sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

AMIZADE NÃO É COLEGUISMO

Tanto quanto nos relacionamentos conjugais, os relacionamentos de amizade tem sofrido defasagem continuamente. Amizades começam e terminam, a visão de pessoas descartáveis tem tomado espaço concomitante a indiferença diante de verdadeiras amizades. Talvez as pessoas estejam se acostumando aos relacionamentos com prazo de validade curto.
 
Em momento de festas, diversão, passeios o número de amigos muito excede a o que se sabe que se tem. Em momentos de infortúnio, desgraça, sofrimento o número de amigos é muito menor do que se acredita ter. Que controvérsia, não. Às vezes temos mais amigos que pensamos ter e outras, menos. Ou seja, o que pensamos não tem nada a ver com a realidade.
 
A futilidade em massa que atinge a população não repercute apenas no âmbito do consumismo material, mas compreende juntamente os relacionamentos interpessoais. Agora existe o mercado de relacionamento, ou melhor, os relacionamentos que visam algum interesse. Permanece-se amigo enquanto obtém-se alguma vantagem. Mas ai se questiona se é amizade a denominação desta relação, até porque, neste caso, ao que me parece não é amizade e sim um cambio, uma venda, uma relação próxima da monetária. Não duvido nada que em breve surja a “profissão amigo”, se é que esta já não surgiu, mesmo que dissimuladamente.
 
Penso que o nome que mais caberia a estas “amizades momentâneas” seria coleguismo, que diz respeito a ser companheiro em algumas atividades específicas e não a uma relação continua que envolva afetividade. Demi Lovato diz que “Amigos falsos são como sombras, vivem perto de você nos momentos brilhantes, mais na hora da escuridão todos somem”.
 
 
 
Amizade é constância, permanecia tanto nos momentos bons quanto nos ruins, tristes e felizes, de festividade e de martírio, não apenas em épocas de farra, até porque para festa se encontra gente em qualquer esquina. Amizade é mais do que dar risada junto, é principalmente chorar junto. “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”, segundo as nobres palavras de Confúcio.
 
Os vínculos interpessoais estão falindo progressivamente por mais que as máscaras sociais finjam, fujam e tentem encobrir esse fenômeno. As pessoas vivem cercadas de pessoas, já que a internet isso muito favorece, mas permanecem sozinhas ou tem poucas companhias concretas. Parece ironia, alguém estar tão acompanhado e tão só, mas não é, é a realidade.
 
A gratidão pouco existe, os favores logo são esquecidos. As pessoas pouco se importam com quem está ao seu redor quando estão ocupadas demais com seus assuntos cotidianos, em meio tanto egoísmo pouca energia sobra para o altruísmo. Fomentado pela ideia de “cada um por si e Deus por todos”, a humanidade perambula, cada um em busca de seus próprios desígnios.
 
 
Fonte: Temas de Psicologia

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