terça-feira, 7 de janeiro de 2014

SER SONHADOR: SAUDÁVEL OU DESTRUIDOR?

Sonhar na sociedade ocidental atual é algo que é aparentemente paradoxal. Por um lado, sonhar é bom, inspirador, orientador, motivador, “o sonho comanda a vida”, mas por outro ser sonhador é algo depreciativo, sonhar é tomado como típico das pessoas das pessoas que “não têm os pés no chão”, típico de pessoas imaturas. Como perceber este paradoxo?
 
Quando se fala em sonhar, estamos a falar em definir objetivos muito altos. Porém objetivos altos são relativos, pois um objetivo baixo para um indivíduo, pode ser alto para outro. Logo determinado objetivo não nos diz nada sobre as capacidades, competências e conhecimento que cada individuo tem para o alcançar.
 
É fácil compreender que sonhar, isto é, definir um objetivo alto, pode desenvolver e motivar para a ação e para a aquisição de conhecimento e competências para atingir. Ao mesmo tempo que o mesmo objetivo para o mesmo individuo ou até mesmo para o mesmo individuo mas em momentos distintos pode ser desmotivador, depressivo, proporcionado uma maior procrastinação. E então qual é a diferença responsável por esta mudança extremista?
 
O principal responsável pela depressão ou pela extrema depressão perante determinado objetivo, é: acreditar ou não que esse objetivo é atingível. Quando determinado objetivo não é percecionado como atingível ou deixa de ser percecionado como tal, o indivíduo deixa de mobilizar recursos nesse sentido, pois deixa de acreditar que está no caminho correto.
 
Devemos então definir objetivos muito altos, correndo o risco que podemos deixar de perceciona-lo como inatingível?
 
A resposta a esta questão, como acima referi é discutível, porém na minha opinião devemos sim definir objetivos altos. Definir objetivos altos, como é lógico, mobiliza-nos mais que os baixos ou médios, isto é, perante objetivos altos os nossos recursos internos estão mais “afinados” ou “focados”. Muitas vezes esses altos objetivos podem ser responsáveis por desenvolvermos novos recursos/competências/conhecimento, abrindo “portas noutros universos”, tornando por consequência, mais fácil atingir outros objetivos paralelos, independentemente da concretização do “alto objetivo”.
 
Um exemplo claro é de um indivíduo que corria 2 Km todas as semanas, como é óbvio ao fim de umas semanas já percorria o percurso de forma confortável, apesar de ele acreditar que não seria capaz de percorrer muito mais. Um amigo propôs-lhe correr 20 km, ele muito reticente aceitou o desafio. Esse indivíduo não conseguiu concretizar o desafio, percorrendo 15km. Porém verificou que conseguia correr muito mais que os 2km que fazia confortavelmente. Apesar de não atingir o objetivo proposto, ele foi muito além das suas próprias expetativas.
 
Devemos então definir objetivos altos, no limiar, entre a realidade e a ilusão. Pois independentemente o concretizarmos ou não, esse percurso vai desenvolver-nos e capacitarmo-nos como nunca podemos imaginar.
 
Uma forma de minimizar essa provável “não concretização” é celebrar cada passo que se dá no caminho desse grande objetivo, tudo o que se “ganha” em cada passo.
 
 
E para você, é bom ser sonhador?
 
 
Fonte: PsicologiaFree

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