumentos musicais, outras resolvem problemas matemáticos com facilidade, outras conseguem desenhar plantas de casas perfeitamente. Contudo, não estamos restritos a uma só inteligência, também podemos nos aprimorar em outros tipos a partir de treino e dedicação. E é nessa

linha de pensamento que eu sigo teimosa em continuar nas aulas de violão, um dia eu consigo.

Uma discussão atual sobre as inteligências múltiplas envolve a escola tradicional e seus métodos avaliativos, essa está muito presa à primeira concepção sobre a inteligência baseada no modelo de QI, de Binet. Onde os alunos são estimulados e cobrados para que desenvolvam apenas a inteligência linguística e a lógico-matemática. Aqueles que não acompanharem esse sistema de aprendizado são considerados fracassados e repetem o ano, sendo expostos novamente ao mesmo sistema de avaliação e fracasso.

Assim, surgem as seguintes questões: Se somos diferentes e temos habilidades diferentes então, por que somos avaliados da mesma maneira? Ou, se queremos avaliar todos por essa linha, como prepará-los a fim de suprir as necessidades individuais, para que possam atingir o nível de aprendizado esperado para sua idade? E se já concordamos com a visão múltipla da inteligência, porque não adaptamos ainda nosso sistema educacional a ela?

As escolas com novas concepções, que consideram a abordagem das múltiplas inteligências, tendem a adicionar ao currículo de seus alunos aulas que envolvam artes, música, teatro, cultivo de plantas, entre outras disciplinas que servem de apoio as principais e que ainda dominam o currículo escolar como português e matemática. Essa nova concepção ainda não é realidade presente nas escolas públicas e nem na maioria das particulares, incluir essas disciplinas implica em trazer mais gastos à “escola” e reduzir a carga horária de outras atividades.

No mais não vou me prender a uma discussão maior sobre o papel atual da escola e nem sobre o aluno. Só quero mostrar, que mesmo fracassando numa atividade em que eu acreditava não ter a menor habilidade, ainda tenho algumas chances de conseguir. E, com certeza a inteligência musical ainda não é o meu forte, mas nada que um pouco de treino, algumas marcas nos dedos e o tempo não resolvam. E se desta vez eu aprender a tocar violão a minha próxima escolha será tocar gaita.

terça-feira, 9 de julho de 2013

SOCIEDADE DE CONSUMO

Baseados numa lógica de produção, nós seguimos desejando objetos irreais, talvez inalcançáveis, que são impostos e colocados como ideais. Essa condição se liga também aos relacionamentos e como imaginar um relacionamento duradouro numa sociedade em que a lógica é sempre a troca?

Z.Bauman aponta que nossa cultura está para o esquecimento em detrimento do aprendizado, não há como se concentrar num objeto de desejo porque ele precisa ser substituído rapidamente. A lógica de produção exige que os objetos sejam substituídos muito rápido, impedindo a concentração do desejo. O investimento que é esperado da sociedade está para uma série infinita e não a um objeto individual, assim o sujeito fica impossibilitado de saber qual objeto lhe causa desejo. Também é impedido de pensar sobre o ponto de origem deste e se vai lhe trazer satisfação.

Acontece assim também com as relações pessoais, que cada vez mais se aproximam da lógica do consumo. Não há investimento individual porque o objeto muda constantemente, o esquecimento toma o lugar do aprendizado, uma vez que, é melhor livra-se de um problema de relacionamento do que aprender com ele. Atualmente os meios de comunicação parecem estar influenciando mais e mais esse tipo de relação, curta e de satisfação instantânea, que para uma sociedade gradativamente jovem se torna eficaz e menos dolorosa.

Não é notado ainda, que essa forma rápida de satisfação traz consequências em longo prazo. Uma delas seria o sujeito demonstrar um investimento exagerado na procura de algo que satisfaça, mas com o sentimento de que nada em que invista baste.

Como atentar para isso? Como saber se está agindo assim e como mudar?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

AS NARRATIVAS TERAPEUTICAS DE ALICE

Por Isabela Ribeiro



As narrativas tem desempenhado um papel de auxílio na relação terapêutica com crianças, mostrando-se eficazes para trabalhar certos temas que se relacionam à angústia e sofrimento. As histórias de Lewis Carroll sobre Alice tem sido um tema bastante pesquisado na área da literatura, estendendo-se para a psicologia e psicanálise.



A Autodescoberta e o enfrentar o crescimento são temas bem comuns em contos e histórias infantis. Sunderland (2005) evidencia o valor terapêutico do uso da contação de histórias, que oferece à criança subsídios para lidar com suas angústias a partir da definição dos obstáculos, criação de soluções para estes além de mostrar como lidar com problemas emocionais de forma menos dolorosa. As histórias conseguem falar à criança em um nível mais profundo e em que ela se sente a vontade para discutir diversos temas

comparada às outras narrativas, Alice no país das Maravilhas se encaixa no gênero literário nonsense, que traduzido ao pé da letra significa sem sentido. Esse gênero foi consagrado nos séculos XIX e XX, onde um de seus principais escritores é Lewis Carroll, destacadas as obras Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho.


As histórias se passam num outro mundo em que Alice se depara com vários obstáculos em sua busca por ter seu tamanho certo, descobrir quem é e, enfim, se tornar uma rainha. As personagens secundárias são ao mesmo tempo o problema e a solução de seus questionamentos. Assim Alice segue em sua jornada cativando, prendendo a atenção e sendo motivo de identificação de várias pessoas, não só do público infantil.


Também por esse motivo a narrativa é tão famosa e já rendeu filmes e adaptações em séries. Como os filmes da Disney (1951) e o de Tim Burton (2010), e um episódio na série Once Upon a Time (2013).






 SUNDERLAND, Margot. O valor terapêutico da história. In: O valor terapêutico de contar histórias: para as crianças/pelas crianças. São Paulo: Cultrix, 2005.