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quinta-feira, 13 de março de 2014

BELÉM BELÉM, NUNCA MAIS TÔ DE BEM


"Belém Belém, nunca mais tô de bem...
Até o ano que vem."
Quem nunca disse essa frase quando criança?
Nossas eternas inimizades de meia hora, ou no máximo alguns dias.

Belém Belém, frequente frequentador de nossos dias de infância nos mostra o nosso narcisismo secundário.

"Não vou mais ser seu amigo!"
"Só volto a ser seu amigo se você deixar eu começar chutando."

E o narcisismo secundário entra em cena novamente.
Só sou legal contigo se você for legal ou útil pra mim. Se não for assim, nada feito.

"Opa! Eu não sou narcisista!"
Narcisismo é feio. Devemos ser altruístas. Altruísmo é legal.

E se eu te disser que o altruísmo é um narcisismo disfarçado.

"Como assim! ??"

A Madre Tereza (Que comece meu apedrejamento) mostrava em seus atos um narcisismo secundário.
Não que ela fizesse o bem pensando no retorno, mas inconscientemente ela tinha o regozijo com as suas boas ações.

Narcisismo Secundário = Fazer o bem - Sentir-se bem/Regozijo.

Alguns dias atrás uma amiga me procurou pelo zap zap* dizendo que queria terminar nossa amizade.

"Chega Dann, você não é mais interessante pra mim."
"Não quero ser sua amiga mais. Você está muito calado e assim não me inspira mais."

O Belém Belém dela assim como o das crianças, também durou algumas horas.

O Narcisismo Secundário estava/está muito presente no discurso dela.
E ela está certa. Assim como qualquer pessoa, ela cortou/quis cortar o vínculo com alguém que nao lhe trazia retornos.


Então eu lhe pergunto Percival**:

"Quantos Belém Belém você ainda "fala" por aí?

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

EFEITO LÚCIFER

Por Dann Toledo


"O mal é o exercício do poder"
Philip Zimbardo
 
 
 
Como pessoas boas podem se tornarem más?
 
 
A dualidade sempre permeou em nossas crenças.
O bem e o mal, o feio e o belo, o Yin e o Yang. O dualismo sempre foi tido como premissa em tudo.
 
Mas, o que faz uma pessoa boa se tornar um carrasco?
 
Há algumas décadas, foi realizado um experimento revolucionário, emblemático e extremamente estigmatizado.
 
No experimento de Stanford, Zimbardo comprovou que em situações de poder, o indivíduo tente ao mal.
 
Basicamente o experimento da prisão de Stanford consistia em uma representação de uma prisão real que foi montada no porão da universidade, onde voluntários foram separados entre guardas e prisioneiros. Os prisioneiros receberam números pelos quais eles seriam chamados durante o experimento.
 
Aos guardas foram dadas as seguintes instruções:
 
"Vocês podem gerar nos prisioneiros sentimentos de tédio, de medo até certo ponto, transmitir-lhes uma noção de arbitrariedade e de que suas vidas são totalmente controladas por nós, pelo sistema, por vocês e por mim, e não terão privacidade alguma... Nós vamos privá-los de sua individualidade de diversas maneiras. De um modo geral, isso fará com que eles se sintam impotentes. Isto é, nesta situação nós vamos ter todo o poder e eles nenhum."
 
Resultado:
 
Os prisioneiros sofriam - e aceitavam - tratamentos humilhantes e sádicos por parte dos guardas e, como resultado, começaram a apresentar severos distúrbios emocionais. Após um primeiro dia relativamente sem incidentes, no segundo dia eclodiu uma rebelião. Guardas voluntariaram-se para fazer horas extras e trabalhar em conjunto para resolver o problema, atacando os prisioneiros com extintores de incêndio e sem a supervisão do grupo de pesquisa. Seguidamente, os guardas tentaram dividir os prisioneiros e gerar inimizade entre eles, criando um bloco de celas para "bons" e um bloco de celas para "ruins".
 
O experimento conduzido por Zimbardo nos mostra de uma forma mais explícita o que acontece a todo o momento em nosso meio social.
 
Minha mãe conta que quando ela trabalhava numa repartição pública um de seus colegas de trabalho que era extremamente gentil e cortez se tornou chefe por um breve período e que com o passar dos dias ele se tornara um déspota, ao ponto que passara a humilhar os antigos colegas de trabalho, agora subalternos dele.
 
Situações como essa fazem-nos perceber que esse dualismo entre o bem e o mal, é de certa forma fictício, tendo em vista que a oscilação entre ele vai depender muito do meio onde o indivíduo está inserido.
 
