quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O QUE VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER?

Por Patrícia Renata



Segundo a psicóloga Maria Elci Spaccaquerch, o desenvolvimento da sociedade ampliou as opções profissionais, mas o Direito, a Engenharia e a Medicina continuam sendo as de maior prestígio. Ela diz ainda que muitos jovens acabam optando sem vontade por uma destas profissões pelo fato de ser valorizada pelos pais. Isto ocorre com frequência, ocultando talentos que poderiam ser desenvolvidos em outras áreas (SALSEIRO, 2010).

E você fofinha, o que vai ser quando crescer? Sempre quando me faziam essa pergunta, minhas pernas tremiam. Eu não nunca soube o que responder.

Pois pra mim eu já era alguma coisa; eu era gente!

Como isso não bastava e eu brincava muito de escolinha, dizia envergonhada “professora”. Mas eu pensava que não teria chances de ser professora porque era uma profissão onde eu teria que saber tudo e não daria conta de aprender e muito menos de ensinar.

Insegura e na onda do momento, fiz o curso de Administração em Turismo durante cinco anos. Na verdade, eram dez cursos em um só. Administração, hotelaria, organização em eventos, cerimonial, gastronomia, etiqueta, noção de agência de viagem, recepcionista, animador de festa e guia turístico. Enfim, muita informação para um curso só. No final sabia muito pouco de muita coisa. Fiquei extremamente confusa ao terminar o curso. Realizei trabalhos em eventos, cerimoniais, administrativos e turísticos, mas não conseguia ser leve no trabalho. Sempre tensa, preocupada e desmotivada não dava cem por cento do meu potencial.

Então, quis fazer parte da “liga da justiça” do Brasil e decidi estudar Direito, mais quatro anos de muito estudo e observação. A verdade é que alguns conteúdos de Direito tinham que fazer parte do ensino fundamental como a Constituição e o Código Penal. Terminei o curso e uma coisa foi diferente do outro já realizado, esse eu não fiquei confusa, tive a certeza que não iria trabalhar na área. Tive a sensação que eu jamais poderia fazer parte da “liga da justiça” porque ela não existia para todos, faltava mais valores humanos que propriamente justiça na própria “liga”.

Entrei em uma crise existencial. Daquelas: de onde vim, pra onde vou e o que eu espero de mim? Em um grande isolamento que propus a mim mesma, encontrei várias respostas de perguntas que ainda nem havia feito. E comecei a relembrar de coisas que gostava de fazer quando ninguém me observava. Escrever, ensinar crianças, falar rimando, escrever cartinhas para minhas amigas que não davam conta de expressar seus sentimentos, dançar imitando a Turma do Balão Mágico e ler livros de Psicologia. Numa noite de estudos intensos para o concurso de delegado em meu Estado, um insight mudou toda minha história. Comecei a me ver daqui dez anos, quem seriam meus amigos? Sobre o que conversaríamos? Segundo Idamar Carpinelli, orientadora vocacional do Ciee – SP (Centro de Integração Empresa-Escola – São Paulo). “Os jovens, cada vez mais prematuramente, são obrigados a escolher a profissão. Contudo, sofrem influências dos pais, professores, amigos e da mídia. Por isso, é importante que eles tentem se imaginar daqui a 10 ou 15 anos naquela profissão”.

Após pensar e ler sobre isso, percebi que minha paixão não era solucionar crimes e sim fazer com que as pessoas entendessem os motivos a não realizá-los. Comecei então a perceber que eu poderia ser importante para pessoas que são reprimidas em seus desejos, sentimentos e emoções. Conversei com moradores de rua, adolescentes rebeldes, adultos alcoólicos e percebi que ser preso ou levar uma bronca não fazia muita diferença na vida deles não. E sim uma orientação sincera que não tiveram oportunidade de ter por falta de familiares presentes ou de pessoas preconceituosas.

Um toque no meu coração fez com que meus neurônios realizassem sinapses perfeitas, buscando na memória minha paixão pela área que estuda o ser humano na sua complexidade e subjetividade. E aqui já não me importava se alguém diria que eu era incapaz de passar na prova da OAB ou que eu não sabia o que eu queria da vida. A verdade é como se diz na bela canção do Teatro Mágico: “quem busca nunca é indeciso”, busca até achar. E achar parece que não tem fim, porque quando achamos aquilo que procuramos, queremos achar mais e assim é a vida, buscar, encontrar, estudar e repassar. Aprender e ensinar.

Essa história foi contada pelo meu coração aos futuros e indecisos jovens que atualmente possuem muita informação, porém pouquíssima atenção em filtrar o que realmente importa. Antes de queremos ter uma profissão, temos que querer ser gente. Mas só gente não basta. Temos que ser gente que luta de verdade! Se eu tivesse seguido meu coração em primeiro lugar, não teria dado tanta volta em torno de mim mesma. 

Ao procurar um sucesso profissional, pesquise sobre áreas de atuação, não só em pesquisa na internet, mas tente ajuda de pessoas que trabalham na área para deixar você passar uns dias o ajudando sutilmente, não tenha vergonha e nem medo de perguntar, saia do lugar, procure apoio psicológico para trazer a consciência em suas decisões e leia muito. Caso seus pais sejam totalmente contra a área que você goste, na maioria das vezes, não é implicância e sim expectativas daquilo que eles esperavam pra eles próprios e sonham que seja o melhor pra você. Convide-os para uma terapia familiar.

Se já estiver em algum curso e pensar em desistir, reflita muito. Não deixe as coisas pelo meio do caminho. Feche um ciclo para começar outro. Assuma seus erros e corrija-os nos próximos dias de sua vida. Nunca desista. Não é fácil ter pique para uma segunda ou terceira faculdade. Hoje tenho conflito de geração em sala de aula, tenho 34 anos e estudo com jovens de 16, minha capacidade atencional não é a mesma, a paciência também não, tenho mais despesas financeiras, mas a vontade e tolerância supera isso. E o preço a pagar é alto, menos tempo com os filhos e amigos, menos finais de semana livre, menos andar sempre linda e maravilhosa, falar menos, ser um pouco menos. Você seria capaz de pagar esse preço? Ás vezes é uma questão de mais entendimento específico de que seu curso possui e menos ansiedade, até achar algo nele que combine com você. Persistir é algo importante. Eu persistia, mas não tinha foco. Para o autor Goleman, foco traz um olhar inovador sobre o segredo para o alto desempenho e a realização e mostra como a atenção tem um papel fundamental para o sucesso.

O ideal de vida que sempre sonhamos aos poucos será alcançado se existir esforço, humildade, lágrimas, dedicação, respeito, autoconhecimento e certo afastamento de opiniões da massa social. Quanto antes soubermos quem somos, de onde viemos e pra onde iremos, mais seguro estaremos em nossas decisões e não deixaremos as opiniões dos outros nos abalar. Hoje não sonho mais em ser da “liga da justiça” e luto em prol do surgimento da “liga humanista”.

Atualmente escrevi um livro infantil “Catapora”, que faz uma reflexão sobre transformar a dor em amor e amor em aprendizado. Ao longo da vida pretendo escrever mais e publicar outros livros. Aprendi a estudar de forma eficaz, também pudera né? Depois de tantos anos estudando, uma hora aprende. Estou no quarto período de Psicologia e ainda tenho muito que aprender. E o pouco que eu aprender quero compartilhar com aqueles que querem lutar para um futuro humano melhor, bem melhor.

Lembrando quer “ser” é muito mais importante do que “ter”. Sempre!

Boa humanidade a todos! Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons. (Sigmund Freud)

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