sexta-feira, 27 de junho de 2014

A MORDIDA DE SUÁREZ

Teorias sobre mordida de Suárez vão de 'infância difícil' a 'resposta primitiva'


A mordida do uruguaio Luis Suárez no italiano Giorgio Chiellini em um jogo da Copa do Mundo desta terça-feira (24) motivou a formulação de diferentes teorias para explicar o comportamento surpreendente do jogador. Psicólogos ouvidos pela imprensa internacional afirmam que a mordida pode ser resultado da pressão do jogo, uma “resposta primitiva” a fortes emoções e até uma consequência de sua infância difícil.

Apesar das diversas teorias levantadas, eles são unânimes em afirmar que Suárez precisa de tratamento profissional para controlar seus impulsos violentos.

O próprio Suárez, ao comentar uma mordida anterior - em 2013, a vítima foi Branislav Ivanovic, do Chelsea -  descreveu seu comportamento como “uma questão de frustração no calor do jogo”, em entrevista à “Sports Illustrated”. “Você reage em uma fração de segundo. Algo que pode não parecer uma grande coisa, de repente é e você não está consciente de sua reação ou das repercussões”, disse o jogador.

Em entrevista à “BBC”, o psicólogo do esporte Thomas Fawcett, da Universidade de Salford, disse que a mordida é rara no esporte, mas, quando acontece, é geralmente uma “resposta primitiva em que a emoção precede o processo do pensamento”. Segundo a avaliação de Fawcett, que viu as imagens da mordida diversas vezes, não foi um ato planejado, mas uma resposta emocional espontânea.

Ele acrescentou que a infância pobre pode ter contribuído para a formação de sua personalidade. “Se você olhar para seu histórico, Suárez teve uma criação difícil, em que ele teve de lutar pela sobrevivência.”

Um artigo do psicólogo Saima Latif no diário britânico “The Telegraph” também levanta a possibilidade de o comportamento ter relação com sua infância. “Talvez seu hábito de morder tenha começado na infância e foi desencadeado por alguma coisa, talvez ele tenha sido mordido. Para chegar à raiz do problema e lidar com ele de forma efetiva, ele precisa procurar a psicoterapia, que analisa as questões mais profundas que possam ser de interesse”, diz o texto.

Adam Naylor, psicólogo do esporte e professor da Universidade de Boston, afirma que, durante uma partida, as emoções podem desempenhar um papel mais forte do que o pensamento racional. À “New York Magazine”, ele afirmou que, quanto mais uma pessoa tenta controlar os impulsos em um momento de estresse, mais difícil fica.

Segundo ele, a mordida pode ter sido, inclusive, resultado dos esforços crescentes do atleta para controlar suas emoções. “É mais fácil lembrar-se que algo como bater é inaceitável, mas sem outra maneira eficaz de controlar o estresse, alguma liberação emocional estranha vai acontecer”, diz Naylor.

Por mais estranho que pareça o comportamento de Suárez, ele não é necessariamente sinal de um comportamento obsessivo, na opinião do psicólogo clínico Peter Kinderman, da Universidade de Liverpool. “É errado presumir que as pessoas sempre fazem as coisas por causa de uma obsessão ou um fetiche – mesmo que Suárez tenha feito isso mais de uma vez, não podemos presumir que ele tenha o desejo de sair por aí mordendo as pessoas todos os dias”, disse Kinderman ao veículo “Liverpool Echo”.

Para o psicólogo, é como se o jogador temporariamente “desligasse” o cérebro e ficasse sem poder nenhum para inibir o comportamento agressivo. Ele enfatiza que Suárez precisaria se submeter a uma terapia para aprender a lidar com os impulsos. “Se ele quiser evitar que isso aconteça de novo, provavelmente terá de aceitar que tem um problema que precisa ser enfrentado e talvez trabalhar com um terapeuta para aprender como pensar antes de agir.”

Já na avaliação do médico Rodrigo Bressan, do departamento de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o ato de Suárez pode ter relação com o chamado transtorno dos hábitos e dos impulsos, distúrbio caracterizado por atos repetidos, muitas vezes incontroláveis, e sem motivação racional clara. "Quando as atitudes se tornam frequentes, é sinal de que há falha no processo de controle desses impulsos, e indica que a pessoa sofre de um transtorno", disse Bressan, em entrevista ao G1.



Fonte: G1




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