terça-feira, 29 de abril de 2014

COMPORTAMENTO SEXUAL DO ADOLESCENTE ATUAL

Por Janaina Ribeiro



Antes de abordarmos esse tema numa fase tão conturbada como é a adolescência, é preciso (re)pensarmos sobre a questão da sexualidade. O que vem a ser sexualidade? Sexualidade é sexo? Ou sexo é sexualidade? Porque esse tema ainda é um tabu? Porque temos vergonha? Porque é tão difícil falar com alguém sobre isso, ainda mais quando se trata de nossos próprios filhos? Segundo Sigmund Freud, pai da psicanálise, " a sexualidade pode ser entendida como uma carga energética que se distribui pelo corpo de maneiras distintas". Já para Michel Foucault “a sexualidade faz parte de nossa conduta. Ela faz parte da liberdade em nosso usufruto deste mundo”. Sexualidade também é afeto, amor, desejo, intimidade, confiança, prazer, sorriso, abraço, carinho, paixão, responsabilidade, partilha, sedução, amizade, respeito, sexo, confiança, ternura, toque, segurança. Enfim, sexualidade é tudo o que se relaciona ao prazer com o corpo.Embora pelo senso comum ela se confunda com o erotismo, a genitalidade e as relações sexuais.

Mas a sexualidade é definida muitas vezes de acordo com que as pessoas pensam, sentem e se manifestam na sociedade e na sua vida particular. Há algumas opiniões carregadas de preconceito, outras abertas a diferentes formas e olhares, portanto, da mesma forma que é importante a compreensão e aceitação de sua própria sexualidade, também é importante o respeito à expressão da sexualidade das outras pessoas. Mas quando o assunto é sexualidade na adolescência? A expressão da sexualidade nessa fase se dá de diferentes maneiras. Uns podem apresentar repressão do próprio impulso, se os primeiros contatos foram frustrantes. Outros podem aceitar, mesmo que não tenham nenhum envolvimento afetivo, mas comumente o que acontece atualmente. A preferência sexual com o afeto é o posicionamento que demonstra postura mais integrada frente à sexualidade, escolha esta que se encontra subsidiada pelas vivências que cada adolescente enfrenta ao longo de sua vida, sejam elas sexuais ou não, e que são socialmente rotuladas de atitudes amadurecidas.

O desejo da relação sexual depende da identificação do adolescente com outra pessoa. O interesse surge primeiramente em decorrência da atração e da curiosidade e depois da paixão. É nesse momento que as vivências anteriores facilitam ou bloqueiam. Porém, nessa fase, o desejo de envolver-se e de se entregar causam muitos conflitos o que pode produzir insegurança em relação ao futuro. O ato sexual pode provocar frustrações ou ser fonte de estímulo permanente. No envolvimento soma-se o desejo de sensações com o contato físico, embora isso não fique muito claro para o adolescente. A satisfação em uma relação sexual é a base para o desenvolvimento das próximas vivências sexuais rumo à maturidade sexual. Um fator predominante dos adolescentes de hoje é a maneira que eles enxergam a sexualidade como enfrentamento aos pais. Sobre isso Nasio (2011, p.15) diz que o adolescente:"Manifesta sentimentos aos pais que são o oposto do que sente realmente por eles: despreza-os e grita-lhes seu ódio, ao passo que a criança que subsiste no fundo dele mesmo ama-os ternamente. É capaz de ridicularizar o pai em público, enquanto sente orgulho dele e o inveja em segredo. Tais reviravoltas de humor e atitude, tão frequentes e bruscas, seriam percebidas como anormais em qualquer época da vida. No entanto, na adolescência, nada mais normal "(2011,p15).

Embora as regras nessa fase sejam necessárias e se fazem fundamentais para que os adolescentes reconheçam seus limites, muitos reagem violentamente como resposta a quebra de regras que os pais impõem. Muitas vezes a falta de diálogo, faz com que os adolescentes iniciem sua vida sexual com promiscuidade e imaturidade servindo como afronta aos pais. Para Freud (1996, p.209) emoções vivenciadas intensamente, sejam elas de forma negativas ou positivas, são bem próximas da sexualidade. Sendo assim, em consequência de situações conflitantes na relação dos jovens com os pais, a tensão gerada pode ocasionar um acúmulo de energia libidinosa, “pois frequentemente em tais circunstâncias pode ser um sentido de estímulo que leva a criança a tocar os órgãos genitais, ou pode ocorrer alguma coisa semelhante a uma poluição noturna, com todas as suas consequências desnorteadoras” FREUD (1996, p.209). Segundo Freud (1996,p209) situações conflituosas impulsiona o sujeito a uma ação em busca do alívio da sensação de desprazer, e o adolescente encontra no ato sexual uma forma de descarregar toda essa energia. Portanto, torna-se significativo a atitude de alguns jovens que se apossa de seu corpo como instrumento de alívio das tensões provenientes das alterações ocasionadas pela passagem da adolescência.

Diante dessa discussão é importante reconhecer que a sexualidade faz parte do adolescer e é única para cada fase vivenciada pela pessoa, seja na infância, na adolescência, na fase adulta e por fim na fase senil. E é importante salientar que o jovem se utiliza da prática sexual como forma de liberar as energias causadas pelas pressões que lhe são atribuídas pela situação do processo do adolescer. Isso acontece porque o adolescente passa por um processo de mudança ao qual vive a perda da infância, e ao mesmo tempo encontra-se perdido entre esta, e o ignorado de uma vivência que se instaura. Além do mais existem as cobranças e expectativas pré-estabelecidas por uma sociedade que não lhe permite assumir um lugar. De forma desafiadora os adolescentes buscam meios de provarem para a sociedade que são capazes de estarem no seu lugar de adulto, fugindo da moratória impingida por eles. Nesse período de disputa, as figuras dos pais serão os alvos preferidos de contestação do adolescente. A compreensão por parte dos pais sobre o período conturbado da adolescência torna-se um fator de estrema necessidade para evitar situações que impulsione o jovem a se utilizar desses artifícios como forma de enfrentamento aos pais. Dessa forma a sexualidade e a educação afetivo-sexual é questão imprescindível a ser enfrentada não só pelos pais, mas por toda a sociedade como forma de contribuir com que o adolescente vivencie a sua sexualidade e as suas relações afetivas de forma vinculada e sem riscos, vinculado ao respeito mútuo e sem discriminação de gênero.


Referências:

FREUD, Sigmund. Um Caso de Histeria e Três Ensaios Sobre a Sexualidade e outros. Rio de Janeiro: Imago, 1996. Edição,Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud.


NASIO, Juan-David. Como agir com um adolescente difícil?:Um livro para pais e profissionais. Rio de Janeiro; Editora Zahar, 2011.
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