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quinta-feira, 19 de junho de 2014

O ESTABELECIMENTO DO INCONSCIENTE EM FREUD

O INCONSCIENTE PARA FREUD E QUAIS DIMENSÕES OCORREM PARA SEU ESTABELECIMENTO
Por Gabriel Caixeta


Inconsciente...? Antes de tudo, antes mesmo de ir até a sua concepção psicanalítica, cabe-se trazer a tona um conceito que veio antes da “descoberta” e estabelecimento do inconsciente – o psiquismo. Segundo o próprio Freud em seu escrito “Algumas lições elementares de Psicanalise (1940[1938])” o psiquismo era denominado em aspectos gerais como tudo aquilo que estava à consciência do individuo, seria então nossas lembranças, ideias e sentimentos. Teoricamente essa definição seria fácil de ser popular, pois se embasava apenas naquilo que podia ser perceptível, ou seja, aquilo que de alguma forma ou de outra podíamos presenciar, tanto que até na atualidade ou se preferir contemporaneidade encontramos essa concepção no que se refere ao senso comum.

A psicanalise, proposta por Freud, não se contentava com essa definição de psiquismo, principalmente pelo fato de não se limitada ideia de que tudo que seria psíquico seria consciente e vice e versa. Havia muito mais a se buscar, a se pesquisar, enfim a se entender e foi nessa busca por uma essência do psiquismo que Freud movido por essa curiosidade de “ir além” deteve seu foco ou como próprio Nasio (1995), diria foi sua “... força, sua loucura, sua força louca, louca e genial de querer captar no outro as causas de seus atos, de querer descobrir a fonte que anima um ser” que o levou a buscar mais.

A grande descoberta do pai da então denominada Psicanalise foi de compreender que o consciente também faria parte do psiquismo, mas em hipótese alguma seria ele como um todo. Freud diria então que o consciente seria apenas uma qualidade, mas em grande parte o psiquismo seria inconsciente. “O psiquismo, seja qual for sua natureza, é em si mesmo inconsciente...” (FREUD, 1938. p. 302) A partir dessa ideia Freud, ainda “curioso” buscou a estudar esse fenômeno tão surpreendente, força motriz da vida humana, passou então a se preocupar com suas manifestações, ora, algo que existe, mesmo que na maioria das vezes mais ausente do que presente, precisa de alguma forma se manifestar. Mas como? Pois bem é nesse ponto que utilizamos além do próprio texto desse “poeta”, escritos de seus interpretadores.

Freud em suas pesquisas e estudos começou a entender que existiam alguns fenômenos que não poderiam de forma alguma vir do consciente, a exemplo ele cita o caso de um presidente de órgão publico que ao abrir uma reunião disse “Constato que um quórum de membros esta presente e por isso declaro encerrada a sessão”. Conscientemente o presidente em hipótese alguma disse a palavra “encerrado” de forma voluntaria, entretanto se pararmos para “buscar mais afundo” vamos entender que em sessões anteriores o presidente se sentiu desconfortável e com vontade de encerrar por não serem nada produtivo. (FREUD, 1938. p 304). Essa então seria sem duvida, uma manifestação do inconsciente, uma manifestação daqui que esta mais ausente do que presente, daquilo que nem mesmo nós sabemos.

Quando vamos buscar a formação desse inconsciente e principalmente suas formas de manifestações é interessante ir não apenas a Freud, mas também em alguns dos teóricos que fazem uma leitura do mesmo, aqui vamos nos apoiar em Nazio (1995) que faz uma explicação detalhada dessa constituição. Segundo a explicação do autor, nosso psiquismo é constantemente regido por uma tensão de energia que nunca se esgota, entretanto em seu funcionamento há sempre uma busca da redução da tensão, na psicanalise esse principio considerado como uma tendência leva o nome em Psicanalise de principio de desprazer-prazer.
Por mais ”estranho” que possa parecer essa tendência “simbiótica” de tensão e redução de tensão que nunca se esgota, é assim que o psiquismo funciona, como uma eterna fabrica, igual aquela mostrada no filme do Charles Chaplin “Temos moderno”, onde os trabalhadores estão sempre trabalhando com atividades repetitivas. Só que no processo de funcionamento de inconsciente e bem mais interessante. E no decorrer dessa resenha ainda vamos entender por que.

