quarta-feira, 5 de novembro de 2014

CAPACIDADE DE ATENÇÃO

Por Patrícia Renata


A atenção pode ser definida numa visão ampla como o fenômeno que administra a grande quantidade de informações disponibilizadas ao organismo por meio dos sentidos, da memória e de outros processos cognitivos. Ela se origina de uma predisposição no cérebro de responder a determinados estímulos em detrimento de outros (Brandão, 1995, Gazzaniga, Ivry, & Mangun, 2006; Sternberg, 2000).

Ela funciona como um recurso de processamento. São várias maneiras de descrever os diferentes tipos de atenção, falaremos de algumas como:


Atenção Concentrada: é a nossa habilidade de se concentrar em uma coisa enquanto excluímos outras coisas à nossa volta. Podemos exemplificar quando estamos estudando, dirigindo ou lendo.


Atenção Seletiva: é o ato consciente de concentrar a atenção. Sua habilidade de evitar distrações de estímulos tanto externos (por ex., barulhos), quanto internos (por ex., pensamentos). Um exemplo é conseguir se concentrar na voz do professor numa sala lotada e barulhenta.


Atenção Alternada: quando você muda o foco da sua atenção ou alterna entre diferentes tarefas que tenham diferentes níveis de exigência de compreensão, você está praticando atenção alternada. Um exemplo de atenção alternada é ler uma receita (aprender) e depois a executar (fazer).


Atenção Dividida: é nossa habilidade de responder simultaneamente a múltiplas tarefas. Quando nós somos capazes de processar duas ou mais respostas ou reagir a duas ou mais demandas diferentes simultaneamente. Ex: verificar email enquanto participa de uma reunião, conversando com convidados enquanto cozinha, e assim por diante.

Segundo a literatura específica sobre o desenvolvimento cognitivo, em termos de desempenho, até adulto jovem, seguido de perdas significativas decorrentes do processo de envelhecimento. No caso da atenção, a diminuição da capacidade ocorreria principalmente quando se fala de atenção voluntária. Algumas pesquisas verificaram que os idosos apresentam desempenho pior que os adultos e adolescentes, mas entre os dois últimos não houve diferenças.

Alguns autores argumentam que as diferenças encontradas na capacidade atencional em decorrência da idade encontram justificativas em aspectos biológicos (Hawkins, Kramer, &Capaldi, 1992; Madden et al., 2007; Pesce et al., 2005). Pesce et al. (2005) sugeriram que o pior desempenho dos idosos em tarefas atencionais baseadas no espaço e objeto se devia à existência de deficiências orgânicas nesses componentes, decorrentes do envelhecimento.

Parece existir um decréscimo atencional, independentemente do tipo de atenção avaliado; a capacidade de atenção aumenta aproximadamente até os 25 anos e parece diminuir até os 35 anos, aproximadamente, e, por fim, a partir dos 35 anos, a capacidade de atenção começaria a sofrer um declínio mais acentuado. Em segundo lugar, ficou evidente que este estudo, assim como os já citados, mostra a necessidade de estabelecer normas específicas em função da idade das pessoas para os testes que pretendem avaliar a atenção. Por fim, também pode ser percebido que este estudo e os citados não abrangeram as idades mais avançadas, ou seja, estudos que aprofundem esses resultados e procurem a comparação com pessoas com mais de 60 anos se fazem necessários, podendo essa ser uma limitação verificada nas pesquisas (Pesce et al., 2005; Hawkins et al., 1992; Bédard et al., 2006, dentre outros).

De fato, torna-se necessário ressaltar que o declínio cognitivo, incluindo o que se acha relacionado aos mecanismos atencionais, é bastante reduzido em idosos saudáveis (Papalia & Olds, 2000). Mas, apesar de tais considerações sobre o processo de envelhecimento saudável, permanece a necessidade de estudos sobre as perdas cognitivas associadas ao aumento da idade. O déficit existe, e tem sido relatado amplamente (Hawkins et al., 1992; Madden et al., 2007; Papalia & Olds, 2000; Pesce et al., 2005).

A questão reside em detectar as circunstâncias ou processos específicos nas quais os estudos ocorram de maneira mais acentuada para que futuramente existam mais formas de se devolver processos que diminua a perda atencional com o passar dos anos. Ou ainda, mecanismos para melhorar a capacidade cognitiva e neurológica ao passar do tempo.

Seja qual for nossas habilidades cognitivas para ampliá-la é necessário investimento de tempo e disposição para a prática o quanto antes melhor. Desenvolver nossa atenção nos ajuda a processar mais informações eficientemente. Se a memória controla o que será guardado em nossos pensamentos, então a atenção selecionará o que deverá ser realmente importante. Treinamento cerebral e mais pesquisas a respeito, ajudarão a fortalecer nossa concentração através de exercícios desenvolvidos especificamente para essa finalidade.

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