terça-feira, 1 de julho de 2014

DIFERENÇA ENTRE PSICOLOGIA E AUTO-AJUDA

Neste texto, vou dizer a respeito das principais diferenças entre a psicologia e a auto-ajuda. O objetivo é mostrar as semelhanças e divergências, bem como mostrar que a auto-ajuda não é ruim como normalmente é pintada durante a graduação em psicologia. Por outro lado, também é muito importante notar – para quem não faz ou fez a faculdade de psicologia – que a psicologia é realmente muito mais do que auto-ajuda.

Definição de Psicologia

Em nosso Curso de Psicologia Online Grátis, nós temos um texto sobre “O que é psicologia?” Em resumo, podemos dizer que a psicologia deve ser pensada no plural. Ao invés de ser a psicologia, temos que falar de as psicologias. Em dois sentidos principais:
- As psicologia como áreas de atuação: psicologia clínica, psicologia hospitalar, psicologia organizacional, social, comunitário, do esporte, etc;
- As psicologias como abordagens ou teorias: a psicologia da gestalt, a psicologia comportamental, a psicologia analítica, a psicologia cognitiva, a psicologia do desenvolvimento, etc;
O que quero salientar aqui é  que a psicologia é sim uma área de estudos complexa, multifacetada, com teorias que ora se aproximam da abstração da filosofia, ora se beneficia dos resultados da estatística, ora da anatomia e neuroanatomia, ora da antropologia e sociologia e por ai vai.
No começo da graduação é comum estudarmos a diferença entre a ciência e o senso comum. Para saber mais, veja aqui – Psicologia – Ciência e Senso Comum – Algumas questões
Por isso, é de certa forma comum os psicólogos fazerem pouco caso da chamada literatura de Auto-Ajuda. Para ficar mais claro, vamos passar à definição de auto-ajuda.

Definição de Auto-Ajuda

Definir auto-ajuda não é tão simples quanto parece à primeira vista. Olhando um acervo de uma livraria qualquer, encontraremos diversos tipos de livros diferentes dentro desta sessão e, curiosamente, também livros sobre psicologia. (Normalmente, quem faz esta separação não conhece muito bem as duas seções). Então, poderemos encontrar livros que prometem tudo: mudança total da personalidade, mudança de comportamentos, conseguir atingir objetivos específicos, encontrar o amor ideal, ganhar mais dinheiro, fórmulas secretas da felicidade e por aí vai.
Se pensarmos na própria palava “auto-ajuda” veremos que a ideia é que o livro virá a fazer com que a pessoa mesma possa se ajudar, claro, depois de comprar o livro. Na faculdade, tive um professor que dizia que se a auto-ajuda fosse eficaz, bastaria um único livro, pois ele já ajudaria tanto que não precisaria mais de outros. Porém, o mais comum é encontrarmos uma série livros quando o primeiro faz sucesso. Então temos: Pai Rico e Pai Pobre. Depois, Filho Rico, Filho Vencedor. Em seguida, Aposentado Jovem e Rico, Pai Rico e Pai Pobre para Jovens e a lista continua.
O que quero dizer é que existe um mercado literário que visa o lucro. Embora possa passar conhecimentos e técnicas realmente úteis para a mudança, às vezes de tanto querer vender dá a sensação de um engodo, de um engano, de uma farsa.

Diferença entre Psicologia e Auto-Ajuda

Como a auto-ajuda é uma área de difícil definição, indo de livros que falam sobre psicologia para leigos até livros místicos, esotéricos, com fórmulas mágicas é um pouquinho complicado demarcar um limite a separar uma área da outra. Pois, a auto-ajuda acaba incorporando conhecimentos e práticas da psicologia em seu texto – para ficar mais científica.
No Código de Ética da Psicologia, podemos ler que o psicólogo apenas usará técnicas e procedimentos que tenham comprovação científica. Tudo o que ficar de fora da ciência, não deve ser, portanto, utilizado. Chegamos então a uma primeira distinção.
Mas será que os psicólogos não podem se beneficiar do senso comum? Da psicologia de auto-ajuda?
Quando eu me formei, em 2006, viajei para Lorena, uma cidade no interior de São Paulo com minha esposa – para que ela fizesse o vestibular da USP. Enquanto estava esperando ela concluir a prova, conheci um rapaz e sua mãe em uma cafeteria. Começamos a conversar sobre profissões, vestibular, mercado de trabalho e o rapaz, que era formado em química, depois de eu contar que era formado em psicologia perguntou se eu assistia a Ana Maria Braga para aprender sobre psicologia.
Aquela pergunta foi bastante espantosa para mim na hora e, sendo recém formado, tendo saído de uma graduação como disse complexa, com teorias abstratas e profundas, ouvir que eu apenas precisava assistir a um programa de TV para aprender mais foi até ofensivo. Hoje levo esta cena na brincadeira. Não assisto ao programa dela, mas não vejo mal nenhum em conseguir me aproximar de uma forma mais simples de entender o mundo, as relações entre as pessoas, os sentimentos e comportamentos.


Dizendo de outra forma, teve uma época que o livro da moda era O Segredo. Creio que pelo menos uma centena de meus pacientes o tenha lido e comentado sobre no consultório. Resultado: tive que ler o livro. Não para aprender mais sobre psicologia, mas para poder me aproximar do universo do paciente, entender o que o livro dizia e porque ele tinha marcado tanto, tanta gente.

Fonte: Psicologia MSN

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