segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

MALDITA BENÇÃO

BELEZA FEMININA: A BENÇÃO QUE ATRAPALHA
Por Katree Zuanazzi
 
 
 
O conceito de belo é constituído socialmente e historicamente. Aspectos considerados atraentes hoje nem sempre assim o foram considerados no passado. Um exemplo é o caso da gordura corporal que, outrora sendo entronizado como o estereótipo de corpo perfeito o gordo, posteriormente a magreza auferiu este título e atualmente impera o modelo de corpo vigorexo, fato que pode (e vai) mudar constantemente.
 
Ao longo da história, ora os homens sofriam para se enquadrar nos padrões impostos, ora as mulheres. Hoje existe mais um padrão de poder para os homens enquanto o padrão das mulheres é o de beleza. É claro que não tem como generalizar. Existem muitos homens metrossexuais e muitas mulheres que não se importam com a aparência, bem como, existem homens que não se esforçam tanto em obterem conquistas materiais e mulheres que batalham muito por isso. Mas o foco desta reverberação é, a saber, a beleza.
 
Beleza: a cruz desejada e difícil de carregar, a rosa cheia de espinhos, o inferno e o paraíso, o bom e o ruim, todos a querem, mas ninguém exulta com os ossos do ofício. Implica em um preço pago, um estigma, uma troca com o Universo, uma barganha. Recebo a beleza desejada e juntamente os simbolismos que ela implica, os quais compreendem aspectos valorosos e outros, indesejáveis.
 
Nada pode ser tão bom, que não venha a carregar, mesmo que sutilmente, alguma carga negativa. Exatamente isto acontece com a boa aparência física, ao mesmo tempo é um ganho e uma perda, principalmente quando se trata de uma mulher.
 
Siri Hustvedt, uma escritora americana, em uma entrevista deu como resposta que “Mulheres bonitas e intelectuais sofrem preconceito. Parece que ninguém acredita que é possível ser as duas coisas. A beleza faz com que as pessoas tratem você de forma mais condescendente”, é exatamente a isso que me refiro.
 
Vulgarmente a beleza considerada acima do normal é associada a déficit intelectual, á incompetência, á impotência, á frivolidade, á futilidade, á arrogância, á soberba, á orgulho e adjetivos afins. Se uma pessoa bela conquista algo grandioso na vida logo atribuem isso á sua aparência, desconsiderando todo seu esforço, empenho e dificuldades que enfrentou e superou para estar onde está.
 
Os padrões de beleza impostos pela sociedade são muito rigorosos, pouquíssimas pessoas (segundo os conceitos atuais) são realmente belas. O que aparentemente acontece é uma revolta contra estas poucas pessoas, como uma tentativa de castigá-las pela graça que ostentam. Assim, uma forma de não se sentirem inferiores a estas, seria rejeitar que possuíssem outras qualidades.
 
Primeiramente tem uma questão de gênero. O homem “ainda” chega a postos de liderança com mais facilidade do que a mulher, e “ainda” tem uma renda financeira superior a esta. Em segundo lugar, a beleza. Uma mulher não muito bonita e não muito inteligente tem muito mais facilidade em chegar a uma liderança, do que uma extremamente bonita e razoavelmente inteligente.
 
Vejamos: Raramente encontramos uma mulher numa posição de liderança realmente bela, bem arrumada, maquiada, com roupas femininas, salto 12 (só se o ramo de atividade dela for moda).
 
Geralmente as mulheres quando lideres de empresas, na política e carreiras semelhantes não são muito bonitas, cortam cabelo curto, se maquiam discretamente e usam terno. Por que será? Porque se caracterizar de homem talvez facilite a chegada ao sucesso?
 
Ou seja, para uma mulher muito bonita, feminina e inteligente ser bem sucedida em seu ramo de atividade não basta ser boa profissional no que faz. Além de saber tudo de sua área, ser super inteligente, trabalhar com excelência, ter uma formação exemplar, inúmeros cursos bem conceituados, experiências, ser “super, mega, ultra, power” boa, a melhor no que faz, tem que ficar provando a todo o momento que isso o é, já que é testada o tempo todo.
 
Um brinde ás mulheres que chegaram ao topo sem abrir mão de seu aspecto feminino! E dois brindes para as mulheres que as apoiaram!
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

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