É sabido então que nosso psiquismo funciona de forma a reduzir uma tensão que nunca acaba, até por que estamos vivos 24 horas por dia. Cabe aqui ressaltar que nessa relação tensão-distensão do psiquismo o principio de prazer que busca inesgotavelmente o alivio não tem seu trabalho eficiente simplesmente porque o psiquismo não pode “resolver a excitação através de uma ação motora” (NASIO, 1995) o que devido a isso não obtém o alivio por completo. Surge aqui então outra pergunta. Para aonde vai toda essa energia tensionada que não pode (apesar de inúmeras tentativas) ser reduzida e aliviada? Aqui sim, começamos a falar verdadeiramente sobre as formas de manifestação do inconsciente bem como o explicando a sua existência.

Essa energia que “sobra”, ou melhor, dizendo a energia que não consegue ser aliviada pelo principio de realidade, sofre a força do que Freud denominou de Recalque, ou seja, sobre a força do recalcamento, Segundo Nasio (1995), o recalcamento pode ser entendido como uma barra. Essa barra teria então o papel de “controlar” a liberação de energia. É importante dizer aqui que os representantes que buscam o alivio rápido de descarga e que são barrados pela força do recalcamento e constituído pelo sistema inconsciente.
Explicado de forma sucinta o dito por Nasio (1995), existe uma tensão de energia no psiquismo, o principio de prazer e desprazer tende a buscar o alivio dessas tensões. Os representantes muito tensionados buscam então o caminho mais rápido para a satisfação, ou melhor, dizendo o alivio desse tensionamento que tanto incomoda (cabe esclarecer o sentido da palavra “incomodar”. O incomodar nesse ponto se refere a relação tensão e distensão e não a influencia que este exerce no organismo, uma vez que é possível que o alivio de uma tensão represente conscientemente no individuo uma forma de desconforto.). Entretanto como já foi bem esclarecido por Nasio (1995) “o psiquismo só pode agir à excitação através de uma metáfora da ação, uma imagem, um pensamento ou uma fala que representa a ação, e não a ação concreta, que permitiria a descarga completa da energia”. Assim sendo esses representantes “apressadinhos” sofrem a imposição do recalque fazendo que grande parte da energia seja devolvida para o sistema inconsciente.

Mais acima da resenha, questionei sobre o destino dessa energia que “sobra”, aqui agora podemos melhor reformular a pergunta, nos questionando sobre “qual o destino da energia recalcada após o retorno para o inconsciente?”. Bom, ao responder essa pergunta já podemos então caminhar para o final do presente texto.
Sabemos então que o inconsciente tem suas formas de se manifestas e que estas não são através de atos motores, mas sim de formas substitutas destes, Freud definiu então quatro formas bem claras de suas manifestações: Chistes, Atos falhos, Sonhos e Sintoma. Todos estes trazem então o “retorno do recalcado”, ou seja, trazem de forma disfarçada aquela energia recalcada (castigada) por quere buscar um alivio absoluto da tensão. A grande “sacada” aqui para se esclarecer as formas de manifestação do inconsciente e se ter em mente que a energia recalcada é justamente uma energia que não alcançou o seu objetivo (prazer) desta forma, precisa ser liberada e a única forma de conseguir isso é através desses disfarces, dessas representações substitutas.

