quarta-feira, 17 de setembro de 2014

SE EU TE DISSER QUE SOMOS TODOS LOUCOS?

Por Patrícia Renata



Numa visão dimensional de diagnósticos, todas as pessoas apresentam manifestações psicológicas que, se forem exageradas, se encaixam num processo de sintomas de psicopatologias. Para saber o nível em que elas ocorrem, é necessário um acompanhamento psicológico, ou até mesmo de um psiquiatra. Os autistas, por exemplo, possuem uma tabela de classificação do nível, para que haja um enquadramento correto de apoio exigido pela condição do paciente.

Quanto aos transtornos de Personalidade, havia uma grande expectativa de que o novo e o complexo modelo de avaliação, chamado de híbrido, fossem adotados, ele engloba cinco domínios da variação dos traços da personalidade:

- afetividade negativa
-distanciamento
- antagonismo
- desinibição
- Psicotismo


Com 25 facetas diferentes como algumas delas:

- ansiedade
- submissão
- hostilidade
- perseverança
-manipulação
-irresponsabilidades
- impulsividade
- Exposição a riscos


Críticos alegaram que o esquema era complexo demais para ser adotado clinicamente. Ele não foi aceito totalmente no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais), apesar de no próprio Manual ser entendido que a nova abordagem seria benéfica. Ele acabou sendo proposto na Seção 3, uma espécie de apendice com tendencias a serem pesquisadas. Em 2013, pouco tempo antes do lançamento do DSM-5, o diretor de uma das principais pesquisas na área, o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH), Thomas Insel, anunciou que as pesquisas serão reorientadas para aquelas que vão além das categorias apresentadas no Manual. O NIMH lançou como alternativa o projeto Research Domain Criteria, que pretende incorporar ao iagnóstico genética, imgem e ciência cognitiva.

Mesmo sob muitas críticas, a “bíblia da psicologia” ainda está longe de perder espaço. O motivo é simples: ainda não surgiu nada melhor.

O cérebro é o órgão mais complicado no universo e revela seus segredos vagarosamente e em pacotes muito pequenos. Aprendemos bastante sobre o funcionalmente normal do cérebro nos últimos 30 anos, mas nada que traduza a neurociência básica para a prática clínica.

Ainda não existem testes biológicos na psiquiatria e, com exceção do Mal de Alzheimer, talvez demorem décadas até surgir algum. Enquanto isso, com todas as suas falhas e limitações, o DSM continua valioso, mas só se aplicado cautelosamente. E avisa: É sempre mais seguro diagnosticar de menos do que demais – mais fácil atualizar um diagnóstico conforme mais informações ficam disponíveis do que se livrar de um diagnóstico errado. Isso pode ser um mal eterno na vida de alguém.

O melhor é sempre estar em dia com as terapias, com acompanhamento psicológico e levar a vida mais amena. Mesmo se encaixando nas “loucuras”, todo mundo pode ser feliz se cuidar inteligentemente de cada grau específico de pessoa para pessoa de algum sintoma. Nunca fugir do problema, porém não “inventar demais” e enfrentar as situações com pessoas preparadas e capacitadas ao auxílio de uma boa interpretação do DSM juntamente com observações estratégicas de outras abordagens.



Fonte: Dossiê Super Interessante: O Guia da Psicologia (Edição 51-A – Agosto/2014)

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