terça-feira, 8 de abril de 2014

AS CARTAS INÉDITAS DE FREUD - PARTE 4

De Martha para Freud
Amado, malvado e querido
2.9.1882



Meu bom amado, melhor, desagradável, insuportável amigo, meu delicado, maleável tirano, meu Sigi!


Não tenho como colocar um título nesta carta, pois eles estão todos sentados à minha volta. Eli acaba de
sair para ir ao centro da cidade, e eu estou aproveitando os poucos minutos que ainda tenho antes de dormir para escrever algumas palavras. Muito obrigado, prezado senhor doutor, por sua grande atenção.

Como o senhor foi capaz de adivinhar quem é o meu poeta predileto? Apenas tenho que lhe confessar que não gosto de textos escritos no verso de fotografias, e que seu estilo me pareceu um tanto grosseiro. Mas não é nada gentil dizer algo assim a alguém…

Seja como for, não tenho nenhuma má intenção, meu amado, único, doce, bom doutor. Excetuando-se isso, estou bem satisfeita com seu estilo e talvez o senhor precise ter um pouco mais de paciência com o meu. Imagine a que ponto eu fui forçada a me superar: não perguntei nada a Eli, nem sobre você, nem sobre as meninas, aliás, quase ainda não tivemos a oportunidade de ficar a sós, pois sempre há um torvelinho terrível, tanta gente à nossa volta…

Mas isso não importa porque sei de tudo sobre você, e em primeira mão. É terrível não receber nenhuma carta sua, e talvez tenha sido um excesso de cautela meu, mas, seja como for, vamos sobreviver a esses poucos dias e é melhor sermos cautelosos do que arriscarmos tudo para satisfazer um pequeno desejo, não é verdade, meu amado? (…)

Sentada sozinha

Se eu penso em você, amado? Em todas as horas. Tive que ouvir reprovações e perguntas urgentes de Eli, que queria saber por que eu sempre queria voltar para casa, “se isso é uma infantilidade, uma tolice”, e se eu não estava me divertindo. Que mamãe estava com saudades de mim e não querida confessá-lo era algo que ele não queria ouvir. (…)
Boa noite e pense na sua Martha! Ouviu?!

Meu amado, você tem sido bem paciente, não é? Sempre que chego em casa me informo exatamente sobre o seu comportamento — e quando ouço algo de ruim, me irrito profundamente, isso eu lhe digo desde já.

Entrementes todos os outros já foram se deitar e eu estou sentada sozinha, a grande folha de papel de carta de meu bom tio está bem cheia, e agora ainda rapidamente envio um beijo a você, meu amado, malvado e querido homem. (…)

Um comentário:

  1. Blog bem legal mito didático. Depois acesse nosso blog. http://www.tudosobrepsicologia.com.br

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