Dentre estas “fantasias” as que mais esclarecem esse processo são os sonhos e os sintomas. Os sonhos são representações que surgem a nossa consciência durante o sono, buscando esse alivio tão almejado a questão é que por estarem sobre disfarce essas representações oníricas nunca ou quase nunca representam exatamente o motivo da tensão. Os sintomas então seriam a representação somática dessas energias recalcadas, para isso relembramos a famosa fala “o que a boca não fala o corpo fala”.
Espera-se que tenha sido esclarecida a ideia da constituição do inconsciente e principalmente suas formas de representação de forma a mostrar que o ser humano não é só isso que vemos de forma nítida e clara, o ser humano é muito mais, ele é portador de uma linguagem não dita que se manifesta de diversas formas diferentes o que deixa ainda mais belo esse objeto de estudo, tanto da psicanalise quanto da psicologia em si – a mente humana.




Referencias Bibliográficas


* FREUD, Sigmund. Algumas lições elementares de psicanálise, 1937-1939. In: ______. Moisés e o monoteísmo, Esboço de psicanálise e outros trabalhos : Imago, 1996. p. 301-306. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 18).


* Introdução às obras de Freud, ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicolt, Dolto, Lacan / sob a direção de J-D. Nasio, com as contribuições de A.-M. Arcangioli...[et al.]; tradução, Vera Ribeiro; revisão, Marcos Comaru. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

MULHERES COM DEPENDÊNCIA QUÍMICA


A IMPORTÂNCIA DE OFICINAS TERAPÊUTICAS PARA REABILITAÇÃO DE MULHERES COM DEPENDÊNCIA QUÍMICA
Por Gabriel Caixeta



Já não é mais novidade que as drogas se tornaram um tema completamente inserido no cenário social, seu uso e abuso e as consequências provenientes destes passaram a não ser apenas uma preocupação nacional, mas sim uma questão internacional, sendo enfatizadas na mídia, campanhas eleitorais e nos planos orçamentais governamentais tanto nacionais quanto internacionais.

Indivíduos usuários e dependentes dessas substancias primeiramente eram marginalizados, associados a ladrões, assassinos, pessoas da periferia que não “tinham aonde cair morto”, pessoas sem família que era jogados no mundo, porem com o passar do tempo pode-se ver que essa “imagem” deu lugar à verdadeira realidade, esta que nós mostra que para se tornar escravo de uma droga seja ela licita ou ilícita devemos apenas entrar em contato com ela, que neste mundo não existe distinção de brancos – pretos, pobres – ricos, pessoas que tem família – pessoas que não tem família.

A pós-modernidade passou a nos garantir um estilo de vida, praticamente baseado no consumo, uma sociedade aonde o individuo muda o sentido de vida, passando de existir para consumir, uma troca de uma liberdade verdadeira e saudável por uma ilusória e doentia. Uma sociedade hedonista e individualista onde o sujeito precisa encontrar uma “válvula de escape emocional”, uma forma de reduzir a carga emocional e principalmente uma necessidade constante de ser transportado para outra realidade de forma a esquecer do seu cotidiano exaustivo.

Segundo Lipovetsky, 2005 o sujeito vive a ilusão que a felicidade é possível, e que esta está ao alcance de um objeto sendo assim a dependência química seu representante extremo, pois a mercadoria precisa ser consumida, ou seja, a ilusão de que o uso desta pode vir a ser a saída de uma situação aversiva e a possibilidade de ter momentos mais agradáveis que os façam esquecer-se de seu cotidiano tão difícil.

Outra questão muito importante dentro deste contexto foi e tem sido o crescente aumento do gênero feminino nas pesquisas sobre dependência química. Os estudos sistemáticos com mulheres dependentes químicas só começaram a ocorrer nos últimos cinquenta anos, devido às reivindicações dos movimentos feministas americanos pela criação de programas terapêuticos mais adequados e sensíveis às prioridades femininas, antes disso as pesquisas era feitas com homens farmacodependentes e generalizado.

Atualmente já existem vários grupos direcionados a mulheres dependentes destas substancias, nestes são favorecidos discussões de questões importantes para este gênero como o abuso sexual, violência doméstica, preocupação com os filhos, preocupação com a aparência.

