sexta-feira, 24 de outubro de 2014

HOMOSSEXUALIDADE OU ORIENTAÇÃO SEXUAL - OS LIMITES DA ÉTICA, CIÊNCIA E RELIGIÃO

Por Regina Di Ciommo, colaboradora do site Plano de saude




O que é Orientação Sexual?



Segundo a psicologia, orientação sexual é o termo utilizado para descrever nossos padrões de atração emocional, romântica e sexual e nosso sendo de identidade pessoal e social, baseada nessas atrações. Em relação à orientação sexual as pessoas não se encaixam em uma descrição exatamente “preta e branca”, mas existem em uma continuidade, onde a atração exclusiva pelo sexo oposto está em uma das extremidades e a atração exclusiva pelo mesmo sexo na outra.

As categorias mais comumente presentes da orientação sexual são a heterossexualidade (atração por membros do sexo oposto), a homossexualidade (atração por membros do mesmo sexo) e a bissexualidade (atração por membros de ambos os sexos), embora não sejam as únicas categorias no universo das identidades sexuais.

Poucos assuntos são tão polêmicos como a origem e o que determina a orientação sexual de uma pessoa. Enquanto muitos cientistas concordam que a natureza e a criação exercem papéis complexos nesse assunto, o que exatamente determina a orientação sexual ainda é pouco conhecido. Pesquisas têm sido realizadas recentemente tentando identificar o papel dos genes, do meio ambiente, da estrutura cerebral e dos hormônios na homossexualidade e orientação sexual de forma ampla.

Terapias “Curando” a Homossexualidade – terapias e condutas religiosas

Constantemente a mídia tem veiculado casos controversos de ministros e pastores que tentam “curar” a homossexualidade, pregando a seus fiéis que todos os seres humanos são heterossexuais, ou que “Deus criou você para a heterossexualidade”, como se esses necessitassem serem educados e disciplinados.

Além disso, há terapeutas que pretendem mudar a orientação sexual das pessoas, muitas vezes com interesses financeiros escusos, iludindo seus pacientes. Alguns terapeutas asseguram a aqueles que os procuram que a homossexualidade pode ser “superada”.

Nos Estados Unidos, depois de oposição de muitos psiquiatras, a Associação Americana de Psiquiatria finalmente concordou em despatologizar a homossexualidade, ou seja, retirá-la da categoria de desordem ou doença em 1973.

Até esse ano, a Associação permanecia representando a homossexualidade como doença mental. A mudança para a despatologia foi por muito tempo rejeitada. Na realidade, ela somente aconteceu porque foi proposto um termo que parece ter satisfeito às várias tendências existentes, que foi o de “distúrbio da orientação sexual”. Apesar do termo não ter sido formalmente adotado, ele ajudou a pavimentar o caminho para a aceitação da mudança, que antes também passou pela categoria “Desordem da Identidade de Gênero”, que mudou o foco da atenção para o transexualismo, sem perder o viés preconceituoso de julgamento.

Entre os ministros e pastores protestantes e evangélicos podemos perceber grande parcela de julgamento apressado, preconceito e dogmatismo, disfarçados de preocupação com os fiéis. As atitudes anti-gays levaram muitos ao suicídio, diante da insistência em dizer que lésbicas e homens gay precisam mudar urgentemente, porque existe alguma coisa errada com eles.

Em outros países do mundo, a terapia reparativa da homossexualidade parece ter laços com um tipo de pensamento conservador estalinista, expandindo-se desde Moscou até a Cuba de Fidel Castro. Muitos países adotam a denúncia da homossexualidade como mal social e “delinquência”, um crime ou patologia que a terapia reparativa supostamente poderia curar. No Equador, por exemplo, há nada menos do que 300 clínicas dedicadas a “curar a enfermidade da homossexualidade”, segundo seus termos. Nesse país, segundo a imprensa local, como o jornal “El Universo”, a tendência a acreditar que a homossexualidade é uma doença tem aumentado, ao longo dos anos, mesmo depois da legislação equatoriana ter descriminalizado a homossexualidade, em 1997. Antes disso, um adulto que fosse denunciado, poderia pegar até 8 anos de prisão.

Talvez as palavras que pudessem salvar realmente essa parcela da população seriam “não há nada errado com você”. Quanto tempo será necessário para que os grupos conservadores decidam, afinal, pronunciá-las?



Confira o texto de Regina Di Ciommo sobre a Cura Gay, publicado no site planodesaude.net

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