terça-feira, 7 de outubro de 2014

10 PERGUNTAS SOBRE A AUTO AJUDA? NÃO, SÓ UMA

Por Rodrigo Padrini


"Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia"


E estão vendendo. Frases motivacionais, citações de Clarice Lispector, relatos de experiências renovadoras, manuais de como fazer isso ou aquilo, 10, 12 ou 15 dicas para transformar a sua vida e paisagens acompanhadas de trechos de um livro de Shakespeare ou uma música popular.

Necessário ou desnecessário? Depende.

Em redes sociais, como Twitter ou Facebook, ainda mais do que na “vida real”, é predominante o compartilhamento de mensagens motivadoras e guias sobre a mudança de carreira que você deseja, a busca da felicidade e a receita de um relacionamento amoroso saudável.

O fenômeno dos livros de auto ajuda é algo conhecido e muito discutido, criticado ou incentivado por diferentes segmentos da sociedade e a própria definição já se explica: “eu mesmo me ajudo”.

Como psicólogo, me preocupo em distinguir a Psicologia científica da Psicologia do senso comum, e principalmente o gênero de livros de auto ajuda da Psicologia de um modo geral.

Pesquisando sobre o tema, encontrei o livro “O seu último livro de auto ajuda” do neuropsicólogo Paul Pearsall. O autor questiona diversos pontos trazidos geralmente em livros de autoajuda e, não desvalorizando o gênero, afirma “que devemos abordá-los como consumidores cautelosos, realizando uma compra, e não como pacientes contratando um terapeuta virtual”.

Não sou contra nem a favor da auto ajuda em forma de livros e guias, nem em outras formas. Sou contra adotar posturas e opiniões de outra pessoa sem uma crítica, o que muitas vezes acontece. Afinal, modelos bem sucedidos adotados por uma pessoa não serão necessariamente bem sucedidos com outra pessoa.

O que importa, além dos conteúdos e das informações em grande quantidade que recebemos hoje em dia, é o que fazemos delas. Como eu posso colocar em prática na minha vida a citação bacana que eu li do Luis Fernando Veríssimo? Faz sentido para mim as 10 dicas que li sobre como mudar minha vida profissional?

Faço então só uma pergunta:

1. Até onde vai sua capacidade de “se auto ajudar” e o momento de aceitar a ajuda do outro?

Costumamos ser muito parciais ao lidar com nossos próprios problemas.

Conhecer e questionar devem ser os princípios, e não conhecer e adotar simplesmente. Não nos tornemos depósitos de citações, conselhos e fórmulas prontas. Mais do que necessário ou desnecessário, faz sentido ou não?


Referências bibliográficas

Matéria Folha de São Paulo disponível em http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/849087-autoajuda-deturpa-psicologia-difunde-chavoes-e-prejudica-adeptos-diz-autor.shtml

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