sexta-feira, 10 de outubro de 2014

COMO ESCOLHER O MEU MESTRADO?

Reservo-me à impossibilidade de desvincular este post das minhas idiossincrasias e do que fiz para encontrar o local ideal para o meu próprio mestrado, então, aqui não vai um manual, mas sim mais uma opção de consulta. E como cada área possui suas necessidades específicas, me atenho às dicas concernentes à Pós-graduação em Psicologia.


Primeira pergunta: O que você quer?

Mestrado (acadêmico e profissionalizante), especialização, aperfeiçoamento, residência. A verdade é que existem diversas opções para pós-graduação e é preciso saber o que se espera em cada uma. Se você deseja fazer pesquisa e seguir carreira acadêmica o mestrado é a sua pós-graduação ideal, mas caso tenha interesse em trabalhar e não se veja dando aulas, talvez uma especialização tome menos o seu tempo e lhe permita flexibilidade para trabalhar e/ou não precisar se mudar para fazê-lo (alguns cursos tem aula uma vez por mês).
As diferenças sobre os tipos de pós-graduação podem ser encontradas na Wikipédia e no site daCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por sinal, o site da Capes é excelente e o esmiuçando é possível ver muita coisa interessante sobre pós, como bolsas, concursos e afins.


Eu quero um Mestrado, mas onde buscar?

Sempre aconselho a busca no site da capes na sessão de cursos recomendados como um bom ponto de partida.

Lá é possível encontrar um sistema de busca por área, nota da avaliação da Capes ou região para todos os programas de mestrado e doutorado do país, com dados básicos, dados da avaliação trienal, área do programa e especificações.

Lembre-se, os cursos são avaliados pela Capes com notas que vão de 3 à 7, costuma-se dizer que as notas seguem uma lógica onde 3 seria a nota inicial, 4 para cursos bons, 5 para cursos de excelência nacional, 6 para cursos de nível internacional e 7 para cursos com excelência internacional. A nota é importante, ela é um reflexo das atividades e visibilidade do programa. Programas com altas notas na Capes possuem grande produtividade, programas 6 e 7 conseguem possuem alta produtividade internacional. Programas com notas altas possuem também mais bolsas cedidas pela Capes/Cnpq, e, provavelmente, se envolvem em atividades extra curso – como grandes congressos – com mais frequência.


Procure em todo lugar

É preciso ter cuidado para não deixar nenhum programa escapar, é interessante olhar programas de outras áreas além da psicologia. Como exemplo, o mestrado em Psicobiologia da Unifesp, capes 7, não está na área de ciências humanas e psicologia, mas sim na área médica II , apesar de ser constituído por profissionais e estudantes com diversas formações. Ou seja, procure em outros lugares, o Google está aí para isso, pense em um tópico que lhe interesse e pesquise, provavelmente você encontrará algo interessante, depois retorne ao site da Capes e analise cada particularidade – não esqueça de ver se ele é reconhecido pela Capes! – do programa que você quer concorrer.

Importantes tópicos para observar durante essa pesquisa: Avaliação da Capes, Ficha de Avaliação, Disciplinas, Linha de Pesquisa e Proposta do Programa.


E meu currículo?

Normalmente se espera de um estudante de mestrado independência, mas não necessariamente um grande conhecimento das pesquisas e métodos de pesquisa de vanguarda na área, apenas o suficiente para o orientador saber que você saberá andar com suas próprias pernas – lembre-se que você também assistirá aulas e lá serão abordados esses temas – e justamente por isso se opta por aqueles que já possuam iniciação científica. Claro, a pós não é restrita apenas para os já iniciados, mas há sim uma preferencia. Ter sido bolsista de um grupo de pesquisa durante algum tempo costuma ser uma garantia que você, além de já possuir familiaridade com pesquisa em si, também possui familiaridade com burocracias que estão sempre presentes na produção de relatórios, artigos, trabalhos etc. Mas se você nunca participou de um grupo de pesquisa não se desespere, esse é só um dos pontos da seleção.
 
Falando nisso, lembre-se de analisar todo o processo da seleção, cada programa tem uma seleção particular, alguns exigem um período de estágio para que o orientador o conheça, outros só aceitam sua inscrição para a seleção com um projeto bem definido. Visitar o site do programa é obrigatório, provavelmente – quase – tudo estará lá, e o que faltar você vai poder correr atrás para descobrir.


O que é imprescindível?

Conversar com os que já estão dentro com certeza é fundamental. Antes de pensar em fazer um projeto, converse com o orientador, se apresente, veja a disponibilidade dele e o interesse dele. Além de evitar futuras frustrações, é bem educado.

Pergunte ao pós-graduando. Alunos de pós costumam ser solícitos com outros que pretendem enveredar pela mesma área, então abuse, pergunte o tempo todo, não faça uma escolha desse tamanho sem antes tirar todas as suas dúvidas.


Achei o programa ideal, mas é longe...

Sair de sua cidade é difícil... Mas saia! O Brasil possui 5564 cidades e apenas 65 programas que possuem Mestrado em Psicologia (somente os das Ciências Humanas) reconhecidos pela Capes e acredito que dificilmente você terá a sorte de ter um programa de excelência na área que você pretende enveredar e com o tipo de linha de pesquisa que você quer focar em sua cidade natal ou mesmo na cidade de sua Universidade. Escolher por não passar algumas dificuldades no início da sua carreira pode sair caro futuramente.

A escolha pelo local ideal para iniciar sua carreira de pesquisa e/ou ensino é sim uma escolha um pouco complicada, mas nada muito terrível, e acredito que investigando bem é fácil encontrar o que se deseja. Escrevi algumas das considerações que julguei mais importantes, mas os convido a fazer perguntas e recomendações pelos comentários, é muito mais interessante ajudar os que ainda estão um pouco confusos por lá.

Há muito o que se discutir: Bolsas, Doutorado Direto, Publicação, Oportunidades de Emprego etc.



Fonte: CogPsi

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