Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filosofia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

CRISE HÍDRICA?

Durante séculos exploramos nossos recursos naturais acreditando que eles eram inesgotáveis. A mentalidade de nossos colonizadores era explorar ao máximo todos os recursos disponíveis, fossem eles naturais ou humanos. Explorar sem se preocupar com as consequências e, uma vez esgotados, partir para a conquista de novas regiões.

Não se tratava, contudo, da existência nômade dos povos que aqui habitavam. Indígenas que percorriam o território permitindo que os ciclos da natureza se consolidassem, restaurando a terra, as águas, os recursos naturais. Não se tratava de coabitar um local, de pertencer a ele. Tratava-se de explorar e enriquecer, acumular riquezas, ainda que estas fossem fruto da destruição de civilizações inteiras.

Hoje, ao observar a forma como lidamos com nossos recursos - naturais e humanos -, cabe questionar: teríamos nós herdado a mentalidade de exploração de nossos colonizadores? Lembramos nós, que a terra que exploramos é a mesma que habitamos e que nos permite a manutenção da vida? Lembramos que sem ela não há vida?

A crise hídrica instaurada em São Paulo nos provoca a pensar em nossa forma de lidar com a vida. A água, recurso natural abundante em nosso país, já se fez escassa em várias regiões. Sabemos que isso se deu devido à exploração desenfreada da terra, ao desmatamento das regiões de manancial, à devastação das florestas etc, afinal, "recursos naturais sempre estarão a nosso dispor", defende a mentalidade do colonizador, "e se não estiverem aqui, não é problema nosso", prossegue a mesma mentalidade.

Pensar a terra como nossa casa, como parte de nós, e não como um objeto ou um ser que pode ser infinitamente explorado, não é algo comum em nossa sociedade. A mentalidade do lucro e do enriquecimento em detrimento da vida - desde que esta vida não seja a minha - é a mentalidade comum na sociedade vigente.

Assim, ainda que já tenhamos vivido em nosso país situações anteriores de escassez de água, a mentalidade hegemônica foi (e ainda é em muitos contextos): "não tenho nada a ver com isso", externalizando o problema como se não fosse problema nosso.

Por outro lado, um país como o Brasil, com tantos rios que o atravessam; uma cidade como São Paulo, com grandes rios que a atravessam, precisa se preocupar com a água? Por que um país que possui uma Amazônia precisa se preocupar com o desmatamento? Afinal, há tanto "mato" por ai?


Olhar individualista

O olhar extremamente individualista não é somente herdado pela mentalidade colonizadora, ele é intensificado pelo desenvolvimento da sociedade moderna, que constituirá o modo de vida contemporâneo. Somos, cada vez mais, formados para pensar em nós, em nossas necessidades, em nosso lucro, em nossas questões, em nossos benefícios. Mas dificilmente compreendemos que as questões coletivas também são nossas, que o benefício coletivo também é nosso.

Ouço alguns paulistanos dizendo a outros: "Você está vivendo um difícil problema de falta de água", como se este não fosse um problema seu também. Enquanto sua torneira não seca, o problema não existe. Utilizo o exemplo da água por ser a questão do momento, mas a mentalidade pode ser observada em diferentes situações: enquanto não me atinge diretamente, o problema não existe.

A mentalidade antropocêntrica e individualista já foi bastante criticada, contudo ela permanece hegemônica e é incentivada em muitas instâncias de nossa sociedade. A consequência disso é que tanto os problemas como as soluções são pensados isoladamente, e há casos em que isso não se aplica.

No exemplo aqui utilizado, a questão da água em São Paulo, o problema é muito mais amplo. É comum ouvirmos que a responsabilidade é do consumidor individual, que precisa armazenar e economizar, ou que a responsabilidade é de "São Pedro", que não manda chuvas, reconstruindo a mentalidade mítica em que tudo o que se passa conosco é vontade dos "deuses"; e que assim como eles geram os problemas, nos trarão as soluções, boas ou não para nós, de acordo com suas vontades.

