quarta-feira, 12 de março de 2014

CAFAJESTE: O VILÃO DA PSIQUE FEMININA

Mulheres crescem ouvindo sobre este personagem que tem o poder de lhes dilacerar o coração e se preparam psicologicamente pra quando isso acontecer ao chegarem à idade adulta. A crença de que “nenhum homem presta” vai se construindo com estas mensagens subliminares perpetradas por familiares (que intencionam proteger sua menininha do futuro) e com o passar dos anos a convicção de que homens são sujeitos não confiáveis vai se instalando.
O arquétipo do cafajeste é definido como um vilão, um homem mau, mentiroso, ludibriador, que se finge de romântico, que só pretende se aproveitar de moças de família para depois abandoná-las com a honra manchada. Esta é o perfil primário, inspirado em histórias reais que deu corpo a uma série de livros, filmes e afins que só serviram pra intensificar a imagem desse personagem no inconsciente coletivo feminino.
Hoje é um tanto diferenciada a concepção de cafajeste, mas o conteúdo permanece o mesmo: de que os homens são vilões e as mulheres, vítimas. O público feminino em massa continua projetando esta imagem de que homem não presta em seus relacionamentos e se posicionando como “coitada” ao fim de cada um deles.
É uma utopia dizer que homens não prestam. Existem pessoas com caráter desonesto e isto não se remete a um gênero sexual. Tem tantos homens promíscuos quanto mulheres, atualmente. O que ocorre é que algumas mulheres foram programadas mentalmente para aguardar os cafajestes de sua vida e vão de alguma forma chegar a este destino que esperam, mesmo que simbolicamente. Não que cafajestes não existam, existem sim! Mas não são todos os homens e nem apenas homens.
Algumas mulheres estão tão bitoladas na crença de que “todos os homens são iguais, não confiáveis” que pra elas não existe outra realidade. Mesmo que apareça um “príncipe” ela vai vasculhar até achar um indício de que seja sapo, pois não consegue enxergar/acreditar que pode ter um homem decente (deseja, mas não acredita). O sujeito pode ter muitas características apetecíveis em um companheiro, lhe provar ser sério e honrado, mas ela inconscientemente vai procurar falhar, por mínimas que sejam, pra comprovar sua crença de que ele é um algoz. E quando a relação fracassar ele será o culpado. A ideia de que homem é cafajeste é tão forte, vivida, presente que de tanto crer nisso ela verdadeiramente se sente traída pelo destino e convence as pessoas a seu redor disso. Pais, amigos, colegas, enfim, todo mundo fica sabendo que ela foi vítima indefesa de um mocinho sem vergonha, mau caráter, que não prestava, entre outros adjetivos direcionados ao pobre moço. E depois vem outro mocinho igual, e outro... E nenhum na cabeça desta mulher presta.
E é claro que existem mulheres que se relacionam com cafajestes de verdade. Que traem, mentem, fingem, cometem violência, abandonos temporários ou perpétuos, enfim, que a colocam em situações vitimizadoras. Estas são vítimas no primeiro contato com esse tipo de relação, mas deixam de ser a partir do momento que permanece na relação, ou escolhem outros companheiros com o mesmo perfil (o que é normal para mulher com “síndrome do cafajeste”).
A crença do “cafajeste” tem sido responsável pelo término de relacionamentos entre pessoas de boa índole. A ciência já comprovou: nossas crenças influem sobre nosso sistema cerebral, este não consegue distinguir entre a realidade e a imaginação. A partir do momento que eu crio uma verdade subjetiva todo meu ser vai trabalhar em prol de materializá-lo, diz a física quântica. O cafajeste do seu companheiro pode ser o cafajeste que você criou!
Fonte: Folha de Saltinho

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