quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

DEPRESSÃO E PSICANÁLISE

Para a Psiquiatria, a depressão é uma alteração do humor caracterizada por tristeza profunda, acompanhada de apatia, desânimo, inapetência, desinteresse sexual e pela higiene, insônia e um sentimento de falta de sentido na vida. Esses sintomas podem ou não se alternar com seus contrários: humor exaltado, denominado “mania”, ou em grau mais leve,hipomania. Se por um lado os sintomas depressivos nos fazem sentir pesados e pesando aos que convivem conosco, os de mania nos fazem sentir ótimos, não necessitando de nenhum tipo de ajuda, o que, entretanto já não se dá com os familiares, que podem perceber certas inadequações, falta de limites, gastos exagerados e assim por diante.
Esses quadros nos levam a perguntar: se eu tenho esses sintomas, sou doente? Estou doente? O que se passa comigo?
A Psicanálise traz sua contribuição no sentido de pensar estas questões.
Embora não seja claramente detectável, há sempre um evento desencadeador dos sintomas, que pode ser um sentimento de perda, de luto. Às vezes ele pode passar despercebido, mas está lá.
O que acontece é que cada vivência desse tipo em nossas vidas “engancha” em outras anteriores, ainda que possamos não nos dar conta disso, potencializando cada uma delas.
É importante distinguir quando se trata de tristeza como resposta ajustada a situações normais de vida, mas que cada vez mais temos dificuldade de conviver. Infelizmente, estamos cada vez menos “preparados” para suportar os sentimentos de tristeza pois além de os evitarmos, estamos muito frequentemente em busca do prazer, da satisfação e da preferência imediata.
Pode parecer estranho, mas é muito comum em adolescentes sentimentos depressivos, pelo luto, um luto difícil de fazer diante da perda do corpo infantil, das vivências e expectativas da vida de criança que, comparadas às novas e complexas expectativas do mundo adolescente, eram familiares e administráveis pelo jovem.
Também parece estranho falar que mães que recentemente tiveram seus bebês, acolhidos com muito amor, também vivam sentimentos de luto – e elas vivem! Isto porque, além de muitas mudanças hormonais, o estado de humor da gestante vai sofrendo modificações: parece que toda sua vida se lentifica, seu foco de atenção vai se estreitando em torno de tudo o que diz respeito ao seu bebê, o que é muito interessante no sentido de colocar a mãe em sintonia com ele, favorecendo que lhe ofereça os cuidados que necessita.
Após o nascimento, a mãe se depara com o vazio no seu corpo, com as demandas do bebê, com os confrontos entre o bebê que havia imaginado e com o bebê real, que agora ocupa tanto espaço na sua mente e na sua vida.
Consideramos tanto essa ‘depressão’ pós-parto como a ‘depressão’ adolescente uma depressão normal. Isso não quer dizer que desconsideremos a ocorrência de quadros com características muito intensas, com enorme prejuízo para a vida da mãe ou do adolescente, ou de qualquer pessoa, e que demandam então uma atenção especial.
Nos casos de depressão em adolescentes, deve-se prestar muita atenção aos sinais que possam indicar algum risco de suicídio, especialmente se além do isolamento e dos sintomas já mencionados, surgirem também outros sintomas, tais como ideias estranhas, ou mesmo delirantes, acompanhadas ou não de alucinações.
No caso de crianças, para as quais costumamos ter a visão idealizada da “infância feliz”, muitas vezes fica difícil detectar sintomas depressivos. Crianças deprimidas podem ser vistas como crianças boazinhas e quietinhas, obedientes e tímidas. Por outro lado, as crianças com manifestações hipomaníacas podem ser confundidas com crianças decididas, ativas, bem resolvidas.
O que se passa é que vivências de perda provocam a necessidade de elaboração do luto, processo no mais das vezes difícil de conviver, muito sofrido para quem o vive e também difícil para as pessoas próximas suportarem. Desse modo, lançamos mão de mecanismos de defesa contra o sofrimento, sendo que a exaltação de humor, a já mencionada “mania” ou hipomania, é uma das formas de nos defendermos, de tentarmos não entrar em contato com nossas dores.
O problema é que tais defesas prejudicam o trabalho de luto, prolongando e até cronificando os sentimentos de perda, podendo acarretar em prejuízos para o desenvolvimento da criança e mesmo para o adulto conseguir encaminhar sua vida com maturidade.
Assim sendo, é muito importante que estejamos atentos aos sinais que possam indicar que uma tristeza deixou de ser algo “simples” e passou a se intensificar, afetando nossas vidas ou de alguém de nosso convívio.
Pode-se buscar tratamento psicoterápico, psicanalítico e mesmo em alguns casos pode haver a necessidade de administração de medicamentos como recurso auxiliar.
As famílias que ajudam seus membros a enfrentar, conviver e a superar perdas podem muitas vezes se ver diante de limites. Daí a necessidade de ajuda especializada, o que não deixa de ser também uma forma de demonstrar amor.
Onde buscar ajuda:
1. Centro de Atendimento Psicanalítico (CAP) – ligado à Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP)
Rua Sergipe, 441 – Conj. 62 e 51
Higienópolis – São Paulo/SP – CEP: 01243-001
Telefone: (11) 3661 9822

2. Clínica Psicológica “Durval Marcondes” do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da USP
Av. Prof. Mello Moraes, 1721 – Bloco D
Cidade Universitária – São Paulo/SP – CEP: 05508-030

Telefone: (11) 3091 8248 e  (11) 3091 8223
Endereço Eletrônico: clinica@usp.br

3. Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae
Rua Ministro Godoi, 1484
Perdizes – São Paulo/SP – CEP: 05015-900
Secretaria da Clínica: Telefone: (11) 3866 2735 ou (11) 3866 2736
Fontes: Maria Thereza de Barros França – psicanalista e membro da SBPSP

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