quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

HOMOSSEXUALIDADE ERA VANTAGEM MILITAR

Atualmente os homossexuais assumidos ainda não têm completa aceitação social, sendo isso aindado. Da antiguidade clássica, vem um caso que comprova isto mesmo. A conhecida e poderosa Cidade-Estado Grega de Tebas tinha uma força de elite no seu exercito muito peculiar. Em 378 a.C. Gógidas criou o ‘Batalhão Sagrado’ Tebano, uma força de elite composta por 500 soldados organizados em pares por idade. Mas que tinha esta força de diferente? Bem, esses pares eram amantes. É lendária a capacidade, coragem e eficiência militar deste batalhão, sendo a homossexualidade dos seus integrantes algo que assumia nisso extrema importância.

Leónidas nas Termópilas - Jacques-Louis David
 
mais marcado nas Forças Armadas. Mas os valores de hoje nem sempre foram os do passa
Defendia-se na altura a ideia de que dois soldados com relacionamento amoroso e afectivo poderiam combater com maior proximidade e confiança, e que tudo fariam par zelar pela segurança do seu par, dando a própria vida se necessário. O grupo pela sua proximidade e cumplicidade afectiva trabalharia mais facilmente em uníssono e como um bloco bem organizado. Sabemos da existência deste batalhão pela pena do historiador Plutarco (reputado historiador Grego que viveu entre 46 d.C. e 126 d.C.), pois em 335 a.C. Tebas foi arrasada pelo Macedónios e os sobreviventes vendidos como escravos, tendo se perdido a tradição e organização militar que deu origem a esse singular batalhão.
 
Há quem atribua a ideia e a inspiração da criação de tal batalhão à influência intelectual e filosófica da obra ‘O Simpósio’ de Platão.
Já que referi um caso concreto do modo diferente como era vista a homossexualidade na antiguidade, parece-me ser importante referir diferenças marcantes no modo como ela era abordada pelos Gregos. Segundo Kenneth Dover e David Halperin as sociedades Gregas antigas viam a sexualidade como uma forma de demonstrar poder e estatuto social, independentemente do género, ou orientação sexual como hoje lhes chamamos. Kenneth e Haperin defendem que o princípio e a distinção se dava pelos papéis desempenhados na relação e no acto sexual propriamente dito (independentemente do sexo): "activo" ou "passivo". Sendo socialmente aceitável a um cidadão grego ‘penetrar’ desde que esse alguém lhe fosse inferior na hierarquia social. Seria aceitável ser o elemento “activo” com alguém mais jovem, com uma mulher ou um escravo, independentemente do género, mas nunca ser o elemento “passivo” da relação sexual perante os seus inferiores aos olhos da sociedade Grega (os jovens, as mulheres e os escravos eram vistos na sociedade Grega como inferiores quando comparados com um cidadão mais velho, homem ou não escravo).

Como vemos, desde a Grécia antiga para cá os valores e a organização social e direitos individuais mudaram, retrocedendo nuns aspectos e avançando noutros.

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