quinta-feira, 21 de agosto de 2014

NÃO NOS ALIENEMOS DE NOSSAS DORES

Por Thaís Petroff


"É tão imenso o medo da dor do parto que nem se permite a chance de entrar em contato com ele..."

Dor é algo que a maior parte dos seres vivos sente. Há alguns que por questões de anomalias genéticas não sentem dor, o que pode lhes gerar sérios problemas com relação à sua vida e sobrevivência. Posto por esse ângulo, dor tem função.

Por que então nós rechaçamos tão fortemente a dor? Ela não será uma reação natural de nosso organismo frente a algo que ele percebe?
Vamos entender uma pouco mais sobre a dor. Há dores físicas, há dores fantasma (percebidas por pessoas em membros que foram amputados), há dores emocionais. Via de regra, nós evitamos situações em que haja a possibilidade de sentirmos qualquer possibilidade de dor. Grande exemplo disso é o altíssimo número de cesáreas eletivas que ocorrem no Brasil. É tão imenso o medo da dor do parto que nem se permite a chance de entrar em contato com ele, corre-se para se agendar um procedimento que te isente dessa assim que possível, garantindo com que essa dor não aconteça. No entanto, seria a natureza burra ao ponto de nos fazer sentir dor sem motivo algum?

A dor de cabeça nos mostra que há algo acontecendo e que precisamos cuidar disso. A dor do parto nos mostra que chegou a hora do bebê nascer e que precisamos nos preparar para toda uma nova vida que teremos daí para adiante. É uma dor vista por muitas pessoas como um ritual necessário para essa transcendência de mulher para mãe.

E as dores do coração? Terão essas qual função então?

Será que elas não nos ensinam quais caminhos e escolhas são benéficos para nós e quais não?

Será que ao sentir dor após ter tido determinado comportamento, isso não pode ser percebido como algo a não se fazer mais?

Será que ao fazer certa escolha e essa lhe machucar não pode ser percebida como um alerta de que essa não é a direção?

Será que então ao invés de negarmos ou lutar com as dores, não faz mais sentido as usarmos como aliadas, aceitando-as e nos entregando a elas, podendo assim passar por elas com menos resistência e assim absorver o que deve ser aprendido?

Quando lutamos contra a dor ela só aumenta. Quando relaxamos e não a vemos como inimiga ela se torna mais tranquila de lidar. Passa a não ser mais algo a ser extirpado, mas sim, vivido.

Não nos alienemos de nossas dores. Se elas se fazem presentes, precisam ser observadas e digeridas. Não temos a possibilidade de aprender se as negamos (bebendo, fugindo, arranjando logo outra pessoa para ocupar o vazio da anterior etc)

Reflita sobre isso e quais os possíveis efeitos de aceitar e abraçar algo que é natural à nossa condição de humanos.



Fonte: UOL

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