Se assim fosse, restaria-nos rezar e aguardar a intervenção divina. Por outro lado, pensar que o problema é uma questão de responsabilidade individual, nos levará a vigiar e punir nossos vizinhos por seus banhos um pouco mais demorados, ou por que estão utilizando muitas vezes ao dia suas descargas sanitárias.

Outra forma comum para enfrentar a situação é pensar que crise é oportunidade. E assim, muitos ficam felizes com a escassez de água, e com outros problemas que assolam a coletividade, porque seus negócios poderão deslanchar a partir da crise.

Armazenar e economizar água podem ser soluções individuais para evitar um problema maior em nossas casas. Contudo, tais atitudes não têm impacto sobre a questão ambiental mais ampla: nossos córregos e rios poluídos, um saneamento básico que coleta e não trata, ou que nem sequer coleta, a venda de água com desconto para grandes consumidores com alto consumo (Programa Demanda Firme da SABESP), os interesses dos acionistas das empresas de abastecimento de água, os interesses das empresas de dessalinização ou talvez até a futura comercialização da máquina de Bill Gates que transforma fezes em água, entre outros problemas.

A grande questão parece ser como lidamos com nosso planeta, com nosso entorno. Como cuidamos de nossa vida em comum, de nossas relações com o outro e com o mundo. É fundamental que assumamos nossa responsabilidade individual sobre nossas ações, mas não podemos esquecer que vivemos num mundo que é habitado por outros seres, humanos ou não, e que as implicações de nossas ações na coletividade implicam em consequências para nós e para os outros, assim como as ações de outros implicam em consequências para nossa vida. Não é possível pensarmos o mundo somente a partir de nossos referenciais, nem tentar encontrar solitariamente soluções para problemas que demandam ações coletivas.

Há, obviamente, pessoas eleitas por nós para cuidar das questões coletivas, mas uma democracia não funciona sem participação popular. Se essas pessoas não cumprem suas tarefas, precisam ser cobradas e responsabilizadas por isso, cuidar de nossos recursos naturais e humanos é tarefa de todos nós, e sobretudo, responsabilidade de nossos governantes.

Enquanto não entendermos que dependemos da natureza e do outro para viver, e que não podemos simplesmente explorá-los sem consequências, problemas tão ou mais graves que estes surgirão em nossas vidas.

Ecologia e economia são palavras que possuem origem grega. Oikos, palavra grega que dá origem a ambos os termos, significa casa. Conhecer (logos) e cuidar (nomos, que significa regras) de nossa casa é fundamental. E nossa casa não é apenas a habitação na qual vivemos. É também o corpo, a sociedade, o planeta em que vivemos.

Utilizar o discurso ecológico como fonte de lucro, sem ações que de fato cuidem de nosso planeta, de nossa sociedade e de todos os seres envolvidos direta ou indiretamente no processo produtivo tem sido uma constante. É preciso repensar como lidamos com nossos recursos - naturais e humanos - se quisermos garantir a continuidade da vida. 
Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/filosofia.htm

