segunda-feira, 14 de abril de 2014

OS TEMPEROS DA COMUNICAÇÃO AFETIVA

Por Regina Wielenska



"No meu trabalho de terapeuta precisei ajudar pessoas a reverter desentendimentos terríveis, frutos da impulsividade e da má comunicação"


Fui educada pela avó materna uma boa parte da vida, enquanto minha mãe saia para trabalhar. Minha avó nunca bateu em mim nem levantava a voz. Tampouco era de ameaças. No entanto, era respeitada tanto por filhos como por mim e bastava um olhar, um tal jeito de compor a expressão do rosto, que sabíamos que havíamos extrapolado em algo e tínhamos assim a oportunidade imediata de corrigirmos o rumo.

O entendimento se passava com base em expressões faciais e tom de voz. Aprovação, reprovação...Funcionava bem na maior parte das vezes.


Note como a educadora inglesa que estreou o programa Supernanny na TV modifica seu tom de voz ao falar com crianças e pais, seja para celebrar com eles alguma conquista ou sinalizar o que não está funcionando o direito. Ela bem enfatiza a importância da troca de olhar entre a criança e os pais, e faz isso ela mesma em seu show.

Quando se conversa por mensagens de texto ao celular perdemos a riqueza das nuances emocionais que, neste caso, silenciosamente acompanham as palavras apresentadas em sua crua literalidade e sem o rico contexto derivado de como as coisas seriam ditas num papo cara a cara. Vírgulas ocasionalmente fazem falta num torpedo e sua ausência ou má colocação já muda o sentido de muita coisa.

Imagine então quando temos raiva e estamos a brigar com a pessoa amada via mensagens carregadas de intenções emocionais nada serenas. Texto breve, provavelmente mal escrito, temperado com raiva e mágoa. Qual a chance dessa comunicação chegar a um termo satisfatório?

Em qualquer relacionamento discordâncias haverão de existir. Mas o que estou sugerindo é que se evite ao máximo desenvolver conversas importantes, estratégicas, por meio da troca de torpedos. No meu trabalho de terapeuta precisei ajudar pessoas a reverter desentendimentos terríveis, frutos da impulsividade e da má comunicação.

O olhar, os gestos, a voz da pessoa e até seus feromônios acrescentam vida ao que se pretende comunicar, em geral trazem maior clareza e profundidade ao discurso, servem como moduladores do tom emocional que se deseja transmitir. Use e abuse desses recursos... assim você amplia as chances de ser entendido exatamente como planejara. Boa sorte!


Fonte: Comportamento

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