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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

FALANDO SOBRE AUTISMO

O autismo é um transtorno de desenvolvimento que tem sido cada vez mais discutido não apenas no meio acadêmico, mas também na mídia. Atualmente, fala-se em transtornos do espectro do autismo (TEA), que englobam desvios caracterizados por um comprometimento na capacidade da criança de estabelecer contato e de interagir, de responder aos estímulos sociais e na comunicação verbal e não verbal. Devido à diversidade de sintomas encontrados no grupo dos TEA’s, hoje utiliza-se o termo espectro autístico.
A clínica do autismo é complexa e diagnosticar o transtorno é o passo inicial para que o tratamento tenha resultados positivos. Recomenda-se sempre a atuação de uma equipe multiprofissional, que tenha conhecimento sobre o desenvolvimento psíquico infantil. Nesse universo, a Psicanálise tem contribuído na detecção precoce dos sinais autísticos e também no atendimento de bebês e crianças que apresentam problemas de desenvolvimento.
Quem quiser saber mais sobre o que caracteriza o transtorno, quais os sinais comuns, o que fazer quando há suspeita de autismo, tratamentos e melhoras no quadro, entre outras questões, vale ler a entrevista que segue abaixo, realizada pela psicanalista Luciana Saddi com a psiquiatra e psicanalista Elisabeth Lordello Coimbra, especialista no assunto.
1. O que se passa com uma criança com autismo?
Inicialmente a criança tem dificuldade em estabelecer uma ligação afetiva com os pais e com as pessoas à sua volta, geralmente demonstrando interesse pelas coisas, principalmente as que estão em movimento. O primeiro sinal observado costuma ser o fato de que a criança não aprende a falar ou fala pouco e repete sons ou palavras isoladas. Pode apresentar agitação e movimentos repetitivos de parte do corpo, ou do corpo inteiro, voltando-se para estes estímulos e retirando-se do convívio e apresentando prejuízo no seu desenvolvimento.
2. É possível traçar uma linha comum quando se fala em um quadro de amplo espectro? Há graus diferentes de acometimento?
A linha comum se baseia nos sinais descritos acima: desenvolvimento prejudicado pela falta de contato afetivo, dificuldade ou atraso na fala e autoestimulação. Sim, há graus diferentes de acometimento, com os sinais se apresentando de forma tênue, até graus muito acentuados, com maior prejuízo ao desenvolvimento da criança. Além disso, os sinais descritos podem se acompanhar de outras manifestações, como por exemplo, não olhar nos olhos, não brincar, ter sensibilidade a ruídos e aparentar não sentir variações de temperatura.
3. Quais os sinais que nos levam a suspeitar que uma criança sofra de autismo?
Os sinais são estes já descritos: falta de contato afetivo, prejuízo no desenvolvimento da fala e os movimentos corporais. O importante é que o diagnóstico seja feito o quanto antes. Ele pode ser feito mesmo em bebês que interagem pouco com os pais, por mais que eles se empenhem para promover o contato afetivo.
4. Quais medidas podem ser adotadas diante de uma suspeita dessas?
A família, ao notar ou ser alertada para uma suspeita de autismo, deve conversar com o pediatra e os professores, para verificar se a suspeita se confirma. Em caso positivo, como a questão central do autismo tem a ver com o problema das ligações afetivas, o profissional a ser procurado deve ser da área emocional.
5. De acordo com a visão médica oficial o autismo não tem cura, mas tem tratamento? E qual o tratamento mais adequado?
A medicina se dedica ao estudo das doenças e de acordo com o ponto de vista médico, o entendimento acerca do diagnóstico fica mais restrito e o prognóstico mais limitado. Nós, psicanalistas, não ignoramos o diagnóstico, mas trabalhamos com a saúde, com a possibilidade individual de cada criança em retomar seu desenvolvimento. A oportunidade que este blog nos dá é importantíssima, pois podemos apresentar informações que não circularam na mídia televisiva. É necessário que os pais sejam informados que há esperança com o tratamento psicanalítico, frente à perspectiva da possibilidade de retomada do processo do desenvolvimento de seus filhos, que está prejudicado.
6. Temos como avaliar qual criança responderá melhor ao tratamento? Quais são os indícios de bom prognóstico?
Quanto antes for feito o diagnóstico e iniciado o atendimento melhores serão as chances de bons resultados. Evidentemente a criança cujo desenvolvimento não estiver por demais prejudicado, responderá melhor. O atendimento psicanalítico precoce poderá se contrapor às forças a favor da manutenção dos mecanismos repetitivos corporais, fato que estimula o uso do corpo e dificulta o desenvolvimento da vida mental da criança. Fundamental para a boa evolução do tratamento é contar com a colaboração dos pais.
7. E em relação aos pais, qual a atenção que se dá aos pais de uma criança autista?
Elizabeth: A atenção aos pais é um dos aspectos importantes, pois geralmente esses pais chegam muito enfraquecidos em suas funções paternas e também desiludidos, após peregrinarem por consultórios de vários especialistas. É importante construir junto com eles o entendimento do que se passa com seu filho e ajudá-los a desenvolver a continência emocional que a criança e eles tanto necessitam, para lidarem melhor com as dificuldades que enfrentam.
8. Quais as dificuldades com a escolarização? É recomendada a inclusão?
As crianças autistas apresentam, além da dificuldade de relacionamento afetivo, um importante prejuízo no seu desenvolvimento simbólico, ou seja, têm um funcionamento muito preso ao concreto, e necessitam ajuda para construírem um vínculo com o aprendizado. A inclusão é recomendada devido à qualidade da atenção e disponibilidade afetiva que elas demandam.