Assim como o Anjo de Luz em uma situação extrema rebelou-se e se tornou o maior adversário do Bem, nós também estamos passíveis a isso durante todo o tempo.


 



terça-feira, 27 de agosto de 2013

O QUE EU APRENDI COM A PSICOLOGIA?

Por Dann Toledo


Por que eu decidi fazer psicologia?

Já me perguntei isso centenas de vezes durante esses anos.
Lembro-me de uma das primeiras aulas que eu tive de Psicologia Ciência e Profissão onde a professora perguntou Quais áreas de atuação do psicólogo que você conhece? E eu sem titubear respondi psico análise.

Muitos erros e gafes depois o curso foi se desenrolando.
A psicologia tem um poder muito grande: “Faz você amá-la ou odiá-la facilmente”.
Em grande parte das vezes, ao mesmo tempo.

Já me apaixonei e desapaixonei um zilhão de vezes por ela. Sei que não sou o único.

Acredito que muitos de vocês que estão lendo isso, devem estar pensando: Nossa! É assim mesmo.

Na faculdade aprendi sobre ID, EGO, SUPEREGO, Inconsciente, Estímulo, Resposta, Sombra, Persona. Aprendi sobre áreas de atuação, linhas de abordagem, métodos de intervenção.

Na faculdade eu aprendi que por mais que você estude você vai acabar recalcando o conteúdo na hora da prova e por mais que você implore o recalcado não volta “nem a pau”.

Aprendi também que muita teoria nem sempre equivale a muito conhecimento e que grande parte do que você leva pro set terapêutico você aprendeu em conversas com amigos de sala.

Na psicologia eu me encontrei e me perdi. Mais me perdi do que encontrei.

Congressos, Encontros Regionais, Nacionais, Vivências, Festas, Caroés... Tudo isso me ajudou muito na construção do profissional que serei.

Lembro-me do meu primeiro atendimento em clinica: Esquematizei toda a sessão em casa. Escrevi o que eu ia falar como iria sentar, o que seria trabalhado. Enfim: Tudo.

O paciente chegou à sala, eu esqueci tudo e comecei a pedir a ajuda de Skinner para que ele me desse uma luz lá do outro lado.

Quantos micos eu já paguei em estágios, quantas vezes fiquei desesperado ao ler o DSM e ver que eu me enquadrava em quase todos os transtornos.

Aprendi tanta coisa com a psicologia.

Aprendi que ser psicólogo é muito mais do que ter um consultório e fazer atendimentos. Muito mais do que ler Freud, Skinner, Lacan, Bauman e tantos outros teóricos.

Aprendi que ser psicólogo é olhar de uma forma mais nítida o que realmente importa. Ser psicólogo é se importar com causas sociais e se engajar em coisas que podem mudar o nosso meio.

Aprendi que ser psicólogo é ser revolucionário. Ser psicólogo é uma dádiva, mas também uma responsabilidade enorme e prazerosa.


E você, o que aprendeu com a psicologia?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

SÓ MAIS UMA LAMBIDINHA

 Por Dann Toledo



Ah, o prazer!

O prazer que nos move, nos intriga, nos aprisiona e nos fascina.

Freud afirmou que o ser humano vive em busca dele para consequentemente evitar a dor.

Sendo assim, temos o prazer como um antagonista da dor.

Então, onde o encontramos?

O prazer pode ser encontrado de diversas maneiras: Numa viagem, numa lambidinha na cobertura de um bolo, numa comida, num passeio no parque e claro no sexo.

Bauman corrobora com o pensamento de Sig¹ ao dizer que buscamos a felicidade e fugimos da infelicidade.

Tudo que nos dá prazer nos dá vida. O prazer vicia, ele nos faz querer mais que uma lambidinha no bolo, nos faz querer mergulhar e comer o glacê inteiro.

Só mais uma lambidinha?

Então, o que seria o prazer se não a felicidade?

Por isso o sexo é uma fonte inesgotável de felicidade e vida.

Durante o sexo, milhões de fogos de artifícios estouram dentro de nossos cérebros. Um orgasmo é mais intenso que a queima de fogos no réveillon de Copacabana. Sinapses, conexões e hormônios se movem no ritmo dos nossos quadris.

Além do mais, o prazer sexual evita que doenças psíquicas ocorram². A ausência dele segundo Magdalena Salamanca³ faz com que as doenças e transtornos mentais sejam mais recorrentes.