Em muitos casos as mulheres usam essas substanciam químicas, principalmente o álcool sem o conhecimento de sua família, escondendo estas em diversos lugares tais como móveis e utensílios domésticos. Com relação ao uso/abuso das substancias psicoativas ilícitas, o inicio do uso em grande parte e compartilhado com o companheiro, sendo que as drogas são trazidas por estes. Em outros caso o inicio do uso do álcool é utilizado como forma de se defender fisicamente e emocionalmente de agressões e de todo um histórico de violência familiar.

Muitas dessas mulheres internadas em centros de reabilitação apresentam reclamações como ausência e/ou perda da figura materna, dor da separação, angustia relacionada a maternidade, sofrimento diante a solidão, imposição do meio social para assumir as responsabilidades de mãe e pai dos filhos, diante disso veem nas drogas um “amigo” nas horas difíceis, companheiro que fortalece, que desinibe ou aumenta o apetite sexual, que oferece forças para enfrentar o marido, como aquele que acalenta ou mesmo como medicamento que “faz dormir e esquecer a vida tão cheia de problemas”.

Porem se vê grande rotatividade nesses grupos femininos, muitas delas não conseguem continuar o tratamento o que pode ser atribuído a vários fatores como às relações interpessoais dentro da instituição, vida emocional, inquietação com o cotidiano, preocupação com algumas pessoas fora da instituição na sua maioria filhos dentre outros.

Um ponto extremamente importante no trabalho com esse tipo de grupo de pacientes é sem duvida conseguir centralizar as ideias e crenças comuns o que proporciona a configuração de todo um laço social através de alianças inconscientes. E dentro desta ideia que vemos a importância da criação de métodos que internalizem nestas pacientes a importância da continuidade e termino do tratamento dentre eles o uso de técnicas vivenciais que despertem seu interesse como trabalhos que envolvem a arte e culinária de forma a prepara-las para o mercado de trabalho, literatura com o intuito de melhorar sua escrita, fala e a produção de textos e às próprias dinâmicas de grupo que vão facilitar o desenvolvimento de questões como companheirismo, empatia, auto- estima dentro da clinica.




quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

NOMOFOBIA; UMA NOVA SÍNDROME

E UMA NOVA FORMA DE REPRESENTAÇÃO SOCIAL
Por Gabriel Caixeta, Roberta IdaFranches e Débora Oliveira





A partir da Revolução Industrial o homem pôde vivenciar uma nova e única experiência, a produção em massa. Com ela a dinâmica de vida mudou radicalmente e concomitantemente o “progresso” não parou. Na virada do século XX início do século XXI o homem assiste uma nova explosão de desenvolvimento, a tecnologia se expande e novamente a configuração social muda.

Neste caminho, a internet começa a fazer parte da sociedade de maneira irredutível. A pesquisa de informação, a leituras das principais notícias, a troca de conteúdos, a publicação de imagens, a partilha de opinião, o contato com os amigos, à distância de um clique, é possível um sem fim de tarefas que nos permite estar permanentemente ligados ao mundo exterior.

Logo em seguida, observa-se um crescente uso de celulares. Além de sua portabilidade, eles passam a ser “completos”. Se antes o homem dispunha da internet como instrumento de comunicação, hoje, é possível ter tudo isto nas mãos. Os celulares passam a conectar o humano ao mundo. Os celulares parecem não ter limites quando se fala em evolução. Cada vez novos recursos aparecem, melhorias são adicionadas e tudo continua ocupando o mesmo espaço.

Diante de um novo arranjo social foi – e ainda é – preciso que se estude e se atente para este novo fluxo. Mediante a isto, a psicologia social e mais especificamente o construcionismo social nos ajuda nesta leitura.
Segundo Gergen (1985), os estudos sócio-construcionistas focam-se nos processos cotidianos, ou seja, como as pessoas falam, percebem e vivenciam o mundo em que se encontram. A postura básica desta perspectiva é ser crítica à naturalização dos fenômenos sociais. A base conceitual do construcionismo, define como realidade, as pessoas e os fenômenos psíquicos como sendo produzidos discursivamente. Tudo é construído nas relações.