*Elisabeth Lordello Coimbra é membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), psicanalista de crianças e adolescentes pela IPA e Coordenadora da Diretoria de Atendimento à Comunidade da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.
*Luciana Saddi é psicanalista, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e membro associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP).

terça-feira, 25 de setembro de 2012

SÍNDROME DE ASPERGER: VOCÊ CONHECE?


A aproximadamente 3 décadas surge pela primeira vez a expressão “ Síndrome de Asperger”. Mas afinal o que é esta perturbação que vem crescendo no interesse de Psicólogos e Psiquiatras? Que difere do autismo? Como podemos lidar com isso? São sempre questões que surgem em pessoas que contactam direta ou indiretamente com crianças com esta perturbação.

O termo “Síndrome de Asperger” surge numa revista científica pela primeira vez em 1981, com o objetivo de homenagear Hans Asperger um psiquiatra e pediatra que estudou essa perturbação identificando-a em 1944. Mas só em 1994 foi reconhecido oficialmente pelo DSM, na sua 4ª edição.

O Asperger pertence ao espetro do Autisto (Ver  Autismo: Conselhos e Características ). Mas diferem do Autismo, relativamente na Tríade Autista, o domínio social e comportamental pode estar igualmente afetado, porém o domínio da linguagem e comunicação não apresentam atrasos significativos, nem ao nível cognitivo.


AS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DAS CRIANÇAS COM ASPERGER SÃO:

Deficit grave na interação social – Os Aspergers têm dificuldade em compreender as suas emoções e as dos outros, apresentando um extremo egocentrismo. Dificilmente compreendem e interpretam o que o outro está a sentir ou que sentimento está associado a determinada expressão facial. Alguns autores chegam a falar em baixa inteligência inter e intra pessoal (Ver as 9 Inteligências de Gardner) .

Interesses, atividades e comportamentos muito restritos – As crianças com Asperger, possuem interesses muito específicos durante muito tempo. É frequente encontrar crianças com Asperger com um único tema de interesse. Além disso, estas crianças apresentam comportamentos repetidos e estereotipados, à semelhança de outras perturbações do espetro autista. Tal como o autismo, possuem fortes rotinas e dificuldades na mudança.

Sem atrasos significativos ao nível da linguagem e comunicação – Os Aspergers, apresentam linguagem sem prejuízos relevantes. Por norma compreendem e são compreendidos sem dificuldades.

Não revela atrasos relevantes ao nível do desenvolvimento cognitivo – Ao nível cognitivo, as crianças com asperger não apresentam atrasos significativos. Aprendendo a ler, fazer contas, adquirir competências cognitivas a um ritmo normal, possuindo um QI dentro da normalidade.

Esta perturbação, visto ser relativamente recente e existir pouco conhecimento sobre a mesma, o seu diagnóstico torna-se difícil de executar com precisão, sendo muitas vezes confundida com perturbações como a: obsessivo-compulsiva, depressão, esquizofrenia, desordem de Touresse, problemas de atenção, etc.

Tal como qualquer perturbação do espetro do autismo, não existe uma cura, mas existe técnicas de controlo e de estimulação, que podem minimizar os deficits associados. Mas para isso ser possível e eficaz, é necessário ser diagnosticado o mais cedo possível, proporcionando um apoio e acompanhamento desde cedo de forma a prevenir e minimizar consequências. Pode encontrar aqui os critérios para o diagnóstico segundo o DSM-IV.