Por séculos fomos proibidos de senti-lo. Fomos proibidos de viver, de gozar, de sentir a vida fluindo em nós.

Fomos proibidos em virtude de uma moral monoteísta judaico cristã de ao menos conhecer o prazer.

A mulher não podia gozar.

O casamento era só pra procriação.

A masturbação é pecado mortal

Porém, com o advento do pensamento, começamos a pensar o prazer. Começamos a buscá-lo e a vê-lo como essencial para nossa vida.

Freud então vem nos falar sobre o mal-estar na cultura onde o princípio do prazer se choca com o princípio da realidade. Algo que em toda nossa busca pelos frutos dos nossos neurotransmissores irá sempre acontecer.

Então, mergulhemos no prazer, nos lambuzemos em orgasmos únicos, duplos, triplos, múltiplos. Deixemos-nos ser aprisionados pelo prazer, pois não há nada melhor do que ser preso pela fonte de vida.

Permitamos-nos gozar. Gozemo-nos.

Pois o prazer nos move, nos intriga, aprisiona, fascina e também não nos deixa adoecer, nos cura e nos faz viver.

Foi um prazer falar com vocês.





¹    Sigmund Freud
²    Globo.com
³    Psicanalista especialista em sexo.







domingo, 7 de outubro de 2012

NÃO TENHO DIREITO DE SER PSICÓLOGO?

Por Dann Toledo


Acabei de postar em meu perfil no Facebook, o link do artigo Psicologia Cristã em Destaque e na mesma hora um contato (que acabou me excluindo) começou com os seguintes comentários e eu o questionei.

Transcrevo aqui os comentários:

E##o - Nojo

Dann - Nojo?

E##o -Muito

Dann - Por quê? Exponha teus argumentos.

E##o -  Psicologia cristã. Não precisa nem argumentar, o absurdo de misturar as duas coisas já é autoexplicativo.

Dann - Você leu o texto? sabe do que eles estão falando? Essa tua fobia pelo cristianismo se fundamenta em que?

E##o - escolhe outra profissão, cara, sério


Sou estudante de psicologia, sou cristão e sou cidadão. O contato referido disse sentir nojo de cristãos. 

Como deveríamos nos portar em relação a isso?

O que fazer?

Falando como cidadão, sem me ater a leis, teorias e termos técnicos, digo que me senti extremamente ofendido com os comentários dessa pessoa. Procuro respeitar as diversidades. Já escrevi sobre isso (LINK AQUI), luto contra qualquer tipo de preconceito cristão para com qualquer outro seguimento da sociedade.

Vivemos num país laico onde temos o direito de professar a fé que quisermos, e temos garantido por lei o direito de sermos sim psicólogos cristãos, mulçumanos, macumbeiros, espíritas, judeus e qualquer outra fé.

Então, por que essa theofobia?

Se eu, enquato cristão disser algo do tipo em relação a uma postura de outrém, serei tomado por judas no dia de malhação. Então como agir quando eu, estudante de psicologia/psicólogo sou vítima de ataques como esse?

Como nós, enquanto profissionais em psicologia devemos agir para que atitudes como esta (vindas de qualquer lado) não exista mais?

O meu contato disse que eu deveria procurar outra profissão pelo motivo de eu ser cristão. Então eu pergunto: 
Como uma pessoa que tem uma postura dessas diante da crença do outro será ou é um bom profissional?

Dentro da psicologia não podemos levantar bandeiras atacando outrem. Devemos levantar bandeiras em favor da diversidade. E quando eu digo diversidade, me refiro a todo o tipo de cidadão, cristão ou não, muçulmano ou não, espiritualista ou não, homossexual ou não. Ou seja, cidadãos, que merecem respeito e têm direito a liberdade independente da crença, ideologia, orientação sexual ou o que quer que seja.




quarta-feira, 22 de agosto de 2012

SOBRE CRISTIANISMO E HOMOSSEXUALIDADE

Por Dann Toledo


Atualmente tenho ouvido e visto muito sobre questões acerca da cura gay, homossexualidade, o papel do psicólogo, homofobia, cristianismo e psicologia dentre muitas outras coisas.

Hoje, eu resolvi escrever algo em relação a isso.
Enquanto estudante de psicologia e cristão, acho muito importante poder falar o que penso.

Durante o decorrer do texto, vocês poderão ver muito mais um cristão/cidadão do que um futuro profissional de psicologia. E é como um cidadão que penso que devo me posicionar acerca de todos esses fatos. Muitas vezes estarei falando diretamente para cristãos, outras para profissionais e estudantes de psicologia e em todas elas, para os leitores como um todo.

