quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

SE VOCÊ ACREDITA É REAL

“O problema não é como levar para nossa mente ideias novas e inovadoras, mas como tirar de lá as ideias velhas” – Dee Hock

Uma simples ideia é capaz de levar alguém do céu ao inferno. Capaz de apresentar um oceano de opções ou de impor grandes limites. Uma simples ideia. 
 
Cada um de nós possui crenças, as mais variadas, sobre todo tipo de assunto. Crença neste texto significa conjuntos de ideias sobre determinado assunto. Gosto de uma frase que diz: “Crença cria realidade”. Se você acredita é real.
 
Na época de Natal ao passear pelo shopping é comum encontrar um senhor de idade vestido de vermelho e branco e provavelmente não fará a menor diferença para um adulto, mas para uma criança aquilo é mágico. É o Papai Noel para aquela criança, se ela acredita passa a ser real dentro do seu universo imaginário. 
 
Quando eu era criança acreditava que embaixo da minha cama havia uma passagem secreta para um mundo mágico. Por vezes me escondia ali e ficava esperando-a abrir, imaginava o que havia lá embaixo, pra começar quando a passagem se abrisse teria um homem em um barco me esperando.
 
Era real para mim, eu acreditava mesmo. Às vezes, não queria sair dali só para não perder a passagem se abrindo. Hoje sei que embaixo da cama existia apenas tacos de madeira e concreto.
Pode parecer que essa ideia de que crença cria realidade só serve para crianças, mas não é bem assim, acontece com cada um de nós o tempo todo.
 
Uma pessoa que diga (ou pense): “Eu não tenho sorte com relacionamentos”, acredita nisso, portanto passa a ser real. Pode ser a mulher mais interessante do mundo, mas se ela acreditar de fato que não é interessante e que não consegue se relacionar aquilo passa a ser real, essa ideia vai interferir nas companhias que ela irá escolher, nos lugares que irá frequentar, provavelmente não irá buscar pessoas interessantes, já que nunca dá certo então porque perder tempo? Crença cria realidade.
 
Uma crença dessas é limitante. A pessoa se limita nessa ideia que criou para si mesma, passa a viver no automático diante das situações. Quando ela percebe já está se menosprezando. Se diminuindo.
Ouço às vezes frases do tipo: “eu não mereço ser feliz”, “nunca consigo o que eu quero”, “não presto para nada”. São crenças, ideias que temos e que influenciam totalmente nossas vidas.
 
A pessoa que acredita que não merece ser feliz, pode até ter todas as oportunidades do mundo, mas irá se boicotar, mesmo sem perceber, porque no fundo acredita que não merece ser feliz. A outra que acredita que nunca consegue o que quer, não irá conseguir mesmo, vai chegar uma hora que nem irá tentar mais, já que nunca consegue o que quer. E a pessoa que acredita que não presta pra nada, provavelmente ficará reclamando por muito tempo, até amadurecer e começar a descobrir as coisas que sabe fazer, por exemplo, pelo menos para reclamar ela presta.
 
Repito todos temos crenças, ideias centrais que foram sendo criadas e alimentadas com o passar do tempo, por influência de nossa cultura, educação que recebemos, pessoas que nos cercam, livros, filmes, conversas. Algumas crenças (ideias centrais) são verdadeiras alavancas. Há quem pense:
 
“Posso tudo o que eu quiser”. Uma crença dessas oferece um repertório de possibilidades. Porque se limitar se podemos expandir as possibilidades.
 
Imagine que o Renato Russo tivesse a crença de que não escrevia bem. É possível que ele parasse de escrever, mesmo com todos a sua volta dizendo que ele escrevia muito bem. Se a pessoa acredita, é real. Se a mulher mais linda do mundo acordar e achar que está feia, não adianta o mundo elogiar, se ela acredita passa a ser real. 
 
Sempre que me refiro neste texto ao real, significa o real para a pessoa. No “fantástico mundo de Bob” dela. 
 
Voltando ao exemplo do Renato russo, as crenças dele eram justamente o contrário, ele desde jovem acreditava que seria o maior “rockstar” do país, que suas músicas ficariam eternizadas, passava horas e horas brincando no seu quarto de músico, desenhava capas de disco,  imaginava-se dando entrevistas. Ele acreditava nele. 
 
