segunda-feira, 30 de junho de 2014

QUANTO MAIS EMOÇÃO, MAIS LEMBRANÇAS

Por Patrícia Renata


Memória é a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar informações disponíveis, seja internamente no cérebro (memória biológica), seja externamente em disposições artificiais (memórias artificiais). Podemos compará-las a correspondências. É necessário pouco esforço para abrir muitas de uma vez e jogar em “cima da mesa”. Porém, ao precisar de uma específica, não é assim tão fácil de achá-la.

Por que os alunos de Direito, por exemplo, possuem tanta dificuldade em se lembrar de tudo que estudaram e se aperfeiçoaram em cinco anos? Por que a memória não é capaz de trazer à tona artigos, leis e nomes de autores que estudaram por tanto tempo? Onde está a dificuldade ao ser questionado sobre algo específico em sua área de atuação profissional e dar um “branco” na prova da OAB?

Esse bloqueio de memória é causado pela estrutura psíquica de cada um. É essa estrutura que vai definir o que se guardar para a vida toda. O que irá diferenciar na estrutura psíquica entre lembrar ou esquecer, depende da carga afetiva que é colocada nas situações. As memórias são feitas pelos neurônios e moldadas pelas emoções.

O esquecimento é inconsciente e é também necessário para contribuir na fixação da memória. Esquecer é necessário para andarmos pra frente, economizarmos energia para usar com aquilo que realmente é importante para nós. O cérebro lembra quais as memórias que não quer trazer à tona e evita recordá-las.   Três fatores contribuem para um aumento na capacidade de esquecer: sair da rotina, stress e questões emocionais alteradas.

Portanto, quando for necessário lembrar alguma coisa, é necessário além de atenção, uma percepção aguçada, uma mente aberta e um coração tranquilo. É transmitir aos momentos, situações e aprendizagens, um toque de emoção. Colocar interesse mesmo naquilo que não parece ser tão interessante. Tentar relacionar. Vivenciar. Somos aquilo que recordamos. Nossas memórias são únicas. Temos meios diferentes de guardar as mesmas vivências. E será nessas diferenças, que a fixação será maior ou menor.

A memória pode ser classificada quanto à função, em memória de trabalho que se refere àquela instantânea. Sem ela não há uma sistematização de ideias. É rápida, breve e fugaz. Dura de 5 a 10 segundos. É necessária para desencadearmos o processo de pensamento e não perdermos a linha do raciocínio.
Quanto ao conteúdo, podem ser declarativa, àquela que declara um determinado conhecimento sobre um assunto ou conteúdo específico e procedural que se referem aos nossos hábitos, rotina. É o que sabemos fazer sempre do mesmo jeito, como escovar os dentes e dirigir.

Já em relação ao tempo, pode ser longa. É aquela que demora a ser pensada. Porém é relativamente fácil de lembrar e pode durar a vida inteira. E também de curta duração, permanecendo em torno de 1 a 6 horas e depois se esquece de como ocorre. Esse tipo evidencia-se muito em aprendizados apenas com repetição ou “decorebas”.

Emocionalmente bem, cada informação vai para um compartimento específico do cérebro e assim, ao querer acessá-lo, não estará tudo “esparramado na mesa”, mas organizado por situações semelhantes. Ter a capacidade de colocar emoção verdadeira nas situações é diminuir o espaço no cérebro às memórias curtas e ampliar as memórias de longa duração.

Conhecendo bem os tipos de memória e trabalhando-as eficazmente, podemos melhorar nossos estudos e nosso desempenho profissional.

0 comentários:

Postar um comentário