quarta-feira, 29 de outubro de 2014

RELATO COM AMOR DE UMA VOLUNTÁRIA?

Por Fátima Soares de Lima



Sabe quando você vê um gesto transformado em amor? 
Eu sempre tive vontade de fazer isso com idosos, transformar um gesto em amor. Não podia passar do meu lado uma vovózinha com seus 70 anos que eu já sorria, dava tchauzinho e me amolecia toda. Talvez isso tenha explicação, talvez não. Talvez seja por que desde sempre meu pai foi um senhorzinho, ou talvez tenha a ver também com o meu amor pela psicologia, mas tudo bem... Eu não vim falar disso.
Certo dia, amanheci com uma luz diferente e me perguntei: "Afinal, se gosto tanto de idosos, por que não fazer um trabalho voluntário com eles?". 
Decidi fazer e fui, vou tentar transcrever em palavras o quanto isso é importante e lindo e muitas outras coisas, tentarei falar sobre o tempo que passo com elas e a importância disso, tanto para mim como para elas. 
No começo fui chegando devagar, para não assustá-las e sem me dar conta eu já estava lá como se fizesse isso a vida inteira. 
Eu leio histórias de grandes autores para elas, elas me contam suas próprias histórias de vida, e no final nem sei qual é mais interessante. Gostamos de cantar, como aquela parte famosa da canção "Nunca se esqueça nenhum segundo que eu tenho o amor maior do mundo..." e de vez em quando eu bagunço meu cabelo de propósito e peço para que uma delas o arrume, com seu carinho que só vovózinha sabe ter. Contamos de 1 até 100: “1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... 21... 22... 23... 30... 40... 50... 60... 80... OPS!! 60... 70... 80... 90...”. Sempre batemos palmas e fazemos festa quando chegamos aos 100! Quantas vezes, brincando, eu pedi: "Vamos lááá, só mais uma colherada!". Aprendi que nada melhor para desestressar como um bom desenho. Elas me contam sobre o preço das coisas na feira de hoje em dia e também sobre os seus amores da vida, sobre seus avós e seus filhos, elas me contam Vida. Juntas, somos românticas e vemos a beleza uma das
outras. 
Eu vou guardando toda essa experiência como o bem mais precioso dentro do meu coração, pois percebo que o coração delas é inteligente e também é carente. Eu fui a esse lar de idosas fazer-lhes companhia porque pensei que talvez elas precisassem de alguém assim, e a história se inverteu e elas é que tanto me ajudam e eu hoje é que preciso tanto dessa companhia tão frutífera e tão fascinante delas, pois me ensinaram algo que levarei para sempre: Que jamais podemos morrer em vida e que devemos viver e sugar o dia dos dias. 
O melhor de tudo isso é que não precisamos ter tido um pai velhinho ou ter um amor imenso à psicologia para fazer algo assim, as únicas coisas que você precisa é dedicação e, acima de tudo, querer saber mais sobre o Amor.

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