quinta-feira, 14 de novembro de 2013

EFEITO LÚCIFER

Por Dann Toledo


"O mal é o exercício do poder"
Philip Zimbardo
 
 
 
Como pessoas boas podem se tornarem más?
 
 
A dualidade sempre permeou em nossas crenças.
O bem e o mal, o feio e o belo, o Yin e o Yang. O dualismo sempre foi tido como premissa em tudo.
 
Mas, o que faz uma pessoa boa se tornar um carrasco?
 
Há algumas décadas, foi realizado um experimento revolucionário, emblemático e extremamente estigmatizado.
 
No experimento de Stanford, Zimbardo comprovou que em situações de poder, o indivíduo tente ao mal.
 
Basicamente o experimento da prisão de Stanford consistia em uma representação de uma prisão real que foi montada no porão da universidade, onde voluntários foram separados entre guardas e prisioneiros. Os prisioneiros receberam números pelos quais eles seriam chamados durante o experimento.
 
Aos guardas foram dadas as seguintes instruções:
 
"Vocês podem gerar nos prisioneiros sentimentos de tédio, de medo até certo ponto, transmitir-lhes uma noção de arbitrariedade e de que suas vidas são totalmente controladas por nós, pelo sistema, por vocês e por mim, e não terão privacidade alguma... Nós vamos privá-los de sua individualidade de diversas maneiras. De um modo geral, isso fará com que eles se sintam impotentes. Isto é, nesta situação nós vamos ter todo o poder e eles nenhum."
 
Resultado:
 
Os prisioneiros sofriam - e aceitavam - tratamentos humilhantes e sádicos por parte dos guardas e, como resultado, começaram a apresentar severos distúrbios emocionais. Após um primeiro dia relativamente sem incidentes, no segundo dia eclodiu uma rebelião. Guardas voluntariaram-se para fazer horas extras e trabalhar em conjunto para resolver o problema, atacando os prisioneiros com extintores de incêndio e sem a supervisão do grupo de pesquisa. Seguidamente, os guardas tentaram dividir os prisioneiros e gerar inimizade entre eles, criando um bloco de celas para "bons" e um bloco de celas para "ruins".
 
O experimento conduzido por Zimbardo nos mostra de uma forma mais explícita o que acontece a todo o momento em nosso meio social.
 
Minha mãe conta que quando ela trabalhava numa repartição pública um de seus colegas de trabalho que era extremamente gentil e cortez se tornou chefe por um breve período e que com o passar dos dias ele se tornara um déspota, ao ponto que passara a humilhar os antigos colegas de trabalho, agora subalternos dele.
 
Situações como essa fazem-nos perceber que esse dualismo entre o bem e o mal, é de certa forma fictício, tendo em vista que a oscilação entre ele vai depender muito do meio onde o indivíduo está inserido.
 
Assim como o Anjo de Luz em uma situação extrema rebelou-se e se tornou o maior adversário do Bem, nós também estamos passíveis a isso durante todo o tempo.


 



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