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

UM BREVE PASSEIO PELA FILOSOFIA

Como todos sabem, a Psicologia Existencial é a que mais se aproxima da Filosofia. Por isso, resolvi compartilhar um material muito interessante que encontrei guardado em uma pasta esquecida num cantinho do armário. Esse material consiste em um breve comentário sobre o pensamento de alguns filósofos, seguindo uma ordem cronológica até os dias de hoje.
Completei os comentários com a indicação de alguns links, nos quais você encontrará outras referências bibliográficas, caso queira se aprofundar no assunto.
Ouço muitos alunos de Psicologia ‘reclamarem’ da matéria Filosofia e, por isso, gostaria de pontuar a importância de estudarmos os temas filosóficos e seus pensadores, ao longo de nossa história. Todo conhecimento se dá a partir de uma perspectiva filosófica que norteia o seu surgimento e se constitui no alicerce das teorias que hoje temos acesso. Mas como alicerce, não está à mostra. Porém não podemos duvidar de sua sustentação!
Quem se aproximar da Filosofia e estiver disposto a mergulhar em sua trama de pensamentos, logo perceberá que a história da Psicologia se confunde com o próprio caminho da Filosofia.
Entender a Filosofia nos oferece um rico conteúdo para compreender o que vem a ser a Psicologia. Disto, eu não tenho dúvida!
Antes de apresentar o material, gostaria de dizer que ele é apenas um pequeno recorte da diversidade que compõe a Filosofia. Em outro texto, escreverei mais especificamente sobre os filósofos que contribuíram para o pensamento existencial e seus desdobramentos na Psicologia.
Tales de Mileto
De que é feito o mundo? Se você já se fez essa pergunta, há algo em comum entre o seu raciocínio e o do grego Tales de Mileto, tido como ‘criador’ da filosofia. No século 6 a.C., Tales buscava descobrir de onde vinham todas as coisas da natureza e concluiu, em suas observações, que a água era a origem de cada pedacinho do Universo.
Para saber mais… http://www.euniverso.com.br/Psyche/Filosofia/Tales_de_Mileto.htm
Os Sofistas
Eles fugiam das verdades absolutas tal como o diabo foge da cruz. Não que ‘diabo’ e ‘cruz’ fossem conceitos conhecidos pelos sofistas, pensadores do início do século 5 a.C. Mesmo que o céu e o inferno fossem certos como 1+1=2, os sofistas não ligariam tanto, afinal, a verdade imutável dos números é importante, mas tem pouco valor diante das palavras. Para eles, retórica e poder de convencimento eram conhecimentos essenciais e, por isso, comercializáveis – foram os primeiros professores pagos da História.
Sócrates
Está aí um homem que jamais ousaria vender seu conhecimento, até porque, afirmaria Sócrates (469-399 a.C.), a virtude não tem preço. Este filósofo conviveu com os sofistas, mas acreditava apenas nos ensinamentos gratuitos. Não à toa, qualquer cidadão grego poderia encontra-lo em praças públicas travando diálogos provocativos – sua famosa dialética – com quem se propusesse a tamanha aventura. Para uns, sabedoria demais. Para outros, pura arrogância.
Platão
Tudo está em constante transformação e, ao mesmo tempo, nada muda. Parece contraditório? Para Platão (427-347 a.C.), discípulo de Sócrates, isso é o mais próximo da verdade a que se pode chegar. É que o mundo concreto (e mutável) e o mundo das ideias (e abstrato) coexistem e, por isso, as sensações de movimento e estagnação são também reais e concomitantes.
Para saber mais… http://pt.wikipedia.org/wiki/Plat%C3%A3o
Aristóteles
Todo ser humano pensa. Você é um ser humano. Logo, você pensa. Certo? A dedução simples e óbvia, chamada silogismo, é uma das táticas usadas por Aristóteles (384-322 a.C.) para explicar o universo ao seu redor. Para ele, o raciocínio lógico, o mesmo utilizado por Tales de Mileto para concluir que tudo era feito de água – bastaria para validar ou derrubar qualquer teoria.
Os cristãos
Quando o cristianismo avançou em plena Idade Média, a razão dos pensadores clássicos, como Platão e Aristóteles, uniu-se à nova doutrina religiosa. Como? Bem, para começar, Santo Agostinho (354-430) recorreu à consciência moral de todo indivíduo para provocar o homem e reconhecer sua natureza corrompida e, portanto, dependente da salvação divina. Em seguida, os escolásticos, como São Tomás de Aquino (1225-1274), disseram: ‘calma lá, fé e razão devem caminhar juntas; assim, levam ao conhecimento e, logo, ao encontro de Deus’. Teologia e filosofia deram as mãos. Coerente ou inviável? Basta escolher. Nietzsche vai refutar com gosto cada teoria cristão, enquanto Rousseau vai abraçar algumas dessas ideias.
