segunda-feira, 19 de maio de 2014

DIFICULDADE DE DIZER "SIM"

Rotina, uma palava odiada por muitos e idolatrada por outros que veem na rotina uma ideia de segurança, afinal, você sabe o que vai acontecer no seu dia, a que horas irá almoçar, acordar, com quem irá conversar na hora do almoço.

Em tese, quem adora a rotina são aquelas mesmas pessoas que não gostam de imprevistos e são controladoras, querem tudo do jeito delas.

A menor ideia de que algo inesperado possa acontecer é capaz de assustá-la, tirar seu sono. Um convite inesperado de almoço ou mesmo a pessoa conhecida que sente do seu lado do ônibus pode ser aterrorizador.

Sentem-se seguras em saber o que irá acontecer, embora na verdade nunca saibam.

Claro que estou generalizando, falando de um tipo específico de pessoas, pode não servir para você.

Mas geralmente quem pertence a este grupo vai sempre ao mesmo restaurante, frequenta os mesmos lugares, ouve as mesmas músicas, prefere se relacionar com as pessoas do seu seleto grupo.

Possui dificuldade de lidar com o novo, com o inesperado, possui medo de não conseguir se adaptar e ser correspondido. Ao invés de enfrentar este medo, isola-se mesmo sem perceber. Cria muralhas, não se abre ao novo, prefere o aconchego do já conhecido.

Engana-se quem pensa que faço aqui uma crítica a este comportamento. Há quem tenha consciência do motivo da sua preferência e quer continuar assim, gosta e se sente bem. Na verdade, me direciono em especial às pessoas que são assim, prisioneiras da rotina, da mesmice mas querem ver uma luz no fim do túnel embora ainda não saibam como.

Existe um filme que ilustra perfeitamente este texto, chamado “Sim, Senhor”, com Jim Carrey no papel principal, interpretado o personagem Carl Allen.

O filme é muito bom no quesito transmitir uma mensagem. Se até aqui você se viu até neste texto, sorria e assista ao filme, tenho certeza que irá gostar.

Carl Allen é o típico amante da rotina, não aceita fazer coisas diferentes, curte ficar no “seu canto”, horário para dormir, acordar, não vai a shows de desconhecidos e tao pouco fala com estranhos. As coisas começam a mudar quando por motivos que não irei citar para não perder a graça (mas já aviso que não é nada mágico ou sobrenatural, ok vou contar ele foi em uma palestra de autoajuda onde o guru inspirava as pessoas a dizerem o SIM para tudo, mas faz de conta que não contei), ele passa a tentar dizer “Sim” para as situações, faz o teste e os resultados são incríveis.

Ele começa a perceber quantas portas o seu SIM começou a abrir, quanta coisa nova passou a acontecer. No filme ele exagera e diz “sim” a tudo e a todos. Bem, assista ao filme e irá me entender. O final é muito bom, bom também é ver as consequências dos “SIMs”.

Se a pessoa faz sempre as mesmas coisas a tendência é ter sempre os mesmos resultados. A partir do momento que ela quer uma vida diferente terá que viver com a premissa de fazer coisas diferentes, derrubar os muros que construiu para si mesmo, aprender a conviver com a insegurança, com a incerteza. E só a prática permite isso.

Assisti este filme em uma sexta feira a noite. No dia seguinte, tentei exercitar dizer o “sim” para situações que oportunamente eu diria não. Logo pela manhã fui para a academia, estava na esteira, ao mesmo tempo iria começar a aula de dança e o professor começou a andar pela academia chamando algum homem para dançar, uma das meninas estava sem parceiro e os musculosos com cara de bravo negavam o convite,  quando o professor chegou até mim e disse, vamos dançar e eu pensei “nãooooo” mas disse “simmmm”. Foi engraçado, alguns minutos depois estava dançando, muito mal é verdade, mas ali começava a me encantar por algo que nunca havia me chamado a atenção.

Ampliar seus horizontes é enxergar mais longe.

Por que comer sempre a mesma comida se posso aprender a apreciar diferentes culinárias, diferentes sabores. Ah… mas eu sei que eu ão vou gostar. Sabe como?

Lembro que eu sabia que não gostava de comida japonesa, mesmo sem nunca ter comido. Até que um dia eu disse sim. Experimentei, faz um ano. Se gostei? Acredito que uma vez por semana pelo menos em 2013 estive em um restaurante japonês. Ah, vale destacar que foi graças a minha linda namorada e incentivadora.

Falando na namorada, ela insistia em fazer um Cruzeiro. Mas eu pensava, um navio? Mar? Qual a graça? Não queria. O navio deve ficar balançando. (rsrsrs) Mas disse sim, fiz uma viagem incrível de 7 dias pela América do Sul em um Navio de 13 andares, 7 restaurantes, balada, cinema, teatro, além de passar por Punta del Este, Buenos Aires e Montevidéu. Caro? Não tanto quanto eu achava, na verdade foi mais barato que as viagens da CVC para o nordeste. Detalhe, com tudo incluso no navio. Mas qualquer dia conto essa história (foi uma experiência incrível, principalmente no aspecto cultural).

As vezes precisamos sim de um empurrão para começar a quebrar nossas certezas. Apreciar novos sabores. Ver novas cores, ouvir novos sons. A vida é tão rica. 

Para encerrar, ninguém precisa fazer como o Carl e dizer SIM para tudo ou depois de ler este texto sair por ai experimentando tudo o que tem direito.

Aproveite e diga sim para o que faz bem, para o que é saudável, para o que pode te transformar e transformar o mundo a sua volta para melhor.

A escolha é sua!

Um comentário:

  1. Artigo muito bom!!! Gostei muito dessa frase: "Aproveite e diga sim para o que faz bem, para o que é saudável, para o que pode te transformar e transformar o mundo a sua volta para melhor"

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