Com o uso de celulares como instrumento de comunicação indispensável, a configuração das relações mudou drasticamente. A nova construção social se baseia em relações sem grandes intimidades pessoalmente, contudo, virtualmente as pessoas se relacionam de maneira ilimitada. É um contexto paradoxal, ao mesmo tempo em que não há um contato com o outro, há um contato com o mundo – consequentemente o outro.

Diante desse olhar teórico, vemos como nossa sociedade passou e vem passando por diversas mudanças, vivemos hoje uma nova era, marcada por inovações tecnológicas, inovações em celulares, computadores, acesso a informação com rapidez tudo para trazer maior facilidade e praticidade para a vida do novo homem, o homem da tecnologia, coisas que seus antepassados nem sonhavam em possuir. Esse homem é marcado por assumir várias representações dentro de uma mesma sociedade, é pai, marido, irmão, trabalhador e consumidor, um indivíduo sobrecarregado pelo estresse e cobranças do dia-a-dia e que muitas vezes não consegue estar presente em todos os lugares. E que possui a necessidade de se comunicar com maior frequência e agilidade com os outros.

Não é necessário procurar muito para que se possa ter a noção da importância que o celular passou a ter na vida desses indivíduos. Atualmente o telefone celular deixou de ser acessório para se transformar em objeto insubstituível de vários indivíduos. Pessoas conectadas uma com as outras em tempo integral, mandando mensagens (SMSs), atendendo chamadas, fazendo compras, realizando reuniões, dentre todas as outras atividades que antes seria necessário à presença física do mesmo.

Os aparelhos celulares passaram a servir de ferramenta para uma nova geração, uma geração que está sempre conectada e numa explosão de troca de informações. Jovens e adultos que não podem esperar o tempo passar, que precisam ser ágeis, rápidos para estar sempre à frente em determinado assunto, que não perdem uma piada entre amigos, que participam em tempo real de notícias e da rede.

Vemos a importância que estes aparelhos passaram a ter para essas pessoas, chega-se a um ponto em que esses indivíduos que tem a grande necessidade de estar em constante comunicação com o outro, começa a perder o significado de “estar presente”, observa-se essas pessoas muitas vezes sentadas em grupo numa mesa de um restaurante, todos com os celulares ligados, postando algo, enviando alguma SMS, ou tirando fotos para registrar momentos muitas vezes raros.

Pessoas extremamente tímidas passam a usar os celulares como ferramenta para conseguir interações sociais, outros nem se quer conseguem realizar tarefas simples como se lembrar de um jantar se não tiver um aviso em seu aparelho.

Como consequência dessa inovação, observamos uma perda de contato físico entre seres humanos. Com toda essa facilidade e qualidade na comunicação virtual algumas pessoas passam a não ter mais a necessidade de estarem juntas, de se tocarem, de se olharem e o mais importante de trocarem experiências. Tudo passa a ser realizado virtualmente; sejam por vídeos, mensagens, telefonemas, redes sociais, etc.

Exemplificando a importância em relação ao celular na nossa atualidade, utilizamos o filme Textuality, intitulado no Brasil como Mensagens de Amor, que conta a história de duas pessoas acostumadas a vivenciar seus relacionamentos por mensagens de celular. Demonstrando de forma fiel a dependência deste acessório digital nas relações e na própria vida do indivíduo.

Na atualidade as relações tornaram-se menos definidas ao longo do tempo e hoje é difícil até saber se você realmente está em uma. Os relacionamentos indefinidos são praticamente a tendência do momento. Hoje, a lógica da sedução impera e como resultado muitos casais caem em uma nuvem cinzenta que se assemelha a um tipo de relacionamento, mas que não tem a exclusividade e respeito que um romance real exige. E esta situação pode se adequar melhor aos homens do que às mulheres. "É importante para as mulheres terem uma posição definida", diz Marshall. "Elas são mais ligadas a relacionamentos por natureza e precisam saber o seu papel com um homem para se sentirem confortáveis."

