segunda-feira, 6 de outubro de 2014

MÃE, O QUE É RESILIÊNCIA?

Por Patrícia Renata


Resiliência, termo bastante compartilhado atualmente pelas redes sociais, é sim agir de forma que não deixe o vento te derrubar como a árvore que dança no compasso de sopros pra lá e pra cá.

Mas, é bem mais profundo que isso filha. Para Boris Cyrulnik, a resiliência é a capacidade de a pessoa crescer diante de problemas terríveis. Problemas advindos de outras pessoas ou provocados por você mesmo. É um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas, choque, estresse etc., sem entrar em surto psicológico.

De acordo com o autor Job (2003), que estudou a resiliência em organizações, argumenta que a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade.

Certo, mas e agora? Como fazer?

Você pode sentir-se aniquilado e sofrer ou aceitar o desafio e fazer de coisas ruins a transformação positiva que faltava para sua vida, seguindo em frente. Não é fácil como num passe de mágica. Não é de um dia pro outro. Tem que trabalhar a calma, a angústia, o impulso. O aprendizado.

Boris Cyrulnik teve grande interesse nessa diferença entre as reações. Ele descobriu que a resiliência não é uma característica inerente a pessoa, mas algo construído por meio de um processo natural, “sozinha, uma criança não têm resiliência... trata de uma interação, um relacionamento”. É construída estabelecendo relações. A maioria das pessoas pensa que se uma “trama” se perder, toda um a vida será desfeita. Na verdade, “se apenas um único ponto ficar firme, poderemos começar tudo de ovo”.

Emoções positivas e humor são fatores essenciais para a resiliência. Em suas pesquisas, foi constatado que pessoas mais aptas a lidar com obstáculos e traumas da vida são aquelas que conseguem encontrar sentido nas dificuldades, vendo-as como utilidade para algo positivo, criativo e enriquecedor. Retiram do sofrimento e da dor do presente, força através da superação, imaginação, fé e mudanças de atitudes e comportamentos em prol da melhoria e crescimento do significado no sentido da vida.

Após desastres como tsunamis, perda de um ente querido, doenças, acidentes automobilísticos e até decepções amorosas, psicólogos testemunham formação de grandes pessoas que antes se sentiam extremamente inferiorizadas. Uns tornam-se líderes em grandes empresas, outros artistas, outros estudam sobre a doença que a fez perder alguém querido tornando-se referência numa determinada doença.

Cyrulnik ressaltou a importância de não rotularmos as crianças vítimas de traumas nem as classificar como dona de um futuro perdido. O trauma é composto de dois aspectos: o dano e a representação do Dano. 

Muitas vezes a experiência pós-traumática que mais prejudica a criança são as humilhantes interpretações dos “adultos”. Rotulações, indiferença e exclusão podem ser mais prejudiciais e condenatórios que o trauma em si.

Então filha, o melhor é não esperar uma tragédia em sua vida para se tornar dona do seu próprio destino e opiniões e edificar-se como fortaleza para o seu bem estar e àqueles que a cercam. Já pode ir se informando, estudando, preparando, abrindo abrigos infantis, tratar melhor as pessoas, dar mais valor aos sentimentos, doar sangue, estudar mais, se auto conhecer e se caso pelas caminhadas da vida algo muito ruim acontecer, o sofrimento virá, mas de forma mais amena. Seu sentimento será entendido. Você saberá exatamente o que fazer, pois se preparou com afinco e deu valor a cada minuto de sua existência, isso te excluirá de qualquer culpa ou medo, vindo bem facilmente a resiliência te ajudar.

Digo-te que o que conduz a pessoa resiliente sair de uma situação trágica sem longos períodos depressivos é a maturidade que ela adquire com a experiência do embate, do sofrimento. Sendo assim a pessoa resiliente se fortalece na luta.

Como diz o poeta: ” A felicidade bestializa, só o sofrimento humaniza as pessoas ” (Mario Quintana)

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