Não vou me ater a leis, PLs, linhas teóricas e nada muito científico.

Bom, vamos lá:

Um dos argumentos que cristãos usam para aconselhar homossexuais deixarem de ser homossexuais é que isso é um pecado e por ventura disso irão para o inferno.

Na Bíblia encontramos alguns textos que vão contra a prática homossexual, tais como:

"Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é toevah (impureza)" Lv. 18:22

"Se um homem dormir com outro homem, como se fosse uma mulher, ambos cometerão toevah" Lv. 20:13

Baseados em textos como esse, muitos cristãos, alguns até psicólogos pregam contra a homossexualidade. Gritam aos quatro cantos que isso é errado, que eles estão pecando, que os homossexuais são pervertidos e tantas outras coisas. Ainda tomando versículos como este, as pessoas costumam em nome do que é certo agredi-los e discriminá-los.

Agora, enquanto cristão, eu pergunto:

Segundo a Bíblia, homossexualidade é pecado. E segundo a mesma Bíblia, masturbação, cobiçar algo que é do outro, mentir e principalmente o ódio, também são pecados. E mais uma vez a Bíblia nos diz que Deus não faz diferenciação entre pecados. Então, por que em nome de Deus, as pessoas agridem e odeiam alguém que não se diz heterossexual e não fazem o mesmo consigo mesmo quando cometem qualquer outra coisa que são tratadas como pecado?

A Bíblia também diz que Deus ama o pecador, independente do seu pecado e Jesus (o personagem principal dela) diz aos que o seguiam que o maior mandamento de todos era o amor. Ou seja: Amar ao próximo independente do que ou quem ele fosse.

Ao longo da história da humanidade, os aspectos individuais da homossexualidade foram admirados, tolerados ou condenados, de acordo com as normas sexuais vigentes nas diversas culturas e épocas em que ocorreram. Quando admirados, esses aspectos eram entendidos como uma maneira de melhorar a sociedade;


Quando condenados, eram considerados um pecado ou algum tipo de doença, sendo, em alguns casos, proibidos por lei. Desde meados do século XX a homossexualidade tem sido gradualmente desclassificada como doença e descriminalizada em quase todos os países desenvolvidos e na maioria do mundo ocidental. Entretanto, o estatuto jurídico das relações homossexuais ainda varia muito de país para país. Enquanto em alguns países o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legalizado, em outros, certos comportamentos homossexuais são crimes com penalidades severas, incluindo a pena de morte.

As principais organizações mundiais de saúde, incluindo muitas de psicologia, não mais consideram a homossexualidade uma doença, distúrbio ou perversão. Desde 1973 a homossexualidade deixou de ser classificada como tal pela Associação Americana de Psiquiatria. Em 1975 a Associação Americana de Psicologia adotou o mesmo procedimento, deixando de considerar a homossexualidade uma doença. 

No Brasil, em 1984, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) posicionou-se contra a discriminação e considerou a homossexualidade como algo não prejudicial à sociedade. Em 1985, a ABP foi seguida pelo Conselho Federal de Psicologia, que deixou de considerar a homossexualidade um desvio sexual e, em 1999, estabeleceu regras para a atuação dos psicólogos em relação às questões de orientação sexual, declarando que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão" e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e/ou cura da homossexualidade. No dia 17 de maio de 1990, a Assembleia-geral da Organização Mundial de Saúde (sigla OMS) retirou a homossexualidade da sua lista de doenças mentais, a Classificação Internacional de Doenças (sigla CID). Por fim, em 1991, a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos.


Sou terminantemente contra a cura gay, até porque podemos ver que não existe nada que deva ser curado. E meu papel enquanto estudante, psicólogo e cidadão e cristão é garantir o direito de todos, independente de raça, costume, crença e orientação sexual. Se é pecado ou não, se é errado ou não, isso não importa. O que realmente importa é que devemos garantir o direito de todos poderem ser o que são sem que sofram nada por isso.




Referências


Politics as friendship By Horst Hutte; p66
(Bernstein, 2005)
a b Nota Pública - Comissão Nacional de Direitos Humanos apóia decisão do CFP. POL - Psicologia On Line.
a b Luis Mott (Setembro de 2006). Revista Estudos Feministas:Homo-afetividade e direitos humanos. 
Conselho Federal de Psicologia (22 de março de 1999). RESOLUÇÃO CFP N° 001/99. 





terça-feira, 7 de agosto de 2012

BRASIL; UM PAÍS DE "PSICOHIPOCONDRÍACOS"

Por Dann Toledo



Estamos vivendo uma época muito boa para a psicologia, onde a popularização das profissões psi estão em alta. Já não se tem mais tanto estigma em relação a profissão. Não enxergam mais como loucos aqueles que fazem terapia e a profissão deixou de ser elitizada, fazendo com que as massas possam ter acesso à ela.

