quarta-feira, 26 de novembro de 2014

FILME - RELATOS SELVAGENS

Freud disse um dia: “O humor é um dom precioso e raro”. O pai da psicanálise mostra o seu humor sarcástico numa história real, acontecida em 1938, quando teve que deixar a Áustria, depois que sua filha Ana foi presa e interrogada pelos nazistas.

Ele foi obrigado a assinar um documento, dizendo que não sofrera maus tratos e, com ironia fina digna do humor negro, acrescentou com sua própria letra:“Posso recomendar altamente a Gestapo a todos.”

Ou seja, fazer humor é saber lidar com o sofrimento através de palavras que fazem rir. É transformar a tragédia em algo risível e assim, triunfar sobre a dor.

Um excelente exemplo desse modo de falar sobre as limitações e os desastres da vida humana é o filme “Relatos Selvagens”, que tem Agustín e Pedro Almodóvar como produtores.

Em seus seis episódios, todos ótimos, rimos da maneira como pessoas como nós mesmos, perdem as estribeiras quando tudo dá errado.

Os episódios, escritos e dirigidos por Damián Szifrón, 39 anos, que também participou da montagem, mostram um humor negro com o qual nos identificamos. Rimos porque nos vemos no papel daquele ser humano que, contrariado em seus desejos, vinga-se com uma graça nada politicamente correta.

Porque bem lá dentro, todo mundo é bastante malvado. E, com o filme rimos, ao invés de atuar essa maldade, que, por um curto espaço de tempo é permitida e incentivada.

“Relatos Selvagens” é imperdível. Não só como catarse mas para apreciar a inteligência de quem imaginou e escreveu histórias tão universais, que estão fazendo sucesso por onde passam.

As fotos de animais da África nos créditos iniciais já brincam com o título do filme. Vocês vão ver quem é selvagem aqui.

Tudo começa com contundência e impacto no episódio do avião, continua com uma mulher que toma as dores da outra, depois na estrada uma rixa deriva para um combate, enquanto que a burocracia leva Ricardo Darín às raias da loucura, num dos episódios mais latino-americanos do filme e um pai se desespera com o filho, para tudo acabar num casamento onde a noiva estressada, a ótima Erica Rivas, derrama sangue e lágrimas, fechando o filme com uma nota de bom coração.

Não dá para não gostar de “Relatos Selvagens”, que concorre pela Argentina a uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Vá ver correndo e solte suas feras, rindo muito com tudo que acontece na tela.



Fonte: http://www.eleonorarosset.com.br/

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