terça-feira, 17 de junho de 2014

VOCÊ CURSARIA PSICOLOGIA NOVAMENTE?

Olá amigos!
Recebi esta pergunta há alguns dias atrás, de alguém que está ou estava interessado em fazer a faculdade de psicologia. Entre outras, esta foi a pergunta que mais me chamou a atenção: “Você faria de novo a faculdade de psicologia?” Ou seja, você se arrepende ou não de ter feito? Ou ainda: você recomenda?
Bem, este texto procura ser uma resposta completa a tal questionamento. Gostaria de salientar desde já que se trata de uma opinião pessoal e, portanto, não é válida para todas as pessoas, nem para todos os lugares ou circunstâncias. Dizendo assim, imagino que você já poderá começar a sentir o teor do texto. Vamos lá.

POR QUE EU NÃO FARIA MAIS A FACULDADE DE PSICOLOGIA?


Durante a minha graduação eu tive todo o suporte da minha família que, apesar das dificuldades financeiras daquele tempo, sempre esteve ao meu lado, me incentivando. Uma das pessoas que mais me ajudou foi o meu avô paterno, um bem sucedido empresário, um homem simples com inteligência brilhante, prática e com uma grande intuição sobre os melhores caminhos.
Certo dia, estávamos conversando sobre um parente que estava cursando uma faculdade da área de exatas, e eu mencionei para o meu avô que esta área era muito promissora, com altos salários e grandes oportunidades profissionais. E meu avô me perguntou: “Então porque você não fez este tipo de faculdade?”
A resposta que dei explica o porque eu escolhi o que eu escolhi e porque eu não escolheria qualquer faculdade. Não poderia ter escolhido uma faculdade que seria prolongar a minha falta de interesse em matemática, física e química. Embora hoje eu esteja no doutorado, nunca fui um aluno excepcional na escola porque – apesar de curioso – as ciências exatas sempre foram algo alheio, como estudar árabe ou acompanhar a novela das seis. Entendo quem curte, mas não é minha praia.
Primeiro ponto: não posso estudar o que eu não tenho interesse. E a faculdade é sempre um estudo teórico, antes de ser uma prática, uma profissão.
Evidentemente que isto não quer dizer que seja burro, rsrs. Mas a falta de interesse em exatas pode ser explicada através do conceito psicológico de personalidade ou o conceito religioso de alma ou espírito. Em termos coloquiais, simplesmente não é para mim.
Segundo ponto: minha personalidade não condiz com uma área diferente da área de humanas. Dentro da área de humanas, poderia escolher praticamente qualquer faculdade e teria prazer em frequentar as aulas.
Não posso escolher passar quatro, cinco anos da minha vida pensando apenas no mercado de trabalho. Algumas pessoas podem, eu não. Para mim, o mercado deve se ajustar á minha perspectiva e não eu me ajustar ao mercado. Dizendo desta forma pode parecer estranho ou egoísta, mas é só uma outra forma de dizer que eu sou introvertido. Os valores do meu próprio mundo interno tem mais importância para mim do que os valores sociais, externos ou extrovertidos.
Terceiro ponto: na minha perspectiva, eu escolho o ambiente no qual quero viver e trabalhar. Não o inverso. Não será a oportunidade de trabalho que me forçará a me adaptar. Claro, pode dar errado (e em alguns momentos deu), contudo a minha personalidade, o meu jeito de ser, introvertido, obviamente sempre falou mais alto.
A ideia do mercado de trabalho leva diretamente ao ponto das finanças, do dinheiro que entra, dos bens que podemos (ou não) comprar. Nesta conversa com meu querido avô – ainda estou na conversa – falei também que eu sabia do meu talento e que eu conseguiria ter a vida que sonhava. Estava apenas começando.
Quarto ponto: o dinheiro viria, foi o que disse. Não importava se eu tinha escolhido humanas – e a área de exatas fosse mais promissora – o dinheiro viria.
Esta foi a conversa, alguns anos atrás, logo depois que tinha me formado em psicologia.
Hoje, eu me arrependo de ter feito psicologia? Porque eu não faria? Em certo sentido a psicologia me deu tudo o que eu tenho hoje. Mas não foi um caminho fácil. Por isso, hoje eu hesitei em responder a esta pergunta.
Mas porque eu não faria a faculdade de psicologia? Porque os psicólogos ganham mal? Sim, me parece que sim. A resposta seria essa: hoje eu hesito em dizer que faria a faculdade porque os psicólogos ganham mal, na maior parte das vezes. Porque não é um trabalho conhecido, nem reconhecido a maior parte das vezes. Porque, com a excelente formação que tive (modéstia à parte) vejo colegas profissionais que são muito mal qualificados e que me envergonham. Porque o Conselho Federal de Psicologia cobra uma anuidade cara, para praticamente nada de retorno.
Enfim, pode ser apenas um dia ruim, de trabalho. Às vezes penso nisso.

POR QUE EU FARIA A FACULDADE DE PSICOLOGIA?


Quando estava fazendo a graduação, uma mulher comentou certa vez que ela, quando terminasse a faculdade, faria a faculdade de novo. Para aprender mais. Porque gostava tanto. Não conheci esta mulher, mas esta história virou uma piada na nossa república. Primeiro porque fazer uma graduação é extenuante. A única coisa que você quer no final de uma graduação, de 5 anos e integral, é um período de férias. E talvez fugir de uma cidade como São João del Rei. Segundo porque se a pessoa estuda, pode aprender na primeira vez, certo?
Eu não me arrependo de fazer a faculdade de psicologia por tudo o que eu aprendi. O conhecimento que tenho da área é uma conhecimento silencioso, exceto o que posto aqui no site e compartilho com vocês. Em meu dia-a-dia não falo sobre psicologia. Não suporto ver séries como Sessão de Terapia, em inglês ou português, porque seria continuar trabalhando. E no consultório de psicologia, nós simplesmente não falamos de psicologia – por incrível que pareça.
Isto me faz sentir falta do ambiente acadêmico, de ter e de dar aulas. O conhecimento que adquiri é imenso, profundo e como todo conhecimento, infindável, quer dizer, saber é saber que não se sabe. Por isso eu faria a faculdade de psicologia.
Outro sentido para uma resposta afirmativa é que tudo o que eu tenho vem do que obtive com a psicologia. Ainda que indiretamente, isto é verdade. Poderia ser mais rico, claro. Mas imagino que todos também poderiam ser… Por isso não reclamo. Ainda tenho o sonho de ajudar mais no consultório, ajudar mais pessoas. Se vai acontecer ou não, o tempo dirá.
Portanto, respondendo à pergunta – mal formulada – se eu faria de novo, ou melhor, se eu me arrependo ou não de ter feito: Não me arrependo, escolhi bem e possibilidades maiores de salários ou status ou o que for não me tiram esta certeza. Escolhi bem.
Mas fica um alerta, se você quer fazer psicologia, se estas questões citadas (dinheiro, reconhecimento público, estabilidade) foram as principais questões para a sua escolha, pense de novo.

Fonte: PsicologiaMSN



0 comentários:

Postar um comentário