É capaz que você use frases no dia a dia que denunciam algumas de suas crenças e vale a pena rever isso, frases do tipo: “Eu não consigo”, “quem sou eu pra querer isso”, “Eu não mereço”, “não tenho capacidade”, “nunca vou conseguir”.
 
Lembro-me do caso de uma mulher que cantava maravilhosamente bem, mas acreditava que cantava muito mal. Possuía uma voz incrível, mas se menosprezava. Na adolescência precisou fazer “fono” por muito tempo para superar a gagueira e foi na terapia que descobriu o motivo da dificuldade e o motivo por acreditar que cantava tão mal. Na infância cantava o tempo todo, os familiares gostavam, admiravam, até que um dia estava cantando na cozinha e sua mãe estava com sérios problemas, financeiros e de saúde, na ingenuidade de seus 7 anos não sabia disso e continuou cantando, sua mãe nervosa, com dor de cabeça gritou,: “Menina, cala a boca, não aguento mais ouvir essa voz horrível sua!” Ali nascia a dificuldade de fala da menina. A mãe fez por mal? De forma alguma. Que mãe que nunca se estressou com o filho? Em um momento ela “explodiu” descontou na pequena. A menina guardou aquilo, que sua voz era horrível. E se ela acreditou, para ela se tornou real. Até o dia que ela reviu essa crença e superou.
 
Quando alguém me diz: Bruno, não vou namorar, pra que namorar? Se eu namorar eu sei que vou ser traída! Eu respondo, vai mesmo! Se ela mesma está dizendo isso, vai acontecer. Ela tem certeza. Provavelmente terá atitudes que a levarão a ser traída. 
 
Observe que não estou falando de nada mágico.
 
Vamos aprofundar o exemplo. Se essa moça fictícia, que aqui irei chamar de Mikaella, acredita que irá ser traída, isso passa a ser real. Quando namorar com alguém, esse medo todo de ser
traída fará com que ela pegue demais no pé do namorado, seja possessiva, comece a fiscalizá-lo o tempo todo, infernize a vida dele. Atitudes estas que podem fazer o “dito cujo” de fato trair, por não aguentar mais tanta pressão.
 
O problema (neste exemplo) não era o namorado, era ela. A forma como ela se via no mundo. Provavelmente terminando o relacionamento, iria acontecer o mesmo com outro e outro. Por isso é tão comum ouvir: Ah todos meus relacionamentos foram iguais, não tenho sorte. Mas ai eu pergunto, o que tinha em comum em todos seus relacionamentos? Resposta: “você”. Você era o que esteve presente em todos os relacionamentos.
 
Pense por um instante, será que suas crenças são limitantes ou te ajudam a ir mais longe? Diante de uma oportunidade de crescimento você se diminuiu? Pensa logo que não tem capacidade? Ou encara, acreditando em seu potencial?
 
Continuando o exemplo fictício, com o passar do tempo a Mikaella percebeu o quanto mal fazia a si própria, passou a rever a forma como se valoriza, melhorou sua autoestima, ficou mais confiante, finalmente percebeu o quanto interessante era, parou de se diminuir perante os outros. Passou a se achar linda, gostosa, inteligente, atraente, esforçada, corajosa. Essas novas crenças vão criar novos hábitos, nova postura. O que irá interferir diretamente na forma como as pessoas a veem e a tratam.
 
O mundo está cheio de pessoas fantásticas, mas que preferem se esconder com medo de aparecer.
Conheci muitas pessoas assim, logo no primeiro momento eu percebi o grande potencial que possuíam e o quanto incrível eram. E durante a conversa notava que elas mesmas não percebiam esse potencial e o que era pior, se diminuíam, se colocavam para trás na vida. Com esforço, com o tempo e com direcionamento mudaram suas crenças e deixaram brilhar a sua luz.
 
Não crie limites que te prendam. Crie saídas, descubra possibilidades.

3 comentários:

  1. Esse texto traduz várias coisas e posturas que tenho percebido em mim.
    Estou num esforço profundo de anulação de todas as crenças negativas ao meu respeito, e tem, de fato, funcionado!
    Fiquei feliz com o texto! Muito obrigada! :)

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  2. Muito bem,gostei,porque eu posso tudo, essa é minha crença!!!

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  3. Acreditar e tornar real é uma característica humana que afeta nossas vidas e nossos relacionamentos. Todos nós estamos sujeitos a isso, para o bem ou para o mal. Poderíamos aprender desde cedo a conhecer melhor os mistérios da nossa mente que exercem influências poderosas em nosso destino.

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