Para saber mais…
Maquiavel
Sai Deus, entra o homem. Posto fim à Idade Média e ao teocentrismo, o Renascimento vem como promessa de libertação, mas esbarra no autoritarismo dos governantes absolutistas. Nicolau Maquiavel (1469-1537), conhecido como príncipe da filosofia, é um dos primeiros a dizer que a política do Estado deve assegurar o bem-estar de toda a nação, mesmo que para isso seja necessário usar a força. É dele a famosa frase ‘os fins justificam os meios’.
Para saber mais… Leia “O Príncipe”
Rousseau
Ele bem que tentou, mas não conseguiu se desvencilhar da crença em Deus. Para Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), a moral divina (e não religiosa) era tão inerente ao homem quanto a liberdade. Aliás, segundo este filósofo iluminista, o indivíduo nasce tão livre que, para conviver em sociedade, é preciso um pacto de confiança – o chamado Contrato Social – uns com os outros. Só assim, o uso da força para submissão do homem pelo próprio homem perde a validade e cria-se um Estado onde soberana é a vontade de todos.
Para saber mais… Leia “Do Contrato Social”
Adam Smith
Bastaria colocar Adam Smith (1723-1790) lado a lado com Maquiavel e teríamos uma discussão filosófica sem fim. Cerca de dois séculos impediriam este encontro, mas não evitariam a mudança que Smith pôs em curso: rompendo de uma vez com qualquer teoria absolutista, criou o chamado liberalismo econômico. Estimulou, assim, a competição individual e a ausência de interferências governamentais como alicerces do desenvolvimento econômico.
Hegel
Tudo faz crer que Georg Friedrich Hegel (1770-1831) era uma pessoa controversa. Bem, pelo menos, suas obras e ideias nunca passaram despercebidas e, até hoje, são defendidas ou odiadas por quem as conhece de perto. Boa parte do que produziu baseia-se no método dialético começado por Sócrates, mas vai além, muito além. Para Hegel, a contradição de ideias e eventos que se relacionam é o que molda a realidade, e a partir desta dialética é possível, até mesmo, atingir o saber absoluto sobre todas as coisas.
Para saber mais… Leia “Fenomenologia do espírito”
Marx
Ele se dizia cansado de ver a filosofia como coadjuvante da sociedade e propôs, então, o desenvolvimento de um pensamento capaz de modificar a realidade. Karl Marx (1818-1883) apoiou-se em críticas aos economistas clássicos, como Adam Smith, para explorar conceitos como alienação, classes sociais, mercadoria e mais-valia, mostrando como o homem operário vivia oprimido. A partir daí, desenvolveu-se o materialismo dialético, o qual, segundo ele, permitiria entender como a sociedade se organizava e o que fazer para torna-la mais justa. Nascia, assim, o ideal socialista.
Para saber mais… Leia “O Capital”
Bakunin
Mikhail Bakunin (1814-1876) chegou a flertar com os ideais marxistas, mas não demorou a concluir que a sociedade, dominado por quem quer que fosse, jamais seria verdadeiramente justa. Por isso, começou a defender as teorias anarquistas, as quais apontavam que a única maneira de acabar com a desigualdade seria banindo o Estado e, assim, vivendo em perfeita comunhão – mesmo que para chegar a isso fosse necessário recorrer a força ou a outros meios pouco louváveis.
Para saber mais… http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin
Nietzsche
Ao longo da História, poucas pessoas se dedicaram tanto à missão de condenar as religiões e os religiosos quanto Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900). Para ele, qualquer aspiração metafísica seria capaz de limitar o homem, por conduzi-lo a uma moral falsa e impedi-lo de enxergar seus verdadeiros valores e instintos. Ainda segundo sua visão, a libertação acontece quando as máscaras caem e, sem elas, cada indivíduo descobre do que é realmente feito.
Popper
Verdade e mentira são conceitos praticamente falidos de acordo com Karl Popper (1902-1994), respeitado filósofo contemporâneo. É que, de acordo com Popper, qualquer teoria pode ser rebatida diante de qualquer constatação negativa, mas nem todo o universo de constatações positivas é capaz de validar eterna e permanentemente uma teoria. Este argumento, chamado falseabilidade, faz cair por terra a ideia de que a observação empírica e metódica de um evento seja suficiente para esclarecê-lo 100%. Ou seja, Popper discorda de praticamente todos os filósofos que o antecederam.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O QUE MOBILIZA SUAS DECISÕES?