Porém, em relação a isso, algo deve ser visto com preocupação. A popularização das profissões psi, também trouxeram uma popularização das doenças mentais. Vejo com extrema preocupação o grande número de "doentes" mentais ou psicológicos.

Com frequência temos ouvido algo como:

"Tomo 2mg de Clonazepam (Rivotril)  e você?"
"O médico passou 2mg, mas estou tomando 4mg. Mas estou tomando também 10mg de Metilfenidato (Ritalina) "

"Rivotris" e "Ritalinas" surgem de bolsas, mochilas, armários e caixinhas de remédio com uma força cada vez maior. Dividem espaço com dipironas e Dorflex em nossas farmacinhas dentro de casa e são distribuídos aos parentes como se fossem água.

Fazer uso desses fármacos tem gerado uma condição de status.

"Eu tomo Rivotril e você não."

Em 2010 o Brasil consumiu 2,1 toneladas de Clonazepam, a droga da paz já é a segunda droga mais consumida, perdendo apenas para o anticoncepcional Microvlar (Super Interessante - Julho 2010).

Esse grande consumo do benzodiazepínico é muito facilitado devido ao baixo preço do fármaco e a facilidade com que as receitas do tarja preta são conseguidas.

Creio que a popularização das profissões psi seja muito benéfica. Porém devemos tomar muito cuidado com o que isso pode acarretar. Não podemos passar de um país que teme e sataniza as doenças mentais e as profissões psi, para um que os idolatra e diviniza.

Estamos nos transformando em um país "psicohipocondríaco". E pessoas que antes não tinham nenhum problema com isso, lotarão nossas clínicas devido essa forma de histeria coletiva que tem nos assolado.



terça-feira, 12 de junho de 2012

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MORTE


Por Dann Toledo



Então eu me questionei: 


- Quantas vezes deixamos de falar coisas bonitas às pessoas que amamos, e só nos damos conta disso quando elas morrem?



Quanto tempo perdemos com futilidades quando na verdade poderíamos estar falando e demonstrando o nosso amor por aqueles que estão ao nosso lado. Em um momento estamos juntos, e no outro nem ao menos ligamos para dizer boa noite (pra quem não sabe as operadoras de telefonia têm ótimas promoções que tornam as ligações bem mais baratas). O tempo passa, as prioridades mudam e aquilo que deveria ser verdadeiramente prioritário em nossas vidas, acaba se tornando um mero supérfluo.

O que é fútil se torna importante e o que deveria ter uma importância infinita, se torna irrelevante. E assim, nós só percebemos essa bobagem toda que fizemos, quando já não há mais tempo para revertermos os fatos. Quantos beijos e abraços poderíamos ter dado nas pessoas que amamos, e hoje já não podemos mais fazer isso? Quantas vezes nos despedimos de alguém de uma forma ríspida, sem nos darmos conta que aquela pode ser a última vez que veremos essa pessoa?

A morte nada mais é do que um alívio para tudo isso, e uma forma de nos sentirmos menos culpados. Quem morre se torna bom, quem morre não tem pecado.


Esse perdão póstumo nada mais é do que um perdão a nós mesmos. Um perdão a nossa falta de tempo, um perdão a nossa mudança de prioridades.


Pois nos tornamos moscas egoístas e bêbadas girando em torno dos nossos próprios dejetos egocêntricos, sem nos darmos conta de que o mundo não é só isso. 



quarta-feira, 2 de maio de 2012

MINHA MÃE COM ALZHEIMER

Por Dann Toledo


Faz algum tempo que sinto a necessidade de escrever com um maior comprometimento para o blog, porém, não achava um tema específico.

Aventurei-me sem muita emoção pelas bandas da esquizoanálise, mas confesso que essa definitivamente não é a minha área. Sendo assim, sentia-me em falta com os outros colunistas, com o blog e principalmente comigo mesmo. Todavia mais uma vez, venho confessar que ainda não encontrei O assunto que faça meus olhos brilharem. Porém, hoje, ao vivenciar uma situação - que mais tarde discorrerei sobre ela - senti a necessidade de começar a escrever sobre.