Estudos indicam que o Asperger é 4 a 5 vezes mais frequente do que ao Autismo, sendo mais comum entre os rapazes do que nas raparigas. Relativamente à origem desta perturbação, tal como o autismo, não existe unanimidade, porém acredita-se também surgir de uma predisposição genética, originando uma desordem neurobiológica.

Alguns Aspergers, dado o seu elevado interesse e investimento sobre áreas muito especificas, conseguem desenvolver competências específicas, muito acima do considerado normal, como fazer contas, calcular sequencias numéricas, saber que dia da semana foi dia x, entre outras, porém estas competências especificas não são sinônimos de elevados QI.


NA PRÁTICA REVELAM-SE MAIS ESTÁVEIS QUE OS AUTISTAS, PORÉM É NECESSÁRIO:

 Rotinas consistentes e sem surpresas;

Aplicar regras de forma gradual, por escrito de preferência;

Usar o seu interesse, para relacionar com outros conhecimentos.

Usar exemplos e pensamento concreto;

Evitar lutas de poder.


Fonte: PsicologiaFree



domingo, 2 de outubro de 2011

Falsa psicóloga disse que sofre de déficit de atenção


A proprietária da clínica Cenacomp, especializada no tratamento de crianças e jovens autistas, declarou nesta quarta-feira (28) que não concluiu o curso de Psicologia porque sofre de déficit de atenção. 
Beatriz da Silva Cunha disse, no entanto, que o distúrbio não prejudicou a sua capacidade intelectual para atender crianças com necessidades especiais. 
Acusada dos crimes de estelionato, propaganda enganosa e de falsidade ideológica, ela foi interrogada pelo juiz Alcides da Fonseca Neto, da 11ª Vara Criminal da Capital. Segundo a ré, o delito cometido por ela foi exercício ilegal da profissão.
“Eu errei. A minha fama foi construída com bons resultados que obtive com várias crianças e com minha especialização curricular”, afirmou a ré ao confessar que cursou até o 8º período da faculdade de Psicologia. Ela disse também que a ausência do diploma sempre a incomodava. “Eu dizia que era psicóloga, mas continuo incomodada com o fato de não ter conseguido concluir o curso. Ninguém sabia que eu não era psicóloga. Eu escondia esta informação de todas as pessoas, inclusive de mim mesmo”, ressaltou.
A acusada explicou que sua habilitação em autismo foi adquirida no período em que foi estagiária e funcionária contratada do Centro de Desenvolvimento Humaitá, além dos treinamentos e cursos com especialistas brasileiros e estrangeiros. Ela citou também a participação em congressos nos Estados Unidos e México. “O meu hiper foco era tratar de crianças especiais. A prática não veio da faculdade. Eu comecei a procurar fora”, frisou.
De acordo com os autos, Beatriz Cunha se intitulava como psicóloga,  terapeuta comportamental e pós-graduada em Psicologia Médica pela Santa Casa, chegando a ministrar palestras e cursos. Além do atendimento diário às crianças e jovens, a sua clínica na Rua Sorocaba, em Botafogo, Zona Sul do Rio, mantinha convênios com a Marinha e a Universidade da Força Aérea.
Quanto às declarações de pais de que a acusada não emitia recibos pelos serviços prestados, ela negou a acusação. Beatriz disse que tinha várias funções na clínica e que os responsáveis só se lembravam dos recibos no final do ano ou durante o período de declaração de imposto de renda.
Entre os presentes à audiência, que durou cerca de duas horas, estavam ex-funcionários da clínica, familiares da ré e pais de crianças e adolescentes pacientes da clínica. A delegada de polícia Candisa Andrea Mandim, cujo filho de oito anos foi atendido na clínica, acompanhou o interrogatório. Ela foi a primeira a desconfiar de Beatriz, quando pediu um recibo para a declaração do imposto de renda. O documento foi emitido com registro de outra pessoa. Testemunha nos autos, a delegada contou que pagou R$ 800 apenas pela primeira avaliação comportamental do filho e mais R$ 50 mil pelo período de dez meses, entre março a abril de 2010, referentes às três horas diárias de atendimento da criança. Segundo ela, ao invés de evoluir, o menino regrediu. “Eu procurei a Delegacia do Consumidor, mas conforme fui falando com outros pais, vi que havia coisas mais graves”, afirmou.
O processo também tem como réu o marido da falsa psicóloga, Nelson Antunes de Farias, que foi interrogado na semana passada. Ao final da audiência, o juiz Alcides Neto determinou a remessa dos autos ao Ministério Público estadual para alegações finais e, em seguida, para a defesa dos réus. Após, ele vai proferir a sentença.

Fonte: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2011/09/28/falsa-psicologa-disse-que-sofre-de-deficit-de-atencao/