segunda-feira, 22 de setembro de 2014

CRIANÇA E LIMITES

Por Patrícia Renata



Limite é tudo o que possa diferenciá-lo das outras pessoas, mostrando onde você começa e termina. Muitas vezes dizemos: “Não gostaria de estar na pele dela”. O limite da pele mantém o que é bom dentro e o que é ruim fora. As vítimas de agressão e abuso sexual em geral têm poucas noções de limites. Cedo descobrem que sua propriedade não começou na pele. Os outros podem invadir e fazerem o que quiserem. Conseqüentemente, sentem dificuldade em estabelecer limites na vida mais tarde.

Por que atualmente a maioria das crianças não possui limites? Qual a dificuldade dos pais em protegerem, aconselharem e intervirem na vida dos filhos quando se percebe que algo não vai bem? Por que os pais preferem passar horas a mais no trabalho para poderem ter condições de comprar tudo que querem do que apenas passar mais tempo juntos e ensinar a força do não. No mundo físico, uma cerca ou outro tipo de estrutura normalmente determina um limite. No mundo espiritual, as cercas são invisíveis. Porém, podemos criar uma boa barreira protetora com palavras. E a mais simples para estabelecer limites é o NÃO.

Ela permite que os outros saibam que você existe independentemente deles e tem controle de si mesmo. Algumas pessoas acreditam que se disserem não aos seus filhos, ameaçará o relacionamento afetivo familiar, por isso, muitas vezes consentem passivamente, mesmo observando que tal comportamento ou ação poderia ocorrer de outra maneira, isso acaba trazendo ressentimento aquele que sentia no dever de agir de outra forma e não conseguir. Aqui, trazem problemas futuros para ambas as partes. Um perde o controle, enquanto o outro não saberá o que é autocontrole.

As palavras delimitam sua propriedade para os outros quando você expressa seus sentimentos, intenções ou antipatias. As pessoas acham difícil saber qual é a sua posição quando você não usa palavras para delimitar sua propriedade.

As palavras que você emite permitem que os filhos saibam onde você se encontra qual o limite até ele pode ir. Para isso é necessário uma aproximação emocional, verdade e tempo.

Diálogo sempre. Mesmo que doa. Mesmo que pareça difícil. Sentimentos não devem ser desconsiderados nem encarados com culpa. Devemos ter consciência deles e ensinar isso aos filhos para que cresçam seguros e emocionalmente inteligentes.

Os sentimentos vêm do coração e podem revelar em que condição se encontra seus relacionamentos. Eles dizem se as coisas estão indo bem ou não. Quando um filho se sente amado, amparado, cuidado e admirado as coisas provavelmente vão bem. Isso tudo eleva a auto-estima das crianças deixando-as seguras e administradoras de suas próprias vontades e verdades dentro dos valores que foram passados a elas.

Quando sentires irritados, não desconte nos filhos. As conseqüências serão desastrosas. Cada indivíduo é responsável pelo que sente, devendo assumir e entender como problema seu, sempre na responsabilidade de achar uma resposta para o que eles estão querendo dizer.

Apenas dessa forma, o autocontrole ajudará na imposição de limites. Criar filhos com amor, paciência e limites, carinho e responsabilidade contribui para um mundo com um número maior de pessoas confiantes e controlando sua própria vida.


Bibliografia: 1992 por Henry Cloud e Jhon Townsend - LIMITES

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