quinta-feira, 4 de setembro de 2014

SEDENTARISMO MENTAL

Por Patrícia Renata


Atualmente poucas pessoas confiam e utilizam sua memória natural. Quase não vemos mais diários, bloquinhos de agenda telefônica e nem mesmo os avisos na geladeira. Tudo se resolve com um alarme do celular. Não quero dizer que seja errado utilizar memórias auxiliares em determinadas tarefas, mas é preciso alertar para os perigos do excesso e refletir sobre a mudança silenciosa que as pessoas estão fazendo da memória humana para a memória das máquinas.

As pessoas estão tirando os conteúdos de dentro de si e colocando em memórias externas, o lado ruim disso é que estamos ficando com nossa memória destreinada, por falta de uso, além de gravarmos muita coisa insignificante com maior facilidade.

A era da informação e tecnologia ao invés de preencher o cérebro humano, está transformando as pessoas mais vazias, “avoadas” e sem conteúdo relevante. Até o ponto de vista em determinada discussão são os mesmos, as pessoas preferem repetir o que leram numa rede social, por exemplo, que fazer sua mente pensar.

Com todo esse aumento na utilização de memórias artificiais para lembrar, ficamos sedentários mentais, pois trocamos os exercícios pelas facilidades da vida moderna, da mesma maneira que trocamos exercícios físicos por elevadores, carros, escadas rolantes, etc.

A sedentarização física traz diversos problemas ao nosso organismo e a mental diminui a rapidez da troca de informações realizada pelos neurônios, pois mente parada, não produz a bainha de mielina, essencial para que os impulsos nervosos sejam mais acelerados.

Outro fator é que as demências na terceira idade podem ocorrer cada vez mais cedo, impossibilitando os seres humanos de viver mais e com maior qualidade de vida.

Não vamos economizar energia, celebrando o que a genética batizou de “lei do mínimo esforço”. Vamos valorizar o que temos dentro de nós. Incentivar a nossa máquina humana demonstrar toda sua capacidade. Sei que muitas pessoas possuem mais facilidade que a outras para memorização, mas com força de vontade, inteligência e persistência todos podem aperfeiçoá-la.

Com algumas técnicas, até escritas aqui mesmo no Blog Psicoquê, poderemos ter um cérebro treinado e trabalhando por nós, o que sem dúvida tornará nossa vida mais intensa e bem aproveitada.

O valor de uma boa memória é inestimável.

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