segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

ÉTICA E ANTI-ÉTICA

Por André Macedo
 
 
 
Às vezes paro para pensar a respeito da ética. Quando fui escolher minha profissão esse foi um dos fatores principais na escolha. Se pensarmos na Ética do Direito, por exemplo, veremos que é uma Ética-anti-ética. Mas o que significa isso? Bem, significa que dentro da ética da profissão você fará coisas anti-éticas (para a sociedade), em busca de defender um bandido ou colocar alguém na prisão injustamente. Vejo no Direito uma falta de Justiça. Mas isso não para no Direito.
 
Medicina, profissão bonita, tem como objetivo salvar vidas, porém, o que acontece na realidade? Em vez da preocupação com a avaliação do paciente, os médicos se preocupam em quantos pacientes vão atender no dia. No que é mais rentável para eles. A profissão em si é ética, mas a prática já é diferente. Profissionais recebem cheques mensais para receitar medicamentos específicos, no caso da ortopedia, próteses de determinada marca. Isso é de fato preocupante.
 
Mas vamos falar do que nos interessa. E a Psicologia? Ocorre isso na Psicologia? Essa falta de Ética? Infelizmente afirmo que sim. Como? Pense em quantos profissionais enrolam os pacientes, os tornam dependentes deles para que não percam o dinheiro que as sessões proporcionam. Outro fator é que a Psicologia é uma ciência, mas quantos psicólogos vocês já viram misturando psicologia com religião, com métodos não convencionais e até proibido pelo código de ética do profissional. Se isto ainda não te convence, pense nas besteiras que você ouve na televisão afirmando a violência de determinadas doenças, o que é uma irrealidade. O mais recente que vi foi no Faustão. Autistas e portadores de Síndrome de Asperger são mais violentos que os considerados “normais”? Pois tenho mais medo dos “normais”.
 
Tenho que falar ainda do comportamento de certos Psicólogos frente às doenças mentais. Esse é o profissional que devia ter menos preconceito, porém o que mais se vê é o preconceito constante e até risada a respeito das patologias mentais. Já ouvi casos absurdos de gente, que trabalha em
manicômio, rindo de portador de transtorno mental que se masturba na rua, e ao invés de ajudar, porque ele pode ser agredido por algum marido ou namorado ciumento, ri de sua situação.
 
Devo admitir que isso é falta de preparação na faculdade e até falta de moral dos profissionais. Se você escolhe uma profissão, respeite seu código de ética, ainda mais se você trabalha com humanos, poderia ser você, seu pai ou seu filho no lugar daquele portador de transtorno mental se masturbando na rua.
 
Para finalizar tenho que falar do aspecto comercial do diagnóstico de transtornos mentais. O DSM-V é uma prova de que cada vez mais “inventam” doenças para que o campo profissional se amplie, mais pessoas achem que estão doentes e procurem ajuda profissional, enquanto estão bem.
 
A solução é você, profissional que já atende, lutar pela saúde mental. Sem invenções de doenças, sem mistura de ciência com campos de saber não comprovados, sem enganar os pacientes para ganhar mais dinheiro deles. Cabe a você mudar esse mundo onde a preocupação com o ganho é maior que a preocupação com o próximo. Seja ético, faça de sua  profissão um meio de ajudar pessoas incapacitadas, não se aproveite da incapacidade delas. E como cidadão, lute pela Ética sócia, independente do campo de atuação profissional, afinal, você, psicólogo irá acabar percebendo o reflexo desse mundo anti-ético em seu consultório. E sei que o objetivo de sua formação é ajudar, não ganhar dinheiro, pelo menos prefiro pensar assim.

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