quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

ABANDONO E INFÂNCIA SEM A MÃE


abandonoEntrevista cedida pela psicóloga Marisa de Abreu sobre  Reencontro de mães e filhos – Revista Minha Novela Ed Abril

  

Como o pai deve lidar quando a mãe abandona o filho

Deve-se sempre contar a verdade à criança. Quando a criança é muito pequena ela vai ouvir as palavras mas não vai entender muito bem o sentido delas, mas é importante que a verdade seja sempre dita. Com o tempo ela vai absorvendo o sentido destas palavras e vai entendendo o que de fato ocorreu. O importante é que o pai não coloque grande carga emocional ao contar, que isso seja uma informação e não um desabafo do pai, esta criança não é seu terapeuta e não deve criar mais dor do que deveria. Quando o pai espera “o momento certo” para contar que a mãe está viva mas não está presente este momento pode ser tarde demais e criar mais traumas na criança do que se soubesse desde o inicio.
Na verdade a criança pode lidar muito bem com o fato de não ter sido criada pela mãe. A dor virá com o tempo quando ela perceber que a maioria das crianças são criadas pelas suas mães mas a dela não está presente. Este é o momento para o pai colocar de forma tranquila o que ocorreu, se a mãe precisou se ausentar por motivos de força maior, se ela não tinha condições psicológicas de criar uma criança, etc.

Mentiras atrapalham o crescimento pessoal

Alguns acreditam que uma mentira pode proteger a criança da dor do abandono. Creio que seja mais fácil pensar que sua mãe não está presente devido a falecimento, por exemplo,  do que ter de lidar com o abandono. Mas se esta não for a verdade haverá sempre o risco dela se decepcionar muito mais do que se soubesse desde o inicio.
Acredito que as pessoas precisam lidar cada um com sua verdade, por mais dolorida que seja. Sabendo lidar com suas dores, trabalhando a superação as pessoas saem mais fortes do que se forem preservadas por seus pais protetores.

A família pode ajudar a criança na situação de abandono

A família ajuda muito mais do que imagina apenas estando presente. Só isto já demonstra que ela é amada por muitas outras pessoas, ajuda-a a entender que a mãe fez uma escolha, que mesmo que pareça errada foi o que ela teve condições de fazer na época.   A família ajuda a criança a entender que ela não foi responsável pelo fato da mãe ter ido embora, ajuda a demonstrar que ela é muito querida por um numero muito grande de pessoas.
Não devemos exigir das pessoas mais do que elas tem para dar, se esta mãe não tinha amor suficiente para abrir mão de outras opções e ficar com o filho não devemos exigir um amor que não existe.

Como pode ser feita a reaproximação entre mãe e filho

A melhor forma é que exista um “filtro”, alguém que possa intermediar este encontro e o torne mais fácil. Alguém que faça a introdução desta mãe conversando antes com a criança, explicando que ela estará presente, talvez para sempre ou talvez por um período de forma a perceber se este momento é desejado por esta criança. Caso ela não deseje ou não esteja preparada o encontro não deve ocorrer.

É possível que a crinça rejeite essa mãe

É possível que esta criança não sinta qualquer sintonia com esta mulher que a gerou mas não foi sua mãe no melhor sentido da palavra. Caso isto ocorra esta mãe sempre tem o direito de insistir, tentar de outras formas, mas caso a criança não queira só resta a mãe aceitar o fato – assim como só restou a criança aceitar o fato de viver sem ela até aquele momento.
A mãe tem o direito de tentar. Ela faz parte da história da criança mesmo que de uma parte triste da história. Acredito que cada um deve lidar com sua realidade, pode ser que o reencontro não seja uma explosão de felicidade, mas ainda assim será uma oportunidade de crescimento e aprendizagem para todos.
Mas sempre resta a possibilidade de ser muito positivo, sempre é possível que esta criança fique muito feliz em finalmente ter contato com sua mãe e que esta mãe consiga dar o amor que esta criança merece.

Sempre haverá marcas

Não há como pagar a história, o fato da separação não será apagado, mas sempre é possível que a criança lide com este fato de forma mais leve do que imaginamos e não guarde rancores ou traumas pela separação. A felicidade em finalmente ter contato com sua mãe pode superar  a dor da separação. As marcas não serão apagadas mas é possível que sejam amenizadas com o amor que a mãe possa oferecer mesmo que tardiamente.

Ajuda de um psicólogo sempre será bem vinda

Um profissional, o psicólogo,  pode ajudar em qualquer uma destas etapas:
- Contar para criança que a mãe está de volta
- Marcar o encontro
- Estar presente no encontro
- Acompanhar a criação de um relacionamento saudável entre eles.


Fonte: MarisaPsicologa

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