Pois bem, vamos lá.

Há pouco mais de um ano, minha avó veio a falecer. Viveu até seus 89 anos, e simplesmente foi apagando. Ela que sempre foi uma pessoa forte, com um raciocínio rápido e ótima resposta cognitiva, sofreu muito em seus últimos anos, por causa do Mal de Alzheimer.

Segundo a Wikipedia:

O Mal de Alzheimer, Doença de Alzheimer (DA) ou simplesmente Alzheimer é uma doença degenerativa atualmente incurável mas que possui tratamento. O tratamento permite melhorar a saúde, retardar o declínio cognitivo, tratar os sintomas, controlar as alterações de comportamento e proporcionar conforto e qualidade de vida ao idoso e sua família. Foi descrita, pela primeira vez, em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome. É a principal causa de demência em pessoas com mais de 60 anos no Brasil e em Portugal, sendo cerca de duas vezes mais comum que a demência vascular, sendo que em 15% dos casos ocorrem simultaneamente. Atinge 1% dos idosos entre 65 e 70 anos mas sua prevalência aumenta exponencialmente com os anos sendo de 6% aos 70, 30% aos 80 anos e mais de 60% depois dos 90 anos.

Lembro-me mesmo muito novo, de uma conversa que tive com ela alguns anos antes de sua morte onde ela me relatava como se sentia;

"...É como se viesse uma borracha e apagasse tudo o que tem aqui dentro [mostrando a cabeça]!
Em um momento eu sei quem eu sou e quem é você, no outro, simplesmente tudo se vai; Não sei onde estou, quem sou eu e o que estou fazendo aqui..."

Os sintomas que minha avó apresentava, foram aumentando dia após dia, e mesmo com todos os esforços que meus tios fizeram, ela foi aos poucos esquecendo-se de tudo, esquecendo-se de quem era. Seu humor sofria uma constante mudança e muitas vezes nós, mesmo com toda a informação, não sabiamos como lidar com a situação.

Por diversas vezes lembro de meus tios e de mim mesmo discutindo com ela, durante os estágios primários da doença, pois minha avó estava mais teimosa do que já era. Toda essa situação gerou em nossa família um desgaste, e fez com que aos poucos os cuidados dela fossem postos ao encargo de uma tia minha que por uma feliz ou infelicidade é enfermeira.

Ao lerem isso, vocês podem até achar minhas palavras um tanto quanto rudes, porém sei que muitos aqui pensam a mesma coisa, e assim como eu, flagelam-se e repreendem-se por pensarem assim. Tivemos (os outros filhos e netos) a sorte de termos minha tia que é enfermeira, que tomou as rédeas da situação e com muitos erros e acertos, cuidou de minha avó até o fim da sua vida.

O restante da família reservou o dever/direito de manter visitas sociais a minha avó, coisa que aos poucos alguns deixaram de fazer. Sei que essa postura é quase que desumana, mas as coisas tenderam a acontecer assim.

No fim de sua vida, minha avó passou alguns dias na UTI de um hospital de minha cidade, o que fez com que a família adotasse uma postura mais preocupada, e de uma certa forma proporcionou à nós uma espécie de união. Ao final de dez dias minha avó, veio a falecer, e um ciclo foi encerrado, de uma maneira triste, porém, as coisas pareciam ter acabado.


O ALEMÃO VOLTOU

Ao olhar os filhos da minha avó hoje, eu começo a identificar neles, alguns desses primeiros sintomas do DA, e isso faz com que eu venha a pensar; "Será que vamos agir com eles, da mesma forma como agiram com minha avó?".

Tudo tem começado a se repetir, e cada vez mais próximo. Minha mãe está começando a apresentar alguns desses sintomas! Mesmo com toda a informação e com toda a vontade, eu temo que assim como eles fizeram com minha avó, meus primos e eu, venhamos a fazer o mesmo com eles. Não estou falando aqui sobre aqui se faz, aqui se paga, mas sim, sobre algo que pode sim ocorrer, talvez por medo, falta de capacidade, ou simplesmente por não querermos vivenciar novamente a experiência que já tivemos.

Temo por nós, temos por eles, temo por todas essas pessoas que passam por isso. O que parecia distante, tem a cada dia se aproximado, e eu me pergunto; "Como agirei quando esse momento chegar?" ou "Será que terei a capacidade e paciência para passar por isso?". Esse texto então torna-se pra mim uma válvula de escape, onde coloco o que estou pensando, não como profissional ou estudante de psicologia, mas sim como homem. Como filho!