Por Dulce Magalhães



"A marca transcende os valores do mercado e representa as aspirações da sociedade"


Qual o mecanismo por trás de nossas decisões? Onde é acionado o comando que segundos antes movem nossos impulsos de escolha? Frente a alternativas o que nos faz eleger este em detrimento daquele?

Essas são questões que podem tirar o sono de qualquer marketeiro que se preze. É o nirvana absoluto, um verdadeiro estado da arte, descobrir o que mobiliza as decisões humanas.

Muito além das reflexões puramente técnicas ou biológicas, devemos entender que somos parte integrante de nosso meio. Essa percepção muda o enfoque e torna nossas decisões resultado de um comportamento social vigente. Respondemos às marcas que estão sintonizadas com nossas crenças, respeitam valores que nós mesmos respeitamos e nos ligam a grupos de pessoas aos quais gostaríamos de estar ligados.

Um produto de qualidade, custos competitivos, logística inteligente, atendimento capacitado, são exigências básicas, como todo mundo já sabe, mas... todo este sistema precisa estar orientado por um conjunto de crenças, uma filosofia de ação, a que se dá o nome de marca. Constituir uma marca de real valor significa espalhar a missão e os princípios de seu negócio por todo o lugar para onde se vá. Conectar clientes que pensem como a marca, afinar-se em comunidades virtuais, enfim... encontrar sua tribo e aumentá-la continuamente. Este é o trabalho da marca.

Como consumidores estamos permanentemente identificando marcas e nos relacionando com elas. Dos produtos mais simples em nosso dia a dia, como café, esponja de aço, sabão em pó, arroz e feijão até as questões de maior poder de consumo como o lugar onde vamos morar, o carro da família e até a profissão que vamos exercer, tudo está ligado a símbolos, que são as manifestações concretas de nossas crenças. Marcas são símbolos. Assim como nossos sonhos são a forma como nosso subconsciente se comunica com nosso consciente, as marcas são a mensagem clara de como nossa sociedade pensa. O que devemos comemorar é que esta mensagem está cada dia mais positiva.

Hoje faz sucesso a marca que é socialmente responsável. A marca que cuida do meio ambiente, não explora mão de obra, investe no desenvolvimento da comunidade, se preocupa com o crescimento de seus colaboradores, não tem práticas preconceituosas, é aberta a inovações e tem forte senso ético. Está correto dizer que o consumidor quer bons produtos por preços justos, entretanto o triunfo de determinadas marcas demonstra que o cidadão que consome espera muito mais das marcas que elege para sua vida. Temos que levar em conta que somos seres emocionais, toda decisão é tomada num contexto mais amplo do que a razão cartesiana pode abarcar. Assim como conseguimos pressentir um olhar às nossas costas, antecipar uma frase ou perceber o estado de ânimo de determinados ambientes, assim também identificamos valor nas marcas com as quais convivemos.

A intuição, os sentimentos e a afetividade conduzem muito mais nossas vidas que a racionalidade. Não fosse assim certamente tomaríamos decisões diferentes com respeito a hábitos e relacionamentos. Entretanto, nossa bússola interior está orientada por elementos dos quais por vezes até mesmo discordamos racionalmente. Ao pensarmos no papel que uma marca vai representar no mercado, temos que levar em conta esse contexto decisório. A simpatia está muito além da funcionalidade do produto, o fervor de fã não é construído no contexto bidimensional da qualidade, a fidelidade não é relativa ao preço. A marca transcende os valores do mercado e representa as aspirações da sociedade. Aqui vale destacar que não são apenas os desejos do indivíduo, mas do grupo em que ele está ou gostaria de estar inserido, que contam para suas decisões.

Uma marca é cada vez mais uma entidade cidadã, tem corpo através de seus produtos e serviços, mas é constituída de alma através de seu conjunto de crenças e sua ação na comunidade. Isso deve ser comemorado como uma verdadeira mudança social. Toda marca é orientada para seus clientes, a marca bem-sucedida é orientada por seus clientes, contudo a marca triunfadora é orientada pela felicidade de seus clientes. Felicidade é um valor intangível que só pode ser alcançado por atitudes e não por processos.



Fonte: UOL