Como vivemos uma era do “Fast-People”, tudo gira em torno do que é rápido, ou seja, demorou você já se tornou obsoleto, ultrapassado. Com constantes modificações, de estilo, de relações, a tecnologia aplicada não poderia ficar para trás.

Aproveitando uma demanda que possui paixão pelo novo e que faz crescer nos indivíduos hiper modernos, a urgência do ter para “ser”.

A grande questão aqui é justamente esta; a preocupação que se tem com o excesso da intimidade entre as pessoas e os celulares.

Segundo o psicólogo responsável pelo Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo, esse vício pelos aparelhos celulares pode virar patológico, ou seja, uma doença. Pois, nesse mundo em que todos são tão cobrados, o celular representa um canal para alívio de tensões e, com todo o aparato tecnológico que os celulares de hoje em dia possuem – rádio, câmera, internet, TV, GPS e tudo mais – eles oferecem uma sensação de que podemos ter controle de tudo e resolver qualquer problema e até carências afetivas através desse único aparelho.

Estudos veem mostrar que para acompanhar essa nova era tecnológica de tantas praticidades surge uma nova fobia, chamada de Nomofobia. A palavra vem do inglês “no mobile phobia” que, literalmente, significa o medo de ficar sem celular.

A chamada nomofobia vem dar nome a sensação de angústia que surge quando um determinado indivíduo se sente impossibilitado de se comunicar ou se vê incomunicável estando em algum lugar sem seu aparelho celular. É válido ressaltar que alguns pesquisadores não consideram a nomofobia como um transtorno de ansiedade e sim como algo relacionado à dependência, acreditam que as pessoas que sofrem deste “mal” são sensíveis a qualquer outro tipo de dependência.

“Penso que a nomofobia não existe como doença, é uma invenção que não faz sentido. Uma fobia é algo que desperta medo em alguém e não o medo de ficar sem algo. Portanto, estamos falando de dependência e não de uma fobia.” (psicóloga clínica e psicoterapeuta Lídia Craveiro, site UniversoSmart).

Seja qual for à interpretação dada ao termo nomofobia, a questão é que para esses indivíduos “dependentes” que “sofrem uma forte angústia e medo de ficarem sem seus celulares”, não aceitam que são portadores deste tipo de transtorno. Muitos colocam a culpa no trabalho ou na necessidade de se comunicar com a família ou com amigos, no caso de emergências.

Para ter uma noção dessa questão no Brasil a empresa francesa de pesquisa de Ipsos publicou um estudo sobre o impacto do celular na vida cotidiana e mostrou como esse aparelho mudou a vida dos usuários. A empresa realizou mil entrevistas com pessoas de ambos os sexos, de todas as classes sociais e com mais de 16 anos de idade, em 70 cidades e nove regiões metropolitanas. Os resultados revelaram que 18% dos brasileiros admitiram ter dependência dos seus aparelhos.

“Com essa nova liberdade, novas regras de coexistência tem influenciado e ditado pela comunicação e interação entre os indivíduos. Esta mobilidade leva a sensação de liberdade e a uma percepção de que podemos ter o mundo em nossas mãos. Essa sensação pode gerar um comportamento ambíguo de poder e medo” (pesquisadora Anna Lucia Spear King, site UOL.)


Independentemente das consequências do uso abusivo dos celulares ou da tecnologia, não se pode negar que o homem é um ser de comunicação e que sua sobrevivência depende substancialmente das inter-relações. A partir do momento em que o uso dos celulares começar a interferir no cotidiano das pessoas, causando estress, ansiedade ou angústia, estamos diante de uma situação de uso inadequado da tecnologia e possivelmente de um processo de nomofobia.