sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A PALAVRA FOI FEITA PRA DIZER

Para quem gosta de literatura, a exposição Conversas de Graciliano, em cartaz no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, é uma ótima dica.
O projeto no MIS foi executado a partir do recém lançado livro Conversas, de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla, em que estão reunidas 25 entrevistas que o escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953) concedeu a jornais e revistas, ao longo de sua vida.
A ideia da exposição foi exatamente dar voz a Graciliano – voz da qual, na verdade, não existe registro algum. As entrevistas são, assim, uma forma direta de ouvir o que o escritor tinha a dizer, para além da sua produção ficcional. E, ao contrário da imagem sisuda e focada em sua própria obra que às vezes transparece em sua ficção, nas entrevistas Graciliano se mostra um homem que falava sobre tudo, era bem humorado, irônico e autocrítico.
Na mostra, há vídeos sobre a vida do escritor e depoimentos. As frases estampadas na parede, sem exceção, são todas do próprio Graciliano. Em um dos painéis, há uma entrevista encenada em que o ator Marat Descartes, no papel de Graciliano, conversa com o jornalista Edney Silvestre.
Depoimentos de algumas personalidades compõem a mostra audiovisual. Entre eles, Alcides Villaça, Antonio Carlos Secchin, Luiz Costa Lima, Luiz Ruffato, Luiza Ramos Amado, Ricardo Ramos Filho, Marçal Aquino, Marcelino Freire, Maria Rita Kehl, Nuno Ramos e Silviano Santiago. Ao todo são 20 depoimentos, disponíveis em um monitor.
O livro de Ieda Lebensztayn e Thiago Mio Salla é resultado de um trabalho intenso: foram mais de dez anos pesquisando não apenas a obra de Graciliano, mas também fontes primárias, como jornais e documentos oficiais. E um traço marcante de sua obra, que fica bem evidente, é o fato de cada capítulo ser singular e possuir força dramática, concisão e autonomia, como se fossem contos. Essa particularidade formal tem tudo a ver com o seu contexto de vida e a necessidade financeira, que o levou a publicar contos/capítulos, crônicas e artigos na imprensa da época.
Vidas Secas, o romance mais conhecido de Graciliano, é um exemplo disso. Antes de ser lançado em livro, os 13 capítulos – independentes entre si – já tinham sido publicados separadamente, como contos, no jornal. Vidas Secas foi, por esse motivo, chamado por Rubem Braga de “romance desmontável”.
Com curadoria de Selma Caetano, a exposição no MIS é gratuita e fica aberta até o dia 09 de novembro.
Para mais informações, acesse o link: http://tinyurl.com/lchfgqf

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