Sei que não será nem um pouco fácil, e sei que meu conhecimento poderá ajudar nessa situação, sei também, que se para mim e meus primos, as coisas não serão fáceis, para meus tios e mãe, elas serão assustadoras.

Estarei escrevendo mais sobre essas experiências e espero que possamos nos ajudar em relação a tudo isso!

Muito Obrigado!

Dann Toledo


sexta-feira, 27 de abril de 2012

O QUE VOCÊ TEM A VER COM A CORRUPÇÃO?

Por Dann Toledo




No último dia 21 de abril, foi dado um minúsculo grande passo em direção à liberdade política em nosso país.

O Dia do Basta, como a mobilização foi denominada, levou às ruas de todo o país milhares de pessoas. Em todos os estados da Federação, em diversas cidades, o povo saiu às ruas. Caras foram pintadas, músicas foram entoadas, faixas levantadas e assim foi dado um "peteleco" nas orelhas da nossa sociedade.

Todavia, ainda não conseguimos alcançar a tão sonhada e utópica mudança em nosso cenário político. Ao pensarmos em corrupção, normalmente pensamos em escândalos com nossos legisladores e com os que ocupam os cargos executivos.

Devemos levar em consideração que a corrupção assim como a moralidade, começa dentro de nosso próprio self . Somos seres políticos e sociais, com isso, é nosso dever nos policiar em nossos pequenos atos, para que assim possamos cobrar dos outros uma mudança que dantes já tenhamos no mínimo começado a internalizar.

Todas as vezes que pedimos favores de formas obscuras, mesmo que venhamos pensar que não há nada de mais nisso, estamos sim sendo corruptos. O nosso tão amado jeitinho brasileiro, nada mais é do que uma forma de burlarmos o sistema de regras e com isso, nos tornarmos aquilo que dizemos repudiar; corruptos.

Uma campanha do Minitério Público denominada "O que você tem a ver com a corrupção?" trata justamente sobre isso: Como nossos atos mais simples e muitas vezes ditos inocentes e normais podem ser atos corruptos. Pedir que o guarda de trânsito libere o carro numa blitz mesmo estando irregular, levar um atestado médico no trabalho sem que realmente tenha estado doente, falar para um colega assinar a lista de presença no colégio, faculdade ou bater teu cartão no trabalho. Tudo isso nada mais é do que corrupção.

Com tudo isso, se queremos realmente mudar o cenário de corrupção que toma conta do Brasil, devemos primeiro começar por nós mesmos, pelas nossas casas, pelos nossos atos!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ACESSO?


Vivemos num país, e por sua vez em uma cidade onde leis asseguram os direitos das minorias. Direitos esses, que alem de quase nunca serem respeitados, quando os são, ainda fazem de forma errônea.


Todos nós estamos cansados de saber o quanto é necessário o acesso de pessoas com necessidades especiais. Quando falo em acesso, não estou falando somente em acesso motor, mas em todo o tipo de acesso: Cultura, Educação, Motor, Informativo, enfim, acesso à dignidade.
Mas agora você vem me perguntar: Aonde você quer chegar com isso?
Somos uma sociedade hipócrita, que prega igualdade, mas é a primeira que discrimina. Falamos que somos compreensivos e que respeitamos o direito dos outros, mas na maior parte das vezes privamos a expressão alheia. Mascaramos nossos atos preconceituosos com ideais sociais que nem sempre estão presentes em nossas vidas.
Tanto eu quanto você, sabemos que temos que garantir direitos iguais para todo ser humano, que devemos assegurar acesso e dignidade a todos.
Mas agora eu pergunto: - Porque não fazemos isso?
Há algum tempo atrás, postei um comentário em uma rede social acerca disso. Nesse comentário, denunciava um determinado estabelecimento comercial de Vilhena, que estava desrespeitando o direito de acesso da população cadeirante ou com dificuldade de acesso motor. Houve então as adequações necessárias, com certa pressão, e agora não sou bem visto pelos donos do local.
Sabe por que isso aconteceu?
Porque nossos atos de responsabilidade social ainda são medíocres e hipócritas. Construímos uma rampa de qualquer jeito e dizemos que garantimos acesso motor, doamos um livro velho de nossas estantes e com isso dizemos que estamos promovendo a cultura e educação.
Temos que sempre nos lembrar que ao garantirmos esses direitos, não teremos nada para nos orgulhar, tendo em vista que não estamos fazendo um favor, mas sim, nada mais do que a nossa obrigação.

