terça-feira, 26 de novembro de 2013

NOSSAS RELAÇÕES

Por Roberson Geovani Casarin
 
 
Quando fui morar no Rio Grande do Sul, escrevíamos cartas e mais cartas para os amigos e familiares
em Rondônia. Telefone era coisa de rico – de verdade. Tanto é que o “ideal” da classe média era ter: casa, carro e telefone em casa. Íamos às casas dos vizinhos, brincávamos na rua, enquanto nossas mães ficavam conversando. Encontrar um amigo, parente só se soubéssemos o endereço ou telefone residencial. Minha casa era uma das poucas que tinha telefone e, por isso, os vizinhos, vinham usá-lo, aos fins de semana por ser mais barata a ligação.


Estou falando do começo do século XX? Não, estou falando de coisa de menos de 20 anos. Acreditem, fui morar no RS em 1997. Quando fui para o Mato Grosso do Sul, em 2000, a internet era incipiente, discada, e pouquíssimas casas tinham. Eu na minha humilde condição de universitário tinha acesso a ela apenas pelo laboratório de informática da Universidade.


Nesse momento já havia e-mails, e alguns redes sociais, como o ICQ. Alguém consegue lembrar o que era isso? Dessa forma começamos a nos aproximar de pessoas distantes, desconhecidas, mas também, inevitavelmente, passamos a sair menos de casa, conversar menos com os vizinhos, as cartas foram diminuindo e as relações mudando.


Passada uma década teve IRC, Orkut, MSN, Twitter... E a vedete do momento, o Facebook, ou simplesmente, Face. Todos, ou quase, tem celular, que não só liga, mas nos mantém conectados do mundo, literalmente. Já não brincamos mais na rua, os vizinhos não usam o telefone da casa do outro vizinho... Aliás, quem ainda os conhece?


Fiz esse breve percurso histórico para falar das relações que travamos atualmente, em virtude da informática. Há algum tempo, quando ainda fazia o Mestrado, me perguntaram sobre isso, se não é prejudicial toda essa informática. Até então minha resposta seria automática: Claro que sim! Mas pensei por alguns segundos e respondi: não necessariamente, pois o que teremos são novas relações.


Não estou sendo demagogo e nem me defendendo, pois afinal sou amante da tecnologia, em especial a que nos coloca em conectividade com o mundo (tenho Face, Twitter, Smartphone, e-mails, Skype...). Estou falando das relações que teremos no século XXI, diferente do que tivemos até então. Outro lugar, não um lugar melhor ou pior, apenas um novo lugar.


Ah, então quer dizer que não é ruim? A resposta não é tão simples. Ao se deparar com a tecnologia, podemos utilizá-la de forma a nos colocar em contato com o Mundo desconhecido ou distante, o que é bom. Quantos amigos reencontramos pelo Facebook? Quão rápidas são as informações via celular/Skype/Face/E-mail? Então isso é ótimo. Mas... sabemos usa-la? Creio que não, infelizmente!


Vejo pessoas que têm mais de 1000 (isso mesmo, Mil) “amigos” no Face, mas poucos reais. Pessoas que se isolam na solidão da net e vive um mundo totalmente virtual. Um mundo que só existe em sua fantasia, por medo de se relacionar. Quantos amigos ficam nos bares com seus smartphones postando algo, seja no Face, Twitter, ou, no mais recente Whatsapp.


Pergunto-me: para que? Por quê? O bom da vida é estar, de fato, com pessoas que amamos, é conversar, brigar, brincar, rir e chorar “ao vivo”.

Então, em suma: a internet, ou apenas net, não é ruim, pelo contrário, é excelente, mas o que fazemos dela é o grande problema. Aí podemos nos questionar: o que nos levou a nos enfiarmos no mundo virtual e esquecer-se do real? Será que é apenas a magia narcísica de estar em vários lugares ao mesmo tempo? Ou será nosso medo de dar a cara a tapa e mostrar quem realmente somos?
 

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