Dann Toledo

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A MORTE DE UM DITADOR

E O NASCIMENTO DE UM DEUS
Por Dann Toledo




Morreu Kim Jong-il o ex-ditador Norte Coreano. Confesso a vocês que não conheço muito sobre o governo dele, assim como o restante do mundo, tendo em vista a política extremamente fechada de seu país.
Corpo de Kim Jong-il.

Assistindo imagens daquele país em momento de luto, algo nos parece estranho, não é mesmo? Mais de uma semana após a morte dele as pessoas ainda se encontravam desesperadamente em prantos.

Crianças, mulheres, velhos, homens, enfim, todos daquele país estão completamente desesperados, vivendo uma espécie de histeria coletiva. Mas, o que faz com que eles ajam assim? A primeira vez que vi imagens dessa Coréia do Norte enlutada, tive (e ainda tenho) um misto de riso e espanto.

Esse comportamento de extrema veneração segundo a psicanálise cumpre certas carências emocionais e psicológicas que geram uma ligação libidinal com a autoridade, que por sua vez estava encarnada no “líder bondoso”. Se analisarmos a cultura e o meio no qual aquela população tem vivido durante todos esses anos, acreditando ser Kim Jong-il quase um semideus, tendo em vista as fantasias que sempre cercaram a sua vida, desde seu misterioso nascimento numa “montanha sagrada”, até o “choro” das divindades com a morte dele, que fez com que a montanha se fendesse e com isso estremecesse o céu e a terra, vemos assim certa lógica no comportamento dos norte-coreanos.

Para nós que estamos de fora, é muito fácil distinguir toda a farsa e fantasia acerca do “amado líder”, porem se tentarmos enxergá-lo com os olhos de seu povo, que sempre o viram envolto em um carisma extraordinário que o tornou um ser especial para seu país, isso se torna bem mais difícil de ser feito. Esse delírio e essa catarse coletiva nos discursos do líder e o pranto desesperado pela sua morte tem se sustentado num vinculo emocional de mesma natureza, que se estabeleceu com a figura de autoridade atingida à ideal do ego.

Essa espécie de projeção paterna, pode nos explicar como Kim Jong-il ao contrario de outros ditadores no mundo todo, sempre foi um “amado líder” para o teu povo. Isso me remete à obra de George Orwell, e a sociedade utópica que Snowball fazia com que os seus liderados acreditassem estar vivendo.

Mesmo olhando todos esses acontecimentos através da ótica da psicologia das massas, não tem como não nos questionarmos se em tudo isso não há certo fingimento, que aquelas lagrimas sofridas não sejam somente uma forma daquelas pessoas esconderem a verdade de si mesmas. Uma verdade tão insuportável, que elas preferem prantear a morte de seu líder na forma de um semideus, do que encará-la e ter que assumir que não passam de um povo sem identidade própria, que suas vidas foram e ainda têm sido baseadas em uma mentira, em um ideal não ideal.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

UM POUCO MAIS SOBRE ESQUIZOANÁLISE


Por Dann Toledo



Como foi dito no primeiro artigo, a esquizoanalise foi criada Guattari e Deleuze, sendo uma concepção da realidade como um todo, desde as coisas mais simples, até as mais complexas, tendo como responsáveis por toda a parte real, a produção e a realidade.

Era a década de 1970, envoltos pelos ideais libertários que ainda pairavam sob o ar parisiense o filósofo e o psicanalista, idealizaram essa nova corrente teórica, que mais tarde influenciaria fortemente as vertentes da psicologia clinica no Brasil.

Essa então recém nascida teoria, propõe uma substituição de conceitos psicanalíticos como a relação entre Família e Neurose, por uma nova visão onde as relações institucionais, clínicas e sociais são percebidas através da relação entre Capitalismo e Esquizofrenia, trazendo uma nova forma de se enxergar conceitos como o desejo e o inconsciente sendo respectivamente a produção e a usina, e não como dantes, onde eram vistos como falta e teatro.

Dentro da esquizoanalise surgiram novos conceitos, tais como rizoma, micropolítica, transversalidade e corpo sem órgãos e também um novo paradigma: O ético-estetico-politico.

Ela não é somente uma pratica clinica, visto que sua intenção primordial é estabelecer o rizoma, que seria caracterizado como um saber mais subterrâneo que para Deleuze rompe com as barreiras da estrutura lingüística dos saberes.

Por fim a esquizoanalise vem para romper com os padrões médicos onde seus diagnósticos por meio de códigos de doenças, ainda formam a base da clínica médica e da psicologia clássica.